Assédio moral ou psicológico na universidade

  • Objetivo deste "site"
  • O que é assédio psicológico
  • Perfil do agressor
  • Formas de assédio psicológico
  • Efeitos do assédio psicológico
  • Como se defender (fase inicial)
  • Como se defender (segunda fase)
  • Mecanismos institucionais de proteção
  • Curando as feridas
  • Links para outros sites

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    Mecanismos institucionais de proteção

        Toda universidade deveria ter mecanismos capazes de proteger os estudantes de assédio e de punir os agressores. Nos países de "primeiro mundo" isso já acontece. No Brasil, as coisas caminham mais lentamente, mas precisam também mudar. 
        Os estudantes podem se mobilizar para ajudar a criar tais mecanismos. Os passos principais são:

    1. Aprovar um documento descrevendo os direitos dos estudantes e regras de identificação de assédio psicológico (podem utilizar, como ponto de partida para discussão, as páginas deste "site").
    2. Obrigar os representantes estudantis (de todos os níveis) a defenderem esses princípios. Se os representantes forem inoperantes, devem ser substituídos por outros. Os representantes devem não apenas defender os princípios gerais, mas também defender os estudantes, com base nesses princípios, em casos específicos de assédio psicológico.
    3. Solicitar à universidade, em todos os seus níveis (departamento, instituto / centro / faculdade, reitoria, coordenações de graduação e de pós-graduação, etc.) que adotem os documentos aprovados ou que aprovem outros semelhantes.
    4. Solicitar à universidade, em todos os seus níveis (departamento, instituto / centro / faculdade, reitoria, coordenações de graduação e de pós-graduação, etc.) que criem mecanismos de prevenção, diagnóstico, averiguação e punição de professores eventualmente responsáveis por assédio psicológico. 
        Nenhuma instituição dirá, publicamente, que é contra a prevenção e punição de assédio psicológico. Desde que haja uma efetiva pressão dos estudantes (preferivelmente com apoio da imprensa), poderão ser obtidos bons resultados em curto prazo. 
        Os estudantes podem também promover discussões públicas sobre o assunto, convidando especialistas e autoridades da universidade. Podem promover enquetes entre os estudantes, para poderem dispor de dados a respeito da ocorrência das diferentes formas de assédio psicológico na instituição. Podem fazer divulgação, entre os estudantes, de seus direitos. Quanto maior a movimentação e a visibilidade com a qual os estudantes se emprenharem por esta causa, maior a chance de obter sucesso.
        Para mover uma campanha desse tipo, os estudantes podem se apoiar em organizações como a própria UNESCO, que realiza uma campanha contra a violência em todos os âmbitos (especialmente na educação). Podem, também, tentar obter apoio de organizações não governamentais relevantes (ONGs), da Secretaria Estadual de Educação, do Ministério da Educação, etc. Há muita coisa que pode ser feita, se os estudantes se organizarem.
        Prevenir é muito melhor do que punir. Se alguns grupos de estudantes se convencerem de que vale a pena lutar por essa causa, para banir o assédio psicológico do ambiente universitário, não tenho dúvidas de que terão sucesso. Estão esperando o que?
        É claro que nada disso deveria ser necessário. As universidades deveriam tomar a iniciativa de proteger seus estudantes e de criar um ambiente adequado. 
        Muitas instituições estão voltando sua atenção para temas como a cultura para a paz, a educação para a cidadania e outras iniciativas destinadas a transformar positivamente a sociedade, em direção a um aprimoramente ético. é dentro desse movimento global atual, liderado pela Unesco, que se insere a presente proposta.  
        Uma comissão internacional de cientistas elaborou recentemente um documento em que apresenta um consenso a respeito da ausência de justificativa científica para a perpetuação da violência como forma de resolver conflitos humanos. O assédio moral, como outras formas de violência, deve ser combatido e substituído por outros tipos de ações não violentas, que preservem os direitos humanos. 
        Assim como o assédio moral é inadmissível e se tornou um crime, na esfera trabalhista, o mesmo deve ocorrer em outros âmbitos. 
        Para extirpar o assédio moral em cada tipo de ambiente, é necessário desenvolver um trabalho de conscientização e educação, além de criar mecanismos de defesa das vítimas e de punição dos agressores. 
        Não bastam leis ou regras. é necessário que existam mecanismos especiais, diferentes em cada ambiente, para que as leis ou regras sejam cumpridas. é necessário contar com a colaboração da maior parte das pessoas envolvidas, em cada ambiente - e isso depende de um processo de mudança cultural. O assédio psicológico só existe, de forma a generalizada, porque há uma cumplicidade entre os agressores e uma omissão por parte dos que tomam conhecimento do assédio mas nada fazem a respeito. 
        As vítimas precisam aprender a respeito de seus direitos e dos mecanismos que devem e podem utilizar para se proteger. Os agressores devem ser instruídos a respeito do caráter criminoso e inaceitável de suas ações, e das puições a que estão sujeitos. Todos devem aprender a se comportar como cidadãos, defendendo a justiça, não fechando os olhos àquilo que não o atinge pessoalmente e sim apoiando as vítimas de violências. 
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