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DEMOCRATA V6

O NACIONAL QUE NÃO EXISTIU
Democrata, um veículo de projeto e produção nacional.



Alguns carros nacionais fizeram tanto sucesso que foram exportados para outros paises. Mas, nossa historia. automotiva conta com um projeto totalmente brasileiro e revolucionário, que teve um inicio de linha de produção, mas não chegou as lojas. Trata-se do Democrata, um Sedan médio de luxo com acabamento requintado e motor potente, idealizado pela IBAP (Industria Brasileira de Automóveis Presidente) na década de 60, que teve apenas cinco unidades concluídas. Destas, apenas três foram encontradas, em péssimo estado. Atualmente, partes do que seriam os primeiros Presidente Democrata como carrocerias, componentes de freios, suspensão e acabamento ainda podem ser encontradas. Com exclusividade, MECÂNICA participou da recuperação do único Presidente Democrata., prova viva do sonho de uma indústria. realmente brasileira. O Centro Automotivo Finardi com o qual temos feito varias matérias exclusivas recuperou, em tempo recorde, um dos três que foram construídos na implantação da IBAP. Tudo para desfilar em Brasília, no aniversário de 500 anos do Pais, participando do 3° Encontro Brasileiro de Veículos Antigos.



O principal objetivo, nos anos 60, era formar uma empresa nacional com a socialização do capital de forma democratizada, por intermédio da venda de títulos de propriedade. A idéia era a produção de um veiculo brasileiro moderno e mais barato que os concorrentes entre eles, Simca, DKV e Fusca. Nesse sistema, os associados teriam participação nos lucros, além do direito de adquirir carros com desconto.

Em 1964, os primeiros protótipos do Democrata eram sinônimo de modernidade e polêmica. Em pouco tempo, este Sedan luxuoso, com carroceria em fibra de vidro, motor seis cilindros em V de 2,5 litros (120 cv de potencia a 4.500 rpm), acabamento luxuoso, bancos reclináveis e rádio, conquistou mais de 50 mil associados para a IBAP, cuja fabrica começava a crescer perto de São Bernardo do Campo (SP).

O motor V6 era italiano, feito sob encomenda pela Procosautom (Proggetazione Costruzione Auto Motori) - na época, proprietária da Retifica São Paulo, o que daria maior credibilidade ao veiculo e facilidade na assistência técnica. Disposto na traseira, tinha bloco em alumínio, dois comandos de válvulas, um em cada cabeçote, e era refrigerado a água. Esse "coração" poderia levar o Presidente a 170 km/h, acelerando de 0 a 100 km/h em 10 segundos. Com um automóvel tão avançado, a indústria comandada por Nelson Fernandes começou a ter problemas ("perseguições", segundo Nelson). Iam desde intervenções do Banco Central ate críticas por parte da imprensa, colocando em duvida sua idoneidade e a qualidade do produto. Os ataques começaram depois da compra de um terreno com um milhão de metros quadrados, em São Bernardo, e o anúncio da previsão de se produzir 350 carros por dia.

Segundo Fernandes, a solução encontrada para apresentar o Democrata e mostrar que o projeto era confiável, foi colocá-lo em exposição, em Brasília. "Para confirmar a qualidade, três unidades foram avaliadas pelo Departamento Nacional de Transito, sendo aprovadas e emplacadas." Alem disso, devido as dúvidas com relação a durabilidade da carroceria de fibra de vidro, a empresa permitiu que vários visitantes aplicassem uma surra com canos de ferro, para provar que era mais resistente que a convencional carroceria de chapas de aço.

Em 1908, depois da tentativa de comprar a FNM (Fabrica Nacional de Motores), a IBAP foi interditada pela Justiça Federal, a pedido do Banco Central, que alegava irregularidades no registro da empresa. Fernandes lembra que a proposta de compra da FNM foi recusada pelo Ministério da Indústria e Comercio, sem justificativa. Resultado: ninguém viu o Democrata rodando pelas ruas.

Um longo processo levou mais de 20 anos para ser concluído - a favor de Nelson Fernandes, pois nenhuma irregularidade foi encontrada - devido aos recursos feitos pelo BC. Durante esse tempo, o único galpão da fábrica (com 3.500 m2) ficou abandonado com carrocerias empoeiradas, carros quase concluídos destruídos pela ação do tempo e cabines de pintura em ruínas. O sonho de uma industria de automóveis nacional havia desmoronado.

No inicio da década de 90, depois da conclusão do processo e da liberaçao da área, os irmãos Jose Carlos e Jose Luiz Finardi (proprietários do Centro Automotivo Finardi) arremataram dois carros quase completos, varias peças e carrocerias da extinta IBAP. No final de 99, foi descoberto, e comprado, o terceiro Democrata, o último até hoje encontrado. Começou, então, o renascimento do Presidente Democrata. Peça a peça, o carro foi restaurado, desde a mecânica ate bancos, painel e carroceria. Ao lado de Jose Luiz Finardi, trabalha outro especialista; Donizet Costalonga, um construtor de Hot Rods.

Todos os recursos foram utilizados para recuperar este primeiro Democrata, desde o uso de peças de carros nacionais da época - que seriam utilizadas na produção do modelo - ate componentes inusitados. Jose Luiz descobriu que os mecanismos que seguravam os capôs dianteiro e traseiro vinham de um simples sofá-cama.

E o mais impressionante: mesmo apos anos parado, o motor funcionou na primeira tentativa, mantendo a marcha-lenta. A intenção e recuperar os três: um ficara com Nelson Fernandes, outro em Brasília e o terceiro com os Finardi.

Para Jose Carlos, o Democrata representava a capacidade da indústria brasileira em fazer um veículo moderno, com desempenho invejável para a época. "Na década de 60, o modelo não teria concorrentes, era muito avançado. Todos sabiam que o projeto tinha tudo para dar certo, era revolucionário. O impacto que ele causava impressionava a qualquer um, principalmente um menino de 12 anos", conta ele, lembrando a época em que viu o carro pelas ruas, quando era garoto. "Alem disso, o Democrata pretendia ser barato, democrático", completa Finardi.

O Democrata foi feito para acomodar cinco passageiros, mais bagagem, que fica na parte dianteira, junto ao tanque, já que o motor e traseiro. Os bancos da frente são individuais, separados por um console central onde fica a alavanca do câmbio, de quatro marchas. O motor V6 2.5 trazia novos recursos, assim como os sistemas de cambio, motor e diferencial acoplados.

O propulsor V6 tem dois cabeçotes, alem de dois carburadores Solex C40 colocados em coletores triplos. A bomba d'agua e ligada diretamente a um dos eixos de comando. O grande atrativo eram os 120 cv de potencia a 4.500 rpm para equipar um Sedan médio de duas portas, com 4,68 m de comprimento, 1,72 m de largura, 1,39 m de altura e peso de 1.150 kg.

O sistema de suspensão e independente, sendo a dianteira com braços triangulares superiores e inferiores, molas helicoidais e amortecedores telescópicos. A traseira, vinha com semi-eixos oscilantes, braços longitudinais, molas espirais e amortecedores de dupla ação. Essas características mecânicas, ainda atuais, foram as armas da IBAP para conquistar os associados e ameaçar os concorrentes.




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STUDEBAKER V8


Criado em 22 de maio de 1999.

Última modificação em: Terça-feira, 04 de Julho de 2000, por "Gilson Ribeiro."

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