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STUDEBAKER

Aparências enganam

Há 22 anos ela provavelmente estava transportando leite em alguma fazenda da interior ou fazendo pequenos carretos pela cidade. Suas linhas lembravam mais um automóvel do que um utilitário que, naquela época, oferecia pouco conforto aos seus usuários. Porém, essa Studebaker 1954 de "antigamente" com vários aperfeiçoamentos, se transformou num "carro de vitrine", que chama a atenção em todo o lugar. E até seu motor original de seis cilindros foi substituído por um outro cilindros em V, com 215CV de potência, que equipavam o Dodge Charger R/T.

Renato Aguida Geraldes encontrou sua camionete, em 1981, abandonada num quintal. O antigo dono, o que fazia carretos pela cidade há décadas, não queria mais saber da velha pick-up. Com paciência, Renato resolveu juntar todos os pedaços, recupera-la e reconstruir seu passado.

O nome Studebaker, ele descobriu é herança de longo tempo. Em 1763, Peter Studebaker nos Estados Unidos vindo da .Holanda, para fabricar carruagens e carroças e, no fim do século XIX já produzia 75 mil destes veículos por ano. Mesmo no século XX com o início da produção de automóveis, o nome de Studebaker foi mantido e em 1950, os carros desta marca já eram considerados revolucionários, principalmente devido à maior preocupação com aerodinâmica.

Mas a mecânica não ficava atrás. A pick-up Studebaker tinha um motor originalmente de 6 cilindros, com cabeçote em L - e que equipou automóveis até 1959 - além de um câmbio de três velocidades com acionamento na coluna de direção, como era comum na época.

A RESTAURAÇÃO



Quando Renato encontrou a Studebaker ela tinha tudo para ser feito. Ele decidiu começar pela aparência, deixando a parte mecânica para mais tarde. Assim, depois de um ano e meio numa oficina, a pick-up já saiu parecida com o que e hoje: pintada em preto Cadilac com acabamento de verniz, com a grande grade dianteira totalmente cromada, assim como os pára-choques dianteiro e traseiro e o "santo antônio" na caçamba. Visualmente, os equipamentos não originais da pick-up são o "santo antônio" com um par de faróis, pára-choque traseiro, lanternas traseiras e espelhos retrovisores. E tem ainda como acessórios as rodas "gaúchas" polidas,aro 15 polegadas, com pneus cinturados medida 215/70 -15.

Saída da primeira oficina, a pick-up já fazia sucesso. Mas Renato sabia que ainda faltava alguma coisa para ele ficar satisfeito. Alguma coisa que apimentasse o veículo. E lá foi ela para a segunda oficina mecânica.

MAIS TRABALHO

Foram mais dois anos e meio de ajustes, soldas, monta-desmonta, adaptaçõe e experiências. Com toda a nova aparência que a pick-up já tinha, seu velho motor de seis cilindros não gostava mais de trabalhar. Era hora de aposentá-lo. E o motor de um Dodge Charger R/T de oito cilindros em V e 215 cavalos de potencia foi colocado no lugar. Corta aqui, solda ali, e a Studebaker já abrigava o valente "V oitão". De quebra foi instalado também o câmbio de quatro velocidades também do RIT; com alavanca no assoalho. Foi a parte mais difícil, pois o peso do novo conjunto era muito maior, além do tamanho, e alguns coxins foram quebrados até que se conseguisse adaptar um conjunto resistente.

Para maior segurança, principalmente devido a potencia extra, os dois freios dianteiros a tambor foram substituídos pelos freios a disco do Landau 77, com servo hidrovácuo e tudo. Os freios traseiros, também foram do Landau, juntamente com o eixo traseiro completo desse carro, com diferencial e tudo. Do Landau foram colocados ainda o radiador e a caixa de direção hidráulica. Quanto a bomba da direção hidráulica foi utilizada inicialmente a do Charger, que já estava no motor. Mas ela não se adaptou com a caixa de direção do Landau e teve que ser substituída por uma bomba também do Landau. A carburação também foi alterada, sendo colocado um carburador Solex 40 do Opala para maior economia. A instalação elétrica original de seis Volts foi toda modificada para doze Volts, e as suspensões dianteira e traseira originais, com quatro feixes de molas, tiveram apenas as molas desarqueadas e aliviadas em algumas lâminas, para que o veiculo ficasse mais baixo e mais macio.

POR DENTRO

Passados quatro anos desde a compra da pick-up desmontada, chegava a hora de cuidar do conforto de quem dirige. Para a coluna de direção foi utilizada a do Alfa Romeo, com volante e tudo. Os pedais de freio e embreagem são os do Opala, e o do acelerador o do Landau. O painel de instrumentos foi aproveitado o original, porem com placas de madeira contendo todos os instrumentos do Alfa, dando um aspecto mais esportivo ao interior. Os bancos são individuais e reclináveis (apesar de não haver espaço para reclinar), e forrados em veludo. Todo o interior, o teto e forração das portas, são de veludo, e o piso foi feito em carpete. Por fim, todos os vidros ray-ban feitos especialmente para ela realçam ainda mais o brilho intenso da sua cor preta.


Hoje a Studebaker 1954 está completa. E possui uma garagem onde fica a semana inteira, para chegar no sábado ganhar uma lavagem, ás vezes um polimento, e passear pela cidade. Com certeza ela nunca mais vai transportar leite,ou fazer carretos. Agora ela está se aproveitando de uma aposentadoria tranqüila, com todo o requinte a que tem direito.

Gabriel Marazzi




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GORDINI 1.8


Criado em 22 de maio de 1999.

Última modificação em: Terça-feira, 04 de Julho de 2000, por "Gilson Ribeiro."

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