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Você paga, contribuinte!
Denis L. Rosenfield

O governo concluiu uma “negociação” com o MST e a CPT, sem nada exigir em troca, senão o apoio implícito - e já de antemão dado – para as próximas eleições presidenciais.

O Presidente Lula se reuniu com a direção do MST e, desse encontro, saiu um acordo que mais parece uma ação entre amigos. Houve uma grande encenação, que se traduziu por uma marcha em que essa organização política, com suas congêneres, entre as quais a CPT com o apoio da CNBB, chegaram a Brasília para exercer pressão sobre o governo. Numa demonstração de que a “pressão” não era tanta “pressão”, o presidente do PT, José Genoíno, abençoou essa manifestação, em perfeita consonância com as posições da Igreja. Aliás, em manifestações de cunho religioso, o PT e a Igreja, mais uma vez, apareceram de mãos dadas. Quem pagará o pato no futuro serão as mulheres, que terão cada vez mais problemas para interromperam voluntariamente uma gravidez indesejada, inclusive aquelas contempladas em nossas leis.

O PT como um bloco, para além de suas tendências, apóia o MST, o que é uma outra forma de dizer que ele apóia a si mesmo, embora o faça por uma aparente interposta pessoa. A leitura dos documentos do PT mostra para qualquer pessoa alfabetizada que o MST faz parte do PT e este daquele, não apenas em termos de afinidades eletivas ou de parentesco, mas em termos de políticas e de militância. O palavreado relativo a uma suposta vontade de ruptura do MST com o governo não passa disto: palavreado. As suas disputas são do mesmo tipo daquelas que as tendências travam entre si pelo comando da legenda, pela aplicação de políticas ou, ainda, pela elaboração de programas. Eles comungam de um mesmo princípio partidário, aceitando os seus dogmas e rezando pela mesma cartilha.

Contudo, há um tolo nessa encenação e ele atende pelo nome de contribuinte, de cidadão. O governo concluiu uma “negociação” com o MST e a CPT, sem nada exigir em troca, senão o apoio implícito - e já de antemão dado – para as próximas eleições presidenciais. O MST e a CPT podem continuar invadindo propriedades, seqüestrando pessoas, invadindo prédios públicos, destruindo maquinário agrícola, desrespeitando o estado de direito, que nada será feito. Pelo contrário, o discurso partidário será de apoio a “essas atividades” violentas por responderem a uma “causa social”. A encenação termina dessa maneira, com os contribuintes pagando por essa má peça teatral.

E a conta é pesada. O governo comprometeu-se a liberar R$ 234 milhões que estavam contigenciados. Em vez dos recursos irem para obras prioritárias que possibilitariam o progresso social do país, o governo decide botar mais recursos num programa de reforma agrária que só tem exibido a sua própria inviabilidade. Você está pagando! O governo prometeu abrir 1.300 vagas para funcionários do Incra. Como essa instituição é controlada pelo MST e pela CPT, o resultado será a contratação “concursada” de 1.300 militantes, que continuarão a levar instabilidade ao campo brasileiro. Você está pagando o trabalho desses militantes profissionais!

O governo prometeu revisar os índices de produtividade para facilitar as desapropriações. Ou seja, os empreendedores rurais serão, agora, ainda mais penalizados por produzirem, por aumentarem a produtividade de suas empresas, por terem se tornado mundialmente competitivos. Você está pagando pela desorganização do campo brasileiro, que poderá ter como conseqüência uma queda do comércio exterior, tendo como efeito correlato uma diminuição do poder aquisitivo dos envolvidos nessa cadeia produtiva, empresários e trabalhadores, e o aumento do desemprego. O governo se engajou a fornecer cestas básicas aos acampamentos e assentamentos do MST, o que significa, concretamente, que essas pessoas não precisarão mesmo trabalhar, tornando-se invasores e seqüestradores profissionais. Você está pagando toda essa conta! Até quando?

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