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Capítulo 5

Dezoito Primaveras

E os dias foram passando. A mãe de Amanda já não era tão dedicada à filha, tratava esta com uma certa frieza, mas que dia diminuindo a cada dia. O tempo é o senhor do universo, e tratou de resolver a situação, até chegar uma hora que era quase imperceptível qualquer rastro de ressentimento por parte da mãe.

Um ano se passou e, novamente, chegou o aniversário de Amanda. Dezoito primaveras.

Quando acordou, ela se olhou no espelho. Foi a primeira coisa que fez.

Estava com medo de encarar seus pais. Fazia um ano desde que tudo havia acontecido. Imaginava como ficaria o clima entre ela, Amanda, e seus pais.

Ninguém havia nem mencionado a hipótese de haver uma comemoração, uma festa nessa vez. "É melhor assim", pensavam todos naquela casa.

E, tomando coragem, Amanda tentou fazer a cara mais natural possível e tomou caminho para a sala de jantar, onde seus pais deveriam estar tomando seu café da manhã.

Ao chegar na mesa, seus pais sorriram, encorajando-a, e diziam:

-Feliz Aniversário!

-Parabéns!

-Agora você já é adulta!

E frases do tipo, que deixaram Amanda mais tranqüila perante aquela situação.

Não houve bolos deliciosas com dezoito velas acessas, iluminando um pequeno espaço, absolutamente. Nem Parabéns à você. Amanda não sentiu falta ou reclamou, afinal não gostava daquelas coisas mesmo. Morria de vergonha, nunca sabia se cantava também, se batia palmas. E quando cantavam uma musiquinha boba, para ver com quem ela, Amanda, casaria? Ela tinha vontade de enfiar a cara no bolo, de tanto constrangimento! Por todos fatores, e mais alguns que variavam de ano para ano, Amanda quase agradeceu por não haver bolos, velas, músicas tolas, ah!

Amanda e seus pais tiveram um café da manhã tranqüilo. Comeram em paz, conversando sobre assuntos de pouca importância. Não houve brigas ou discussões, absolutamente, coisa que acontecia freqüentemente, nos últimos tempos.

Amanda não foi à aula naquele dia, e isso havia sido o presente de seus pais.

À tarde chegou e com ela algumas pessoas vieram visitar a aniversariante. Amigos, parentes e simpatizantes da família, trouxeram presentes e marcaram presença naquele dia.

Quando já estava escurecendo, Lílian, que havia ido na casa de Amanda, também, e passado o dia lá, estava olhando tudo que a outra havia ganhado.

-Uau, Amanda, olha que legal essa calça jeans toda rasgada? �falou Lílian, encantada com a calça destruída.

-Não sei... não gosto muito. Não faz meu tipo! Não combina comigo... �falava Amanda.

-Hum... Ah, amiga! Agora abre o meu presente, que você ainda não abriu! �exclamou Lílian, fazendo biquinho, para mostrar que estava triste e entregando uma caixa bem grandinha para Amanda, que a pegou, já começando a abrir. �Espera, Amanda! Tenta adivinhar, antes, o que é... �falou Lílian, entusiasmada.

-Sério? -perguntou Amanda, nem um pouco animada.

-Ahan... vai! Chacoalha e tenta adivinhar...

-Está certo. �Amanda balançou a caixa, que fez um barulho estranho. �Um abajur?

-Que abajur, Amanda! Tenta de novo...

Foi aí que de dentro da caixa saiu um som parecido com um...

-Latido? �gritou Amanda, abrindo a caixa, impaciente. �Ai, meu Deus! É um cachorro!

-Sim, não é lindo? Minha cachorra deu cria, e não sabíamos o que fazer com os filhotes. Aí, me lembrei de você! Gostou?

-Sim, claro, é uma graça... �falou Amanda, suspendendo o animalzinho no ar. era tão pequeno, parecia uma bolinha. Tinha um pêlo marrom, tão macio.

-Escolhe um nome! �falou a mãe, que junto com o marido, contemplava o bichinho, que agora andava pela sala.

-Eu não sei... nunca fui boa nessas coisas de criatividade, de dar nome... Dêem sugestões, vai... �falou Amanda.

-Vamos ver... ele é fofinho, e tão pequeno! �disse Lílian, andando em círculos, em volta do cachorrinho. �Parece uma bolinha e dá vontade de ficar apertando-o o tempo todo. Tem que ser um nome que mostre isso... Mas ele vai crescer! Hum... hoje não estou inspirada... �ela coçou o queixo.

-Já sei! �falou o pai. �Chuckie! Pode ser Chuckie!

-Chuckie, pai? Não sei, não gostei muito, não...

-O que você tem contra Chuckie? Eu tive um cãozinho chamado Chuckie? �falou o pai.

-E o que aconteceu com ele, tio? �perguntou Lílian.

-Bem, ele morreu. �explicou o pai. �Atropelado.

-Ai, pai, que horror!

-Vinícius, querido, colocar o nome de um morto num ser vivo? Trás azar.

-Tio, essa não funcionou...

-Ah, era uma opnião, somente. �falou o pai de Amanda.

Ficaram um tempo pensando em um nome. Tobby, Bob, Bolinha, Bem, Alan. Esses e mais alguns nomes foram sugeridos, mas nenhum agradou Amanda. Até que esta, de repente, deu uma sugestão:

-Por que não chamamos essa coisinha fofa de Xodó? É um bom nome...

-É, é legal! Gostei, amiga! �falou Lílian, enquanto afagava a cabeça do quase Xodó.

-Xodó é bom. �falou a mãe. �O que você acha, Vinícius?

-Eu acho perfeito. �falou o pai.

-Certo, já que todos aprovaram e concordaram... Eu batizo você, novo integrante da família Mendes, de Xodó! �e, falando isso, Amanda fez uma reverência, enquanto todos riam e aplaudiam, não só à ela, mas àquele dia que não podia ter acabado melhor.

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