Os cães ladram e a caravana passa Revista Destaque da AFPB
Ano V - Número 19 - Janeiro/Fevereiro - Ano 2007 - Revista Bimestral
 
Home
Capa
Colunistas
Comportamento
Culinária
Especial
Esotéricos
Expediente
Opinião
Personalidades
Saúde

 

Santos Dumont

Vários adjetivos podem ser atribuídos a esse brasileiro, criador também do relógio de pulso, que além de introspectivo, supersticioso, excêntrico e cheio de manias, ficou conhecido como "inventor", e atualmente, pela alcunha de "o Pai da Aviação".

Alberto Santos Dumont nasceu em 20 de julho de 1873 na fazenda de Cabangu, perto da cidade de Palmira, hoje conhecida como Santos Dumont, em Minas Gerais. Já na adolescência, demonstrou bastante interesse para a mecânica, em especial no que dizia respeito a alto propulsão.

Seus estudos o colocaram como o pioneiro da navegação aérea, utilizando veículos mais pesados que o ar, tendo desenvolvido projetos de balões dirigíveis, realizando o primeiro vôo público com um avião, capaz de decolar e pousar por seus próprios meios e sem o auxílio de catapultas.

Santos Dumont foi o maior inventor brasileiro de todos os tempos e, também, aquele que contou com mais recursos à sua disposição para realizar seus experimentos. Filho de um grande fazendeiro de café, Dumont recebeu uma grande herança do pai, suficiente para financiar seus inventos e garantir sua subsistência ao longo de toda a vida. De seus inventos nunca recebeu nada, recusando-se a solicitar patentes de seus aparelhos por julgar que o segredo de invenção retardava o desenvolvimento aeronáutico.

Ao contrário de alguns dos mais conhecidos inventores franceses e norte-americanos, Santos Dumont não deu origem a nenhuma indústria de aeronaves, nem mesmo projetou aparelhos para fabricação em série.

Seu pai, o engenheiro Henrique Dumont, tinha ascendência francesa, tendo, inclusive, realizado o curso superior na França. Em 1891, após um acidente que o deixou hemiplégico, Henrique Dumont vendeu a fazenda, partindo para a Europa com a família. O jovem Santos Dumont acompanhou os pais e dessa viagem surgiu o desejo de estudar na França.

De volta ao Brasil, Henrique Dumont emancipou o filho, aos 18 anos de idade, recomendado que não realizasse um curso superior, mas sim que procurasse especialistas em física, química, mecânica e eletricidade e que estudasse essas matérias, sublinhando sua convicção de que o futuro repousaria na mecânica.

Em 1890, em São Paulo, Santos Dumont assistiu a uma ascensão de aeróstato e, desde então, mantinha o desejo de realizar um vôo.

 

Dirigíveis

Em 1897 Santos Dumont realizou seu primeiro vôo num balão, em Paris, decidindo tornar-se então aeronauta. Construiu seu primeiro balão, classificado por ele mesmo como "o menor, o mais lindo, o único que teve um nome: Brasil" e nele começou a exercitar sua criatividade. O Brasil foi pilotado no dia 4 de julho de 1898, no Jardim da Aclimação, em Paris.

Foi nessa época que Santos Dumont decidiu utilizar um motor a gasolina em aeróstatos (balões de ar livre), o que representaria um grande passo para solucionar o problema da dirigibilidade. Em 18 de setembro de 1898, decolou do Jardim da Aclimação com seu dirigível nº 1.

Em 11 de maio de 1899 Santos Dumont voou pela primeira vez com o balão nº 2, cuja potência do motor era maior que a do modelo nº 1. Não conseguiu um bom resultado devido ao mau tempo, que já começava a se mostrar como barreira natural aos experimentos.

O balão nº 3, construído no mesmo ano, diferenciou-se dos anteriores, pois o inventor empregou pela primeira vez o gás de iluminação em lugar do hidrogênio, mais caro. Esse aparelho também tinha um formato diferente, mais afilado nas pontas, sendo que para abrigá-lo, Santos Dumont construiu um hangar especial, o primeiro que se teve notícia à época.

Já no balão nº 4, o piloto sentava-se numa sela de bicicleta, de onde podia dirigir e controlar o motor, o leme direcional e as torneiras de lastro. Esse balão subiu com sucesso em 1º de agosto de 1900, durante a realização em Paris da Grande Exposição e o Congresso Internacional de Aeronáutica.

O balão nº 5 apresentava como novidade um motor de 16 HP, ao qual se adaptava uma formação triangular de pinho, de 41kg, fabricada pelo próprio aeronauta. O balão, no entanto, acabou chocando-se com um prédio de Paris e Santos Dumont ficou pendurado a vinte metros de altura, tendo saído ileso.

O nº 6 deu a Santos Dumont, em 19 de outubro de 1901, o Prêmio Deutsch de la Meurthe, consagrado por um magnata do petróleo, que tinha intenções de agraciar o piloto do primeiro balão dirigível ou aeronave de qualquer natureza que, entre 1900 e 1904, se elevasse do solo e, sem tocar a terra e por seus próprios meios, conseguisse contornar a torre Eiffel, retornando ao ponto de partida, o campo de aerostação de Saint-Cloud, em, no máximo trinta minutos.

Vôos mecânicos

Em 1903, Santos Dumont esteve no Brasil e recebeu o verdadeiro reconhecimento público. Regressou logo em seguida a Paris e construiu outros balões. Na ocasião procurava um motor a explosão que pudesse ser empregado em um tipo de aeroplano que já projetava, pois era nítida a sua preocupação de conquistar o espaço com um aparelho mais pesado que o ar.

Em 1905, voou com o balão nº 14, cuja inovação foi ter erguido do solo uma máquina, por seus próprios meios.

Em 23 de outubro de 1906,Santos Dumont realizadou com o com o 14-bis, o primeiro vôo realmente mecânico do mundo, no campo de Bagatelle. O aeroplano voou sessenta metros a uma altura entre dois a três metros. Um novo vôo ocorreu em 12 de novembro de 1906, quando o aeronauta brasileiro conseguiu percorrer duzentos metros, a seis metros de altura. Com o 14-bis, Santos Dumont ganhou a taça Ernest Archdeacon, instituída para o primeiro aeroplano que com seus próprios meios se elevasse a mais de 2,5m de altura, e o prêmio do Aeroclube da França, para o primeiro avião que fizesse um percurso de, pelo menos cem metros.

Após o 14-bis, Santos Dumont se destacou com o nº 18, em 1907, chamado hydro-glisseur, com deslizador aquático, tendo sido o precursor do hidroavião.

Entre 1907 e 1909 o inventor aperfeiçoou o aparelho Demoiselle ou Libellule, que recebeu esse nome dos franceses devido a sua transparência e pequenez, pois o modelo era feito com bambu e seda e pesava apenas 110kg, com o aviador. A hélice do monoplano Demoiselle era instalada no "nariz" do aparelho e na cauda ficavam os lemes de direção e de profundidade, chegando a desenvolver noventa quilômetros por hora com um robusto motor de 30 HP. Esse aparelho teria se tornado então o padrão de quase todos os outros construídos posteriormente, dando lugar aos modelos de números 19 a 22.

Foi o primeiro a obter as cartas de piloto de balão dirigível, biplano e monoplano e, em 3 de outubro de 1909, bateu um novo recorde, ao voar a uma distância de oito quilômetros em apenas cinco minutos, a uma velocidade aproximada de 96km/h. Este foi o seu último vôo como piloto.

 

Declínio

A partir de 1909, a saúde de Santos Dumont estava comprometida. O uso do avião como arma de guerra durante a primeira guerra mundial o havia perturbado particularmente. Períodos de grande depressão obrigaram-no a viagens e estações de repouso.

Em 1931, de regresso ao Brasil, passou a residir em Petrópolis RJ, numa casa, a "Encantada", que projetou e é hoje o Museu Santos Dumont.

Autor de várias invenções na área da mecânica, além das relacionadas com a aeronáutica, Santos Dumont foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1931, mas seu estado de saúde o obrigou a declinar da honraria.

Ao saber do emprego de aviões na revolução constitucionalista de 1932, Santos Dumont foi tomado de forte depressão e, em 23 de julho de 1932, suicidou-se em Guarujá SP.

O aeronauta recebeu o título de Marechal-do-ar e, por decreto de 19 de outubro de 1971, foi proclamado patrono da Força Aérea Brasileira. Escreveu três livros: A conquista do ar (1901), Os meus balões (1904) e O que eu vi, o que nós veremos (1918).

 

Este site foi atualizado em 01/02/07

Hosted by www.Geocities.ws

1