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Vitória é o primeiro município brasileiro a participar do 'Monica' Após três anos de trabalho os resultados de Vitória foram concluídos e deram origem a seis artigos publicados O mapeamento cardiovascular da população brasileira ainda não existe. Apenas o município de Vitória já possui esta avaliação, que faz parte de uma das etapas do Monica. Para identificar as características genéticas da população, e respeitar suas peculiaridades, o projeto leva em consideração a miscigenação. Assim, o Monica foi dividido em duas etapas: a primeira realizada na população de Vitória, que possui brancos, negros e mulatos; e a segunda, realizada com as populações indígenas do Estado. O estudo realizado em Vitória durou três anos, entre 1999 e 2001, e pesquisou 2.268 pessoas. "Para realizarmos o trabalho em Vitória trabalhamos com técnica de amostragem e estatística, auxiliados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A partir dos registros, sorteávamos uma casa e, nesta casa, uma pessoa. Abrangemos um bom número de pessoas, mas o ideal seria realizar o estudo na Grande Vitória, porém utilizamos os dados apenas do município de Vitória porque estavam organizados", explica o coordenador do projeto, professor José Geraldo Mill. Os resultados obtidos na pesquisa realizada em Vitória pautaram várias teses que deram origem a seis artigos publicados em revistas científicas. "O marcador THr164ile, que associa obesidade e hipertensão, é o mais recente artigo publicado na Revista 'Hipertension'", exemplifica Mill. Segundo o artigo, a pessoa obesa que possui este marcador tem mais chances de ser hipertenso. No início de 2003 começaram os estudos com as populações indígenas do Estado, os Guarani e os Tupiniquim. Os dois aldeamentos, com área demarcada e reconhecida pelo governo, estão localizados no município de Aracruz. "Os resultados obtidos com a pesquisa de Vitória serão comparados aos da população indígena. Os hábitos de vida são diferentes e as características genéticas também, sobretudo após anos de seleção natural." O programa hoje é realizado em 38 regiões no mundo, sendo que a Finlândia é o único país que tem o projeto desenvolvido em todo o seu território, com recursos do governo. No Brasil, a pesquisa realizada no Espírito Santo é pioneira, e os recursos são do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os dados obtidos em outros países não podem ser utilizados para estudar a população brasileira. "O Brasil é peculiar", diz Mill. O processo de colonização brasileira influenciou na formação populacional, que possui hoje características de miscigenação bem acentuadas. Leia também: Doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo Pioneirismo e particularidade entre os índios Os guarani, contato moderado e preservação dos costumes nativos Os tupiniquim: "Igual peixe, criado em cativeiro para continuar vivo" |
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