Lembre-se: PLÁGIO é crime. Fique à vontade em usar este trabalho como referência, desde a fonte seja citada: FREITAS, Rafaela Leal de; PORTO, Max. O "mais do mesmo" do discurso cinematográfico: o clichê como recurso de construção simbólica aplicado no cimema Hollywoodiano. Disponível em: <http://www.projetolcliche.xpg.com.br>. Acesso: dd/mm/aa. Faculdades Promove, 2008

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Introdução


Nas produções cinematográficas hollywoodianas é comum encontrar roteiros já esgotados, que repetem as mesmas fórmulas já convencionadas em filmes produzidos em outrora. Homens de bem, sozinhos, vencem os inimigos da sociedade. Os casais sempre ficam juntos no final da trama após tantos encontros e desencontros (há sempre a nítida separação social entre estes casais, o rapaz pobre e a moça rica ou uma situação na qual eles são filhos de inimigos mortais, que foram muito amigos no passado etc.).

O policial que quer trabalhar sozinho e recusa-se a ter outro parceiro, desde a morte do anterior, em cumprimento do dever. O protagonista absolutamente virtuoso, capaz de vencer a todos (se for um filme de ação, ele, com um único pente de balas matará dezenas de bandidos portando metralhadoras); a arma do bandido falhará exatamente na hora do tiro fatal contra o mocinho; o tiro, atingindo o protagonista sempre de raspão, sem gravidade; explosões espetaculares de carros que dificilmente aconteceriam na vida real etc.


Essas são apenas algumas opções de desfechos de roteiros cinematográficos que visam o happy ending como uma forma de manutenção da ordem social norte-americana a partir do recurso denominado “clichê”. O objetivo deste trabalho é produzir, a partir de discussões acerca do uso de clichês nas narrativas cinematográficas, um curta-metragem experimental de ficção, no qual estarão presentes reflexões sobre a construção de sentidos, proporcionada devido à utilização de recursos discursivos “clicherizados”.

Para este trabalho, o grupo partiu da idéia de que o clichê no cinema se trata de um recurso de construção simbólica em um espaço midiático que repercute no imaginário de seus receptores, sendo, desta forma, um objeto viável para ser estudado.


Este trabalho acadêmico poderá servir de interesse para autores e roteiristas de vídeo e cinema, comunidade acadêmico-científica da área de Comunicação Social e suas habilitações, cineastas, produtores, diretores, estudiosos do tema ou qualquer um que venha a ser apreciador de cinema. O desenvolvimento deste projeto contribuirá não apenas como material para futuras pesquisas das discussões acerca do assunto aqui tratado, mas também como uma realização acadêmica de seus proponentes, que tanto se interessam pelo tema.

Quanto à relevância prática, o vídeo tem como objetivo exprimir as reflexões que o grupo irá realizar após a leitura dos autores presentes neste trabalho.Este trabalho pode ser considerado um objeto da Comunicação Social, pois, segundo José Luiz Braga (2001), o que constitui o objeto da Comunicação é a troca simbólica que se dá a partir da interação comunicacional dentro da sociedade. Sendo o clichê, dentro do cinema, um recurso de construção simbólica em um espaço midiático e repercutido no imaginário de seus receptores, entende-se que seja viável estudá-lo como objeto da Comunicação Social.


Dessa forma, pode-se recorrer à idéia da inclusividade e penetrabilidade, discutida por Braga (2001), entendendo que o cinema, muito freqüentemente, absorve da sociedade valores culturais e idiossincráticos e os devolve ao público, como produtos que reforçam esses valores (ou criam outros), o que nem sempre corresponderá às perspectivas da sociedade que os recebe.


Recorre-se ainda à confluência entre mídia e cultura, também abordada pelo autor, uma vez que o processo comunicacional deve ser estudado não apenas pelo viés da produção, mas também pela forma como essa produção será recebida por sociedades de culturas muitas vezes distintas. Outros conceitos que podem ser aplicados no objeto de estudo que o justifique como objeto da comunicação, são os de “representações” e “mediações”, sugeridas por Vera França (2004).


Para a autora, “representações” são idéias coletivas que constroem a realidade a partir das mídias. As representações podem ser entendidas, no contexto cinematográfico, como sendo as formas como todos enxergam estas situações e como elas podem vir a moldar o olhar do espectador para uma visão estereotipada. Portanto, no discurso cinematográfico, as “representações” podem ser identificadas como sendo propagação da ideologia do american way of life a partir dos filmes.


Já as “mediações” dizem respeito à forma como os espectadores recebem essas mensagens clicherizadas e como as pessoas agem (ou deixam de agir) após consumir o produto. Visto que Hollywood é uma indústria de entretenimento que dissemina suas produções para todo o mundo, os clichês ganham uma dimensão e uma importância que vão além de uma simples ferramenta de manutenção dos valores conservadores e direitistas da sociedade que a produz. Hollywood assume, talvez, o papel de difusora da ideologia norte-americana para os demais países, principalmente os subdesenvolvidos e em desenvolvimento, que sustentam certa dependência cultural para com os Estados Unidos, apesar de fazer sucesso nos países desenvolvidos, em especial na Europa. A primeira parte da pesquisa resgata o conceito de “indústria cultural” e a relação entre produtores “dominantes” e receptores “dominados” propostos pelos estudiosos da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, mais especificamente Adorno e Horkheimer.


Para as discussões acerca do “imperialismo cultural” exercido pelos Estados Unidos nos países latino-americanos serão abordados conceitos sobre “sociedades globais”, presentes nas literaturas de Jesús Martín-Barbero e Néstor García Canclini, ambos autores mexicanos, críticos à homogeneização cultural no continente americano e dos Estudos Culturais que irão relativizar a perspectiva marxista daquela Escola.

Quanto às questões sobre cinema, serão retomadas contribuições dos estudos de cineastas como Griffith e Eisenstein para a consolidação da linguagem cinematográfica. Propõe-se, ao término de uma análise teórica sobre o tema, a produção de um curta-metragem de ficção, cujo roteiro será elaborado a partir das conclusões e reflexões proporcionadas pelo estudo do clichê na indústria cinematográfica.

"Webrabisc" - Rafaela Freitas

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