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Tanto nas
escolas públicas como nas particulares é muito difícil encontrar estudantes que
gostem realmente de chegar em suas casas e abrir um livro para ler ou estudar e
sentirem prazer nisso. Quase que a totalidade prefere se divertir saindo com os
amigos, jogando jogos eletrônicos, namorar, mas nada que estimule diretamente o
intelecto.
A inversão de valores pode ser uma
das culpadas, pois qual estudante gosta de ser chamado de NERD? Infelizmente esse é o apelido dado àqueles que dedicam parte
do seu tempo livre estudando, e muitos de nós dependemos da opinião dos outros
a nosso respeito, para estarmos “enturmados”.
Poderia ser também culpa dos
professores que deixam as aulas monótonas, repetitivas e sem nenhuma
perspectiva de alterar o seu modo de ministrar as aulas. Como disse Rubens
Alves:
“Educadores, onde
estarão? Em que covas terão se escondido? Professores, há milhares. Mas o
professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador,
ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande
amor, de uma grande esperança.” (Rubens Alves, Conversas com quem gosta de
ensinar, São Paulo, 1993, p. 16)
Muitos
professores acabam esquecendo o seu lado “educador” e simplesmente faz o “seu
trabalho” e vão embora e nem se preocupa se os alunos entenderam ou não o
assunto da aula. “Saber que ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar
as possibilidades para a sua própria produção ou sua construção” (Paulo Freire,
Pedagogia da Autonomia, São Paulo, 1996, p. 47), os alunos não podem ser
tratados como meros papagaios e sim como estudantes que querem aprender e que
tem capacidade para produzir. Os professores dizem que são mal pagos, outros
não tem tempo para preparar as aulas por trabalharem os três turnos e precisam
do dinheiro para se manter, mas os alunos que acabam saindo prejudicados nessa
historia. De acordo com o artigo 13º da Lei de Diretrizes a Base da Educação
Nacional (LDB) :
“Art. 13º. Os docentes incumbir-se-ão de: (...)
III - zelar pela aprendizagem dos
alunos.”
O
professor deve acordar a curiosidade dos alunos, para eles sentirem prazer nas
descobertas, sentirem interesse pelo aprendizado.
“(...) o bom professor é
o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento de
seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma ‘cantiga de ninar’. Seus
alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu
pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas.” (Paulo
Freire, Pedagogia da Autonomia, São Paulo, 1996, p. 86)
O desinteresse pode ser também que
nem todos os alunos iram utilizar os conhecimentos que a escola oferece no seu
dia-a-dia. É como foi dito na carta dos Índios das Seis Nações que eles enviaram
para Virginia e Maryland, cidades dos Estados Unidos, agradecendo os americanos
por educarem alguns de seus filhos em suas escolas, mas que eles não irão
repetir esse ato, pois o que eles aprenderam na América não serviram de nada
para viver com os Índios, eles não sabiam mais caçar, construir cabanas e mal
falava a sua língua nativa. Essa
historia é o que anda ocorrendo nas nossas escolas, muitos dos assuntos
ensinados só serve para aqueles que vão prestar vestibular e depois se
especializam ainda mais em um assunto e muito do que lhe foi ensinado não tem
mais serventia.
A LDB nos diz pelo Art. 12º:
“Os estabelecimentos de
ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a
incumbência de:
I - elaborar e
executar sua proposta pedagógica;
II - administrar
seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros;
III - assegurar
o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas;
IV - velar pelo
cumprimento do plano de trabalho de cada docente;
V - prover
meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento;
VI - articular-se
com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade
com a escola;
VII - informar
os pais e responsáveis sobre a freqüência e o rendimento dos alunos, bem como
sobre a execução de sua proposta pedagógica.”
Se as escolas respeitassem as leis e fizesse o
seu verdadeiro papel, com investimentos adequado, construção de laboratórios ,
melhoria da biblioteca, equipamentos áudios-visuais, tudo que possa deixar uma
aula diferente e de forma que chame a atenção e o interesse dos alunos para a
aprendizagem. O parágrafo VI desse artigo é algo que raramente acontece, cada
pais só está interessado em saber se seu filho passou de ano, logo a sociedade
tem também a sua parcela nessa culpa.
E para completar há aqueles que
acham que os estudos não levam a lugar nenhum, que preferem ir logo para o
mercado de trabalho que “perder tempo” estudando. Como observou Bacon,
conhecimento é poder, mas muitos não enxergam isso, preferem ganhar pouco e
criticar o governo que a vida não está nada fácil, está certo que parte disso
seja culpa do governo, mas não é deles a totalidade dessa culpa.
Com isso virmos que todos têm uma
parcela de culpa no desinteresse dos alunos e enquanto não houver uma mudança
da forma como os governos tratam os professores, os professores os alunos, e os
alunos entenderem que sem conhecimento será muito difícil subir na vida, a
educação sempre será mal vista pela sociedade.
Bibliografia
Consultada:
ALVES, Rubens. Conversas com quem gosta de ensinar.
Campinas, SP: Papirus, 2000.
BRANDÃO, Carlos
Rodrigues. O que é Educação. São
Paulo: Brasiliense, 2007 – (Coleção primeiros passos; 20);
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários
à pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996 (Coleção Leitura).
Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
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