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"A matéria é o resultado de textos informativos que inclui notícias, entrevistas e reportagens"

Por Sergio Batisteli

 

As mudanças de comportamento causadas pela internet em São Paulo

O uso da internet em São Paulo: da criatividade à futilidade

Em pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em março de 2007, o estado de São Paulo está em segundo lugar em número de usuários da internet, com 29,9%, perdendo apenas para o Distrito Federal, com 41,1% dos acessos à rede de computadores no Brasil.

O acesso à rede na maior cidade da América Latina, significa trabalhar e como conseguir trabalho. Significa conhecer a futura mãe ou o futuro pai dos seus filhos. Exprime a resposta concreta de idéias quando se cria um site ou um blog. Para muitos é não sair ou sair menos de casa. Pode ir desde encontrar um filme para assistir no cinema, até achar o endereço de um hospital em que um parente acaba de dar entrada e o telefone do famigerado lugar só dá ocupado.

Com o uso da web em São Paulo, podem ocorrer reduções de custos provocadas por mudanças de comportamento, porque hoje se envia menos cartas e mais e-mails.
Através de um programa de mensagens instantâneas, é possível um usuário da internet se comunicar com um outro que tenha o mesmo programa, em tempo real, por um preço menor em relação à telefonia fixa.

Muda-se o tipo das cantadas nas noites paulistanas, ao invés de se pedir o telefone, se pede o e-mail da paquera. E não podemos deixar de falar na febre do Orkut, que conquistou internautas de diferentes idades, estilos e pensamentos. Basta ir a bibliotecas, LAN houses, cibercafés e você verá o azul-claro do site de relacionamento brilhando nos monitores de Sampa.

Hoje, ter computador em casa é quase tão necessário quanto um microondas ou televisor, e mais: quem conhece pouco de informática tem a chance reduzida no mercado de trabalho, sendo classificado quase como um analfabeto.
A internet deve ser um instrumento de desenvolvimento social. Ela possibilita a partilha de bens como a memória, a percepção e a imaginação.

Nesta reportagem, abordaremos como a ciência define um netviciado e os problemas que a rede poder trazer para algumas pessoas, em entrevista com a psicóloga Dra. Andréa Jotta Ribeiro Nolf.
Mostraremos como escolas paulistanas auxiliam na formação de jovens internautas e as conseqüências dos seus atos perante a lei no ambiente virtual. Contaremos como foi o surgimento das LAN houses e a história de Vinícius Ortiz Pinelli, um ex-viciado em games, que se tornou gerente da Monkey Paulista.

Escolas particulares de SP ensinam implicações jurídicas do uso da internet

Para tentar disciplinar a pesquisa de trabalhos e frear as agressões entre alunos em ambientes virtuais, escolas particulares de São Paulo decidiram incluir nas suas atividades o ensino de ética no uso da internet.

O exemplo mais recente é no tradicional colégio Bandeirantes (zona sul). Neste ano, os professores passaram por uma capacitação específica sobre o tema, e os alunos recebem uma cartilha que mostra, entre outras coisas, as implicações criminais que algumas ações na rede podem acarretar.
Uma das situações apontadas é o repasse de e-mail que espalhe um boato, ação que se encaixa no Código Penal como difamação pena de três meses a um ano. Se o autor do crime for menor de idade, os pais serão responsabilizados.
Alunos já publicaram em sites e blogs fotos de professores em posições desconfortáveis e a coordenação de tecnologia do colégio Bandeirantes, decidiu fazer ações de prevenção.
A partir do ano que vem, os estudantes da 5ª série do ensino médio do Bandeirantes, terão no currículo uma disciplina específica sobre ética na internet.
Muitos pais, alunos e professores não têm idéia do transtorno legal que pode causar uma simples comunidade no Orkut que ataque um colega de classe.

Outra escola que procurou auxílio jurídico foi o Humboldt, colégio bilíngüe na zona sul. Um grupo de estudantes criou uma comunidade contra professores e alunos. A escola Humboldt consultou um advogado e decidiu promover palestras sobre o assunto.
A internet potencializa as agressões verbais, porque o adolescente acha que está protegido, não precisa se identificar.

No colégio Augusto Laranja (zona sul), o foco é como pesquisar corretamente. O trabalho começa já para as crianças da 2ª série, que estão na casa dos oito anos. Elas ganham uma cartilha logo no começo do ano e trabalham com professores nos laboratórios.
Desde cedo, eles querem mostrar que pesquisar na internet não é só copiar e colar. Tem de verificar a fonte e qual o autor. E essa informação precisa ser apenas uma parte da pesquisa, o texto final deve ser do aluno.

No Dante Alighieri (zona oeste), as discussões são amplas, vão desde a pesquisa para trabalhos até as ofensas de alunos pela rede.

Anorexia na casa de psicóloga

Ana (nome fictício), 16, a ação da escola ajudou em sua recuperação. Ela sofreu depressão por se achar gorda. Nas férias, ficava o dia todo na internet, não saía de casa. Era uma fuga da realidade. Quando as aulas retornaram, ela não fazia as lições nem estudava; só tinha ânimo para ficar no computador, o que fazia por dez horas ao dia.
Ana não queria nem mais se alimentar. Por isso, teve um princípio de anorexia e chegou a ser internada, com fraqueza. Sua mãe, que é psicóloga e tem 53 anos, conta que, como trabalha o dia todo, tentava monitorar pelo telefone o tempo que a filha usava a internet, mas era difícil.

A internação fez com que a estudante passasse a ser tratada por um psicólogo. Mas o que impulsionou sua recuperação foi uma palestra na sua escola, o Santa Maria (zona sul), cujo tema era "Perigos e Ameaças Online", segundo matéria publicada na Folha de S. Paulo.

Diversão made in Korea

Elas se espalham pela cidade como rastilho de pólvora, são as LAN Houses. Uma opção de entretenimento inicialmente introduzida na Coréia do Sul, em 1996. Lá existem cerca de 22 mil lojas, nos Estados Unidos cerca de 15 mil e há uma multiplicação das casas de jogos em rede no Brasil. As primeiras LAN´s surgiram aqui em 1998, quando o empresário brasileiro Sunami Chun voltou de uma viagem à Coréia do
Sul e trouxe a idéia para São Paulo. Fundou a Monkey, hoje a maior rede em território nacional.

Depois da Monkey, milhares de LAN houses ganharam o espaço de cibercafés e se espalham na terra tupiniquim. É uma febre entre jovens de 13 a 27 anos, dos quais 90% são do sexo masculino. Existem 3,5 mil LAN houses no Brasil, das quais 600 estão em São Paulo.

LAN vem do inglês Local Area Network. Na versão hi-tech do velho fliperama, vários jogadores se divertem com as últimas novidades no ramo de jogos, todos conectados em rede num único ambiente virtual, disse Lino Pereira - diretor geral da Monkey.






O gerente ciberatleta, ex-viciado em games

Na tarde de quinta-feira, 12 de julho de 2007, fui até a mega LAN House Monkey, que funciona 24hs por dia, 7 dias por semana. Localizada num lugar onde muitos sonham em morar na capital paulista, Alameda Santos - bairro de Cerqueira César. Entrei no lado direito da Alameda 1217, pedi autorização ao gerente Vinícius, para fazer entrevistas com alguns ciberviciados. Entrevistei várias pessoas que ele me garantiu serem dependentes do mundo virtual, mas na hora H, elas se mostravam muito equilibradas e me disseram que não passavam mais do que duas horas lá dentro.

Quando já estava quase indo embora, eis que surge, Vinícius Ortiz Pinelli, 22, ciberatleta e gerente da casa.
Ele me diz:

- Por que você não me entrevista, pô?
E eu pergunto surpreso:
- Mas você é viciado, realmente faz uso excessivo da tecnologia?
- Me entrevista que eu te conto direito.
Liguei o microfone e...


Quanto tempo você jogava por dia?

Quando tinha 16, anos ficava jogando o dia inteiro, minha vida era só jogo e estar em frente ao computador. Ficava em torno de 10h por dia, mas já fiquei várias vezes, bem mais do que isso. Me lembro de jogar 27h, com intervalos de 30 minutos para descansar e voltar a ativa. Jogava profissionalmente o game Counter Strike.





O resto como ficava, e quais as conseqüências que esse hábito teve na sua vida?

Não tinha resto, trocava tudo para jogar desde a balada de final de semana com amigos, namoro até tomar banho e comer. Só comia porcaria, quando comia. Jogava em casa, ia pra
LAN house, acabava o dinheiro e continuava jogando em casa. Cheguei a pedir grana emprestada, fiquei devendo na LAN só para jogar.

“Sou doido por jogos e vídeo-game desde criança, nunca tive outro vício”

Você se considera um ex-viciado?

Sim, me considero um cara que foi, atualmente não tenho mais pique e nem quero mais fazer isso.

Você buscou algum tratamento psicológico para amenizar a dependência do jogo?

Não, o meu uso foi decaindo com a idade e força de vontade. É bem parecido com o vício do cigarro, se a pessoa tiver o fumo como mais importante que vida dela, não vai parar de fumar. O mesmo acontece com os jogos e o jogador. A pessoa deve ter a capacidade de sair do vício.

“Os jogos não viciam, tudo que é demais faz mau, como ir à igreja todos os dias e comer em excesso”

A compulsão por ciberjogos foi um dos motivos que te credenciaram a trabalhar numa LAN house?

Estou há cinco anos neste ramo e um dos requisitos básicos para ser gerente da Monkey é, sem dúvida, ser um profundo conhecedor de jogos e também faço faculdade de designer em informática. Está tudo relacionado. A principal fonte de renda de uma LAN são os games e não a internet, como muitos pensam que é.

Hoje você joga quanto tempo; em média?

Agora, aos 22 anos, fico cerca de 3horas por dia, mas conheço pessoas que continuam jogando muitas horas diariamente, preferem se enturmar com os games e pessoas online do que buscar amigos na vida real.






Como é o game Counter Strike?

É um jogo que um bando de terroristas confronta um grupo de policiais em diferentes situações e o fato de estar online com qualquer jogador do mundo em tempo real é um grande estímulo para a molecada.

Pacote viciado:
50h / R$125,00
1h / R$5,00

Mudanças negativas

No mundo, há entre 50 milhões e 100 milhões de dependentes da internet. Isso corresponde entre 5% e 10% do total de internautas do planeta, segundo artigo da pesquisadora Diane
Wieland, publicado na revista “Perspectivas em Cuidados Psiquiátricos”. Em São Paulo, há serviços que cuidam de pacientes que deixaram a web tomar conta de suas vidas.

É o caso do NPPI (Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática), localizado na Clínica Psicológica da PUC - SP. O NPPI foi criado em 1995, afim de auxiliar as pessoas com problemas psicológicos de grau ampliado como. Medo de sair de casa, medo de dirigir, amar demais, pedofilia etc. Os profissionais que atuam nesse grupo são psicólogos formados que buscam um aperfeiçoamento clínico, que vai da triagem com o internauta até o chamado atendimento presencial, (face a face). Os especialistas da mente cumprem seus serviços dentro da clínica da PUC.

Em 2006, foi implantado no NPPI o atendimento para pessoas que têm problemas com o uso da internet. Foi a partir de uma matéria publicada na Folha de S. Paulo, em julho daquele ano, que houve um boom com a repercussão da reportagem, pois recebemos uma enxurrada de e-mails por parte da comunidade com queixas do tipo: “estou perdendo o meu emprego”, “meu filho está perdendo o ano letivo”, “meu marido ou esposa quer sair de casa...” Assim, esse grupo teve que estudar mais a fundo as implicações do uso da rede, dessa forma ele se consolidou e se manteve, segundo a Dra. Andréa Jotta Ribeiro Nolf.

Qual é a faixa etária, sexo e classe social dos dependentes da internet?

Os dependentes não têm uma determinada classe social, idade e sexo. Nos casos dos “hard
users” que atendemos têm de tudo. Desde meninas de 12 anos, senhores de 70, donas de casa, até funcionários públicos e padres.

Quais são os sites e os serviços mais acessados pelos viciados?

Sem dúvida pornografia, seja sites ou salas de bate-papo e em seguida os games.

Segundo a psicologia, quando uma pessoa é considerada viciada e quais são os critérios de avaliação para se chegar em tal conclusão?

Quando a pessoa deixa de fazer coisas na vida presencial, para na fazer vida virtual e começa a ter um uso restritivo ou patológico, ou seja, restringe as atividades normais como: não transa com a mulher para visitar site pornográfico, fica conectado o dia inteiro, não quer trabalhar, estudar, comer ou conviver com a família e deixa de ter amigos.

Os problemas são do tipo de uso, o mau uso. Ninguém fica viciado em internet, por causa da internet e sim por problemas anteriores. Veja o clássico exemplo do assassino que mata por causa do revolver e dizermos que não é por um instinto ou por conta de algo dentro dele.

Assim como o revolver, a web é um instrumento que as pessoas usam para viabilizar um conteúdo que já é delas, aquilo já estava ali. O que acontece é que pela impunidade e inocência o mundo virtual é uma coisa muito ampla e desconexa com o que temos como realidade.

Alguns internautas não se enxergam nesse tipo de atitude e se escondem numa virtualidade.
Fingem que aquela pessoa matando velhinhas, por exemplo, não são eles, é só um jogo. Tentam disfarçar que essas coisas não lhe pertencem. O que começamos a perceber é que existe agora uma intersecção entre vida presencial e vida virtual. Para nós do NPPI, desde 2003, vida real é a presencial mais a virtual.

O que faço dentro da internet, o que faço na minha vida virtual é o que faço nas minhas relações face a face, isto é minha vida real. Daqui há dez anos ninguém poderá dizer que tem uma vida virtual e que esta não tem nada a ver com a vida presencial, coisa que já se reflete hoje, como a web 2.0 e o preenchimento da cultura com a virtualidade em grandes metrópoles como São Paulo.

Repetição e restrição: é assim que a psicologia avalia um netviciado, quando chega a ponto da tecnologia não fazer parte da vida do viciado, mas sim ela ser a vida dele. Ele não se relaciona mais com amigos numa balada e só quer se comunicar com amigos virtuais, não tem mais relacionamento sexual com sua esposa ou outras mulheres para fazer sexo virtual.

"Pessoas inteligentes e mentalmente muito ágeis. Ficam irritadas se alguém tenta reduzir seu tempo de conexão no PC, costumam mentir para pessoas próximas com o intuito de encobrir a extensão do seu envolvimento com as atividades online. Vivem em transe durante um período prolongado na internet é comum o dia-a-dia do dependente ter a sensação de viver num sonho. O viciado da rede tem problemas físicos pelo uso excessivo do computador nas articulações motoras utilizadas na digitação, o que causa lesões por esforços repetitivos (LER) e a vida sedentária contribui para a obesidade”





Satisfação do viciado

O dependente da web não se satisfaz mais com a vida face a face, fica ansioso em se conectar novamente e só fala sobre isso. O que o faz ele se sentir bem é estar conectado a internet.

Viver em um lugar onde a pessoa pode tudo e tudo é perfeito, exemplo disso é o ambiente virtual e tridimensional “Second Life”. Onde ter um avatar é ser a versão perfeita de você mesmo e aí a pessoa pode viver mais nesse ambiente do que com ela mesma.

A tecnologia facilita muito a fantasia, fazendo isso o viciado evita entrar em contato com a vida presencial. Lá ele voa, tem dinheiro, casa e uma série de coisas que não tem aqui. Então essa pessoa se dá conta do que tem aqui e prefere ficar lá.
Isso é considerado um sofrimento, não é sadio.

Outra característica de mau uso é, consumir toda a informação e conter tudo de uma vez, como se alguém pudesse absorver todo o conteúdo da internet. Da mesma maneira em que se vai ao museu ou a uma biblioteca e se identifique todo o conteúdo das obras desses lugares em apenas um dia.

Personagens problemáticos ciberespaço quem são eles?

Um casal adulto, marido ou esposa começam a conversar com ex-namorados (as), almoçam com amigos (as) virtuais e muita coisa pode acontecer...

Isso tem interferido nos relacionamentos, recebo vários e-mails a respeito disso. É o caso de uma esposa, ela descobriu que o seu marido conversa com outras mulheres no MSN. Criou um perfil fictício, conversou com o homem, seduziu o próprio marido e o levou a ter um encontro presencial com ela. Sem que ele soubesse, que ela era ela. Isso criou uma cisão no casamento e eles se separaram, porque de certa forma essa esposa se sentiu traída por ela mesma.

Casais estão tendo que conversar e esclarecer o que pode e o que não pode na internet.

Como por exemplo, conversar no MSN, ter perfil no Orkut, ter a senha para acessar os e-
mails do outro etc.
O comportamento está tendo que ser revisto, os casais inteligentes já fazem isso. Alguns chegam a englobar no relacionamento o uso da tecnologia e vêem juntos sites pornográficos.

Carolina e Luciano

Outro exemplo da era da modernidade, mas fora do NPPI, é o de Carolina, 24, e Luciano, 27, moradores do bairro Jardim Mirian, zona sul de São Paulo.
Namoravam há três anos e há três meses moravam juntos. Eles eram um típico casal de classe média. Luciano, desempregado, se viu deslumbrado pelo mundo virtual que se tornou bem real. Pulou a cerca duas vezes, ou seja, conheceu duas mulheres fora do casamento pelo Orkut (site de relacionamento na internet).

Ele ficava direto conectado à web e fez de tudo para a sua companheira não ter um perfil no Orkut. Doce ilusão, na facilidade que essa ferramenta tecnológica traz,
Carolina desacatou a “ordem” e rapidamente encontrou o seu homem e as sua “amiguinhas”. Conversou com o namorado pessoalmente, Luciano confirmou a história se separaram.


Há um caso de uma jovem que conheceu um rapaz da Arábia Saudita, se apaixonou largou tudo em São Paulo para ir morar no país dele. A mãe dela estava em grande sofrimento, mandou um e-mail desesperada, pois a menina não conhecia o rapaz pessoalmente e pela cultura dele ser completamente diferente da nossa.






Onde fica o lado bom da internet, existem mudanças positivas?

Quando é feito o uso correto dessa ferramenta, o normal é que essa tecnologia nos ajude não só a trabalharmos, mas também a nos relacionarmos. Se pensarmos numa cidade como
São Paulo, onde existe trânsito intenso, dificuldade de estar em contato presencial com nossos amigos todos os dias para encontrar com as pessoas que conhecemos e utilizar o ciberespaço para fazer isso é uma prova de bom uso. Você pode facilitar a comunicação para estar com as suas escolhas, em vez de ligar para uma só pessoa de cada vez é possível enviar um e-mail de tarde com uma mensagem para vários destinatários, desta forma ocorre um, ganho de tempo e espaço para combinar um encontro com eles à noite.

O bom uso da internet é isso, o uso criativo que traz coisas boas. Posso fazer uma pesquisa escolar bem feita, se não puder me deslocar fisicamente a uma biblioteca, eu acesso um mundo de informação que se souber usar irá acrescentar alguma coisa, como cultura e conhecimento.
Nós aqui somos apaixonados pela internet, a estudamos porque é extremamente prazerosa e se você usar corretamente será maravilhoso.

“Quem adquire um novo computador doméstico nos dois primeiros anos temos uma tendência de fazer hard uso e depois desse tempo o uso se estabiliza – acesso de e-mails, consulta ao bankline, teclar com amigos etc”

Há Meio termo para não cair no vício?

Olha, isso depende do ser humano que está acessando a tecnologia, o meio termo é o resultado da forma que cuidamos da nossa vida fora da web, nos relacionamento com amigos, parentes, namoros e vida profissional. Não devemos deixar lacunas nos relacionamentos presenciais.

Tomando esses cuidados, como conseguir ter equilíbrio na vida face a face e sentir prazer em tudo isso dificilmente você será um netviciado, pois automaticamente haverá uma normalização no uso, ou seja, usar a internet para aquilo que me serve e não como uma válvula de escape sobre algum problema na vida face a face.

“Se você for uma pessoa centrada, você saberá fazer o bom uso da tecnologia”

Somos assassinos por natureza?

Todo ser humano é agressivo por natureza.

Com o advento do virtual isso se tornou mais tolerável pela sociedade que atualmente está num limiar mais próximo de aceitação desse sentimento. O que antes ficava escondido dentro de nós era tido como ruim. Hoje, você pode através de um jogo matar pessoas.

É melhor matar gente pela internet do que matar nas ruas, porque o ser humano já era agressivo e sempre foi.





Como é feito o contato com o NPPI?

No caso do uso patológico temos uma orientação que dura oito semanas que começa por
correio eletrônico, na quarta troca de e-mail é possível notar qual é o problema do netviciado e se a pessoa chegar até a oitava semana com o uso restritivo ela é encaminhada para um tratamento psicológico. O dependente tem a opção de procurar quem o atendeu por e-mail e ter a assistência do profissional na clínica. Depois é feito o processo formal o paciente, que preenche uma ficha com seus dados como nome completo, endereço etc.

O NPPI segue as normas do CFP (Conselho Federal de Psicologia), que considera o grupo como um serviço clínico apto em psicologia.

O valor por consulta presencial é o valor referência R$100, com quatro consultas mensais.

Para mais informações acesse o site: http://www.pucsp.br/nppi/

 

Matéria publicada no site Observatório da Imprensa:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=476ENO002

Matéria publicada no site Overmundo:
http://www.overmundo.com.b r/overblog/o-uso-da-internet-em-sp

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PT quem te viu e quem te vê

 

Em meados de 2005, ano em que o PT (Partido dos Trabalhadores), considerado pela maioria da população como o mais honesto do país conheceu sua nova e dura realidade, a grande dúvida surgiu sobre um “mundo intocável” e foi colocado como um grande ponto de interrogação na cabeça de todos os eleitores.

A frase mais usada pelos parlamentares desse partido, José Dirceu, José Genuíno...Foi: “não sei nada, nunca tive conhecimento disso e não participei de nada”.Surgiram ainda mais as incertezas junto à opinião pública, inclusive essa foi a postura adotada pelo presidente Lula.

Hoje, passado quase um ano após a abertura de CPIS, como a do mensalão, por exemplo, quase nada foi esclarecido e mais recentemente o suposto envolvimento do ex-ministro da fazenda Antonio Palocci sobre desvio de dinheiro público e irregularidades cometidas na Caixa Econômica Federal.

Na opinião de acadêmicos da Uniban (Universidade Bandeirante De São Paulo), o grande erro do PT e da política do presidente Lula foi o fato de implantarem uma ideologia que não pudessem cumprir. Mas apesar de todos os escândalos envolvendo o PT, grande parte acredita na sua reeleição. Esses alunos contam que embora tenham uma vida corrida se interessam e procuram acompanhar o que ocorre sobre a política, e constatam que esse não é o comportamento da maioria.

Gislaine Gomes, 26, educação física, afirma ”apesar de no momento o PT estar desacreditado, irei votar no Lula para a reeleição”, diz ela. Sobre o interesse da juventude e dela pela política “não há muito, por causa do atual quadro de corrupção, as pessoas votam por votar. Não me interesso por política, porque não tenho vontade”.

Ângela dos Santos, 49, física, explica “a corrupção não vem de agora, o Brasil tem uma tradição que há muito tempo é praticada pelos governantes. Por isso, Lula não terá problemas em se reeleger”. Sobre política ela diz ”essa falta de interesse começa em casa, há falta de uma estrutura familiar consistente, na qual a maioria dos pais mal sabem ler e escrever,não se cria o costume de se conversar sobre política.Eu tenho acompanhado o que me interessa pela tv”, diz Ângela.  

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Matéria publicada na 2° edição do jornal laboratório Enfoca

FOBIA SOCIAL

Muitas pessoas a possuem, mesmo sem saber do que se trata

 

A fobia social é a intensa ansiedade gerada quando o individuo é submetido à avaliação de outras pessoas. Essa ansiedade, ainda que generalizada, não se estende a todas as funções que uma pessoa possa desempenhar. Na maioria das vezes concentra-se em tarefas bem definidas.

Quando o paciente é exposto a uma atividade social, sua ansiedade é tão intensa que se parece a uma crise de pânico, em especial nos momentos em que é observado.

Situações como escrever, falar, comer, cantar em público, ser fotografado ou filmado, dirigir e estacionar um carro enquanto é visto, são algumas das atividades que podem ser um tormento para o fóbico social.

Notam-se, com freqüência, entre os pacientes o rubor facial, gaguejar, tremores, transpiração em excesso, dificuldade para falar, mal estar abdominal, diarréia, tonteiras, falta de ar, vontade de sair do local onde se encontra o quanto antes.

O método de tratamento mais eficaz contra fobia social é a combinação de medicação e terapia comportamental.  

Ajuda para quem possui Fobia Social:

I.A. – Introvertidos Anônimos

Rua São Francisco, 80 – 4° andar

CEP: 01005-020 São Paulo – SP

Telefone: 11 3112-2445

[email protected] 

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São Paulo, uma relação de amor e ódio

 

25 de janeiro de 2008, a cidade de São Paulo completa 454 anos de fundação. Fui ao centro da capital paulista para saber das pessoas em diversos setores da sociedade o que elas mais amam e o que elas mais odeiam na maior cidade do país?

Para o varredor de rua Fernando de Souza Reis, 22, paulistano, o que mais amo é Parque do Ibirapuera pela beleza dele e o que mais odeio é a Praça da República pela roubalheira que tem lá.
“O que mais gosto são as pessoas daqui, a Praça da Sé, é um lugar super bacana onde você vê de tudo, tanto gente de baixo nível quanto de alto nível e o que eu não gosto é da discriminação que existe muito na cidade de São Paulo”, diz o varredor de rua Uóton José Mateus do Santos, 29, paulistano.

Na opinião de Celina Crisante, 60, proprietária há 31 anos de uma das mais tradicionais bancas de revista de São Paulo, a Banca São Bento, localizada na Rua Barão de Itapetininga, o que mais gosto é da agitação, ver pessoas trabalhando e correndo atrás das coisas, dificilmente se ignora alguém pelo o que a pessoa é, quando vou à minha terra não consigo ficar mais do que dois dias. O que não gosto é ver moradores de rua que atrapalham um pouco e incomodam, mas nada que não seja possível o convívio pacífico. “Sou mais paulistana do que catarinense”, afirma Celina que está em São Paulo há 43 anos.
“O que mais amo é a animação da cidade e a correria. O que mais detesto é a miséria e a pobreza. Os políticos deixam os mendigos de lado”, diz o jornaleiro Fernando Jorge Pereira, 22, paulistano, trabalha na Banca Mealhada, localizada na esquina da Avenida São João com Avenida Ipiranga.

Em seu ponto de pegar passageiros, o taxista natural de Barretos, Odilon Costa Santos, 62, está em São Paulo há mais de 50 anos e ao olhar em volta da Avenida São João, responde “Eu adoro São Paulo, isso aqui pra mim é tudo. Quando chego aqui falo, cheguei no Brasil”. “Não gosto do trânsito, o centro da cidade está deteriorado, sei que os governantes cada um faz um pedacinho, esse é um trabalho a longo prazo. Tem muita gente jogada na rua, menores abandonados e creio que esse é um problema das maiores capitais do mundo, mas temos que melhorar o nosso lado aqui. O prefeito está revivendo o centro, os prédios estão muito melhores, porque o centro é o cartão postal da cidade”, declara o taxista.

Um pouco assustado com a presença de um repórter, o morador de rua Alex dos Santos, 17, no Largo do Paissandu, afirma “Odeio o lixo e a bagunça pelas ruas e o que mais gosto é que as pessoas me tratam bem nessa cidade”.
Para Alexandre Ferreira da Silva, 32, paulistano, o que eu mais odeio é a polícia que pega nossas coisas, nossos documentos e batem na gente. Não deixam a gente dormir sossegado, levam até nosso colchão é quando mais passamos raiva e o que mais amo é poder ficar e morar na rua.
“Nasci na Vila Medeiros o que mais gosto é da nossa união entre os moradores de rua, somos uma família de rua e quando um é prejudicado todos nós somos. O que não gosto é do assédio de homossexuais e prostitutas em cima de mim”, conta Riberto Roque, 41, paulistano.

O camelô João Vicente, 39, natural de Itaporanga no Estado da Paraíba, declara “O que mais gosto é da sua beleza, ela muito linda e adoro essa cidade. Não gosto dos guardas metropolitanos que pegam muito no pé do marreteiro e não dão o devido respeito que a gente merece”.

“O que mais amo, é que eu consegui fazer minha vida aqui e o que mais odeio é a falta de segurança da cidade”, diz com um brilho intenso no olhar o porteiro Sebastião Severino de Melo, 63, pernambucano, trabalha no edifício Davi Securi no número 276, da Rua 24 de Maio e que está há 29 anos em São Paulo.

Já para o acelerado engraxate Hernani Anadias Danta, 65, paraibano, que está há 37 anos na Praça da República, o que mais gosto é de trabalhar, trabalhar e trabalhar. O que detesto é a vagabundagem nas ruas, a prefeitura deveria limpar mais as ruas desses mendigos.

Passei pela Praça da República e encontrei com Vagner Portinói, 42, paulistano, “o que mais gosto é da arquitetura das décadas de 20 e 30. O Teatro Municipal, por exemplo, é uma oitava maravilha do mundo que nós temos e o mais detestável é ver a molecada caindo nas drogas em vez de aprender arte. Sou artista de rua, já fui voluntário como professor de educação artística, faço desenho na rua e sou caricaturista. Acho muito feio ver crianças jogadas na rua por aí, definitivamente isso não combina com São Paulo”, responde Vagner.
Aroldo Pinto, 38, faz arte em madeira e está em São Paulo há 15 anos. “Gosto da cidade em si é um ótimo lugar para se morar e viver. Observamos um contraste, aqui na praça, bem ao lado de uma creche existe um ponto de prostituição. Um grande comerciante espanhol amigo meu, disse que São Paulo é uma Barcelona pobre. O que eu não gosto é da sujeira, da falta de educação que não se tem dentro de casa, comportamento que se resume em falta de amor e estamos numa geração que está muito longe de ter isso, ou seja, falta uma boa formação familiar”, afirma o artista.
Na opinião de Consuelo Zacristante, 45, colombiana, vendedora de pedras preciosas. Conheço São Paulo faz cinco anos, o que mais amo são as pessoas daqui, pois são muito hospitaleiras têm um jeito muito especial de tratar os outros, é uma boa cidade para se ganhar dinheiro se você trabalhar de uma forma correta e organizada. O que odeio é a sujeira, olho com pavor quando vejo as pessoas jogando lixo pela janela do ônibus, não se tem cuidado de consumir algo e jogar no seu devido lugar, falta esse respeito que não se encontra tanto aqui como em meu país.
“O que mais gosto é a diversidade de lugares para poder curtir e o que mais detesto é não poder exercer a liberdade de expressão na rua. A prefeitura vem e leva todo o meu material, faço desenhos em camisetas com aerografia. É um trabalho todo feito a mão, sobrevivo dele pago aluguel, luz, água etc”, conta Luis Augusto de Oliveira, 39, paulistano.

A Praça Dom José Gaspar, ponto de encontro de intelectuais e boêmios durante as décadas de 1960 e 70, hoje é freqüentado mais por profissionais liberais. Fui ao bar Santa Fé e falei com a empresária Simone Roy, 32, paulistana, o que mais gosto de é morar no centro, fui criada no bairro do Jabaquara, mas moro no centro há nove anos, adoro a atmosfera daqui e dos prédios antigos. O que não gosto é do descuido que tem muito por aqui e odeio o trânsito motivo pelo qual eu não tenho carro, pois isso me estressa demais.
Para a advogada Eliana Oyama, 32, paulistana, o que mais amo são as possibilidades que São Paulo me propicia tanto como trabalho, até sair num domingo à noite ou de madrugada e encontrar lugares abertos. O que odeio é a violência e você sente isso em cada canto da cidade.
“Moro no centro. O que mais gosto é a diversidade de pessoas e culturas que se encontram por aqui. O que detesto é a falta de cidadania entre nós mesmos e não se tem consciência de que essa cidade é de todo mundo”, declara o videomaker Mauricio Gaudieri, 32, paulistano.
Na opinião do web designer Leandro Veloso, 32, paulistano, o que mais gosto é o fato de Sampa ser uma cidade cosmopolita, estamos bem antenados com as grandes capitais do mundo em setores como moda, arte e economia. Me sinto no “umbigo do furacão”, pois moro e trabalho no centro. O que não gosto é o mau uso da cidade, com essa coisa que as pessoas têm de não valorizar o espaço público. Ficar somente com aquele hábito em sair de casa de carro, ir ao trabalho, ir ao shopping e depois voltar para a casa. Passa-se muito tempo no trânsito e viver assim se perde uma grande oportunidade de se sentir a cidade.
“O que mais gosto é da Avenida Paulista, lá se concentram todos os tipos de diversão e entretenimento. O que mais detesto é a pobreza, numa cidade onde se gasta muito dinheiro com carnaval e tem tanta gente passando fome na rua”, diz a publicitária Laura Gonzalez, 39, paulistana.
“O que odeio é a bagunça e muita desigualdade no mesmo lugar. Ver o contraste de pessoas muito ricas e muito pobres. O que mais amo é a diversificação de pessoas e raças”, afirma a estudante Raíssa Mayer, 18, paulistana.

O gerente da loja Chilli Beans da Rua Marconi, João Ricardo de Almeida Silva, 30, responde “O que mais detesto é o alto índice de criminalidade, pois o que estraga é a falta de segurança e o que mais gosto são os bares, as pessoas e lugares como o Teatro Municipal”.

Conversei com o oficial comandante da Guarda Civil Metropolitana, na base comunitária da Sé, Euclides Arruda, 41. Nascido em Santa Fé do Sul, interior de São Paulo, está há 20 anos na polícia e declara “O que mais gosto é a variedade disponível para o lazer na cidade, como parques, cinemas e casas de show . O que não gosto, pois trabalho para a prefeitura, tenho contato direto com uma situação muito desagradável que são os moradores de rua, apesar de todos os esforços de prefeitura e o empenho das diversas secretarias, nós não conseguimos reverter essa situação. A questão dos camelôs, por exemplo, a Guarda Civil tem se empenhado muito no controle e organização deles. Eu acredito que a causa é social e não é só uma coisa de afronto com a autoridade”

Na estação São Bento, a metroviária Rita de Cássia Salles, 53, paulistana, conta “O que mais amo é a solidariedade do povo paulistano e a vida noturna que me traz várias opções de lugares. O que odeio é a violência, pois o crescimento da população deixou a cidade muito desordenada”.

E para você internauta?
O que você mais ama e o que você mais odeia na terra da garoa?

 

Reportagem publicada no site Jovemcracia:

http://www.jovemcracia.com.br/index_texto.php?txt=263

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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