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Doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo Hipertensão e arteriosclerose são as principais doenças que antecedem o derrame e o infarto As doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo. Em Vitória, 32% das mortes registradas em 2001 tiveram origem cardiovascular, sendo que 67% dessas mortes tiveram como causa o infarto e o derrame. "Os desfechos são o infarto e o derrame, mas são doenças anteriores que levam às mortes, principalmente a arteriosclerose e a hipertensão arterial", esclarece o professor José Geraldo Mill. A arteriosclerose ocorre quando há o endurecimento dos vasos sangüíneos pelo depósito de placas de gordura que dificultam a circulação do sangue. Pode acontecer em qualquer veia do corpo, mas quando acontece nas coronárias e nas artérias cerebrais causa o infarto e o derrame. Já a hipertensão arterial é causada pelo entupimento dos vasos sanguíneos. Se acontecer em alguma artéria que alimenta o coração, leva ao infarto, ao passo que se acontecer no vaso sangüíneo que irriga o cérebro, causa o derrame. Para reduzir o número de mortes, as doenças anteriores devem ser tratadas e prevenidas, porém as suas origens são desconhecidas. Os dois principais fatores considerados os responsáveis pela arteriosclerose e pela hipertensão arterial são a genética e os hábitos de vida. No entanto, são fatores amplos e muito genéricos. Nem todos os indivíduos que possuem predisposição familiar desenvolvem a doença, ao passo que outros, mesmo não tendo predisposição familiar, desenvolvem a doença. Isso reflete a influência dos hábitos de vida para a prevenção desses males, e também demonstra a necessidade de se identificar os fatores genéticos para que se determine o grau de prevenção necessário para uma determinada pessoa ou para uma população. "O monitoramento cardiovascular para quantificar os fatores genéticos e ambientais realizado pelo projeto Monica permitirá a identificação de quais populações têm mais predisposição para o desenvolvimento dessas doenças. Isso será feito a partir da identificação dos genes que predispõem na população o crescimento das doenças. Num futuro próximo será possível fazer um diagnóstico antecipado e com muito mais segurança", explica o professor. O diagnóstico antecipado possui muitos benefícios para a saúde da população. "Quanto maior for o número de marcadores genéticos agregados, mais cedo a doença tende a se manifestar. Assim, a identificação de um risco maior possibilita um controle mais rígido dos hábitos de vida e da freqüência dos exames. É como acontece hoje, por exemplo, com o câncer de mama. As mulheres que possuem antecedente familiar da doença devem começar a fazer mamografia mais cedo e com mais freqüência." A possibilidade de efetuar o diagnóstico antecipado abre uma discussão ética sobre a questão que possui grandes interessados: as companhias de seguro e os Estados. Às companhias de seguro interessa o conhecimento antecipado das possíveis doenças que o indivíduo poderá desenvolver, o que se torna uma vantagem para as empresas, embora ilegal. A partir destas informações as companhias de seguro podem cobrar um valor mais alto pelo prêmio ou simplesmente rejeitar este cliente. A legislação americana proíbe o acesso ao diagnóstico genético, no entanto, a fiscalização é muito difícil. Afinal, para se ter acesso ao conteúdo genético de uma pessoa basta uma gota de sangue, a raiz de um fio de cabelo ou a saliva. Ao governo, por sua vez, interessa a possibilidade de efetuar o planejamento de estratégias de saúde pública para a população a partir do conhecimento do perfil genético da população. Leia também: Vitória é o primeiro município brasileiro a participar do 'Monica' Pioneirismo e particularidade entre os índios Os guarani, contato moderado e preservação dos costumes nativos Os tupiniquim: "Igual peixe, criado em cativeiro para continuar vivo" |
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