UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO
DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – JORNALISMO
PROJETO EXPERIMENTAL JORNALISMO V – MONOGRAFIA
 

O Ombudsman na Folha

por
Luiz Carlos Erbes

Orientador
Sérgio Caparelli

Porto Alegre, outubro de 1991

Principal
Jornalismo
Internet
O autor


Introdução

1. A Folha

2.O Ombudsman

4. Os Jornalistas

     Conclusão

     Bibliografia

Escreva para
o autor
 

3. O Ombudsman na Folha
 O cargo de ombudsman na Folha foi criado com base nas experiências dos jornais “El País” (Espanha) e “The Washington Post” (EUA). Desde 1986, o diretor de redação Otávio Frias Filho e os secretários Carlos Eduardo Lins da Silva e Caio Túlio Costa acompanhavam o trabalho dos ombudsmen dos dois jornais, enquanto convidavam jornalistas para ocupar o cargo. Nenhum dos quatro convidados aceitou a função.
 A criação só foi oficializada em 20 de setembro de 1989. Correspondente em Paris, Caio Túlio precisava retornar ao país por causa de problemas particulares. A direção do jornal decidiu convidá-lo para ser o primeiro ombudsman do Brasil e da América Latina.
 Caio Túlio é um jornalista da “nova geração”. Nascido em Alfrenas (MG), ele estreou na profissão como cronista social do jornal “O Imparcial”, semanário de Tupi Paulista (SP). Formou-se em jornalismo na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), em 1979. Cursou ainda Filosofia, também na USP. Mesmo antes de formado, foi diretor de redação  do jornal mensal “Beijo” (1977 e 78), e secretário de redação do Lei Livros (1978) e, mais tarde, diretor de redação (de 1979 a 81).
 Em 1981, ele foi convidado pela Folha pra ser o editor do caderno Ilustrada e do Folhetim (suplemento cultural). No ano seguinte, foi promovido a secretário de redação, cargo que ocupou até 1987. Nesse período, foi o responsável direto pela informatização da redação do jornal, realizada em 1983. De 1987 a 89, trabalhou como correspondente do jornal em Paris.
 Caio Túlio Costa foi um dos autores do “Manual Geral de Redação” e do livro “Seminário de Jornalismo”, ambos editados pela Folha de S. Paulo. Foi também o autor de “O que é Anarquismo”, livro da coleção Primeiros Passos, da Brasiliense. Por duas vezes, ele deu aulas na PUC-SP e no curso de pós-graduação de jornalismo da USP.
 Caio Túlio foi indicado com um mandato de um ano, com possibilidade de renovação por mais um ano, caso o jornal e ele estivessem de acordo. O ombudsman da Folha tem quatro funções básicas:
 1. Realizar a crítica diária à edição do jornal. Ela é feita ainda na parte da manhã e encaminhada por volta do meio-dia à redação, às sucursais e aos correspondentes da Folha. Não é publicada. Normalmente, são duas ou três laudas datilografadas nas quais o ombudsman aponta erros cometidos. Essa crítica é realizada a partir da leitura aprofundada da Folha  e dos outros principais jornais do país – O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, Jornal da Tarde e Gazeta Mercantil.
 2. Atender ao leitor. É o seu trabalho principal, segundo afirma o próprio Caio Túlio. Esse atendimento é feito por telefone (das 14h às 18h), por carta ou pessoalmente. O ombudsman passa a ser a “antena do jornal” junto ao leitor: recebe as reclamações, promove investigações e encaminha os problemas à redação.
 3. Supervisionar o Painel do Leitor e indicar os erros que devem ser corrigidos. O ombudsman indica também cartas que merecem publicação, mas a decisão final cabe ao editor do Painel.
 4. Fazer uma crítica dos meios de comunicação, publicada nas edições de domingo da Folha. É a oportunidade que ele tem para mostrar o seu trabalho ao leitor. No artigo, normalmente composto por um texto principal, uma seção chamada Retranca e, de vez em quando,  e uma ilustração, ele faz uma análise da atuação da Folha e dos outros jornais, aborda questões éticas e tira dúvidas que o noticiário deixa.
 A indicação de Caio Túlio Costa foi anunciada pela Folha no dia 23 de setembro de 1989, um dia antes de ser publicada a primeira coluna. “Folha lança amanhã a coluna do ombudsman”, dizia a manchete, no alto da página. Além do anúncio da criação do cargo, o jornal trazia depoimentos dos ombudsmen do El País, José Miguel La Raya, e do The Washington Post, Richard Harwood.
 Eles falaram sobre o que muda no jornalismo com a presença do ombudsman. “É um maior controle. Os jornalistas sabem que o leitor tem como reclamar e que existe alguém acompanhando o jornal. Para cuidar da reputação, eles ficam mais rigorosos nas reportagens”, diz La Raya. “Depende dos jornalistas e como eles reagem. Eu acho que o ombudsman pode contribuir para se chegar a níveis mais altos. O jornal pode ser mais preciso, mais justo”, afirmou Harwood.
 Ao responder a questão, o recém-eleito ombudsman da Folha diz que o resultado será visto na prática. “Mas acho que ele pode ajudar o jornal a ser mais bem feito. Pode ajudar um pouco o jornal a ser mais bem acabado”. Numa entrevista, ele faz a sua primeira crítica à Folha. “Eu acho a Folha muito ousada. Ela tem um papel de ousadia inegável na história da imprensa brasileira. Mas acho que a Folha ainda é um jornal mal acabado. E esse problema de mal acabamento pode ser facilmente resolvido.” (Folha, 23/9/1989)
 Até ser indicado para o cargo, Caio Túlio conhecia pouco do trabalho do ombudsman. “Eu já sabia da existência de uma organização mundial, que é a ONO – Organization of News Ombudsmen, com sede em Sacramento, Califórnia (EUA). Acompanhava, mas não sabia muito aprofundadamente. Mas acompanhava, sabia o que era, respeitava e achava a coisa interessante, principalmente a parte da crítica (Sextante, maio de 1991).
 A reação à criação do cargo foi positiva. “É uma idéia magnífica, um avanço muito grande. É uma idéia de bom senso”, disse à Folha Olcyar de Moraes, presidente do grupo Itamarati. “Se vai criticar o jornal eu acho ótimo. A folha está muito boa, mas as vezes comete erros graves”, afirmou Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro da Fazenda no governo Sarney.
 “Acho uma providência urgentíssima. Que todos os jornais a tomem. Os jornais têm praticado uma ditadura contra pessoas indefesas, sem jornal para se defender. É o que está acontecendo comigo na Ilustrada”, declarou o escritor Ferreira Gullar. “O ombudsman estimula a troca de idéias e decisões mais democráticas. Quanto mais troca de idéias melhor”, opinou o empresário Antônio Ermírio de Moraes.

3.1. O Leitor

 Um jornal é feito para o leitor. Deve apresentar informações que realmente sejam úteis ao seu dia-a-dia e que o deixem a par do que acontece em diferentes áreas, como política, economia, mundo, cultura, ciência, informática etc.. Mas nem sempre – ou poucas vezes – é assim. Uma leitura superficial dos jornais brasileiros, principalmente de veículos editados fora do eixo Rio-São Paulo, permite detectar essa deficiência: inúmeras matérias, além de pouco claras, interessam mais aos entrevistados e as suas assessorias do que propriamente ao leitor.
 A falta de sintonia entre o jornalista e o leitor é uma crítica antiga no jornalismo. Têm seus reflexos sobre os jornais: o número de exemplares vendidos caiu nos últimos anos – inegável que esta queda também tem razões de ordem econômica. Só escaparam da crise jornais que mudaram posições e tentaram se aproximar mais do leitor.
 A intenção de fazer um produto voltado mais para o leitor é uma das metas do Projeto Folha. Diz Eduardo Lins da Silva: “Na filosofia do Projeto Folha, a preocupação com o leitor passar a ser fundamental. Editores e integrantes da direção de redação sempre lembram aos demais jornalistas da importância que tem o ponto de vista do leitor.” (Silva: 1984, 169)
 Desde a década de 80, a Folha fez sucessivas pesquisas para saber qual o perfil do seu leitor. O público ganhou espaço no diário com a seção Painel do Leitor. Mesmo cartas contendo críticas a posições da Folha e atacando alguns articulistas são publicadas na coluna. Reportagens polêmicas são muito comentadas em cartas, com leitores elogiando ou fazendo críticas.
 Mas Carlos Eduardo vê com reservas a pesquisa Perfil do Leitor – “o entrevistado”, diz, “responde para impressionar o entrevistador” – e a seção Painel do Leitor – “as cartas dos leitores são iniciativas isoladas de pessoas que devem representar parcela significativa do leitorado, mas não se sabe exatamente de que tipo”. Segundo ele, os dois mecanismos “são insuficientes para que se tenha uma visão correta de como o público reage ao jornal”.
 Em 1989, o leitor ganhou um espaço real com a criação do cargo de ombudsman. Segundo o jornalista indicado para a função, o principal era Ter alguém na redação para atender o leitor. “O ombudsman tem a finalidade de melhorar  o jornal, mas a finalidade maior é dar ao leitor um representante na redação. O ombudsman é a antena do jornal junto ao leitor”. (Sextante:1991)
 Desde o início, o público foi receptivo à criação do cargo. Na primeira semana de trabalho (25 a 29 de setembro), Caio Túlio Costa foi muito procurado por leitores: recebeu 89 telefonemas (média de 17 por dia), 108 cartas (21 por dia) e atendeu cinco leitores em seu escritório, no quinto andar do prédio da Folha, em São Paulo. A candidatura de Fernando Collor de Mello à presidência foi o assunto principal.
 O ecologista Cláudio Duarte foi o primeiro leitor a ligar para o ombudsman, ma nanhã de 25 de setembro de 1989, a primeira segunda-feira de trabalho de Caio Túlio no cargo. Ele reivindicava um espaço maior para assuntos sobre o meio-ambiente. “O assunto foi encaminhado, discutido pela redação e redundou numa carta onde expliquei que o jornal estava examinando o assunto. Nada foi resolvido e tenho certeza de que não será em breve porque esta não é uma das prioridades do jornal”. (Intercom, 1990)
 O advogado Gabriel Schmidt, de São Paulo, procurou primeiro o ombudsman pessoalmente. Se problema – apresentar propostas para o país – foi solucionado. Outras questões também foram resolvidas, conforme Caio Túlio Túlio: “Nos primeiros três meses tive que recorrer a coluna somente em duas oportunidades para dar conta ao leitor de ocorrências mal resolvidas pelo jornal após a intervenção do ombudsman”. (Intercom, 1990)
 Em seis meses de trabalho, o ombudsman atendeu mais de 3,6 mil ligações telefônicas, respondeu aproximadamente 2 mil cartas e conversou com mais de 80 leitores pessoalmente, segundo relato de Caio Túlio na coluna “Os limites do ombudsman”, de 8 de abril de 1990.
 Mas há estatísticas mais completas sobre o número de leitores que ligam para ele. Em fevereiro de 1991, o próprio ombudsman fez um  levantamento dos telefonemas recebidos. Naquele mês, apesar das férias escolares, ligaram 421 leitores (média de 21 por dia) – 68% eram homens e 32%, mulheres. Foram processados 479 itens: 84% eram queixas, 7% sugestões, 7% elogios e 2% críticas a outros jornais ou revistas.
 Das 404 reclamações recebidas, 38% eram protestos específicos contra determinadas notícias ou opiniões emitidas no jornal; 16% eram erros objetivos apontados; 16% críticas de caráter genérico (tipo “eu não gosta da Folha”, “não gosto da linha política”), 12,6% críticas de caráter administrativo; e 12,5% reclamações de erros de português e digitação. Essas críticas foram encaminhas à direção do jornal. O restante das queixas foi resolvido, na maioria das vezes, pelo próprio ombudsman.
 A editoria que recebeu o maior número de reclamações foi a de Cidades (hoje cotidiano). Depois aparecem, pela ordem, Ilustrada, Política (hoje brasil), Exterior (mundo) e a primeira página e editoriais.
 Foi feito ainda um perfil dos leitores que ligaram para o ombudsman. Pela ordem, quem mais entrou em contato foram estudantes, industriários e comerciários, professores e pesquisadores universitários, comerciantes, executivos e consultores, aposentados, jornalistas, editores, fotógrafos, escritores e relações públicas, advogados, donas-de-casa e industriais e empresários.
 Leitores da cidade de São Paulo foram os que mais ligaram, representando 77,8% do total. Outros 9,5% eram do interior ou do litoral paulista, e 12,5% de outros Estados. Ali, apareceram, pela ordem, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Distrito Federal e Bahia. O Rio Grande do Sul está em 13º lugar.
 Esses números podem ser maiores em determinados dias ou semanas, quando há um assunto importante ou um caso polêmico. Em épocas de eleições, os leitores se posicionam mais, normalmente reclamando que o jornal dá mais espaço para um candidato, que persegue o outro. A maioria dos primeiros telefonemas ou cartas recebidos se refere ao então candidato à presidente Fernando Collor.
 Uma polêmica também provoca a reação dos leitores. Um exemplo é a discussão entre Caio Túlio e o então correspondente em Nova York, Paulo Francis. De 12 de fevereiro a 4 de março, o ombudsman recebeu 220 cartas tratando especificamente do assunto. No mesmo período, a coluna “Painel do Leitor” recebeu outras 224 cartas opinando sobre a polêmica.
 Outro exemplo, mais recente, foi a recuperassão da Carta Aberta ao Sr. Presidente da República, do diretor de redação Otavio Frias Filho, publicada na capa da edição de 25 de abril de 1991, uma quinta-feira.  No dia seguinte, Caio Túlio recebeu 56 telefonemas (a média em fevereiro era de 21). Sobre esse tema, escreveu o ombudsman:
 “Em um ano e sete meses nesta atividade de atender e investigar reclamações de leitores, eu jamais vivi um dia como o de quinta-feira passada. (...) Eu esperava, como sempre, atender aos leitores queixosos, discordantes, àqueles em busca do catalisador natural de descontentamento em relação ao jornal. Pois bem, dos 56 telefonemas que atendia pessoalmente na quinta-feira, 33 foram sobre a carta. Todos de apoio.” (Folha, 28/4/1991)
 A principal intenção dos leitores era manifestar seu apoio ao conteúdo da carta e pergunta se havia ocorrido um “fato novo” que tivesse desencadeado a publicação. Nos dias seguintes, cartas de apoio ao diretor de redação começaram a chegar ao jornal. Resultado: o assunto ocupou praticamente todo o espaço da coluna Painel do Leitor.
 Normalmente, porém, os leitores ligam ou escrevem para o ombudsman reclamando de posições adotadas pelo jornal ou de erros cometidos em notícias. Os problemas de “ordem política” são os mais difíceis de serem resolvidos. São questões mais complicadas do que as situações enfrentadas por ombudsmen de outras áreas, principalmente porque o jornal lida “com idéias, conceitos, informações”. Diz ele:
 “Aqui o cara liga para dizer que discorda, liga para dizer que o jornal é muito malufista; outro liga acham do que o jornal é petista; liga para dizer que o jornal persenal persegue o PT; outro liga para dizer “não dei tal declaração”, e aí você vai conferir e ele deu. São problemas muito mais sofisticados do que uma salsicha estragada, no caso de um ombudsman de um empresa alimentícia”. (Sextante, 571991)
 O ombudsman também enfrenta críticas subjetivas ao seu trabalho. Quando fez um relato dos seus primeiros seis meses no cargo, na coluna “Os limites do ombudsman”, ele falou sobre “três cartas arrasadoras”: 
 “Numa dessas cartas, sou acusado de “derrapado” nas funções e de ter ficado “em cima do muro” no episódio da invasão da Folha pela polícia do presidente Collor. Noutra, posso por um profissional preocupado com as  “maters of high relevancy, but of no practical importance” (assuntos de alta relevância, mas de nenhuma importância prática;  o leitor escreveu em inglês). Um terceiro revela: “nunca compactuei com as críticas do ombudsman pelo fato de não trazer nenhum enriquecimento jornalístico ao jornal.” (Folha, 8/4/1990)
 Segundo o artigo de Caio Túlio, “nem o principal e mais comentado dos ombudsmen de imprensa está livre de contestação”. Ele cita como exemplo o ombudsman do The Washington Post, Richard Harwood, um dos mais conhecidos nos meios de comunicação. Ele recebeu uma carta ainda mais severa, que dizia: “Você passou muito tempo na cama das elites do The Post para fazer o papel de ombudsman.”
 Mas o tom normalmente não é tão severo. Muitos leitores que ligam Vêem o resultado nas páginas do jornal. Eles colaboram com o trabalho de Caio Túlio, principalmente na crítica diária, apontando erros de informação e de grafia de nomes. Depois de checar os dados, o ombudsman pede a correção do erro à redação sempre que necessário.
 Muitos leitores ligam com problemas específicos, facilitando o seu trabalho. Outros ainda ligam para fazer reclamações administrativas – “o pessoal liga dizendo que recebeu o jornal molhado, que pagou assinatura e não recebeu” – ou para cobrar posições do jornal ou tentar ditar, inclusive, uma manchete.
 Conforme Caio Túlio, os erros objetivos são mais fáceis de serem resolvidos, apesar de alguns problemas persistirem. As questões subjetivas são as mais complicadas de serem resolvidas à contento dos leitores. As sugestões, todas elas segundo o ombudsman, são repassadas à redação, que as analisa e adota quando julgar conveniente, isso sempre dentro da linha editorial da empresa. As sugestões nem sempre são acatadas.
 As conversas com os leitores, por telefone, em geral são rápidas. “Agora, se o assunto tem a mínima importância, aí eu dou ao leitor todo tempo que precisa”. Normalmente não é um trabalho difícil. Só exige, como diz, “muita paciência”.

3.2. A Crítica Interna

 Diariamente o ombudsman produz uma crítica de circulação interna sobre a edição da Folha. Ele aponta erros cometidos por jornalistas, questiona a edição das notícias e pede, quase sempre, mais clareza. Esse trabalho é feito na parte da manhã. A avaliação circula por volta do meio-dia na redação e nas sucursais, além de ser enviada aos correspondentes no país e no exterior. Sobre o trabalho, diz Caio Túlio Costa:
 “Faço um comentário com o olho tanto do leitor como quanto do jornalista sobre aquilo que o jornal está dando naquele dia, se deu mal, se deu bem, o que omitiu, o que podia explicar melhor, o que está certo, o que está errado segundo o meu ponto de vista e do ponto de vista de vários leitores que ligam”. (Sextante, 5/1991)
 A crítica feita “com os olhos do leitor – que quer informação precisa, exata e completa – quanto os olhos do jornalista capaz de analisar e julgar uma edição” provém do Manual Geral de Redação da Folha (1987, segunda edição). O Manual pede clareza – “tudo deve ser explicado, esclarecido e detalhado, de forma concisa, exata, simples” -, exatidão – “informação inexata é informação errada” – e propõe um jornalismo de serviço – “o jornal impresso deve ser um artigo de primeira necessidade par ao leitor”. (Manual, 1987)
 Além de se basear no Manual, o ombudsman tem como referência os textos publicados pelos outros três grandes jornais do país. A critica dificilmente traz elogios à Folha, diz quando o material dos concorrentes é mais claro e aprofundado. A monte do cantor Gonzaguinha em 29 de abril de 1991, num acidente de carro no Paraná, é um exemplo:
 “Moreu Gonzaguinha e a primeira página registra em três módulos logo abaixo da dobra. Em tese, está bem registrado. Mas a Ilustrada chuta o material para a terceira página em detrimento, na capa, para material sobre dança – efetivamente para um micro-público. Se deu tempo para colocar a morte de Gonzaguinha na terceira página (o caderno fechou às 13h40min) então daria tempo de refazer a capa. O leitor percebe a preguiça editorial e não gosta. Se for ler o Estado, então não gostou da comparação. Primeiro porque o material do Estado é mais completo. Enquanto para a Folha os dois acompanhantes do cantor ainda estavam vivos, o Estado informa que um deles morreu ontem mesmo (Aristides Pereira). Nosso perfil também é insuficiente”.
 Mais seguido que as referências aos concorrentes aparece a questão da clareza dos textos e manchetes. Isso fica claro na crítica de 30 de abril de 1991, até a manchete principal, “Governo demite indexar baixos salários”, é questionada. “Não seria melhor dizer que o governo admite corrigir os baixos salários, reajustá-los periodicamente? O mesmo raciocínio vale para o texto da manchete”, diz o ombudsman.
 Uma outra matéria da mesma edição, “Brasil adia definição sobre cotas de café”, na página 3-5, só pode ser entendida por especialistas ou iniciados no assunto, segundo ele. E questiona:
 “Que cotas são essas? Para que servem? O que é o sistema internacional de cotas para o café. Que assunto sobre cotas o Brasil está analisando? Que episódio é esse fechamento de registros? Que registros? O ministério da Economia fechou por quê os registros de exportação? (...)”.
 O ombudsman cobra também as decisões dos editores, que definem as notícias que terão destaque no dia seguinte. O caso conhecido como “Riocentro”, que completava 10 anos em abril de 1991 e ainda não foi esclarecido devidamente, era notícia nos principais jornais do país mas não recebeu chamada na primeira página. Outra crítica: “A Folha traz três retrancas e um quadro na página 1-4 mas deixou de registrar que o senador Suplicy-PT pediu nova IMP (Inquérito Policial Militar) sobre o caso”.
 O tratamento dado ao caso Maradona também foi questionado: “Não merecia menção na capa o fato de Maradona ter dito que consome cocaína Há três mês? Os outros jornais também trazem material mais completo sobre o caso.”
 Além das críticas à edição de notícias e a reportagens inteiras, o ombudsman faz na sua avaliação uma indicação dos erros que devem ser corrigidos pelo jornal.
 A crítica diária não chega ao leitor. Ela circula apenas na redação, nas sucursais e é enviada aos correspondentes. Em 3 de março de 1991, Caio Túlio mostrou em sua coluna, “Pílulas da crítica diária”, alguns dos assuntos abordados durante a semana. Apresentou 10 questões e reproduziu alguns dados da crítica diária.
 Os itens se referem ao anúncio do final da Guerra do Golfo Pérsico (“Vitória”), abordam o julgamento da equipe médica que operou o presidente eleito Tancredo Neves em 1995 (“Memória e Tancredo”) e terminam numa questão de português sobre se a palavra “cólera” (doença) é masculina (o cólera) ou feminina (a cólera).
 O ombudsman toca em questões tanto de direção – “A noite de quarta-feira foi uma daquelas em que havia razão suficiente para os jornais esperarem um pouco antes de fecharem suas edições de quinta-feira”, em razão do final da Guerra do Golfo – como em problemas de ordem jornalística – “em texto (terça-feira) sobre os novos da Assembléia Legislativa, a Folha dá show de preconceito”.
 A coluna dominical dá um exemplo de que a crítica diária pode produzir resultados. Na quarta-feira daquela semana, a “Folha informou que os médicos que operaram Tancredo serão julgados na quinta. O ombudsman criticou o fato de o jornal não Ter “recuperado” o caso. No dia seguinte, apareceu uma reportagem mais completa sobre o assunto, o que acabou analisado por Caio Túlio:
 “Está boa a reportagem (na quinta-feira) recuperando o caso dos médicos de Tancredo que serão julgados. É um grande assunto jornalístico e, se estivéssimos num país de Primeiro Mundo, a pressão da imprensa no sentido de se apurar realmente o acontecido seria infinitamente superior à que se vê aqui.” (Folha, 3/3/1991)
 Entre todas as funções do ombudsman, a da crítica diária às edições da Folha talvez seja a mais cansativa e desgastante. Requer atenção redobrada.

3.3. Erros e Correções

 A Folha de S. Paulo foi o primeiro jornal brasileiro a admitir erros publicamente – uma prática ainda hoje pouco comum. A correção da grafia de nomes ou de informações mal checadas veio com o Projeto Folha e evoluiu com ele. Publicados no início em castos de cada caderno e sem receber nenhum destaque, hoje os erros são corrigidos num lugar nobre: na página três do primeiro caderno, abaixo do Painel do Leitor.
 Mas as retificações não foram apenas para uma página melhor, mais nobre. O número de erros admitidos e corrigidos aumentou de forma considerável nos últimos anos, principalmente após a criação do cargo de ombudsman. Com ele, o jornal ganhou um instrumento de aferição dos erros melhor. O próprio leitor passou a ser um aliado neste trabalho, ao ligar e apontar erros específicos.
 Antes da criação do cargo, a Folha tinha um controle de erros feito pelo revisor e, mais tarde, pelos editores. Em 1984, a média de erros era de 175 por edição. Três anos após, esse número caiu para 65, uma queda significativa. Para Carlos Eduardo Lins da Silva, o total de erros era cerca de 30% maior do que o levantamento feito pelo revisor. A meta da Folha, segundo o autor do livro “Mil Dias”, era ficar em torno de 30 erros por edição.
 Os erros, que não eram classificados pelo revisor, foram divididos em dois grupos pelo ombudsman: de grafia e português, e de informação. Um trabalho de aferição melhor elevou também o número de erros do jornal.
 De 65 erros de grafia e português apontados pelos editores em 1987, a Folha passou a ter 138 em 1990, em média, quando o trabalho já era feito por Caio Túlio Costa. Esse número – superior em mais de 100% - caiu 15% nos primeiros meses de 1991, para 117. Segundo avaliação do ombudsman, o jornal “tem tido uma queda muito leve na quantidade de erros de grafia, gramática e digitação. Agora isto tem a fez com o tamanho do jornal, que diminuiu.” (Sextante, 5/1991)
 A média de três erros por página que a Folha comete fica dentro dos padrões mundiais, mas acima da média de algumas empresas. A rede que edita o Miami Herald (Flórida) e outros 28 diários, por exemplo, cometeu em média 2,5 erros por página em 1990, segundo dados da coluna de Caio Túlio. “A freqüência era de 4,7 erros em 1986, na média diária. Conseguiram diminuir quase a metade em quatro anos.”
 No Brasil, qualquer comparação fica bem mais difícil. Os outros grandes jornais ainda não têm o hábito de reconhecer e publicar seus erros nem de quantificá-los.
 Os erros de grafia e digitação são os mais fáceis de serem apontados e retificados pelo jornal. A correção é enviada ao responsável pelo Erramos e, normalmente, publicada.
 Os problemas aparecem quando entram em questão os erros de informação. Segundo Caio Túlio, “não existe problema com refutações de erros objetivamente comprováveis, mas quando há uma pontinha de subjetividade a coisa complica”. É o trabalho mais difícil, complicado:
 “Isto (os erros de informação) é muito difícil de aferir, e é muito difícil de comparar, porque tem muita informação que você não tem como saber se está certa ou errada. O leitor não tem como aferir um dado de um cara do Pará, um dado político do Estado do Maranhão, um dado de um garimpeiro. Você não tem como aferir se todas as informações que o jornal dá são corretas”. (Sextante, 5/1991)
 Para o ombudsman, o que se pode ver na Folha é um aumento do número de admissão de erros. “A quantidade de admissão de erros aumentou porque o jornal está tendo um equipamento melhor de aferição, formado por seus leitores. O leitor liga para o ombudsman e diz que a coisa está errada”. (Sextante, 5/1991)
 Segundo ele, antes da criação do cargo a Folha admitia cerca de 12 erros por mês. Logo no primeiro mês de trabalho do ombudsman, o jornal reconheceu 45 erros. Em 1990, o número subiu para 70. A partir de fevereiro desse ano, quando o ombudsman passou a aglutinar as erratas, a admissão de erros subiu para 130, média de 4,4 por dia. O recorde ocorreu em maio, quando o jornal retificou 160 informações, média de 5,3.
 Apesar do número de erros de informação, Caio Túlio acredita que a implantação do cargo de ombudsman teve um “conteúdo pedagógico”. “Eu acho que o jornal antes da figura do ombudsman, se você conseguisse fazer uma aferição confiável, ele teria mais de 4,4 erros dia por dia”. (Sextante, 5/1991)

3.4. A Crítica

 Entre as funções do ombudsman da Folha de S. Paulo está a de escrever um artigo semanal sobre os meios de comunicação. Caio Túlio Costa, entre outras coisas, analisa o desempenho da imprensa brasileira, faz previsões sobre o futuro do jornais e procura “aparar arestas” (tirar dúvidas deixadas pelo noticiário). É o seu momento de maior responsabilidade.
 A chamada “media criticism” é uma das funções incorporadas pelo ombudsman. Mesmo antes do surgimento do “advogado do leitor” no Louisville Corrier Journal, em 1967, a crítica aos meios de comunicação era exercida publicamente. No próprio Brasil há exemplos: entre 1975 e 77, Alberto Dines teve um espaço com esse objetivo na Folha; e na extinta revista Imprensa (não confundir com a atual, da Abril) havia uma coluna denominada “Crítica da Informação”.
 A função, porém, não é universal. Os ombudsmen ingleses, por exemplo, não publicam colunas, ouvem apenas os leitores e produzem relatórios internos. A idéia da crítica pública é norte-americana e foi adotada pela Folha com base nas experiências do The Washington Post e do EL País (também implantou o programa nos moldes do Post).
 Caio Túlio estreou na função em setembro de 1989, com a coluna “Quando alguém é pago para defender o leitor”, publicada no primeiro caderno da Folha. Desde aquela data até junho de 1991, o ombudsman escreveu sobre problemas da imprensa e comparou os noticiários dos quatro principais jornais do país – Folha, O Estado de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.
 Nas suas primeiras colunas, o ombudsman foi didático. Procurou explicar ao leitor quais as suas funções: a coluna “vai comentar as notícias da semana e a maneira como a imprensa tratou os assuntos com um único objetivo: ler os jornais e escutar as notícias com olhos e ouvidos de leitor exigente”, escreveu no artigo. No final, pediu: “Daqui para frente não tenha dúvida. Ao sentir seu direito de leitor ferido, procure o ombudsman. Ele está sendo pago para defender você.”
 À medida do possível, Caio Túlio deixou a par os leitores do seu trabalho. Logo em seu segundo artigo, ele apresentou um relatório da sua primeira semana de trabalho, com o número de telefonemas e cartas recebidas, quais os assuntos que prevaleceram. Esse exemplo se repetiu inúmeras vezes. Em casos de um fatos importantes (como a “Carta Aberta ao Sr. Presidente da República”, em abril de 1991), ele procurou mostrar a reação dos leitores. Deixou a par o público sobre a crítica interna (em “Pílulas da Crítica Diária”, em 3 de março de 1991) e sobre o encaminhamento de sugestões à redação (em “Varejão de Problemas”, em 2 de junho de 1991).
 Às informações do seu trabalho, o ombudsman acrescentou análises da realidade da imprensa brasileira que, segundo ele, “pouco deve à melhor imprensa estrangeira – que é a inglesa e a americana”. Na coluna de estréia, ele escreveu: “Há muito o que falar da imprensa brasileira, das maquinações editoriais, das necessidades logísticas e empresarias de cada grupo ou mesmo das neuroses e idiossincrasias dos profissionais da área”.
 Uma das questões mais abordadas se refere á ética. Publicar ou não uma notícia foi um assunto tratado diversas vezes por Caio Túlio durante sua permanência no cargo. Entre os casos em pauta, estavam os sequestros, a posição de um jornalista ou fotógrafo durante um assalto ou crime.
 A publicação de notícias envolvendo sequestros entrou em pauta em junho de 1990, quando o empresário Roberto Medina foi raptado no Rio. O jornal carioca “O Povo” rompeu uma antiga tradição, de só contar a história após o desfecho, e deu detalhes sobre o andamento das negociações. Outros jornais passaram a noticiar o sequestro, inclusive a Folha de S. Paulo – esta com a autorização da família Medina.
 O aumento do número de sequestros fez o ombudsman contestar a antiga norma, a da notícia embargada para evitar colocar a vítima em risco de vida: “Por quê a divulgação e o acompanhamento do caso – com um noticiário evidentemente correto, ponderado e despido de sensacionalismo barato – não pode ajudar na resolução do sequestro? Por que, necessariamente, ela só atrapalha? Não vi até agora argumentos irrefutáveis a este propósito. (Folha, 24/6/1990)
 Segundo o ombudsman, o desafio dos meios de comunicação é o de “preservar o direito à informação sem colocar em risco a vida de qualquer pessoa”.
 A decisão da Folha em não divulgar o sequestro de Wagner Canhedo Filho – empresário e filho do dono da Vasp – enquanto emissoras de rádio e TV e diários impressos o noticiavam fez o ombudsman voltar ao tema em 14 de julho de 1991 e criticar o seu próprio jornal. Ele considerou a posição “carregada de uma contradição cujas edições diárias do jornal se encarregam de escancarar”. Segundo disse, é preciso “ir fundo no mérito do caso”:
 “Primeiro porque um noticiário enxuto, medido e honesto não iria colocar a vida de Canhedo Filho em risco. Segundo porque não era o fato de a Folha omitir a informação que garantiria a vida do sequestrado – ainda mais porque a mídia estava noticiado tudo. Terceiro porque, no momento da banalização dos sequestros e de sua transformação em indústria de terror civil, o ético é noticiá-los.” (Folha, 24/7/1991)
 A participação do repórter como testemunha de um crime ou furto – deve tentar impedir ou apenas registrar o fato – mereceu abordagem de Caio Túlio. O problema, clássico no jornalismo, verificou-se no linchamento ocorrido em Matupá (MT) – onde três pessoas acusadas de assassinato foram mortas com a conivência da Polícia; um cinegrafista amador registrou a cena – e no caso de um furto a um motorista de Kombi no centro de São Paulo, registrado por um fotógrafo da Folha.
 A questão é: o que mais importante, impedir o furto e o linchamento ou registrar o fato? Qual o impacto maior? E até que ponto o cinegrafista poderia impedir o linchamento em Matupá ou o fotógrafo teria condições de impedir o roubo?
 Para o ombudsman, o “serviço prestado pelo flagrante” no caso do furto “foi maior do que a consequência do furto”. “O jornalista ficou de tocaia à espera de algo que poderia ocorrer. Não estava ali para documentar nenhum crime anunciado, mas um crime previsível – também para a Polícia”, argumentou na coluna “Sobre furto, lama e fotos”, em 17 de março de 1991.
 Sobre o linchamento questionou: “O fotógrafo de Matupá teria feito melhor se tentasse evitar o linchamento dos assaltantes em vez de documentar com sua câmera de vídeo a cena e colocar a tragédia de Matupá no mapa dos problemas do país?”
 O preconceito da Folha também foi alvo de severas críticas do ombudsman. Casos não faltam, apesar do Manual Geral de Redação ser claro no verbete que trata do assunto:
 “A Folha não admite preconceitos nos textos que publica. Ninguém é qualificado por sua origem étnica, naturalidade, confissão religiosa, situação social, preferências sexuais, deficiências físicas ou mentais, exceto quando essa qualificação foi indispensável para tornar completa a informação que o texto veicula”. (Manual: 1987)
 A prisão de um brasileiro nos Estados Unidos, após o desfecho do caso Marcelo Pirâmides Soares (foi absolvido da acusação de assassinato), resultou na manchete “Brasileiro evangélico é preso nos EUA e acusado de violentar crianças”. O ombudsman criticou o uso do termo “evangélico”, definição dispensável segundo ele. “O uso do termo evangélico em título discriminava o personagem da notícia e podia levar até a interpretação segundo a qual o fato dele ser evangélico teria determinado suposto crime”, escreveu na coluna “Sequestros, normas e preconceitos” (14/6/1991)
 Há outros casos de preconceito em textos jornalísticos analisados pelo ombudsman ou na crítica diária ao jornal ou em sua coluna semanal. O prefeito de Washington, por exemplo, teve sua condição de negro destacada em título. Escreveu Caio Túlio: “Pelo que sei, Washington só tem um prefeito e, por isso, não era preciso destacar que era negro.”
 Caio Túlio usou o seu espaço para pedir aos jornalistas mais clareza em seus textos. Segundo ele, o texto da Folha não é calo, limpo nem lógico. “Informações contraditórias se misturam, se contradizem, se picam, se repicam: é uma coisa muito misturada, mal escritia, mal elaborada”, disse o ombudsman, para quem a Folha é um jornal de “difícil leitura porque é muito mal escrito”.
 Na coluna “A crise anunciada”, ele fez uma crítica contra os textos truncados, distantes da realidade do leitor, com base na matéria de contracapa do caderno brasil de 5 de abril de 1991, “Veja como o governo virou sócio da inflação”. Disse que faltou “toda a didática requerida para tirar o assunto da macroeconomia e trazê-lo para o chão, ou seja, para o bolso do leitor.”
 O ombudsman ocupou boa parte do seu espaço para reparar erros cometidos pela imprensa brasileira – ateve-se em especial a Folha – e a formular pautas. Pediu investigações sobre determinados assuntos, mas reclamou principalmente mais matérias que interessem diretamente ao público que consome jornais.
 Não só de problemas, no entanto, vive a coluna do ombudsman. Caio Túlio fez várias análises sobre o futuro da imprensa. Em uma coluna, ele revela que há uma redução de leitores de jornais no país e no mundo, com base em estudos feitos pela Universidade de São Paulo (USP) e Unesco. Os estudos mostram que, de 1970 a 88, a população economicamente ativa no Brasil cresceu 106%, enquanto a circulação de jornais diários aumentou apenas 62% (dados da Unesco, mais positivos).
 O estudo revela, segundo ele, que o potencial de leitores não foi atingido ou conquistado pelo jornal diário. “É evidente que alguns diários conseguiram aumentar consideravelmente sua circulação, mas o potencial é grande e até agora inatingível”. (Folha, 5/4/1991)
 Para o ombudsman, o jornal enquanto suporte de informação é um produto em baixa em todo o mundo, inclusive no Brasil. Para reforçar sua tese, ele cita como exemplo o Rio Grande do Sul: “A Zero Hora é o único jornal com influência, já que acabou a concorrência do Correio do Povo”. A crise, segundo ele, é mais visível em países do primeiro mundo, como os Estados Unidos, onde a maioria das metrópoles tem apenas um grande jornal.


Esta página foi desenhada por Luiz Carlos Erbes
  E-mail
Hosted by www.Geocities.ws

1