UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO
DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – JORNALISMO
PROJETO EXPERIMENTAL JORNALISMO V – MONOGRAFIA
 

O Ombudsman na Folha

por
Luiz Carlos Erbes

Orientador
Sérgio Caparelli

Porto Alegre, outubro de 1991

Principal Jornalismo Internet O autor

1. A Folha

2.O Ombudsman

3. O Ombudsman
     na Folha

4. Os Jornalistas

     Conclusão

     Bibliografia

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o autor
 

    Introdução


   Dos grandes jornais, a “Folha de S. Paulo” foi o que mais promoveu mudanças no jornalismo brasileiro nos últimos 10 anos. Ousado, crítico e polêmico são apenas alguns adjetivos que não chegam a definir a sua importância no contexto Brasil. A Folha, entre outras inovações, foi o primeiro meio de comunicação, fora a mídia alternativa, a se posicionar contra o regime militar e a reivindicar a volta da democracia. Empolgou na campanha das diretas-já, recebeu críticas na cobertura da doença e morte de Tancredo Neves, alertou primeiro sobre os erros do Plano Cruzado, revelou escândalos e bateu duro contra todos os candidatos à presidente na eleição direta de 1989.
  Por tudo isso, a Folha foi o jornal que mais mexeu com a população brasileira a partir dos anos 80. É inegável a influência do diário paulista no jornalismo brasileiro. Tudo o que saiu na Folha acabou, de uma ou de outra forma, seguido, elogiado ou criticado por jornalistas e concorrentes. É hoje o jornal com mais críticos e que mais provoca reações.
 Uma das marcas do Projeto Folha é a sua ousadia. Os meios de comunicação do país sempre tiveram – e ainda têm – uma postura arrogante. Difícil encontrar um jornal que reconheça erro de informação ou corrija nome digitado errado em suas páginas. A Folha de S. Paulo furou esse bloqueio a partir da metade dos anos 80. Sempre eram comuns críticas ou reparos nos jornais em relação aos governos e entidades, mas nunca havia um questionamento das informações dadas aos leitores.
 Aliado à ousadia, a Folha tem um rígido programa de metas em que se propõe a melhorar o seu produto a cada dia a dia. De alguns anos para cá, várias mudanças puderam ser acompanhadas pelos leitores: aumento do tamanho das letras, textos menores, divisão do jornal em cadernos e a utilização cada vez maior da cor em suas edições – principalmente na capa.
 A criação do cargo de ombudsman, decidida em 1986, insere-se nesta tentativa de elaborar um produto melhor e mais moderno. Com o programa, que começou a funcionar em setembro de 1989 com a indicação do jornalista Caio Túlio Costa para o cargo, passou-se a Ter um profissional fazendo a análise crítica do jornal e, principalmente, ouvindo o leitor, alvo principal de qualquer meio de comunicação.
 É possível afirmar que a Folha, com a implantação do programa, deu um passo rumo ao chamado Primeiro Mundo. Mesmo uma prática muito conhecida nos Estados Unidos e Europa, o ombudsman causou impacto aqui e deu ares de modernidade ao jornal. Por diversas razões, a experiência não foi adotada por outros meios de comunicação. Empresas de outros setores, como instituições financeiras e indústrias, indicaram um funcionário com nomes e funções semelhantes.
 A maior novidade não se refere, porém, a questão da crítica ao jornalismo. Nos anos 70, Alberto Dines tinha uma página semanal na Folha de S. Paulo em que fazia uma análise dos meios de comunicação. Hoje, há revistas que também se propõem a realizar esse tipo de trabalho.
 A novidade reside no espaço que o leitor recebeu. Pela primeira vez, o leitor passou a Ter um profissional específico para quem reclamar. Antes e em outros jornais, esse trabalho ainda acaba sendo feito por um editor ou repórter, que têm prazos rígidos para fechar páginas e entregar matérias e, por isso, nem sempre podem dar a ele o atendimento necessário.
 Um dos objetivos deste trabalho de conclusão do curso de Jornalismo é fazer uma descrição da experiência e detectar onde houve avanços no que se refere à melhoria do próprio jornalismo feito pela Folha – se é que esses avanços ocorreram realmente. A monografia procura ver também se houve melhora no relacionamento leitor/jornal e até que ponto o ombudsman realmente defende os interesses de quem compra e lê o diário.
 Outro objetivo é analisar as polêmicas que o ombudsman manteve durante os primeiros 20 meses do seu trabalho, como a que envolveu o correspondente em Nova York, Paulo Francis.
 Este trabalho está dividido em quatro capítulos. O primeiro retrata os 70 anos da Folha e quais os seus interesses e preocupações em diferentes períodos e, principalmente, hoje. O segundo, mostra como surgiu o ombudsman na Suécia, no início do século passado, e como essa função foi adaptada por empresas jornalísticas norte-americanas, na década de 60. No terceiro, é feita uma descrição do trabalho de Caio túlio Costa – suas funções e quais as suas preocupações. O quarto aborda as polêmicas.


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