Combate & Interpretação
um casamento que pode dar certo

Um dilema comum em mesas de RPG é este, quase um paradigma. A maioria dos jogadores fazem distinção entre jogo de RPG para batalhas e jogo de RPG para interpretar. Quem nunca ouviu dizer:

“Só gosto de jogar Vampiros e não Lobisomem por que não gosta de pancadaria!”. Ou ao contrario “Não gosto de jogar Vampiro por que é coisa de florzinha, meu negócio é porrada!”.
Enfim uns acham que uma aventura cheia de interpretação é perca de tempo, e outros acham que uma aventura cheia de batalhas é monótona. Mas como costumo dizer com um pouco de imaginação, criatividade e bom senso, essas duas características podem se casar perfeitamente e fazer de uma estória A Estória.

Um personagem rico, geralmente é tão completo que pode interpretar em qualquer situação. Para enriquecer seu personagem pense em como ele reagiria aos insultos e as pancadas, se ele é um lutador honrado ou se tira vantagem de todas as situações. Sua personalidade pode ser tão ampla que ele pode ser o maior covarde em batalhas fugindo sempre que consegue e gargalhando no final como se tivesse humilhado o oponente, pode ser o mais bravo combatente cheio de gritos de guerra e comandando os amigos, ou ainda, pode ser um inconseqüente que luta jogando as armas, pedras e objetos que encontra a frente, dizendo besteiras sem sentido como um maluco. Possibilidades não faltam.

Já para os que não gostam de interpretar a solução mais prática é fazer personagens carrancudos e introvertidos, daqueles que encontram um inimigo e sem dizer nada começam a atacar, após a morte de seu oponente a única coisa que dizem é “Hum!”, ou quando muito “Preciso de cura!”. Mas se houver disposição do jogador basta permitir que o mestre acrescente alguns detalhes a mais sobre como o personagem age na batalha e pronto, o personagem não é mais só uma máquina de matar.

Daí em diante o mestre pode acrescentar ganhos de XP pela interpretação do personagem, dentro e fora das batalhas. Detalhar os golpes ao invés de dizer “você acertou a espadada!”, mas é preciso usar muito de bom senso nesta área de narrar batalhas, senão a estória fica meio “cabeluda”. Certa vez estava jogando com um guerreiro de mais de 50 pontos de vida, em um combate contra um elfo negro. Todo rodada o mestre dizia “ele acertou a flecha em você”. No fim ganhei a luta, mas eu contei quantas vezes o mestre me disse que ele acertou uma flecha em mim. Por conta de meu PV alto e do azar do mestre na rolagem de dados, eu estava com 21 flechas cravadas no corpo, um verdadeiro porco espinho. A única solução lógica a partir deste incidente foi analisar quanto o dano causado representa para os pontos de vida do personagem. Por exemplo:

Recebi um ataque, acerto crítico que me causou 16 pontos de dano.
Mas meu Guerreiro experiente tem 50 pontos de vida.
Logo 16 pontos de dano não é a metade do que meu guerreiro aguenta.
O mestre então diz que o ataque machucou, mas pegou de raspão.

Já meu amigo mago, pouco experiente em batalhas recebe o mesmo ataque.
Ele tem apenas 20 pontos de vida por não ser acostumado com batalhas.
Logo o ataque de 16 pontos de dano quase o matou.

Usando o bom senso, a sessão de jogo fica mais divertida e ninguém vai ver um personagem andando por ai parecendo um porco espinho. Pois pra resistir a mais do que 5 flechas cravadas no corpo, é difícil. Exceto em acontecimentos épicos como no livro de Tolkien. Boromir e os Uruk Hai que o digam.

De resto o que importa é a diversão. Façam como acharem mais divertido.

KRiMPaTuL - 31/05/2007

 

 

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