Marcha

Introdução

Marcha normal

Marcha patológica

Dispositivos auxiliares

Reeducação da marcha

  Ficar em pé

  Traçando objetivos

  Método Bobath

  Método FNP

  Tratamento

Considerações

 

 

 

 

 

 

 

...............................................

Bibliografia

Download do trabalho (.doc)

Contato

2001 Verônica Nakazawa

Tratamento

 

Para Sulivan (1993), Voss (1987), Bobath (1978), exercícios de rolamento é um ponto de partida. Esta atividade propicia uma grande base de sustentação e um centro de gravidade baixo, sem sustentação do peso ao longo das articulações. O trabalho em colchonete pode começar em decúbito lateral, particularmente se é difícil o início do rolamento. Contrações isométricas resistidas em situações de encurtamento (denominadas, com manutenção em situações de encurtamento) são uma técnica preliminar útil em decúbito lateral. Esta técnica usa as contrações isométricas sustentadas dos extensores posturais em preparação para a co-contração (mecanismos neuromusculares dos membros que atuam no sentido de mantê-lo em posição fixa, impedindo que se dobrem por efeito da ação da gravidade. Para que isso aconteça é necessária a fixação das articulações. Essa fixação depende da contração simultânea dos músculos flexores e extensores, o que é chamado de co-contração). Seguem-se diversas atividades sugeridas, que podem ser usadas e/ou combinadas para facilitar o rolamento: 1.) flexão da cabeça e pescoço com rotação pode ser usada em auxílio ao movimento a partir de decúbito dorsal para ventral; 2.) extensão da cabeça e pescoço com rotação pode ser usada em auxilio ao movimento, do decúbito ventral para dorsal; 3.) as atividades dos membros superiores (bilaterais) que cruzam a linha média produzirão um movimento pendular que pode ser usado para “balançar” o corpo, do decúbito dorsal para ventral. Para a criação destes movimentos, ambos os cotovelos são estendidos, e os ombros flexionados a aproximadamente 110º, com as mãos entrelaçadas. Em seguida os membros superiores são impulsionados de um lado para outro; 4.) o cruzamento dos tornozelos também facilitará o rolamento. Os tornozelos são cruzados de tal modo que a parte superior da perna fique na direção do rolamento (por exemplo, o tornozelo direito deve ser cruzado sobre o esquerdo, quando o rolamento é à esquerda).

 

A seguir, os autores se referem também há varias outras posturas como, decúbito ventral sobre os cotovelos: continua havendo grande base de sustentação e baixo centro de gravidade. Esta posição propicia a sustentação de peso sobre cotovelos e antebraços. A postura é útil para a facilitação da estabilidade proximal via co-contração da musculatura glenoumeral/escapular. Em ajuda à tomada do decúbito ventral sobre os cotovelos, o paciente deve estar na seguinte posição de partida: decúbito ventral, ambos os membros inferiores estendidos, ombros em abdução, cotovelos flexionados, antebraços em pronação, palmas espalmadas na superfície de sustentação (ou voltadas para um dos lados, por uma questão de conforto). Os quadris e joelhos do paciente devem estar flexionados, e o contato manual é aplicado sobre os músculos peitorais, com os dedos apontados para o esterno. Em seguida, o terapeuta ajuda o posicionamento, erguendo e sustentando aparte superior do tronco, à medida que o paciente promove a adução dos ombros, para permitir que a sustentação do peso se faça sobre os cotovelos. Outras diversas atividades que podem ser usadas como progressão dentro desta postura: 1.) as atividades iniciais devem incluir a tomada e manutenção da postura; 2.) uma força de aproximação manualmente aplicada pode ser usada para facilitar a manutenção tônica da musculatura proximal. A estabilização rítmica ou isométrica alternada pode ser usada para aumento da estabilidade da cabeça, pescoço e escápula; 3.) pode ser promovida uma progressão para a manutenção independente da postura, enquanto é alterada a posição da cabeça e feita depressão da escápula; 4.) a transferência de peso nesta posição melhorará a estabilidade dinâmica, através de um aumento na aproximação articular. A transferência de peso é usualmente mais fácil numa direção lateral, mas isto também pode ser conseguido numa direção anterior, ou posterior; 5.) atividades que exigem uso de garra com resistência, como o aperto de uma bola ou um cone, reforçarão a co-contração ao nível do ombro; 6.) podem ser usadas atividades de mobilidade controlada da escápula na promoção da estabilidade dinâmica proximal (por exemplo exercícios de elevação do tronco, em decúbito ventral sobre os cotovelos); 7.) atividades estático-dinâmicas devem ser incluídas em decúbito ventral sobre os cotovelos. Isto envolve a sustentação unilateral do peso sobre o membro estático, enquanto o membro dinâmico é liberado. Este esquema facilitará mais a co-contração no membro que está sustentando o peso; 8.) movimentos nesta posição podem ser efetuados por uma progressão para frente/para trás sobre os cotovelos; 9.) o movimento para assumir esta posição, e para deixá-la, deve ser um componente final da seqüência de decúbito ventral sobre os cotovelos.

 

Na posição em decúbito ventral sobre as mãos: esta posição é considerada um passo intermediário entre o decúbito ventral sobre os cotovelos, e quadrúpede. No decúbito ventral sobre as mãos, é conseguida uma base de sustentação menor e um centro de gravidade mais elevado. O peso é agora sustentado através dos cotovelos. Até as mãos e punhos. Como ocorre em decúbito ventral sobre os cotovelos, esta posição também será inadequada para muitos pacientes, devido à excessiva lordose exigida para assumir e manter a posição. Contudo esta posição possui diversas e importantes implicações funcionais. A transferência funcional do decúbito ventral sobre os cotovelos abrange o desenvolvimento da hiperextenção inicial dos quadris e coluna inferior, para os pacientes que exigem este tipo de alinhamento postural durante a deambulação (por exemplo, pacientes com paraplegia) e a posição em pé, a partir da cadeira de rodas, ou o ato de erguer-se do solo com muletas e óteses bilaterais para joelhos-tornozelos.

 

Para o auxílio ao decúbito ventral sobre as mãos, o paciente deve primeiramente assumir o decúbito ventral sobre os cotovelos. A posição do terapeuta e os contatos manuais são os mesmos usados no auxílio em decúbito ventral sobre os cotovelos. Inicialmente, com freqüência o trabalho nesta posição requer que se “dê a partida” com o posicionamento da mão de sustentação do paciente afastada do corpo (isto é com mais de 90º de flexão do ombro), até que o paciente se acostume à posição.

 

Deitado “em gancho”: nesta postura, o paciente está em decúbito dorsal com os quadris e joelhos flexionados, e os pés ficam plantados no colchonete. Esta posição propicia uma ampla base de sustentação e baixo centro de gravidade. A rotação da parte inferior do tronco pode ser facilitada pelo movimento dos membros inferiores através da linha média. Ela é útil na ativação dos abdominais (parte inferior) e extensores da coluna lombar, bem como no aumento da amplitude de movimento da coluna lombar, e dos quadris. As atividades no âmbito desta postura são iniciadas com um movimento assistido ou conduzido. Em seguida é feita uma progressão para a aplicação de resistência em cada direção (afastando-se da linha média). Os contatos manuais ao nível dos joelhos precisam ser trocados da superfície medial para a lateral, à medida que a direção do movimento muda.

 

Ponte: esta atividade é uma progressão da posição deitado “em gancho”. Nela, os membros inferiores estão numa posição de sustentação de peso, sendo um importante precursor para que seja assumida a posição de joelhos, e para o desenvolvimento do controle de levantar a partir da posição sentada. Para esta atividade o paciente encontra-se numa posição “deitado em gancho”, e eleva a pélvis. Assim a base de sustentação fica reduzida, subindo-se o centro de gravidade. Esta atividade tem particular utilidade na facilitação dos movimentos pélvicos e fortalece a coluna lombar e os extensores dos quadris, em preparação para a fase de apoio da marcha. Ademais, a ponte tem diversas implicações funcionais importantes, como: mobilidade na cama, uso da “comadre”, alívio de pressão, colocação de roupas nos membros inferiores e movimentos a partir da posição sentada para a posição em pé. Movimentos pélvicos específicos (por exemplo, movimento pélvico para frente, rotação e desvio lateral), exigidos durante a marcha, também podem ser iniciados e facilitados nesta posição.

 

Posição quadrúpede: esta posição diminui ainda mais a base de sustentação e eleva o centro de gravidade com a sustentação do peso ao longo de diversas articulações. A posição quadrúpede é a primeira posição (na progressão sobre o colchonete) que permite a sustentação do peso ao nível dos quadris. Esta postura é particularmente útil para a facilitação do controle inicial da musculatura da parte inferior do tronco e quadris.

 

A tomada da posição quadrúpede pode ser conseguida a partir de duas posições. Se o paciente é capaz de sentar-se, ele pode ser guiado para apoiar-se de lado, fazendo com que promova a rotação do tronco para permitir a sustentação do peso pelas mãos, com os cotovelos estendidos. Então, o terapeuta guia a porção inferior do tronco até a posição quadrúpede com contatos manuais na pélvis, ajudando o movimento da pélvis por sobre os joelhos. Esta posição também pode ser assumida a partir do decúbito ventral sobre os cotovelos.

 

Posição sentada: pode ser efetivamente usada para o desenvolvimento do equilíbrio, controle de tronco e sustentação do peso nos membros superiores. Ademais, pode ser conseguido o aumento da estabilidade da cabeça e pescoço, nesta posição.

 

Como ocorre com a posição quadrúpede, a posição sentada propicia uma pequena base de sustentação e um centro de gravidade elevado. Contudo, deve ser observado que a base de sustentação para os diversos tipos de posições sentadas é diferente, podendo influenciar a seleção para um determinado paciente.

 

Outro fator que merece consideração na seleção das posturas sentada é a amplitude de movimentos exigida para que tais posturas sejam assumidas.

 

Posição ajoelhada: reduz ainda mais a base de sustentação, eleva o centro de gravidade e propicia a sustentação de peso ao nível dos quadris e joelhos. Esta posição é particularmente útil para o estabelecimento do controle do tronco e pélvis, e para maior promoção do controle do equilíbrio vertical. A posição também facilita o padrão de membro inferior (iniciado durante a posição em ponte) de extensão dos quadris combinada com flexão dos joelhos, necessária para a atividade de marcha.

 

Usualmente, é mais fácil auxiliar o paciente a assumir uma posição ajoelhada a partir de uma posição quadrúpede. A partir desta posição, o paciente move-se ou “anda” com as mãos para trás, até que os joelhos se flexionem ainda mais e a pélvis “caia” em direção aos calcanhares. O paciente ficará “sentado” nos calcanhares. A partir desta posição, o paciente pode ser ajudado para ajoelhar-se, usando os membros superiores para subir nas barras de parede, enquanto o terapeuta controla a pélvis. O outro método consiste em assumir o terapeuta uma posição sentada sobre os calcanhares, e diretamente em frente ao paciente. Os membros superiores do paciente são sustentados pelos ombros do terapeuta, enquanto o terapeuta manualmente guia a pélvis.

 

Posição semi-ajoelhada: o centro de gravidade é o mesmo ocorrente na posição ajoelhada; contudo, a base de sustentação está aumentada. Maiores demandas são agora aplicadas sobre o membro posterior que está sustentando o peso, em preparação para a aceitação do peso durante a fase de apoio da marcha. O peso exercido sobre o membro dianteiro é agora suportado através dos tornozelos. Esta posição permite a facilitação da extensão dos quadris, controle pélvico lateral e movimentos dos tornozelos; ela aumenta, também, o impulso propioceptivo através do pé.

 

Posição plantígrada modificada: é a próxima postura na progressão em busca da postura ereta em pé e da deambulação. Nesta posição, há uma base de sustentação relativamente pequena e um centro de gravidade elevado. Esta postura promove inerentemente a estabilidade, visto que as demandas de sustentação de peso são aplicadas sobre todas as articulações dos quatro membros. A posição pantígrada modificada é um importante precursor da deambulação, visto que se superpõe aproximando-se da completa sustentação de peso num padrão de membro inferior avançado. Este padrão, exigido durante a marcha, combina a flexão dos quadris com a extensão dos joelhos e dorsiflexão dos tornozelos.

 

As atividades de posicionamento assistido são usualmente mais fáceis a partir de uma posição sentada, usando uma cadeira de braços. A cadeira é posicionada diretamente na frente de uma mesa terapêutica, ou de outra superfície estável de altura apropriada. É justificável um cinto de segurança durante as transições iniciais entre as posições sentada e plantígrada. Emprega-se um procedimento similar a qualquer transferência da posição sentada para a posição em pé. Pede-se ao paciente que se movimente para frente, na cadeira (ou será auxiliado para tanto). Os pés devem estar plantados no assoalho e as mãos colocadas nos braços da cadeira. Em seguida o paciente “empurra” para baixo os braços da cadeira e desloca-se para assumir uma posição plantígrada modificada (colocando uma mão a cada vez na superfície de sustentação). O terapeuta fornece o nível necessário de assistência, através do uso do cinto de segurança e/ou contatos manuais.

 

Postura em pé: A postura final na seqüência é a posição em pé, ereta. A base de sustentação é pequena, com um centro de gravidade elevado, exigindo maior controle do equilíbrio. As atividades na posição em pé são mais freqüentemente iniciadas nas barras paralelas. Contudo, para muitos pacientes estas atividades podem ser iniciadas nas proximidades de uma mesa terapêutica, ou de outra superfície de sustentação. Deve ser observado que os pacientes podem demonstrar suficiente estabilidade para a manutenção de uma postura em pé, antes que sejam capazes de assumir independentemente a posição.

 

As atividades em postura eretas nas barras paralelas podem ser iniciadas assim que o paciente tenha feito progresso num programa de exercícios pré-deambulatórios. Antes de ficar em pé, há duas importantes atividades preliminares: guarnição do paciente com cinto de proteção e ajustes das barras paralelas. Ao ajudar um paciente a andar, a terapeuta deve tentar fazê-lo de modo que seu padrão deambulatório seja o mais normal possível, para que o paciente vivencie e aprenda os movimentos corretos, desde o início. Ela talvez tenha que tentar uma série de meios com os quais ajudar o paciente, antes que descida sobre qual será o melhor e o mais sucedido. O tipo de facilitação também variará de paciente para paciente, devendo ser adaptado ou mudado, à medida que ocorrer um ganho de habilidade Davis (1996).

Hosted by www.Geocities.ws

1