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23/01/02

Ligia Fiorio
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Monitoramento cardiovascular desenvolvido no Espírito Santo é pioneiro no país e o primeiro a realizar o trabalho com as populações indígenas

Vitória foi o primeiro município do país a receber a pesquisa, com 2.268 participantes. A nova etapa do projeto envolve monitoramento cardiovascular dos índios

O projeto de Monitoramento Cardiovascular (Monica), parte de um programa da Organização Mundial de Saúde, tem como objetivo a identificação dos fatores de risco cardiovasculares de uma determinada população, a partir de um monitoramento, para trabalhar preventivamente. Através da pesquisa, é realizado o mapa de risco cardiovascular e formado um banco de dados com informações genéticas que permitirão efetuar um estudo sobre a relação genotípica - composição genética - e fenotípica - características apresentadas pelo indivíduo.

Exames médicos, análise do material recolhido e entrevistas sobre os hábitos de vida são realizados para obtenção dos dados. A equipe, formada por seis pessoas - três médicos, uma técnica de laboratório, uma de enfermagem e uma bolsista de iniciação científica do curso de Educação Física -, realiza o eletrocardiograma, mede a pressão, coleta sangue e urina e faz uma entrevista. Tudo para identificar as predisposições genéticas e os hábitos de vida da população.

A partir da coleta de sangue o DNA é isolado e são identificados os marcadores genéticos de hipertensão e diabetes. A análise dos genes que causam a arteriosclerose não será feita por falta de tecnologia, tempo e recursos financeiros. No entanto, o banco de dados formado será analisado em pesquisas futuras.

Os exames realizados avaliam hipertensão, alteração de colesterol, diabetes, rigidez das artérias, tamanho do coração e distribuição da gordura no corpo através da antropometria - levantamento das medidas do corpo humano (dobras cutâneas, peso e perímetro). A urina é coletada durante 12 horas para se avaliar os hábitos alimentares.

"O Monica envolve pesquisa e extensão", explica o coordenador do programa, o professor José Geraldo Mill. Segundo ele, quando são identificados problemas de saúde durante os exames da pesquisa, os indivíduos recebem tratamento médico imediato ou são encaminhados para o tratamento médico em hospitais.

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Intercâmbio trouxe o Monica para o Espírito Santo

O projeto Monica teve início no Espírito Santo em 1999, mas tudo começou em 1996

Durante uma reunião sobre questões cardiovasculares em Genebra, em 1996, o professor José Geraldo Mill teve conhecimento do trabalho da Organização Mundial de Saúde. No mesmo período, um aluno mestrando estava fazendo estágio na Itália, onde o Monica estava sendo desenvolvido. A partir de uma conversa, surgiu a idéia de trazer o projeto para Vitória. "A partir desta idéia inicial, em 1996, começamos a escrever o projeto. Técnicos da OMS nos ajudaram e então seguimos em busca de recursos para financiar a pesquisa. E no ano de 1999 demos início ao projeto no município de Vitória", conta o professor.

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