Yvonne Lara da Costa, assim está em sua certidão de nascimento e somente seus familiares sabem quem é. Porém se dizemos DONA IVONE LARA, o Brasil e o mundo inteiro sabem quem é – sem o menor exagero a Primeira Dama do Samba -.
Aos seis anos ficou órfã de pai e mãe e foi internada no Colégio Orsina da Fonseca – Tijuca – de onde saiu aos 17 anos para morar com seu tio Dionísio que fazia parte de um grupo de Chorões e com ele aprendeu a tocar cavaquinho. Na qualidade de prima de Mestre Fuleiro, um dos fundadores da Escola de Samba Império Serrano, não negou o sangue e raça de sambista e compositora.
Enfermeira, Assistente Social e Terapeuta Ocupacional trabalhou até sua aposentadoria em 1977 em hospitais psiquiátricos e somente após encerrar suas atividades profissionais dedicadas ao Serviço Nacional de Doenças Mentais, pode assumir plenamente suas atividades artísticas.
Quando a jovem Yvonne contava 12 anos, recebeu de seus primos um pássaro Tiê-sangue, o nome do pássaro e a expressão "oiaiá-oxa", herança da avó moçambicana, inspiraram seu primeiro samba "Tiê, Tiê". Ainda no Colégio Orsina da Fonseca, foi aluna de Dona Lucília Villa-Lobos, mulher do maestro Heitor Villa-Lobos; de Dona Zaíra Oliveira, mulher do compositor Donga – autor do primeiro samba gravado "Pelo Telefone". Pois bem, as duas professoras impressionadas pelo talento e timbre vocal da
jovem Yvonne Lara, indicou para fazer parte do Orfeão dos Apinacás, da Rádio Tupi, o qual era regido pelo Maestro Villla-Lobos.
Mudou-se para Madureira e começa a freqüentar a Escola de Samba Prazer da Serrinha e compôs o samba "Nasci Para Sofrer". Com a fusão do Prazer da Serrinha com a Unidos da Congonha, nasce o Império Serrano, a explosão verde e branco em arte, cultura e talento da estação de Magno, em Madureira. Compôs com seu primo Mestre Fuleiro o samba "Não me Perguntes". A parceria com o grande Silas de Oliveira rendeu , em 1965, o antológico samba-enredo "Os Cinco Bailes da História do Rio", apesar de a
escola ter conseguido somente o 4º lugar nesse carnaval, esse samba é cantado até hoje de maneira emocionante pela nação imperiana, que não cansa de reverenciar seus ícones.
Com a passagem para o plano astral de Silas de Oliveira , em 1970, Dona Ivone Lara passa a compor com Délcio Carvalho e passa a apresentar-se em programas de televisão – Chacrinha, na TV Globo e Adelzon Alves , na Rádio Globo, participou do Projeto Pixinguinha com outro ilustre imperiano, o cantor Roberto Ribeiro que durante muitos anos levou o samba do Império Serrano pela avenida em desfile com a competência que somente os grande intérpretes – conforme nos ensina Jamelão – são capazes.
Dona Ivone Lara já foi gravada por Gal Costa, Caetano Veloso, Cristina Buarque, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Jorge Benjor e muitos outros grandes talentos da MPB.
A doce figura de Ivone Lara conferiu-lhe o tratamento respeitoso e cerimonioso de Dona Ivone, nos anos 60, quando se apresentava nas vigorosas rodas de samba do Teatro Opinião, em Copacabana. Tal reverencia lhe foi feita pelo radialista e pesquisador Adelzon Alves, e por ela acolhida com a simplicidade e sofisticação que o Criador confere aos seres especiais como Dona Ivone Lara.
Sem dúvidas, essa valorosa compositora abriu caminhos para outras como Lecy Brandão, por exemplo.
Assistir e ouvir Dona Ivone é sempre uma grande, terna e eterna emoção, pois aquela senhorinha sempre de sorriso aberto e disposta a abraçar qual grande mãe, aquela pessoa inteira e digna para quem ninguém é maior, ou melhor, que ninguém, tanto faz a Rainha Sílvia, quanto a Tânia Machado, sua afilhada musical ou o guardador de carros da casa de shows onde atua. Todos são iguais e merecem o mesmo respeito e atenção.
Dona Ivone Lara, Primeira Dama do Samba, pioneira, figura de alto destaque da nobreza da Nação Imperiana, brasileira da raça Brasil, sua bênção!