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A educação e suas lutas

A educação no Brasil, da forma que se encontra hoje, passou por um processo de formação travado por lutas, devido, principalmente, ao confronto de ideologias predominantes. Foi durante o período colonial com a catequização dos nativos que se têm os primeiros vestígios da educação brasileira, comandado por representantes religiosos de Portugal. Essa forma de educação tradicional da Igreja vai perdurar até início do século XX, mas irá de encontro aos ideários dos Renovadores.

No início do século XX a educação passa a ser vista como propulsora com a função de instrumento para a reconstrução nacional, surgindo ai, o pensamento da Igreja e dos Renovadores. Segundo o pensamento da Igreja a escola tinha que ser: elitista, de iniciativa privada, deveria seguir uma doutrina religiosa, separação por sexo, ensino particular e responsabilidade da família quanto à educação. Já os Renovadores (Movimento da Escola Nova) defendia que: a escola teria que ser pública, laica, gratuita e obrigatória com um plano nacional de educação. Em 1934 ocorre a promulgação da Constituição estabelecendo a necessidade de um plano nacional de educação, da gratuidade e obrigatoriedade do ensino elementar e proposições de inúmeras reformas educacionais, atendendo assim tanto aos renovadores - que defendiam a educação como direito de todos e de deveres do Estado, quanto aos católicos, ao prever o ensino religioso facultativo na escola pública.

Como fruto do movimento por reformas educacionais cria-se, em 1932, o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Esse movimento, que tinha à frente Fernando de Azevedo, tinha como objetivo traçar diretrizes de uma nova política nacional de educação e ensino em todos os níveis, aspectos e modalidades; adequando assim o ensino ao modo de desenvolvimento capitalista industrial. Embora com diferenças ideológicas e/ou diferenças de proposta, todos tinham em comum a questão de reformar as estruturas educacionais brasileira. Porem, apesar de todo o discurso que se tinha sobre a educação no Brasil, o manifesto não é aceito pelas diretrizes da educação desde a constituição de 1934, mas não deixa de marcar uma passagem do velho e do novo sistema educacional.

Temos que fazendo uma análise desde 1930 ( governo de Getúlio Vargas) aos militares (1964) as políticas educacionais são representadas como dádivas das elites que cuidavam da nação e da cultura cristã brasileira. A educação na década de 30, no Brasil, apresentava um quadro critico do ponto de vista do acesso e da permanência das crianças na escola, sendo também precária a oferta de ensino público a população. O Censo de 1940 deixou isso mais que claro, ao revelar que a taxa de analfabetismo no país batia em 56,17% da população com idade superior a 15 anos. No final do governo de Kubitschek, em 1960, registrava-se uma porcentagem de 39,35% de analfabetos entra essa mesma faixa etária. Se considerarmos que, no final do século XIX, os países industrializados tinham alcançado a universalização da educação, ou seja, tinham vencido a barreira do analfabetismo, é forçoso admitir que, na segunda metade do século XX, uma taxa de aproximadamente 405 de analfabetos entre a população adulta de um país que falava em modernização e desenvolvimento era alarmante.  

 

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