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1. A Folha
2.O Ombudsman
3. O Ombudsman
na Folha
4. Os Jornalistas
Conclusão
Bibliografia
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Introdução
Dos grandes jornais, a “Folha de S. Paulo” foi o que
mais promoveu mudanças no jornalismo brasileiro nos últimos
10 anos. Ousado, crítico e polêmico são apenas alguns
adjetivos que não chegam a definir a sua importância no contexto
Brasil. A Folha, entre outras inovações, foi o primeiro meio
de comunicação, fora a mídia alternativa, a se posicionar
contra o regime militar e a reivindicar a volta da democracia. Empolgou
na campanha das diretas-já, recebeu críticas na cobertura
da doença e morte de Tancredo Neves, alertou primeiro sobre os erros
do Plano Cruzado, revelou escândalos e bateu duro contra todos os
candidatos à presidente na eleição direta de 1989.
Por tudo isso, a Folha foi o jornal que mais mexeu com a população
brasileira a partir dos anos 80. É inegável a influência
do diário paulista no jornalismo brasileiro. Tudo o que saiu na
Folha acabou, de uma ou de outra forma, seguido, elogiado ou criticado
por jornalistas e concorrentes. É hoje o jornal com mais críticos
e que mais provoca reações.
Uma das marcas do Projeto Folha é a sua ousadia. Os meios
de comunicação do país sempre tiveram – e ainda têm
– uma postura arrogante. Difícil encontrar um jornal que reconheça
erro de informação ou corrija nome digitado errado em suas
páginas. A Folha de S. Paulo furou esse bloqueio a partir da metade
dos anos 80. Sempre eram comuns críticas ou reparos nos jornais
em relação aos governos e entidades, mas nunca havia um questionamento
das informações dadas aos leitores.
Aliado à ousadia, a Folha tem um rígido programa
de metas em que se propõe a melhorar o seu produto a cada dia a
dia. De alguns anos para cá, várias mudanças puderam
ser acompanhadas pelos leitores: aumento do tamanho das letras, textos
menores, divisão do jornal em cadernos e a utilização
cada vez maior da cor em suas edições – principalmente na
capa.
A criação do cargo de ombudsman, decidida em 1986,
insere-se nesta tentativa de elaborar um produto melhor e mais moderno.
Com o programa, que começou a funcionar em setembro de 1989 com
a indicação do jornalista Caio Túlio Costa para o
cargo, passou-se a Ter um profissional fazendo a análise crítica
do jornal e, principalmente, ouvindo o leitor, alvo principal de qualquer
meio de comunicação.
É possível afirmar que a Folha, com a implantação
do programa, deu um passo rumo ao chamado Primeiro Mundo. Mesmo uma prática
muito conhecida nos Estados Unidos e Europa, o ombudsman causou impacto
aqui e deu ares de modernidade ao jornal. Por diversas razões, a
experiência não foi adotada por outros meios de comunicação.
Empresas de outros setores, como instituições financeiras
e indústrias, indicaram um funcionário com nomes e funções
semelhantes.
A maior novidade não se refere, porém, a questão
da crítica ao jornalismo. Nos anos 70, Alberto Dines tinha uma página
semanal na Folha de S. Paulo em que fazia uma análise dos meios
de comunicação. Hoje, há revistas que também
se propõem a realizar esse tipo de trabalho.
A novidade reside no espaço que o leitor recebeu. Pela
primeira vez, o leitor passou a Ter um profissional específico para
quem reclamar. Antes e em outros jornais, esse trabalho ainda acaba sendo
feito por um editor ou repórter, que têm prazos rígidos
para fechar páginas e entregar matérias e, por isso, nem
sempre podem dar a ele o atendimento necessário.
Um dos objetivos deste trabalho de conclusão do curso
de Jornalismo é fazer uma descrição da experiência
e detectar onde houve avanços no que se refere à melhoria
do próprio jornalismo feito pela Folha – se é que esses avanços
ocorreram realmente. A monografia procura ver também se houve melhora
no relacionamento leitor/jornal e até que ponto o ombudsman realmente
defende os interesses de quem compra e lê o diário.
Outro objetivo é analisar as polêmicas que o ombudsman
manteve durante os primeiros 20 meses do seu trabalho, como a que envolveu
o correspondente em Nova York, Paulo Francis.
Este trabalho está dividido em quatro capítulos.
O primeiro retrata os 70 anos da Folha e quais os seus interesses e preocupações
em diferentes períodos e, principalmente, hoje. O segundo, mostra
como surgiu o ombudsman na Suécia, no início do século
passado, e como essa função foi adaptada por empresas jornalísticas
norte-americanas, na década de 60. No terceiro, é feita uma
descrição do trabalho de Caio túlio Costa – suas funções
e quais as suas preocupações. O quarto aborda as polêmicas.
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