| por: Francisco Gomes. Lembro-me ainda de uma visita que fiz no
final da década de 80 na Fenasoft/SP (Feira Nacional de Software de São
Paulo), onde pela primeira vez encontrei algumas empresas que estavam
abrindo suas portas para o desenvolvimento de programas voltadas para a
área hospitalar, mas eram iniciativas ainda muito tímidas, pois a maioria
dos programas oferecidos eram destinados a pequenas clinicas, consultórios
e não eram integrados e voltados apenas e tão somente para os processos
administrativos. Os programas oferecidos não tinham credibilidade, pois a
maioria das instituições hospitalares não tinham interesse em adquirir os
"pacotes" oferecidos por estas empresas e optavam por ter um
desenvolvimento próprio, com uma equipe interna de técnicos em
informática.
As vantagens citadas eram muitas, pois não
havia a necessidade de se moldar a instituição a algo engessado, feito por
pessoas que não viviam o cotidiano da instituição e com uma equipe de
desenvolvedores internos, os programas desenvolvidos ficavam exatamente
como o usuário determinava, mas que muitas vezes não atendia o objetivo
principal da instituição que era o atendimento ao paciente.
Ostentava-se aos quatro cantos que o programa
foi desenvolvido internamente, por uma equipe competente e com a
participação de todos, mas quando aparecia o primeiro questionamento sobre
alguma dúvida ou problema, não aparecia o responsável pelo programa, pois
ninguém queria ser indicado como o responsável pelo não funcionamento do
programa e a culpa era direcionada para a equipe de desenvolvimento do
setor de informática que não havia desenvolvido o programa conforme o
usuário havia solicitado.
No início da década de 90, com a troca de
governo, o novo presidente Sr. Fernando Collor de Mello, implantou alguns
planos econômicos entre os quais um plano de abertura de fronteiras para
equipamentos de informática que até então os fabricantes nacionais
mantinham o monopólio deste mercado, fazendo assim com que houvesse uma
maior concorrência e o barateamento dos equipamentos de informática.
Com o barateamento dos equipamentos de
informática ocasionado pela entrada no país de diversas empresas que
competiam entre si para tentar suprir a demanda existente no mercado,
houve um explosão e facilitação de acesso oferecido pelas empresas e entre
estas as instituições hospitalares.
A partir daí, as instituições de saúde,
também passaram a ter acesso aos equipamentos de ponta de informática,
exatamente 10 anos depois do início da informatização dos hospitais da
França, os hospitais brasileiros se encontravam em condições de dar início
aos diversos projetos de informatização. Várias instituições desenvolveram
os planos de informatização de seus processos e começaram a aparecer os
primeiros problemas.
Muitos sistemas foram desenvolvidos por
instituições de renome nacional, mas era raro encontrar algum sistema que
tinha como finalidade o objetivo principal da instituição que é o
atendimento ao paciente. Todos os sistemas se concentravam na parte
administrativa da instituição e porque não falar na parte financeira, ou
seja, Controle do Faturamento e Controle do Fluxo de Caixa. O principal
"produto" da instituição era esquecido, o desenvolvimento de sistemas que
tinham como objetivo o atendimento ao seu cliente (paciente) ficava em
planos que raras vezes era discutido pela equipe de informática.
Vive-se numa sociedade onde tudo tem que ser
solucionado o mais rápido possível e as instituições hospitalares não
estão fora deste contexto, pois também este mercado tornou-se exigente e
mais seletivo com seus clientes internos e externos, o que acaba forçando
estas instituições a terem diretrizes de fácil compreensão e muito bem
definidas.
Diante do cenário exposto, percebe-se uma
certa ênfase à necessidade extrema de comunicação na forma de troca de
informações claras e objetivas em todos os seus níveis hierárquicos,
percebe-se ainda que diante da composição multi disciplinar do corpo
funcional destas instituições, não existe uma preocupação com o que e
quais devem e podem ser o conteúdo destas informações, e cabe aos
responsáveis pelo Sistema de Informação existente, analisar, dentro da
estratégia de cada instituição, quais são as informações que realmente
agregam valor aos planos da instituição, e quando sim, devem ser
disponibilizadas, pois sabe-se que dependendo do conteúdo da informação,
esta pode alterar rumos de negociações importantes, bem como, determinar a
sua permanência ou não em seu mercado, pois sabe-se que não basta
disponibilizar uma infra-estrutura moderna e atualizada de comunicação, é
preciso ter profissionais competentes que saibam transformar informação em
conhecimento.
Ora pois, se observa-se esta necessidade de
troca de informações entre os diferentes níveis hierárquicos, informações
estas que devem ser claras e objetivas, pode-se levantar algumas questões
tais como:
- Qual ou quais os CANAIS DE COMUNICAÇÃO
utilizados para atingir os membros destas instituições?.
- Qual a LINGUAGEM utilizada, está de acordo
com os diferentes perfis que encontramos nestas instituições?.
- E o CONTEÚDO destas informações
transmitidas ou disponibilizadas estão de acordo com as necessidades desta
população multi disciplinar?.
Sabe-se que com a velocidade com que as
coisas acontecem, criando um imenso fluxo de informações, está na
vanguarda quem souber captar a maior quantidade de informações voltadas ao
seu negócio, internaliza-las, processa-las e transforma-las em ações
produtiva, e para que se possa ser capaz de estar sempre na vanguarda,
estas instituições e seus membros devem ser o sujeito e o objeto de todo
este processo, ou seja:
- O CANAL OU REDE DE COMUNICAÇÃO utilizado
para a disseminação das informações, deve ser eleito pela instituição e
pelos seus membros, sendo estes, clientes internos e externos de todos os
níveis e classes sociais. Deve-se ainda criar uma metodologia para que
possa haver uma comunicação eficaz e para que isso seja possível, devemos
filtrar adequadamente todas as informações eliminando o que é
desnecessário.
- A LINGUAGEM utilizada deve ser única, mas
de uma forma que possa atingir o maior número de pessoas que compõem o
quadro multi disciplinar destas instituições, pois as diferenças
culturais, sociais e econômicas, acabam gerando dificuldades de
entendimento e compreensão de mais este processo de comunicação.
O CONTEÚDO deve obedecer os pressupostos da
ética onde as informações disponibilizadas neste Sistema, deve acima de
tudo respeitar o indivíduo, que por muitas vezes é o objeto da informação.
Todo profissional deve saber distinguir o que é uma informação estratégica
de uma informação não estratégica, deve ainda saber escolher as fontes
corretas e confiáveis, pois sabe-se que geralmente estas instituições tem
em seus arquivos, um imenso acervo de informações, e este acervo sendo bem
trabalhado pelos profissionais responsáveis pelo Sistema de Informações, é
capaz de influenciar seus clientes internos e externos.
Portanto conclui-se que somente com a
participação de todos os membros destas instituições, independentemente de
sua posição hierárquica, pois a contribuição de cada um, deve ter um peso
de igualdade de grandeza, será possível definir regras e ou normas
aceitáveis onde os Sistemas de Informações podem ser implantados,
implementados e utilizados como mais uma ferramenta de apoio às decisões
nestas instituições, quando estas são confiáveis e para que ocorra
confiabilidade nas informações, as mesmas devem passar pelos métodos de
ANÁLISES CLÍNICAS, ANALISES DE CONTEÚDO, que devem ser interpretados tendo
como base; coerência, consistência, originalidade e objetivação.
Com a abertura de suas portas, os Centros de
Tecnologias de Informação, ficaram mais visíveis a todos os membros destas
instituições, mostrando-lhe o quanto é importante a sua participação em
todo este processo. Esta abertura, dar-se-a de forma a tornar claro a
todos quais são os OBJETIVOS deste Sistema, tendo como principal objetivo
a desmistificação da informática como quebra de paradigmas ainda
internalizados devido a diversidade de formação. Com isto, deixa-se de ser
um GRUPO, passa-se a ser uma EQUIPE na busca de soluções para os objetivos
comuns da instituição.
Neste novo contexto, todos saem ganhando,
pois com a junção de forças, novas ferramentas estarão sendo desenvolvidas
facilitando a compreensão e utilização de todos os passos existentes no
processo de alimentar as bases de dados de todo o Sistema.
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