A aula de Biodança, deve oferecer um ambiente nutritivo e acolhedor onde a criança é aceita como ela é. Através da música, do canto, do movimento, e dos exercícios em grupo, elas vão se soltando, se expressando, se apresentando ao mundo com prazer e alegria.Vão tendo a permissão de ser! Aprendem a conviver com harmonia, a dar e a receber afeto. Com alegria e descontração vão sendo também trabalhados de forma integrada: o esquema corporal, a coordenação motora, a integração afetivo-motora, a linguagem, o ritmo, a socialização, aspectos afetivos e emocionais; enfim, os vários aspectos importantes de seu desenvolvimento.
As crianças compartilham de momentos alegres e prazeirosos com seus colegas, onde se sentem acolhidas, valorizadas, onde aprendem a superar suas limitações, cada uma a sua maneira, expressando seus potenciais.
É importante que o grupo tenha uma "certa homogeneidade", pelo menos em relação à capacidade das crianças em compreender as consignas e seguir orientações, e ao interesse nas atividades. À medida que vamos conhecendo melhor cada criança, temos melhores condições de colocá-la em grupos que facilitem mais sua evolução. A ajuda de uma pessoa que lide com as crianças (uma professora por exemplo, no caso de escola) pode ser muito valiosa.
Os grupos regulares devem variar de 8 a 12 crianças, com idade mínima de 5 anos. Grupos muito pequenos geram pouca energia; e com muitas crianças, fica impossível dar uma assistência adequada à cada uma delas. É imprescindível a presença de outros adultos atuando como co-facilitadores, que darão assistência mais individualizada a determinadas crianças, e ao grupo como um todo. A média é de 3 crianças por facilitador.
A sala de Biodança, deve ser acolhedora; porém sem nenhuma estimulação. As crianças se dispersam com muita facilidade com qualquer coisa. Muitas crianças adoram mexer no aparelho de som e nos discos. Temos que colocar limites desde o início, para que entendam que não podem mexer no equipamento. Algumas aprendem mais devagar, mas com o tempo, todas se concentram mais nas aulas, diminuindo a dispersão.
Nas instituições, uma sala apropriada se torna mais difícil, pois os espaços, de modo geral, são utilizados por vários profissionais que lidam com crianças.
As aulas de Biodança devem ter em média a duração de 50 minutos. As sessões que incluem vivências de expressão pelo desenho, colagem, argila, etc.podem demorar um pouco mais. Um fator importante na estruturação da aula é a simplicidade, dando foco nos exercícios básicos das linhas de vivência. A repetição é um elemento fundamental no trabalho, que deve estar mais presente, principalmente no início do grupo, podendo depois ser mantida de forma dosada, de acordo com as respostas das crianças.
Elas se soltam mais quando estão em um universo conhecido, familiar. Necessitam se sentir seguras, protegidas. O novo as ameaçam, estimulando suas defesas. Pequenas alterações como música que não conhecem, vivência que nunca fizeram, seqüência diferente dos exercícios, disposição da sala, adultos novos acompanhando as aulas, etc. necessitam de tempo para serem incorporados.
Quando as aulas apresentam uma curva de desenvolvimento relativamente estável, com a repetição de algumas vivências e músicas, as crianças se sentem mais seguras e se permitem expressar com maior desenvoltura. A repetição também auxilia a criança a se situar melhor dentro da sessão: adquirem noção de continuidade, de tempo, sabem quando a aula já está para terminar e aceitam com mais facilidade as vivências que estimulam maior entrega. Através da repetição as crianças vão aprendendo devagar a " hora de ativar" e a "hora de relaxar".
As primeiras aulas de Biodança são destinadas a criar um clima comunitário e definindo os novos padrões de respostas dos exercícios, fixando a estrutura da aula, que deve ser repetida, de uma maneira semelhante, durante 8 a 10 sessões, com os mesmos exercícios, as mesmas músicas na mesma seqüência. Esta primeira etapa permite a criança sentir-se segura e feliz, dentro daquilo que ela já conhece. 

Segundo o Modelo Teórico da Biodança as crianças com
  Síndrome de Down, passam pelas seguintes etapas evolutivas:

Etapa 1: criação do clima do grupo e adaptação ao processo - aprendizagem dos padrões básicos de respostas aos exercícios.
Etapa 2: do ritmo - conseguir respostas rítmicas mais precisas, movimentos mais coordenados e auto controlados.
Etapa 3: passagem do ritmo para a melodia - integração emoção/movimento. Quando as crianças atingem esta fase, significa que deram um enorme passo evolutivo, representando um nível avançado de integração neurológica.
Etapa 4: expressiva-criativa - expressão das emoções através da dança, com movimentos coordenados, sensíveis e expressivos.

Saiba mais sobre a Biodança e a Síndrome de Down
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