Objetivo
deste "site"
O
que é assédio psicológico
Perfil
do agressor
Formas
de assédio psicológico
Efeitos
do assédio psicológico
Como
se defender (fase inicial)
Como
se defender (segunda fase)
Mecanismos
institucionais de proteção
Curando
as feridas
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Como
se defender do assédio psicológico (1)
Há
vários aspectos a serem considerados, se você está
sendo vítima de assédio psicológico. Em primeiro lugar,
você precisa adquirir forças, sentir-se melhor, ficar mais
confiante: precisa sair do abismo. Em segundo lugar (mas, às vezes,
antes do que foi dito antes), precisa de obter apoio por parte de outras
pessoas. Em terceiro lugar, precisa se preparar para reagir. Em quarto
lugar, deve contra-atacar o agressor.
1) Sair do abismo
As sensações
que acompanham o assediado, constantemente, são a de impotência,
de fraqueza, de que está diante de algo que não pode ser
evitado, e de que ele próprio é indigno e culpado do que
acontece. A própria incapacidade de reagir produz humilhação
e auto-desprezo.
É
preciso aumentar sua auto-estima, para perceber o que está ocorrendo
e ver claramente que está sendo uma vítima de um crime.
Você
precisa ver, claramente, que o problema está FORA de você.
Expulse de sua mente a auto-flagelação. Se você for
uma pessoa religiosa, ampare-se na sua religião e perceba que você
é uma pessoa de essência divina, que não pode ser um
lixo como está sendo levada a acreditar.
Procure
afastar-se o mais que puder das situações de assédio,
durante um tempo, para se sentir melhor. Volte-se para atividades que lhe
dão prazer, que lhe mostram que você é um ser humano
cheio de coisas boas.
Neste
momento, você não consegue reagir. Do modo como você
está, se tentar reagir cometerá erros e não obterá
sucesso. Não faz mal, logo você saberá como agir. Por
enquanto, é um momento de recuperar as forças.
Você
precisa cuidar do assédio, antes de mais nada, dentro da sua
cabeça. Não aceite ser torturado, não aceite o
assédio - pelo menos, quando estiver sozinho em sua casa.
Ou seja: utilize mecanismos de defesa psicológica, para lutar contra
a IMAGEM do assediador que está se fixando em sua mente, que o atemoriza,
que o faz sofrer.
Se puder,
busque auxílio psicológico profissional. Se não puder,
utilize "truques" que podem ajudar a se defender mentalmente. Por exemplo:
escolha um objeto que possa simbolizar o agressor (ou agressora). Pode
ser um boneco/boneca, uma almofada, uma pedra, etc. Pode ser também
uma fotografia do torturador. Quando estiver sozinho, em um local protegido
de olhares (e ouvidos) curiosos, xingue e insulte o objeto que simboliza
o agressor, bata nele, pise sobre ele, submeta-o a humilhações
(por exemplo, você pode urinar sobre ele, cuspir, pode sujá-lo),
diga-lhe que ele não tem poder e que você está se libertando
dele. Depois coloque dentro de um saco de lixo e guarde para repetir a
mesma coisa nos dias seguintes.
Você
precisa substituir a imagem poderosa do agressor por outra, dentro de você.
Pegue um papel e vá fazendo uma lista das fraquezas e aspectos negativos
do assediador. Se surgirem à sua mente aspectos positivos e fortes
do agressor, escreva também e depois risque e rabisque essas coisas,
com vontade. Você precisa destrui-lo, dentro de você.
Voltando
à comparação com as estórias de Harry Potter,
há um treino que os jovens bruxos faziam que consistia em lutar
contra aquilo de que tinham mais medo. O pior medo de cada um se materializava,
ia atacá-lo, e ele precisava se controlar e fazer com que aquele
ser apavorante se transformasse em uma coisa ridícula. É
isso o que você precisa fazer, dentro de sua mente, com seu agressor.
Ele é RIDÍCULO. Imagine o assediador (ou, se conseguir, desenhe,
ou faça uma montagem no computador) com roupas do sexo oposto, ou
vestido e maquilado de palhaço, ou com qualquer outra roupa ou corpo
ou adereços ridículos, ou em posturas e atividades ridículas.
É assim que você precisa se acostumar a vê-lo. Quando
precisar encontrar o agressor, prepare-se antes, pensando nele como uma
pessoa ridícula, desprezível.
Note
que todas essas "receitas" que estão sendo dadas aqui são
atitudes e atividades inaceitáveis, em outras circunstâncias.
Mas, na sua situação, você tem o direito e o dever
de fazer tudo isso. Note, também, que não se trata de DIFAMAR
o agressor. Trata-se de coisas que você está fazendo para
você mesmo, para se sentir mais seguro e forte e poder lidar com
a situação de uma forma adequada.
2) Procurar apoio
Além
de apoio psicológico profissional (como já foi dito acima),
você precisa de apoio de amigos, familiares e colegas.
A vítima
de assédio se sente sozinha, desprotegida, fraca. Muitas vezes tem
tanta vergonha da situação que nem conversa sobre o que está
acontecendo com outras pessoas - o que aumenta ainda mais a solidão
e o sentimento de impotência. É preciso superar este obstáculo.
Você precisa partilhar o seu sofrimento, precisa ser capaz de falar
sobre o que está acontecendo e sobre o que está sentindo.
Além de ser um desabafo, isso vai também servir para outros
passos da defesa e contra-ataque, como veremos depois. Assim, se possível,
converse com outras pessoas sobre o que está acontecendo e sobre
o que está sentindo. Para isso você deve procurar pessoas
que gostem de você e que simpatizem com os seus sentimentos.
É
também necessário fugir de pessoas que possam contribuir
para sua sensação de fraqueza. Há, infelizmente, à
nossa volta, pessoas fracas e negativas que poderiam lhe dizer que isso
é assim mesmo, que você precisa se adaptar e aceitar, que
acontece com todo mundo e não há nada a fazer. Familiares
mais velhos (especialmente mães) podem ter esse tipo de postura.
Não partilhe suas preocupações com pessoas desse tipo.
Feche-se a elas. Elas só vão poder prejudicá-lo, na
situação de assédio.
Se não
conseguir conversar com ninguém, escreva cartas sobre o que
está acontecendo e sobre o que está sentindo. Não
precisa enviar essas cartas para ninguém. Pode, se quiser, escrever
para o e-mail que está no fim desta página (mas não
espere que eu possa lhe responder). É importante falar ou escrever
para que você possa articular suas idéias, lidar com elas,
conscientizar-se do que se passa. Isso vai melhorar a sua situação
psicológica.
O melhor
tipo de apoio que você pode tentar obter é o de colegas que
estão presenciando a situação e que talvez estejam
também sofrendo assédio. No momento atual, não é
necessário planejar nenhuma ação conjunta (isso fica
para daqui a pouco). É importante apenas criar um sentimento de
união contra o assediador, e de apoio psicológico mútuo.
Você não se sentirá tão sozinho se puder partilhar
seu sofrimento com outras pessoas que passam (ou passaram) por uma situação
parecida.
Passemos,
agora, à fase seguinte:
Como
se defender (segunda fase) |