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05/03/2004

Ligia Fiorio
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Os tupiniquim: "Igual peixe, criado em cativeiro para continuar vivo"

As áreas Tupiniquim, visualmente, possuem características diferentes dos costumes nativos. Terrenos demarcados e casas de alvenaria são comuns na aldeia que já possui água encanada e energia elétrica. Alguns costumes ainda se preservam, mas as mudanças estão muito presentes. Na aldeia há, atualmente, 36 alunos cursando o ensino superior, incentivados por outros índios que já são formados e estão trabalhando. "Não tem como manter as origens e competir no mercado de trabalho", completa Lauro Martins.

Entre os Tupiniquim, os exames são realizados normalmente, mas a entrevista é decisiva para saber se o indivíduo será incluído na pesquisa. "Devido à miscigenação presente nas aldeias Tupiniquim, estamos considerando índios para a pesquisa apenas aqueles que têm pais e avós índios. Mas isso não impede que os exames sejam realizados em toda a população", explica o coordenador do projeto, professor José Geraldo Mill.

"Igual peixe, criado em cativeiro para continuar vivo. Se quisermos preservar o que ainda há de floresta precisamos mudar alguns hábitos. Para construirmos nossas casas como faziam nossos avós seria preciso derrubar muitas árvores", explica Lauro Martins. Os tupiniquim só pescam para o consumo, possuem uma pequena agricultura de subsistência e trabalham com fomento de eucalipto, e toda a produção é vendida para a Aracruz Celulose.

O eucalipto plantado nas áreas indígenas foi repassado para as aldeias em 1998 através de um acordo entre a Aracruz Celulose e as populações indígenas. O acordo aconteceu após a auto-demarcação das terras indígenas, uma mobilização das populações indígenas que contou com o apoio do Conselho Indianista Missionário (Cimi) e da sociedade civil organizada.

"Através deste acordo, a Aracruz devolveu para os índios as suas terras e passou a pagar pelo eucalipto plantado nas terras indígenas", conta Edelvira Tureta, chefe do posto da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Caieiras Velha.

A Funai está ligada ao Ministério da Justiça e é responsável pelo acompanhamento das questões jurídicas e pela preservação dos direitos indígenas. "Ajudamos os índios em todas as suas reivindicações e as acompanhamos junto aos governos Federal e Estadual, ao Ministério Público e às empresas. São desde questões familiares à de meio ambiente", esclarece Edelvira.

A preocupação com o meio ambiente se tornou primordial entre os índios. Além das questões de costumes, os índios estão preocupados com a questão do reflorestamento. "Tudo é um trabalho de conscientização. Da mesma forma que é preciso cuidar da nossa saúde com um trabalho preventivo, é importante cuidar do meio ambiente, sobretudo com reflorestamento nas costas dos rios e nas nascentes", afirma Lauro.

Na aldeia de Caieira Velha, está localizada a sede da Associação Indígena Tupiniquim Guarani, o Posto da Funai e a Unidade de Saúde.

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