Os cães ladram e a caravana passa Revista Destaque da AFPB
Ano V - Número 19 - Janeiro/Fevereiro - Ano 2007 - Revista Bimestral
 
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Rita Ribeiro

Redação Final: Lygia Godoy

Colaboração: Sonia Trindade e Mme. Giselle Meirelles Kuzattis.

Foto:Sonia Trindade

 

Em uma das apresentações da "Sexta ao Vivo", evento de MPB que acontece toda segunda sexta-feira de cada mês, no ESPAÇO TURMA OK, na Lapa, região boêmia da cidade do Rio de Janeiro. Eis que a nossa querida cantora e boa amiga Maria Helena – A Sublime - chega para mais uma de suas visitas com sabor de excelente música e nos apresenta, ali ao pé do palco, alguém de quem durante os anos 70-80 ouvíamos muito uma canção na voz poderosa de Wilson de Assis. Música tocada em todas as rádios do Rio sem parar.

Maria Helena, naquele seu jeito meigo e sofisticado de falar e ser, nos fez a grata e feliz surpresa de trazer a compositora, cantora e intérprete Rita Ribeiro. Ela parecia estar um tanto tímida, pensando, talvez, que após seu período de auto-exílio ninguém mais se lembraria ou saberia dela, que passaria em transparentes nuvens sua presença naquele espaço artístico.

Convidada ao palco pela cantora Tânia Machado, recebida pelo Maestro Mojika, cantou uma canção, de sua autoria, que esteve 293 semanas nas paradas de sucesso, durante os anos 70. Mais de cem pessoas abarrotavam o ESPAÇO TURMA OK e todas cantaram a uma só voz, sozinhos, sem qualquer tipo de prévia combinação, homenageando Rita Ribeiro e provando que quando a música é boa, quando o artísta é pura arte e emoção, o tempo pode rolar frouxo, mas o talento continua vivo na memória do povo, que o resgata na primeira oportunidade que tem.

 

A GRANDE POLÊMICA

Por questões particulares, e grande decepção com os senhores do poder do meio artístico, afastou-se, mas não deixou de compor e gravar com outros cantores. Nesse período de reclusão voluntária, a cada dia surpreendia-se com perguntas de fãs e amigos - "Rita, você esteve cantando em lugar tal?" – "Rita, acabam de anunciar na rádio que você está hoje em tal lugar cantando..."

Eram tantos os questionamentos dos amigos, parentes e fãs, que resolveu verificar o que ocorria de verdade. E qual não foi sua surpresa ao constatar a existência de uma cantora, também do Maranhão, e homônima – "Fiquei surpresa, porque nem eu mesma fiquei sabendo disso direito, o primeiro trabalho dela, a outra Rita Ribeiro, foi lançado entre 96-97." – disse a compositora.

Triste e mais uma vez decepcionada resolveu estabelecer contato com sua homônima, a fim de resolver de alguma forma essa questão que, certamente, lhe causava prejuízos financeiros e artísticos, além do desgaste emocional que acarreta. Não surtiu qualquer tipo de resultado, conforme esclareceu Rita Ribeiro Nascimento – a Rita Ribeiro autora de "Minha Rainha" e muitos outras canções gravadas por gente como Abdias, Emílio Santiago, Wilson de Assis, Nelson Gonçalves e muitos mais. São trinta anos de carreira artística, mais de 90 músicas gravadas.

"Quando você está na mídia, lá no meio deles, tudo fica fácil. Quando você sai um pouquinho fica sem valor, não te respeitam mais. Se eu fosse rancorosa, já teria feito uma besteira. Estou falando agora, pela primeira vez, sobre essa outra Rita Ribeiro" – disse Rita Ribeiro, a original – e continua "tenho certeza que minha música já foi para o exterior, pois tenho recebido direitos autorais de Portugal, Alemanha e Japão, pouca coisa, mas recebi. Por isso, não é possível que não tenham respeito por mim, não é possível que eu não tenha o respeito devido a minhas caminhadas" – afirmou a cantora e compositora.

Rita Ribeiro é o nome civil, religioso e artístico, desta nobre maranhense e foi lançado em 1975, quando compôs o samba "Ontem e Hoje" e o cantor Zuzuca, fez e registro fonográfico na gravadora CBS. Mais adiante um pouco gravou na K-tel, Tapecar, Copacabana, Polygram, como compositora. Em 1978, grava marcha de carnaval de Percilio Ferreira, assumindo sua porção cantora.

ESCALADA:

Quando, Rita Ribeiro, esteve na Opus-Columbia gravando o LP "Pagode Maior – O Canto de um Povo", neste disco cada artista apresentava duas faixas, num total de 12 músicas; estavam juntos Paulinho Rezende, Ataulpho Alves Júnior, Jair Medalia, nesta fase teve um empresário; antes disso sua batalha foi solitária, levando o disco às rádios e pedindo para tocá-lo.

A Opus-Columbia era um selo da RGE. E afirma a compositora "nesta época ganhei dinheiro, tinha empresário, fiz TV Manchete, Bandeirantes, foi um trabalho bem desenvolvido."

"Mesmo sendo massacrada alguma coisa está dentro de você e não deixa a gente descansar, os filhos não se conformam. Eu sempre fui muito reservada, sempre os preservei e lutei para encaminhá-los bem na vida, tanto que um é militar – este inclusive é meu parceiro, o Marcelo Ribeiro – o outro é gráfico – o Marcos Ribeiro -, uma das meninas – Sandra Ribeiro – trabalha na Câmara dos Vereadores de Duque de Caxias, e a Cláudia Ribeiro – a mais velha – esta tem necessidades especiais, ela é a verdadeira "Minha Rainha", para ela esta canção foi composta."

Filha do Cantador de Boi e compositor Luiz Costa e de Maria Ribeiro Nascimento, vive há 40 anos no Rio de Janeiro, aqui constituiu família e iniciou carreira artística, apesar da falta de apoio do marido que a queria somente como esposa e mãe.

Muitos irmãos aqui e no Maranhão, batalha arduamente para resgatar seu espaço no cenário artístico e conta com o apoio incondicional de seus filhos e inúmeros amigos e fãs.

 

 

Este site foi atualizado em 01/02/07

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