Assédio moral ou psicológico na universidade

  • Objetivo deste "site"
  • O que é assédio psicológico
  • Perfil do agressor
  • Formas de assédio psicológico
  • Efeitos do assédio psicológico
  • Como se defender (fase inicial)
  • Como se defender (segunda fase)
  • Mecanismos institucionais de proteção
  • Curando as feridas
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    Efeitos do assédio psicológico

        Dependendo da intensidade e freqüência do assédio, ele pode produzir efeitos arrasadores, mesmo no caso de estudantes que eram seguros e bem estruturados. 
        O estudante submetido a assédio psicológico sofre violências que muitas vezes começam de forma sutil, gerando um desconforto que ele próprio acha que é suportável. Aos poucos, a repetição (e o aumento de intensidade) vai tornando a situação cada vez mais terrível, mas o estudante pode não saber como escapar do assédio. 
        Os primeiros sintomas são um mal-estar ao ter de se defrontar com o assediador; sentimento de incapacidade, de que não serve para nada ou de que faz tudo errado; sentimentos de fraqueza, cansaço, sono ou insônia, confusão; tristeza difusa, que interfere em outros momentos do dia-a-dia; falta de motivação; depressão. Podem surgir compulsões, como a de ficar se lavando repetidamente, ou de arrumar e arrumar de novo o quarto - ficar repetindo coisas que nunca ficam boas, na sua própria opinião.
        Algumas pessoas sofrem mais sintomas físicos do que outros, como dores de cabeça, tontura, dores pelo corpo. O sofrimento psicológico reduz a imunidade, havendo então uma suscetibilidade aumentada a resfriados, problemas de pele, diarréia, vômitos, etc. Podem surgir efeitos mais graves, que comprometem a saúde mental e física da pessoa, a partir do abatimento geral que vai se instalando. 
        A vida social também se degrada. A pessoa submetida a assédio tem sua auto-estima reduzida, e sentindo-se um lixo não tem vontade de manter relacionamentos adequados com outras pessoas. A vida sexual se deteriora, os relacionamentos familiares ficam frios, a pessoa assediada normalmente se isola. 
        Dependendo da forma como o assédio é executado pelo agressor, a pessoa passa a ser mal vista em seu ambiente, é ridicularizada por outros, chamada por apelidos e nomes desagradáveis, e o assédio, por assim dizer, se amplia, sendo agora realizado não apenas por uma pessoa mas por várias - incluindo colegas. As próprias tentativas de se defender e de denunciar o assédio podem ser transformadas em acusações de que o estudante sofre de "mania de perseguição", de que reclama indevidamente. 
        Quando o assédio funciona (e geralmente funciona), a pessoa agredida não se sente capaz de reagir ou de impedir as agressões. Assim como, no trabalho, o empregado não reage porque tem medo de perder o emprego, de forma semelhante o estudante não reage por medo das conseqüências. Afinal de contas, o professor tem poder, pode reprová-lo, pode até mesmo criar situações que o levem a abandonar seu curso. O temor é mais forte quanto há uma relação direta de orientação entre o professor e o estudante (desde o nível de iniciação científica até o de pós-graduação e mesmo pós-doutorado). Nesses casos, qualquer reação do estudante pode significar perder toda a possibilidade de prosseguir seu trabalho de pesquisa e pós-graduação. 
        Além disso, o estudante normalmente confia nos professores, inicialmente, e espera que eles estejam corretos. Por isso, ele fica inicialmente confuso, não sabe se a culpa é dele próprio ou do professor. Torna-se confuso, incapaz de discernir o que é normal, o comportamento que se pode esperar de um professor e o que já se pode entender como abusivo. Por medo e insegurança, o estudante que sofre de assédio moral perde quase totalmente a capacidade de defender-se.
        Mesmo quando percebe que está sendo vítima de abusos, o estudante não sabe como se defender. Ele teme que outros professores, em vez de ajudá-lo, apoiem o agressor. A universidade pode não dispor de ouvidoria e de outros mecanismos de defesa dos alunos. Podem não existir representações estudantis atuantes para defendê-lo. 
        O agressor normalmente age em ambientes nos quais já existem precedentes de assédio psicológico sem punição dos culpados. O estudante pode conhecer histórias de outras pessoas que já passaram por situações semelhantes e que não conseguiram fazer nada para se defender. Pode observar, à sua volta, uma atitude passiva de seus colegas. Pode observar uma cumplicidade entre os professores, que toleram ou mesmo apóiam o assédio cometido por seus companheiros de trabalho. 
        Quando o agressor percebe que a vítima está conformada, submissa, fraca, então perpetra com mais contundência o assédio psicológico. A percepção de que a vítima já não sabe reagir e não reagirá às suas atitudes permite ao agressor agir mais livremente. As agressões se tornam piores e mais freqüentes, transformando em um inferno a vida do estudante assediado. Aquele que assedia se torna, conscientemente, em um torturador.
        A pessoa submetida a um assédio intenso e duradouro tem sua vida comprometida gravemente. Os sintomas e distúrbios anteriormente citados costumam ter longa duração. Mesmo depois que a pessoa deixa de sofrer o assédio, é normal que ainda padeça de seus sintomas, uma vez que tem dificuldade de esquecer o desprezo a que esteve submetida, muitas vezes transformado em experiência traumática.
        É importante não deixar que a situação chegue a um ponto de produzir graves danos. Por isso, se você sofre assédio, é importante manter sempre em mente essas duas regras fundamentais:

  • QUEM É O CULPADO: A culpa NUNCA é da vítima. É sempre do agressor. Se fizer coisas erradas, você pode ser criticado, punido ou aconselhado, mas sempre de forma polida e ética. Quem comete assédio viola a ética e, por isso, nunca tem razão. 
  • VOCÊ PODE AGIR: Embora as situações de assédio sejam extremamente difíceis, há coisas que você pode fazer para tentar se livrar do assédio e para que o agressor seja punido.
  •     É preciso aumentar sua auto-estima, para perceber o que está ocorrendo e ver claramente que está sendo uma vítima de um crime.
        É preciso começar a planejar defesas e reações efetivas. Vejamos como isso pode ser feito.
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