Publicado por primeira vez em 1601.Autor Desconhecido.
Sobre as punições que o nosso Senhor informou como advertência para todos os que vivem em pecado.
Um dos meios principais que o nosso Senhor utilizou mais frequentemente para travar os corações de homens, e trazer-os à obediência das Suas ordens, foi pôr frente dos seus olhos as calamidades e as punições horríveis que estão preparadas para as pessoas rebeldes e transgressoras da Sua lei. Porque embora a esperança das recompensas que sejam prometidas na vida próxima ao que é bom, podem muito deslocar-nos para ele: com todo deslocamo-nos geralmente mais com as coisas que sejam-nos embaraçosas, que com as que são-nos agradáveis: vemos por experiência diária, nos que desagradam-nos mais as lesões feitas contra nós, que encantamo-nos com qualquer honra; e preocupa-nos mais a doença, que o conforto da saúde. E pela incomodidade da doença, vimos compreender a significado da saúde, porque uma coisa que percebemos melhor, é percebida de maneira mais sensível.
Por esta causa fez o mesmo o nosso Senhor em épocas afastadas. Utiliza de todo o que isto significa mais que qualquer outro método de conversão, como aparece o mais claramente possível nas Escrituras dos Profetas, as quais assinalam-nos por todas as partes das ameaças terríveis contra o pecado, com as quais o nosso Senhor deseja inculcar um saudável terror nos corações dos homens, para travar-os e submeter-o sob obediência da Sua lei.
E para este facto ordenou ao profeta Jeremias, que tomasse um livro em branco, e escrever nele todas as ameaças e calamidades que Ele tivesse-lhe revelado, a partir do primeiro dia que começou a falar com ele, até à esta hora presente, e estas palavras devia literalmente ler-as na presença de todas as pessoas, para que o destino de todos eles deslocasse-se cara arrepender-se, e alterassem as suas vidas precedentes, de modo que possam também alterar a determinação da Sua cólera, disposta a executar-se sobre eles
E as Escrituras Sagradas dizem que quando o profeta tinha feito como como Deus Omnipotente ordenou, e tinha lido todas as ameaças na presença das gentes, e os líderes; tal medo e terror apresentou-se entre elas, que espantados, alarmados como nunca imaginariam, mirarom as faces dos outros, surpreendidos do grande medo que também eles tiveram concebido com estas palavras.
Este foi um dos meios principais que Deus Omnipotente utilizou com os homens na época da Lei escrita, e assim também fez na época da graça: em a qual, o Santo Apóstolo disse que vinhera para revelar aos homens a maneira de agir de Deus, e revelar que existe também uma indignação e uma cólera, pela qual Ele punirá o que é injusto: por esta causa, Santo João Baptista (o precursor glorioso do nosso Cristo Salvador) foi enviado, com esta missão e embaixada a predicar ao mundo que o machado já tem sido posto na raiz da árvore, e que cada árvore que não dá bom fruto, deve ser destruída e ser lançada ao fogo.
Disse, por outro lado, que Outro vem ao mundo mais potente, que leva na sua mão uma vassoura, para abanar e limpar o seu solo, e que guardaria o grão na sua granja, enquanto a palha será queimada num fogo que nunca seja apagado. Esta era predicação e a embaixada que o santo precursor do nosso Jesus-Cristo Salvador trouxe ao mundo. E tanto grande era o trovão destas palavras, e os terrores que inspirarom nos corações dos homens tanto horríveis, que foram à ele pessoas de todos os estados e condições, mesmo os fariseus e publicanos, e também os soldados (que entre todos eram os mais viciosos, e os que tinham menos cuidado das suas consciências) e todos exigiram deste homem santo, que determinar que deviam fazer para obter a salvação, e escapar destas ameaças terríveis que anunciou frente a eles, tanto grande era o medo que tiveram concebido.
E isto é o que (querido irmão cristão) faço no presente (no favor de Deus Omnipotente) entregándote esta mensagem, embora não com o mesmo fervor do espírito, nem santidade de vida mas -que é o que mais importa neste caso- efectivamente com a mesma verdade e certeza; porque tanto como a fé como o Evangelho tal como São João Baptista então predicava, incluso agora é o mesmo que ensino.
Agora, se estás desejoso para compreender em poucas palavras, como grande é a punição com a qual o Omnipotente Deus ameaçou nas suas Santas Escrituras ao pecador, o que pode o mais depressa possível ser dito a propósito de este assunto é o que segue: tal como a recompensa de o que é bom é uma bondade universal, tão assim a punição do condenado é um mal universal, que compreende nele todos os mais que existem.