O Homem (?) Narra
O garoto entrou no banheiro. Era a hora. Senti minhas mãos tremerem e procurarem pelo pano no bolso da minha
calça. O que era isso? Eu fiz isso a vida inteira, ele não era o primeiro e nem seria o último. Mas ele era o primeiro
famoso. Logo que ele saiu, me adiantei. Puis a mão na sua boca, o impossibilitando de gritar ou imitir qualquer ruído
que denunciaria meu ato, e logo enfiei o pano em seu nariz. Senti as pernas dele resistirem - fraquejarem - e por fim
cairem. Agora, tudo estava em jogo.
Jonas Narra
Acordei me sentido pesado. Estava sentado no chão, se é que aquilo era o chão. Era uma sala inteira branca,
acolchoada tanto na parede quanto no chão, dando a impressão que você poderia simplismente estar andando na
parede. Onde estava?
Puxei meu joelho perto do meu corpo, baixei a cabeça e tentei re-lembrar. Estava em uma loja, comprando sapatos.
Então, fui no banheiro sem o Big Rob me acompanhar. Ou seja, fui escondido. Quando sai, senti alguém me puxar e
logo me calar colocando um pano para eu cheirar. Maravilha, eu estava drogado, era isso? E sequestrado? HAHA,
poderia ficar melhor?
Olhei para o lado, e vi que na parede adjacente a minha havia uma menina sentada. Se é que eu poderia chamá-la de
menina. Estava sentada com a cabeça apoiada na parede, olhos fechados e profundas olheiras marcadas na pele como
se nunca mais fossem sair. Vestia uma camisola solta e não muito comprida, e parecia não ter me notado. Tentei falar
algo, mas estava me sentindo fraco.
Senti tudo girar. Bom, pelo menos, daqui a pouco os sequestradores ligam para minha mãe, eles pagam resgate e eu
saio daqui. Certo?
Dormi, ou pelo menos descansei. Abri os olhos, acho que uma hora depois, e a menina agora estava levantada. Ela
andava sorrateiramente, com uma cara de satisfação. Pelo jeito ainda não me percebera e nem iria me perceber.
- Oi? - Eu disse, sem me mecher. Tinha que ma concentrar: Ou eu me mechia, ou eu falava. Não tinha força pra
ambos.
- Hum, olá? - Ela disse, sem me olhar.
Voltou para onde estava sentada quando eu acordei pela primeira vez, mas dessa vez não apoiou a cabeça na parede.
- Onde estamos? - Perguntei.
- Não sei, me diga você.
- Como assim, não sabe?
- Eu não sei. - Ela rodou lentamente os olhos, de uma maneira sinistra.
Mesmo tão pálida, tão assustadora e quieta, ela não deixava de ser atraente e de exercer certo controle sobre mim.
Pude perceber isso pela minha vontade de prosseguir com a conversa.
- Quem é você?
- , prazer. E você?
- .
- Interessante.
- Então, quanto tempo você está aqui?
Parecia que ela estava há anos ali. Sendo consumida, como se as paredes puxassem sua energia e sua felicidade. Eu
não estava entendendo nada. Onde estou? Senti minha cabeça começar a rodar sem parar.
- Acho que um mês. Se deita. - Ela disse, e olhou para o lado somente com o olho. O lado oposto. - Gira menos
quando você está deitado.
Eu escorreguei pela parede e encostei minha cabeça no chão. No momento que terminei de me deitar, tudo parou de
girar. Sorri, um sorriso chapado e podre, e ela não sorriu em retribuição. Se aproximou, e puxou minha cabeça para
cima da perna dela, passando a mão lentamente pelo meu cabelo.
Ficamos um tempo em silêncio, não tenho a mínima idéia de quanto tempo. Eu estava ali há um minuto, uma hora ou
um dia? As coisas estavam começando a se confundir, sentia meu cérebro implorando por descanso ou por mais uma
viajem. Ela colocou minha cabeça no chão novamente, e voltou a andar em círculos pela sala branca, como se
estivesse acariciando algo. Ela era louca.
- Como você aguenta isso? Mais de um mês, você chuta?
- E quem disse que eu aguento? Your mind is in disturbia. - Ela respondeu, se aproximando de mim e ficando de
joelhos logo a minha frente, levando a mão na cabeça e rodando o pescoço como se quisesse alongá-lo.
- Como assim?
- Você é a primeira pessoa que eu vejo desde que cheguei aqui. Por que isso não seria mais um pesadelo? - Ela
sussurou a pergunta final.
- Porque eu sou real. Vamos, me toque. - E estendi minha mão a ela. Ela tocou e logo recuou com medo.
- Não é porque é real que não é imaginário. - falou, se afastando para a parede oposta da sala.
Ficamos mais um tempo quietos, e eu observando cada belo traço dela. Sentia que ela estava com um tique-nervoso.
Parecia que ela contava os segundos, os minutos ou qualquer batida retraindo o músculo do cotovelo dela. Aquilo
começava a me fazer girar novamente, mas eu não queria deitar. Estava com medo de não levantar mais, admito.
- Como era o homem que te trouxe para cá? - Perguntei, insistindo novamente na conversa.
- Ele era.. um monstro. - Ela disse, por fim, sorrindo vazio. Olhou pra cima, grudou a mão no chão, e gritou algo que me
assustou. - I'm going crazy now.
- Imagino. Se eu que estou a menos tempo já me sinto assim, imagine você.
- Você.. não.. é.. real, . - Ela disse, e foi engatinhando de novo a parede adjacente a mim. Ela se batia contra a
parede, como se quisesse impedir alguém de entrar..
- O que você está fazendo?
- Eles querem entrar. Dar outra dose, mas eu não quero mais. Eu não posso mais, desculpa.
- Como assim?
- Eu não aguento muito mais. Você vai me ajudar, ou eu estou te assustando hoje a noite?
Sem saber ao certo o que ela queria dizer, me aproximei e sentei do lado dela. Então, ouvi (ou penso que) umas
batidas de leve na porta, como se tentasse nos empurrar e entrar na sala. Olhei assustado para ela, que tinha a
expressão mais uma vez vazia.
- Eles nunca pediram nada para sua família em troca de você? - Falei quando a tentativa de nos empurrar para longe da
porta parou.
- Eles não querem nada. Eles já tem o que eles querem. Você, eu, e tantos que já foram e vieram.
- Mas você não disse que nunca viu mais ninguém?
- Você não sente? Eles estão aqui. - Ela levantou o braço e girou ele em direção a cada canto da sala.
De repente, senti como se várias pessoas me observassem, como se quisessem arrancar minha paz e me deixar
louco. Como se fosse um ladrão, que quisesse pegar e levar a pessoa para o escuro. Olhei novamente para ela, tão
pálida e tão linda, com seus cabelos castanhos escuros (ou seriam pretos?) caindo mágicamente sobre os seus
ombros, todos embaraçados e rebeldes. Era como se ela fosse a luz. Ou, a cor preta naquela sala inteira branca.
- Fecha os olhos, é bom ver o preto. - Obedeci ao que ela falou, afinal, ela entendia mais disso do que eu.
Fechei os olhos, e senti uma sensação boa me invadir. Eu via outra cor, outro tom, outra coisa. Era como se ela
soubesse tudo que era bom para mim, como se ela fosse parte de mim. Eu necessitava dela assim como necessitava
sair dali. De nada me adiantaria ela ficar e eu sair - minha vida continuaria na sala branca, onde ela me esperava
anciosamente para ser liberta pelo seu príncipe que cada dia parecia mais do que nunca que não ia chegar.
- E o que você faz? - Eu disse, quando o tédio passou a me consumir.
- Você não precisa fazer nada. Sua mente só esta conturbada, se acalme. - Ela disse, e pegou a minha mão.
Sua mão era gelada, mas no minuto seguinte, se aqueceu. Não, aquilo não poderia ser real. Mas tinha que ser. Se
essa garota não existisse, qual outra conseguiria superá-la, imitá-la, chegar aos pés de tanta beleza e tristeza? Aquilo
me perturbava mais ainda.
- Tchau - Ela sussurou. Se levantou e se afastou de mim, e eu senti a porta abrir com tudo e me tacar contra o chão
com força total.
Tudo se apagou. Se apagou, se foi, assim como sua imagem, sua doce voz e seu perfeito corpo. Sua experiência com
a sala branca, toda sua sabedoria sobre como as coisas funcionavam lá. Mal podia esperar para acordar, mas algo não
me deixava. Algo me prendia há um sono onde, infelizmente, tudo era preto. Gritei.
Acordei, estava na minha cama. Estava suando frio, e vi meu irmão ao meu lado, saltando da cama.
- Meu, o que aconteceu? - disse, assustado.
- Eu, Eu.. Foi um sonho?
- O quê, brother? - Ele disse, se irritando e rodando os olhos.
- A MENINA! EU SAI DA CAMA? - Disse, desesperado.
- Não, se acalma. Foi um sonho, ok, ? Vamos, que já tá na hora de acordar mesmo. Mas prefiro um despertador há um galo tipo você. Vai, levanta.
Levantei, me arrumei e pronto. Nós íamos para um encontro surpresa hoje, no shopping do centro da cidade. Tomei o café-da-manhã, se certificou que eu estava mesmo bem, e partimos. Mas o meu sonho, não saia mais da minha cabeça. Era como se tudo rodasse e eu fosse voltar para lá a cada segundo. E o pior: eu queria voltar. Queria perguntar para a menina se ela sairia comigo, quando saisse de lá. Afinal, se eu tinha saído, ela saiu também, não?
Chegamos, descemos e tudo começou. Fãs loucas, gritando, abraçando e se desesperando. Pessoas de idade reclamando do fato de nós estarmos lá, atrapalhando seu domingo de compras, e perturbando a paz pública. Mas isso a gente já estava acustumado - acustumado até demais. Foi então que tudo se iluminou.
Duas meninas passaram de braços cruzados, conversando sem nem nos olhar, e uma de Ipos ligado, cantando. Eu acompanhei os lábios dela, e vi a frase "Your mind is in disturbia" se formar. Mas.. era tão semelhante a da menina do sonho. E ela, também. O corpo, o cabelo, o rosto oculto pelo capuz da jaqueta. Disse que ia ali um segundo, e antes que meus irmãos protestassem, eu já estava na frente da garota, que se assustou. Olhei nos seus olhos, e era ela.
- ? - Eu disse, maravilhado.
- Humm.. É, mas quem é você mesmo? - Ela disse, com cara confusa. Aquela pergunta doeu no meu coração.
- , se lembra?
- Ahm, desculpa, mas do que? - Não, diz que se lembra. Não faz isso comigo,..
- Eu.. eu sonhei com você. Foi tão real, você estava diferente, com uma camisola branca e cabelo bagunçado e.. Eu não acredito. - Eu disse, mas para mim mesmo do que para ela.
A amiga dela puxou ela e cochichou algo na orelha dela. Eu pude ouvir, e sorri confuso após aquilo.
- , você estava de camisola branca ontem. Que medo.
A menina se afastou, e continuou me olhando, com cara de perdida sem saber o que falar. Em breve as fãs iam me achar, eu precisava me apressar.
- Olha, sai comigo? Eu adivinhei a cor da sua camisola, eu não devia merecer isso? - Disse dando meu melhor sorriso conquistador.
- Sorry, I think your mind is in disturbia.. - E saiu me olhando com cara de quem nunca vira mais louco na vida.
Ah não, eu ia conquistar ela. Não ia deixar ela presa dentro da sala branca que era a vida dela, sem eu dentro, na espera que venham dar mais uma dose daquela coisa que te fazia viajar novamente. Eu ia ser seu príncipe, por mais que aquilo me custasse muito.
Ouvi algo cair no chão. Olhei para frente, e vi que ela havia deixado o seu Ipod cair. Sorri, corri até ele e peguei o Ipod dela. Gritei seu nome, ela ouvi mas não virou para trás. Vi a música que estava tocando, e por mais estranho que pareça, se chamava Disturbia. Sem acreditar, voltei até meus irmãos, e eles pareciam mais confusos que eu.
- Meu, o que aconteceu? - perguntou.
- I'm going crazy now.. - Sussurei.
What's wrong with me?
Why do I feel like this?
I'm going crazy now
No more gas in the rig
Can't even get it started
Nothing heard, nothing said
Can't even speak about it
I'm a light on my head
Don't want to think about it
Feels like I'm going insane
Yeah
It's a thief in the night
To come and grab you
It can creep up inside you
And consume you
A disease of the mind
It can control you
It's too close for comfort
Put on your green lights
We're in the city of wonder
Ain't gonna play nice
Watch out, you might just go under
Better think twice
Your train of thought will be altered
So if you must faulter be wise
Your mind is in disturbia
It's like the darkness is the light
Disturbia
Am I scaring you tonight
Your mind is in disturbia
Ain't used to what you like
Disturbia
Disturbia
Faded pictures on the wall
It's like they talkin' to me
Disconnectin' phone calls
The phone don't even ring
I gotta get out
Or figure this shit out
It's too close for comfort
It's a thief in the night
To come and grab you
It can creep up inside you
And consume you
A disease of the mind
It can control you
I feel like a monster
Put on your green lights
We're in the city of wonder
Ain't gonna play nice
Watch out, you might just go under
Better think twice
Your train of thought will be altered
So if you must faulter be wise
Your mind is in disturbia
It's like the darkness is the light
Disturbia
Am I scaring you tonight
Your mind is in disturbia
Ain't used to what you like
Disturbia
Disturbia
Release me from this curse
I'm trying to remain tame
But I'm struggling
You can't go, go, go
I think I'm going to oh, oh, oh
Put on your green lights
We're in the city of wonder
Ain't gonna play nice
Watch out, you might just go under
Better think twice
Your train of thought will be altered
So if you must faulter be wise
Your mind is in disturbia
It's like the darkness is the light
Disturbia
Am I scaring you tonight
Disturbia
Ain't used to what you like
Disturbia
Disturbia