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Pioneirismo e particularidade entre os
índios
Desde o início de 2003, as populações indígenas do Estado, os Guarani e os Tupiniquim, foram inseridas no Monica. Fazem parte da pesquisa homens e mulheres com mais de 20 anos, o que soma aproximadamente 700 pessoas de uma população total em torno de 1.700 índios. Os estudos já estão sendo feitos e o processamento do material recolhido, com a análise do sangue, isolamento e identificação dos genes, durará entre dois e três anos. A partir da identificação do material, os dados genotípicos e fenotípicos serão cruzados a fim de se obter a associação entre os genes e as características da população. Antes de iniciar os trabalhos, a equipe esclareceu como seria a pesquisa e iniciou o projeto após o consentimento dos caciques e da Associação Indígena Tupiniquim Guarani, responsável pela política das aldeias e administração dos recursos, e que representa os índios guarani das aldeias de Três Palmeiras, Boa Esperança e Piraqueaçu, e os índios tupiniquim das aldeias de Caieiras Velha, Irajá e Pau Brasil. Para realizar as consultas há um novo trabalho de aproximação e esclarecimento com os índios, realizado pelos agentes municipais de saúde, que agendam as consultas nas unidades de saúde da aldeia. As crianças também recebem um atendimento especial com o acompanhamento de pediatras. Coletar sangue é um item que causa controvérsias. Alguns índios ainda têm medo, outros questionam o porquê da coleta e há quem o faça sem questionamentos. Paulo (ou Verar, em guarani) explica qual o seu medo: "nasci no mato e tenho medo do braço cair". Os índios que já tiveram contato com exames médicos não acharam estranho. Aurora e o pajé Jonas, que já tiraram sangue, não questionam nem se assustam. O questionamento sobre a coleta de sangue acontece por causa de casos anteriores em que pessoas se apresentaram como pesquisadores, coletaram sangue dos índios e não retornaram para explicar o resultado. "Muitos começaram e não terminaram, coletaram nosso sangue e sumiram, não voltaram nem para contar qual o resultado dos exames", esclarece Lauro Martins, tupiniquim que participa do projeto e vice-presidente da Associação. O Monica é bem recebido entre os índios, devido à proximidade e ao acompanhamento que a equipe tem com os moradores das aldeias. "Caiu do céu. Está sendo muito bom. É um trabalho preventivo que todos têm, além do resultado, o acompanhamento médico. É um dos melhores trabalhos que já foram feitos aqui", conta Lauro Martins. Desde o início do projeto na aldeia, ele já emagreceu 10 quilos e normalizou as taxas de colesterol. Leia também: Doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo Vitória é o primeiro município brasileiro a participar do 'Monica' Os guarani, contato moderado e preservação dos costumes nativos Os tupiniquim: "Igual peixe, criado em cativeiro para continuar vivo" |
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