NOVA HISTÓRIA DE VILA DO CONDE

Por António do Carmo Reis

 

          Não é de facto, a primeira História que se escreve sobre Vila do Conde. E segue a tradição historiográfica enquanto se orienta, desde as origens à actualidade, pelo fio da cronologia, no qual se encontra sempre a referência mais segura para entender a evolução de uma comunidade no tempo. Aparece, no entanto, como uma Nova História. Porque, na verdade, a sua preocupação principal é explicar o acontecimento em seus contextos, o regional, o nacional, o europeu. Ultrapassa a crónica narrativa, o pormenor, o episódico, e vai ao encontro da compreensão global onde a luz das condições e motivações se derrama sobre a complexidade do facto. Esta obra de síntese — pois que a ela convergem e nela se resumem múltiplos estudos até agora feitos — pretende ser uma base de trabalho para que, doravante, não haja necessidade de repetição do que já foi escrito; para que aos jovens historiadores se coloque o desafio de realizar a pesquisa do tempo inexplorado e aprofundar-lhe o conhecimento. António do Carmo Reis

 

           António do Carmo Reis é natural de Modivas, Vila do Conde, onde nasceu, em Janeiro de 1942, filho de Arnaldo dos Santos Reis e de Mílvia do Carmo. Fez a instrução primária na sua terra natal, aluno da professora Maria da Conceição Maia Benevides. Frequentou o Seminário do Porto, onde concluiu o curso de Teologia, no ano de 1965, sendo reitor Monsenhor Miguel Sampaio. Entre 1966 e 1970, cumpriu o Serviço Militar (com dois anos de Guerra Colonial em Angola). Professor do Ensino Secundário e do Ensino Superior, membro da Associação Portuguesa de Escritores, é Licenciado em História, Mestre em História Moderna e Doutor em Letras, na especialidade História Moderna e Contemporânea, pela Universidade do Porto. Na Bibliografia de que é Autor (a qual, para além de manuais de História e de Introdução à Política, ultrapassa três dezenas de títulos), tem privilegiado os estudos e ensaios sobre a época dos Descobrimentos e sobre o tempo do Liberalismo.

 

                 O drama da Humanidade situa-se no tempo, é movimento sobre o território, é resposta da inteligência ao desafio da Natureza. A História é precisamente isso, a realizar-se como Civilização que nasce da Cultura e por ela vive, tanto quanto o corpo vive da alma. Antes da História não havia nada que fosse humano e, «no princípio, era o Verbo». Lançamos a sonda à maior profundeza das origens. Somos comunidade que participa da multidão, e vimos de longe com a herança de todos os combates em múltiplas circunstâncias. Perguntamos pela nossa identidade e logo nos direccionamos para o vale originário da Pátria comum onde a aventura do Ocidente lança raízes.  ...,...   (de: Introdução) 

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