| por: Francisco Gomes. Vivemos
em uma sociedade onde tudo tem que ser
solucionado o mais rápido possível e as instituições hospitalares não
estão fora deste contexto, pois também este mercado tornou-se exigente e
mais seletivo com seus clientes internos e externos, o que acaba forçando
estas instituições a terem diretrizes de fácil compreensão e muito bem
definidas.
Uma instituição de saúde tem como objetivo
maior a assistência ao paciente, mas não podemos descartar o papel de toda
a administração, pois para que possamos atingir este objetivo maior,
existe a necessidade de uma integração e interação entre as partes, ou
seja, a equipe assistencial não consegue realizar seus processos sem o
auxilio da equipe administrativa e o inverso é igual, pois a equipe
administrativa não consegue realizar seus processos sem a ajuda e o
conhecimento técnico da equipe assistencial.
Diante do cenário exposto, percebe-se uma
certa ênfase à necessidade extrema de comunicação na forma de troca de
informações claras e objetivas em todos os seus níveis hierárquicos,
percebe-se ainda que diante da composição multidisciplinar do corpo
funcional destas instituições, não existe uma preocupação com o que e
quais devem e podem ser o conteúdo destas informações, e cabe aos
responsáveis pelos Sistemas de Informações existentes, analisar, dentro da
estratégia de cada instituição, quais são as informações que realmente
agregam valor aos planos da instituição, e quando sim, devem estes ser
disponibilizados, pois sabe-se que dependendo do conteúdo da informação,
esta pode alterar rumos de negociações importantes, bem como, determinar a
sua permanência ou não em seu mercado; sabe-se ainda que não basta
disponibilizar uma infra-estrutura moderna e atualizada de comunicação, é
preciso ter profissionais competentes que saibam transformar informação em
conhecimento.
Quando um cliente, paciente ou não, chega
numa instituição de saúde para realizar alguns procedimentos que podem ser
deste uma consulta até uma cirurgia de grande porte, desencadeia uma série
de processos que vão deste o seu registro, passam pelo período de
permanência, até a sua saída da instituição, sem esquecer que durante sua
permanência, haverá o levantamento de se histórico dentro da instituição,
conforme a solicitações dos profissionais envolvidos com o seu
atendimentos, este poderá ainda utilizar-se de procedimentos do S.A.D.T.
(Serviço de Apoio Diagnóstico e Terapêutico), dos procedimentos do S.N.D.
(Serviço de Nutrição e Dietética) que além das dietas normais
(padronizadas), poderá servir ainda a nutrição enteral que é administrada
via sonda por uma das narinas até o tubo digestivo, quando o paciente está
impossibilitado de receber a alimentação por via oral.
E quem informa o S.A.D.T. que existem exames
para serem feitos?, quem informa que existe a necessidade de colher
material (sangue, urina, fezes, liqüor, etc) para a realização de diversos
exames?, e como acompanhar todo o processo desde a solicitação do exame
até a liberação do laudo final?, qual a importância da informação ao
solicitante do status (em pedido, em coleta, em separação, em execução,
executado e liberado, do exame?, o S.N.D., quem informa qual a dieta do
cliente (paciente), quem informa se este está em condições de se alimentar
via oral ou não, se existe a necessidade da preparação da dieta enteral?,
ou ainda a necessidade de nutrição parenteral que é preparada pelo serviço
de Farmácia, pois exige um tratamento especial por ser ministrada pela
artéria, temos ainda outros setores e serviços envolvidos com o
atendimento ao paciente que também dependem de informações recebidas para
disponibilizar suas informações e não pode se esquecer das instituições
privadas, pois nestas, todos os passos para a realização de um
procedimentos, deve ser debitado na conta do cliente (paciente).
Para o bom acompanhamento detalhado de cada
passo para a realização das rotinas acima, se faz necessário
informatiza-las, e a informatização destas rotinas requer conhecimento
técnico e linguagem apropriada, fato este que se não for bem trabalhado
pelos profissionais envolvidos, pode vir a interferir com a comunicação da
instituição, dificultando o relacionamento entre os técnicos e outros
setores da instituição, o que não seria coerente para um sistema que busca
a integração e interação.
Enfim, algo que não se pode negar, uma das
armas utilizadas para ganhar o avanço competitivo é o uso de sistemas de
informações capazes de auxiliar os gestores em suas decisões. Nos últimos
anos constata-se muitos exemplos de instituições que deram passos
importantes na criação de seu sistema de informação e passaram a frente de
seus concorrentes por saberem utilizar melhor e de forma adequada as
tecnologias e sistemas de informação; ou, por outro lado ainda, de
instituições com um grande declínio de ganhos, perdas estas que muitas
vezes deixa a instituição à beira da falência, esta situação é forçada
principalmente porque seus concorrentes são verdadeiros desbravadores e
investem pesadamente em computadores, microeletrônica, redes ou
informações e na qualificação de seu parque funcional com o objetivo de
sempre estar na dianteira, ou seja, buscam estar preparados para esta
frenética competição imposta principalmente pela abertura das fronteiras.
Ora pois, se observa-se esta necessidade de
troca de informações entre os diferentes níveis hierárquicos, informações
estas que devem ser claras e objetivas, pode-se levantar algumas questões
tais como:
- Qual ou quais os canais de comunicação
utilizados para atingir os membros destas instituições?.
- Qual a linguagem utilizada, e esta está de
acordo com os diferentes perfis que encontramos nestas instituições?.
- E o conteúdo destas informações
transmitidas ou disponibilizadas estão de acordo com as necessidades desta
população multidisciplinar?.
- E qual é o seu Plano de Assistência ao
Paciente (PAP)? Este existe?
Sabe-se que com a evolução das tecnologias e
sistemas capazes de transformar dados em informações, as mudanças
acontecem numa velocidade cada vez maior, criando-se assim um imenso fluxo
de informações, e acreditem, está na vanguarda quem souber captar a maior
quantidade de informações voltadas ao seu negócio, internaliza-las,
processa-las e transforma-las em ações produtivas, e para que se possa ser
capaz de estar sempre na vanguarda, estas instituições e seus membros
devem ser o sujeito e o objeto de todo este processo, ou seja, deve-se
avaliar, analisar e escolher corretamente o seu:
- canal ou rede de comunicação utilizado para
a disseminação das informações.
Este deve ser de
conhecimento e entendimento de todos da instituição, ou seja, clientes
internos e externos de todos os níveis e classes sociais.
Deve-se ainda
criar e implantar na instituição uma metodologia de disseminação de
informações de forma eficaz e para que isso seja possível, deve-se filtrar
adequadamente todas as informações eliminando o que é desnecessário.
- a linguagem utilizada
deve ser única,
clara e objetiva, de forma que possa atingir o maior número de pessoas que
compõem o quadro funcional destas instituições, pois jamais devemos
esquecer que existem as diferenças culturais, sociais e econômicas, e
estas acabam gerando dificuldades de entendimento e compreensão de todo o
processo de comunicação.
- o conteúdo
Este deve obedecer
os pressupostos da ética onde todas as informações disponibilizadas neste
Sistema, deve acima de tudo respeitar o indivíduo, que por muitas vezes é
o objeto da informação.
Todo e qualquer profissional destas
instituições, envolvidos com os Sistemas de Informações, devem saber
distinguir o que é uma informação estratégica de uma informação não
estratégica, devem ainda saber escolher as fontes corretas e confiáveis,
pois sabe-se que geralmente estas instituições tem em seus arquivos, um
imenso acervo de dados, e este acervo sendo bem trabalhado por estes
profissionais, é capaz de influenciar seus clientes internos e externos.
Pode-se até concordar com alguns dos aspectos
aqui relacionados, mas ao analisar cada um dos pontos citados, verifica-se
que na maioria das vezes a maior barreira imposta é a do próprio homem.
Que no receio de perder espaço e posições que muitas vezes levaram anos
para serem conquistadas, pois até aquele momento o profissional conhecedor
de todas as rotinas da empresa, era visto como um "Deus", tornou-se um
centralizador, e todas as decisões jamais poderiam ser tomadas sem que
este "Deus" desse seu aval, nenhum relatório poderia ser aceito se não
tivesse seu aval, e temos de reconhecer que os executivos apesar de
precisarem de informações, o que nós vemos, atualmente, no mercado, é que
esses executivos, muitas vezes, recorrem a outras formas de informação do
que acessando as suas próprias bases de dados.
O que se pode perceber nestas instituições, é
que os administradores se estagnaram no tempo, pois preferem continuar
trabalhando com processos totalmente ultrapassados, tornando-se assim uma
barreira difícil de ser vencida pelos profissionais e detentores do
conhecimento destas novas tecnologias.
"Ao final da
década de 60, Smith (1968:2) já alertava para um irônico dilema dos
executivos, que corresponde ao grande volume de informações geradas pelo
sistema macroeconômico e pelas empresas e a conseqüente insuficiência e
inadequação das informações necessárias para a correta tomada de decisão."
(OLIVEIRA, 1998, p. 21)
Como a própria história mostra, em meados da
década de 70, iniciou-se uma desenfreada corrida para a utilização dos
computadores; os grandes fabricantes, impunham suas próprias condições de
venda e seus prazos de entrega; o mercado de trabalho não dispunha de
profissionais em condições de atender a demanda, em quantidade e
qualidade.
Carentes de estruturas, sistemas e bons
profissionais para trabalharem com esta nova tecnologia, as empresas e
seus administradores somente sentiam-se seguros quando detinham para si os
dados e as informações muitas vezes necessárias para o bom andamento de
setores críticos das instituições, pois existe uma tendência generalizada
de que dentro de um ambiente de tecnologia avançada, os controles sejam
mais fracos, e haja menos supervisão do que em um ambiente convencional.
"ela cria
vantagem competitiva dando às empresas novos meios para superar seus
rivais. (PORTER, 1986, p 62)".
Cada empresa possui uma estratégia
competitiva voltada para o seu mercado, seja ela explícita ou implícita.
Sendo que esta avassaladora evolução da utilização da informação está
afetando empresas em diferentes mercados. Hoje, está cada vez mais
presente, na preocupação diária dos administradores e suas organizações, a
competitividade necessária que uma empresa deve ter para garantir seu
sucesso no mercado em que atua, ou pelo menos sobreviver nele.
Portanto, diante do exposto, conclui-se que
somente com a participação de todos os membros destas instituições,
independentemente de sua posição hierárquica, pois a contribuição de cada
um, deve ter um peso de igualdade, será possível definir regras e ou
normas aceitáveis onde os Sistemas de Informações podem ser implantados,
implementados e utilizados como mais uma ferramenta de apoio às decisões
nestas instituições, quando estas são confiáveis e para que ocorra
confiabilidade nas informações, as mesmas devem passar pelos métodos de
análises conhecidos (análises clínicas e analises de conteúdo), que devem
ser interpretados tendo como base; coerência, consistência, originalidade
e objetivação.
Com a abertura de suas portas, os CTIs
(Centros de Tecnologias de Informação), ficaram mais visíveis a todos os
membros destas instituições, mostrando-lhes o quanto é importante a sua
participação em todo este processo. Esta abertura, está acontecendo de
forma a tornar claro a todos quais são os objetivos deste Sistema, sendo
que o principal objetivo, ou seja, o objetivo maior é a desmistificação
dos Sistemas de Informações como quebra de paradigmas ainda internalizados
devido a diversidade de formação.
Com esta desmistificação, os CTIs deixam de
ser um grupo fechado, de tecnólogos, em busca de algo ainda desconhecido
pelo seu cliente e passa-se a ser uma equipe na busca de soluções para os
objetivos comuns da instituição.
Neste novo contexto, todos saem ganhando,
pois com a união de forças, novas ferramentas estarão sendo desenvolvidas
facilitando a compreensão e utilização de todos os passos existentes no
processo de alimentar as bases de dados de todo o Sistema de Informações
Gerenciais.
Bibliografia Fundamental
A seguir são
apresentadas as referências bibliográficas que foram utilizadas para uma
maior sustentação conceitual deste artigo, bem como outras que podem
auxiliar o leitor no aprimoramento do tema sistemas de informações
gerenciais.
OLIVEIRA, Djalma de Pinho
Rebouças de. Sistemas de informações gerenciais. São Paulo.
Editora Atlas S.A., 1998.
PORTER, M. E.
Estratégia competitiva. São Paulo. Editora Campus, 1986.
Bibliografia
Complementar
CRUZ, Tadeu. Sistemas
de informações gerenciais - tecnologia da informação e a empresa do Século
XXI. São Paulo. Editora Atlas S.A., 1998.
CAUTELA, Alciney Lourenço,
POLLONI, Enrico Giulio Franco. Sistema de Informação na
administração de empresas. 4. Ed. - São Paulo. Editora Atlas, 1991
GREEN, Alan. Uma
empresa descobre sua alma - um ano na vida de uma organização em
transformação. São Paulo. Negócios Editora,1996.
HAMMER,
Michael. Além da reengenharia como organizações orientadas
para processos estão mudando nossos trabalhos e nossas vidas.
Editora Campus, 1996
GLOSSÁRIO
Alta direção:
Pessoas do topo da
hierarquia de uma organização; tem maior autoridade e tomam decisões a
longo prazo em nome da organização.
Banco de dados:
Grupo de arquivos
relacionado; mais especificamente, uma coleção de dados organizados para
parecerem estar em só local de modo que possam ser acessados e utilizados
em muitas aplicações diferentes.
Centro de informações:
Instalações que proporcionam treinamento, ferramentas, padrões e suporte
especializado para projetos de soluções por usuários finais.
Conhecimento:
Conjunto de ferramentas
conceituais e categorias utilizadas pelos seres humanos para criar,
coletar, armazenar e compartilhar informações.
Depósito de dados:
Conjunto de
informações armazenadas pelo processo para serem utilizadas por algum
processo, a qualquer momento.
Estrutura
organizacional:
Número de diferentes níveis, tipo de trabalho e distribuição de poder em
uma organização.
Fluxo de dados:
O nome deve expressar o
significado do conjunto de informações que está fluindo.
Gerenciamento:
Processo de usar recursos
da empresa para alcançar metas, coordenar o trabalho de muitos
funcionários e estabelecer critérios para medir o progresso ruma às metas
estabelecidas.
Implementação:
Processo de por em ação a
solução de um problema e avaliar os resultados de modo a se realizarem
melhoramentos, quinta etapa de resolução de um problema.
Informação:
Dados que foram modificados para uma forma significativa e útil para os
seres humanos.
Internet:
Uma vasta rede de redes
interligadas ligando organizações empresariais, governamentais,
científicas e educacionais e também pessoas por todo o mundo.
Intranet:
Rede privada interna baseada
na tecnologia da Internet e da Web.
Organização empresarial:
Organização
complexa e formal cuja meta é produzir um produto ou serviço por um lucro.
Organização virtual:
Arranjo
organizacional em que as empresas estabelecem parcerias com outras
empresas para fornecer mercadorias e serviços fora da estrutura
organizacional tradicional e sem que haja ligações físicas entre as
empresas.
Pós-implementação:
Uso e avaliação de
um novo sistema depois de instalado; último estágio do ciclo de vida
tradicional de um sistema.
Processo:
Conjunto de atividade que
produzem, modificam ou atribuem qualidade às informações.
Projeto de sistemas:
Modelo ou planta
para uma solução de sistema de informação para um problema; mostra em
detalhes como os componentes técnicos, organizacionais e de pessoal
trabalharão juntos.
Qualidade de vida no
trabalho: Grau em
que os cargos são interessantes, satisfatórios e fisicamente seguros e
confortáveis.
Rede:
Meio físico e sofware que
interligam dois ou mais computadores para transmitir voz, dados, imagens,
som e/ou vídeo ou para compartilhar recursos de um periférico, tais como
uma impressora.
Sistema de informação:
Conjunto de
componentes inter-relacionados que coletam, recuperam, oricessam,
armazenam e distribuem informações com o propósito de facilitar o
planejamento, o controle, a coordenação, a análise e a tomada de decisões
nas organizações.
Sistema de informações
gerenciais (SIGs):
Sistema de suporte gerencial que fornecem relatórios sumários rotineiros
sobre o desempenho da empresa; são utilizados para monitorar e controlar a
empresa e prever o desempenho futuro.
Tecnologia da
informação: é todo
e qualquer dispositivo que tenha capacidade para tratar dados e ou
informações, tanto de forma sistêmica como esporádica, quer esteja
aplicada no produto, quer esteja aplicada no processo.
Tomada de decisão:
Processo de
discutir objetivos e soluções possíveis e escolha da melhor opção;
terceira etapa da resolução de um problema.
Trabalhadores do
conhecimento e de dados:
Empregados de uma organização
que criam e ou utilizam conhecimento ou dados para resolver problemas.
Trabalho da informação:
Trabalho que
envolve principalmente a criação ou o processamento de informações.
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