Uma das mais talentosas atrizes do teatro, cinema e televisão do Brasil, tornou-se um mito da beleza eterna.
Nascida em 23 de agosto de 1922, na Zona Norte do Rio de Janeiro e filha de um oficial do Exército, Tônia, desde menina, sonhava em ser atriz. Estudou Educação Física, casou-se em 1940, com o artista plástico Carlos Arthur Thiré, com quem teve seu filho único, Cecil Thiré, consagrado ator e diretor de televisão e pai de seus três netos. Começou no cinema em 1947, fazendo figurações, e depois foi para Paris estudar teatro. Morou durante dez meses na Europa e, de volta ao Brasil, fez um
papel secundário no filme Caminhos do Sul, ao lado de Maria Della Costa (1948). Trabalhou depois com Paulo Autran, no Teatro Brasileiro de Comédia, e casou-se com o diretor italiano Adolfo Celli, que viera para o Brasil para integrar a equipe do TBC. Nos anos 50, trabalhou também na Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Recebeu o primeiro prêmio teatral de sua carreira pela marcante atuação na peça Entre Quatro Paredes, de Jean-Paul Sartre. Recebeu seu segundo prêmio por Navalha na Carne, de Plínio Marcos.
Casou-se pela terceira vez com o engenheiro e empresário César Thedim. Na televisão, destacou-se nas novelas Pigmalião, Água Viva, Kananga do Japão, Sassaricando e, em 1995, Sangue do meu Sangue. Em 1986 publicou O Monstro de Olhos Azuis, memórias de infância. Em 2000 fez, com o ator Renato Borghi, O Jardim das Cerejeiras, do dramaturgo russo Anton Tchecov. Em 2003 fez a Visita da Velha Senhora. Ficou famosa porque sua beleza, delicada e suave, sempre pareceu desafiar o tempo. O que poderia ser motivo de
orgulho, no entanto, passou a incomodá-la: "Eu criei essa máscara de mulher eternamente bela e, certamente, tenho que pagar por ela" comentou certa vez. Tem também posições interessantes sobre a profissão, que considera um sacerdócio: "Ser atriz é uma questão de vocação, não apenas de talento. Só a vocação faz alguém persistir numa carreira em que se ganha pouco".
O pensamento de Tônia
A vida sem um par amoroso
É difícil viver, mas vive-se. Eu estou vivendo bem, embora não seja fácil encontrar companhia para sair à noite, não fazer mais amor. Você ter que se agüentar sozinha em tudo...Um par é muito bom. Pode ser um grande amigo, um companheiro, que participe da minha vida, que divida as minhas questões, não amigos ocasionais, esses eu tenho muitos.
Relacionamentos afetivos sexuais depois dos sessenta
É muito difícil. O homem menospreza a mulher mais velha pra cama. E quanto mais velho ele fica, mais excitado é pela juventude. Mas acho que nós mulheres também...Só ficamos olhando para quem é mais jovem. O sexo depois do 60 é ótimo. Você já sabe o caminho...Pode até ensinar...Trazer à tona seus prazeres maiores. Com homens mais jovens sempre é possível. Quando o homem tem de trinta anos pra baixo é que ele se encanta com a mulher mais velha. Por outro lado, é difícil encontrar algum
jovem que seja interessante. Ter experiência de vida é muito importante.
Violência sexual
Tenho a impressão que durante séculos se apertou tanto à rolha do champanhe, que a repressão explodiu, mas vai melhorar. As meninas se reprimiram tanto... É necessário um exercício constante de auto-exame que antes não havia. Não podemos esquecer da diferença de poder econômico. Há tanto apelo para as pessoas consumirem e elas não têm condição. Há também uma falta de educação muito grande. Qual é a causa da violência sexual?
Fidelidade sexual
Não tem nenhuma importância, nem a fidelidade da mulher nem a do homem. Fidelidade mesmo, sem admitir momentos de enorme excitação por alguém, não é humano. É disciplina férrea. A época em que vivemos não permite mais isso não. Por causa dessa repressão é que a violência explodiu.
A importância do beijo numa relação amorosa
Ai, meu Deus! A coisa que eu mais sinto falta é o beijo. O beijo na boca é uma coisa tão maravilhosa...
Amor entre duas mulheres
Acho normal, assim como o amor entre homens. Depende da natureza erótica de cada um. A tendência do mundo é a bissexualidade.
Essa é Tônia Carrero, a mulher mais linda do Brasil, segundo Ziraldo.