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Estevam Soares, o novo comandante do Verdão fez um grande trabalho na Ponte Preta e, recebeu um convite do Palmeiras onde não pensou duas vezes para aceitar o pedido e realizar o sonho de dirigir um grande equipe e aparecer e ser reconhecido definitivamente no cenário nacional. Estevam Soares foi zagueiro e depois de encerrar a carreira teve passagens em várias equipes de pouca tradição no futebol.


"Estevam Soares" - O novo comandante palmeirense

A desclassificação na Copa do Brasil trouxe modificações ao Palmeiras. Depois de quase um ano e meio, o técnico Jair Picerni deixou o clube e cedeu espaço para Estevam Soares. Aos 47 anos, o treinador ganha a primeira chance de comandar uma equipe de tradição, depois de um bom desempenho na Ponte Preta.

Assim como Luiz Felipe Scolari - que deixou saudades no Parque Antárctica -, Estevam Soares chega ao Palmeiras com a fama de durão. E alguns atletas já sentiram o estilo Estevam na pele. Logo em sua primeira semana de trabalho, ele deixou claro que não vai tolerar deslizes de alguns atletas, como Lúcio, Vágner e Diego Souza, que já foram acusados de excessos nas noitadas. Além disso, o técnico pretende implementar no Verdão sua filosofia de: trabalho, trabalho, trabalho.

O volante Correa afirma que não é tão brutal a diferença do novo comandante em comparação a Jair Picerni. O jogador garante que Estevam também conta com a qualidade de ouvir os atletas, mesmo com a fama de disciplinador. Ele é durão dentro da necessidade, mas também sabe conversar, deixando todos à vontade, explicou.

Já para o lateral-esquerdo Lúcio, Estevam Soares é considerado uma novidade. Nunca tinha trabalhado com um treinador do estilo xerifão. Está sendo a primeira vez, disse o jogador, que já ganhou algumas dicas do novo chefe. Ele me chamou a parte, falou que preciso continuar jogando com a mesma alegria de sempre

Como treinador, Estevam Soares ainda não conta com uma conquista importante. Mas isso não é motivo de preocupação no Parque Antártica. Os jogadores acreditam que o técnico pode contribuir bastante para o Verdão voltar a ganhar um campeonato de primeira divisão.

Para alcançar um lugar de destaque, primeiro você é um desconhecido. Acho que a situação dele é parecida com a nossa quando iniciamos a segunda divisão. Ninguém conhecia, Vágner, Lúcio e outros atletas, lembrou Lúcio.

Estevam ganha elogios da Ponte, seu antigo clube - Apesar do jeito durão, Estevam Soares está longe de ser uma figura polêmica dentro do futebol. A prova disso está nas declarações das pessoas com quem já trabalhou. O gerente de futebol da Ponte Preta, Ronaldão, não economiza palavras positivas para comentar o estilo do técnico.

Trabalhei com ele como atleta e gerente. Ele gosta de certa disciplina, cumpre os horários, trabalha bastante com grupo. Também exige um bom comportamento por parte dos jogadores. É a questão do respeito pessoal. Isso é bom. Treinador precisa de pulso, afirmou o dirigente da Macaca.

Assim, com certeza, Estevam Soares deixou as portas abertas para um retorno para a equipe de Campinas. Afinal, segundo o próprio Ronaldão, o treinador sempre teve uma postura muito profissional no tratamento com a diretoria, reconhecendo as limitações de um time como a Ponte Preta.

O Estevam é uma pessoa tranqüila, aberta, que sempre está em contato com a diretoria dos times que trabalha e, por isso, conta, a todo o momento, com respaldo dos dirigentes. Na Ponte Preta, ele procurou fazer o projeto com o que tinha, agarrando uma oportunidade, pois o clube estava com problemas no orçamento, lembrou Ronaldão.

Em 2003, a Ponte Preta teve um final de temporada procupante, quase caindo para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Mas, este ano, o cenário é diferente. Para Ronaldão, um dos responsáveis pela recuperação do time é Estevam Soares, que melhorou o desempenho de alguns talentos da equipe. Vários jogadores cresceram com o trabalho dele. O Estevam apostou no futebol do Weldon e deu novas oportunidades ao Roger, por exemplo, comentou o gerente de futebol da Macaca.

A partir de agora, Estevam Soares deve contar com muita paciência também no trabalho dentro do Palmeiras. Afinal, ele pode perder dois dos seus principais jogadores, o atacante Vágner Love, que negocia os últimos detalhes para atuar na Rússia, e o meio-campista Magrão, que gera interesse dos espanhóis do Atlético de Madri.

A experiência como zagueiro ajudou Estevam Soares a ganhar uma boa visão de jogo. Atualmente, o técnico se destaca pelos gritos à beira do campo com os seus atletas.

Logo nas suas primeiras semanas no novo clube, o novo comandante palmeirense, Estevam Soares, falou sobre diversos assuntos ligados a sua vida e ao Palmeiras!

Prestígio: Eu me sinto capacitado para dirigir um clube grande no momento. É um enorme desafio. Sempre fui vencedor. Sei que a torcida pode estar ressabiada, mas meu currículo é trabalho. E nunca tinha tido a oportunidade de trabalhar em um time grande. Daqui a pouco eu vou estar conhecido. Tenho certeza que é o início de um trabalho que vai me projetar no cenário nacional.

O sonho: Tenho um sonho antigo que é o de trabalhar em um grande clube da capital. E o Palmeiras está me proporcionando isso. Tenho 32 anos de futebol, 21 como jogador e 11 como técnico, e finalmente vou ter esse desejo realizado. A Ponte Preta entendeu isso e me liberou sem problema algum.

Quando surgiu seu nome para substituir Jair Picerni, houve um espanto geral na imprensa e na torcida. Como você analisa isso?

Estevam Soares: Com naturalidade. Existia alguns outros nomes que estavam desempregados como, por exemplo, o Tite. Você só vai avaliar o trabalho de um treinador se ele tiver essa chance. E o Palmeiras sempre vislumbrou isso bem, desde o Vanderlei Luxemburgo que, na época, foi uma aposta.

De que forma técnicos acostumados com "times menores" podem contribuir no Palmeiras?

O que se traz é o que você tem na bagagem, o seu aprendizado. Experiência eu tenho de sobra. São 32 anos a serviço do futebol, com 21 anos como jogador e 11 como técnico. É trabalhar e aguardar os resultados acontecerem.

Até onde você conhece na parte política do clube?

Eu conheço a história do Palmeiras, e isso não é de hoje. Um clube onde a política é efervescente, com uma torcida por trás muito forte. Agora, eu procuro apenas organizar o time dentro de campo. Sei que não vamos viver essa lua-de-mel que estamos nesses últimos 10 dias, mas isso a gente consegue resolver.

Como você avalia a relação entre clube e torcida organizada?

Sempre quando me perguntaram qual o perfil da minha equipe, eu respondo que queria a minha equipe com a mesma raça e a garra que tem a torcida do Palmeiras, que é muito vibrante. O próprio hino diz. Eu queria que meu time tivesse a cara da torcida. Sempre. Todos os jogos, a gente vê no Parque Antártica eles cantando, gritando o nome dos jogadores, vibrando, então, só temos que enaltecer nossa torcida. A Mancha Verde não é um grupo de cinco pessoas que se reuniram na esquina, é uma instituição com uma estrutura muito grande, com escola de samba e tudo. A cobrança é normal, o condenável são as agressões.

No início do Brasileiro, ainda pela Ponte, você colocou o Palmeiras como favorito ao título.

Apontei o Palmeiras na época até pela formação do elenco que vinha do ano passado. Como clube, é um dos mais estruturados do país, paga em dia e cumpri seus compromissos. A juventude do elenco é preponderante. Eu aposto no Palmeiras.

Na sua avaliação, quais os times que vão lutar pelo título?

Aqueles mesmos de sempre. O São Paulo, o Santos e o Cruzeiro, mas é difícil falar isso num campeonato tão disputado como esse, que eu julgo o mais emocionantes dos últimos anos, até porque as equipes se preparam e aprenderam no ano passado. É difícil você apontar um grande favorito.

Qual avaliação você faz sobre o atual elenco? Haverá reforços?

Sobre reforços não falamos nada, até porque precisamos de uma avaliação melhor. Sobre dispensas, nem pensar. O que nos preocupa muito é esse regulamento feito nesse Brasileiro, que precisa ser repensado. Você dando essa margem de seis partidas para o atleta se transferir é um fator complicador dentro do grupo, pois ele não está jogando, e já começa a pedir para sair. Pela primeira vez eu estou falando isso. É um grande problema para o treinador.

Como segurar garotos de 19, 20 anos com status, dinheiro e fama?

Eu acho que o atleta é responsável pelo seu comportamento, não vou ficar seguindo ninguém. O que não é compatível é um atleta e a extravagância. Falo para eles sobre as responsabilidades, sobre os dias certos que eles têm para sair, para tomar uma cervejinha, uma taça de vinho, até porque os treinamentos são bem puxados. Pelé que era o Pelé trabalha muito. Isso a gente até entende e tenta ajudá-los, pois é uma cultura do nosso futebol. Os jogadores, muitos deles de origem pobre, são guinados à fama, ao estrelato, a uma cidade como São Paulo, sem a mínima preparação, conhecendo os melhores carros, a melhor conta bancária e as melhores mulheres da noite, enfim, isso deslumbra qualquer um. Muitos se perdem no início por causa disso. É preciso uma preparação melhor nesse sentido.

Você se preocupa com as categorias de base?

Eu tenho um histórico profissional que é de lançamento de garotos. No Guarani, passaram pelas minhas mãos esse Rafael do Flamengo (lateral), o Edu Dracena (Cruzeiro), o Elano (Santos), o Martinês (Cruzeiro), o zagueiro Rodrigo e o Grafite, que estão no São Paulo, enfim, são jogadores que começaram conosco.

Qual o recado que você daria para a torcida do Palmeiras?

A torcida do Palmeiras canta, vibra e comparece. O exemplo maior foi o ano passado, na Série B. Quando precisa ela vem, espero que ela continue assim, pois o trabalho esta sendo feito. Uma coisa que queria ressaltar é que o Palmeiras, ao continuar na Série B, foi um divisor de águas do futebol brasileiro porque não pensou em nenhuma virada de mesa. A credibilidade que o clube deu ao futebol foi importante.

E é com toda a experiência adquirida como jogador e a algum tempo já a beira do campo como treinador que Estevam Soares pretende conquistar títulos e ser reconhecido pela torcida palmeirense e, principalmente por todos no Brasil. É o que o palmeirense espera!

Matéria: 01/06/04

Fonte: www.gazetaesportiva.net

RAIO X:

Nome: Estevam Eduardo Lemos Soares
Data de Nascimento e Local: 10/06/56 - Cafelândia (SP)
Clubes como técnico: Inter (SP), ABC (RN), URT (MG), Guarani (SP), CSA (AL), Náutico (PE), Olympic Beirute (Líbano), CRB (AL), Gama (DF) e Ponte Preta (SP)
Clubes como jogador: Ex-zagueiro, atuou no Guarani, São Paulo e Portuguesa, entre outros clubes
Títulos como técnico: Campeão alagoano pelo CSA (1997)
Estréia: Palmeiras 2 x 0 Coritiba (29/05/2004)

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