Os cães ladram e a caravana passa Revista Destaque da AFPB
Ano V - Número 19 - Janeiro/Fevereiro - Ano 2007 - Revista Bimestral
 
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Vera Benévolo

Um ateliê de fantasias de carnaval é, na verdade, a oficina do delírio. Quem pela primeira vez entra nesses espaços, não tem como dar asas à imaginação e principalmente reverenciar talentos.

Conversamos com Vera Benévolo, profissional competente nesse segmento da Moda Brasileira e preocupada com a qualificação de mão-de-obra, muito especializada, para que beleza, cultura e arte bem representem o Brasil, tanto na Marquês de Sapucaí quanto em qualquer lugar do mundo.

Há 24 anos como destaque na Mocidade Independente de
Padre Miguel, Vera Benévolo, é estilista, passista, foi Rainha da Bateria do Bloco Garrafal do Engenho de Dentro. Passista da Estação Primeira de Mangueira, da Foliões de Botafogo.

É alguém que conhece samba nos bastidores.

Iniciou carreira de Estilista fazendo suas próprias roupas como passista, por isso é a mais requisitada pelo pessoal que faz show, porque conhece e sabe fazer o que é bom e confortável. Apesar de dar muito trabalho, o desenho e a confecção de cada peça é muito prazeroso – afirma Vera Benévolo - .

Também pode afirmar sem modéstia, ser uma das melhores nesse estilo.

Uma roupa de Mulata de Show fica em torno de 500 reais, de Rainha de Bateria fica mais cara. Em função do preço do dólar, a importação está complicada. Mas tem muito produto nacional bom, apesar da superioridade do importado.

Vera Benévolo participou dos grandes concursos de fantasia ao lado de pessoas como Zeza Mendonça, Vera Rodrigues, Jésus Henrique, Silvinho Fernandes, dentre outros. Também de shows em casas como o Ôba Ôba, Morro da Urca onde o turista nacional e estrangeiro podia assistir a um espetáculo de beleza ímpar e por trás de todo o glamour da cena existia um grande número de empregos diretos e indiretos. Desde o pessoal dos ateliês, aos passistas, ritimistas, destaques. Em suma movimentava culturalmente a noite carioca. Aquecia o turismo, divisas em grande estilo.

Se houvesse um patrocínio bom para os espetáculos desse gênero, os ateliês poderiam funcionar o ano inteiro. A atriz Solange Couto há algum tempo investiu o que pôde, mas sem patrocínio teve que desistir. O show seria no Pão de Açúcar, um espaço onde durante oito anos aconteceram espetáculos de sucesso.

O carnaval, o espetáculo, não pode ficar restrito a um período e acabou, é preciso que se desperte para o leque de opções que essa usina de sonho e cultura oferece. Quantos talentos são perdidos, desviados por falta de oportunidade.. É preciso somente boa vontade e ação daqueles que têm o poder, os artistas estão aí, como sempre, disponíveis talentosos, mas não é somente o sonho que alimenta, há o feijão, pois sem este ...

 

Este site foi atualizado em 01/02/07

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