Clóvis BornayMarta Santos
Rei do carnaval, Clovis Bornay diz que a festa perdeu o glamour. Mas, lembra
com saudade dos anos 50, quando o povo acompanhava os foliões ao som das
marchinhas.
(Entrevista concedida à nossa revista, no ano de 2003)
O Abre alas que eu quero passar ...
Foi assim, com esta determinação, que Clóvis Bornay traçou sua trajetória de
vida.
Ainda criança, em visita ao Museu Histórico
Nacional, encantou-se com o
local. Formou-se museólogo e mais tarde, concursado, foi diretor da seção de
História da Arte da instituição por 42 anos.
O prazer proporcionado pelo trabalho que escolheu foi tanto, que ao sair do
museu, deixou abertas 36 salas de exposição e aproximadamente 300 mil peças
catalogadas. "Trabalhar lá era bom e exigia demais. Todos os dias vistoriava as
salas. Se faltasse alguma peça, só de olhar já sabia. Eu trabalhava com prazer."
Apaixonado por heráldica, Bornay estudou muito. Adquiriu vasto conhecimento
em indumentária, tradições e vestimenta.
Daí para os bailes de carnaval foi rápido.
Eu sou da lira não posso
negar... Aos 13 anos participou do primeiro concurso de fantasias, era 1928.
Menor de idade, Bornay foi ao Fluminense Futebol Clube com a carteirinha do
irmão. Dançando e se divertindo com os demais concorrentes, notou a aproximação
de alguns seguranças. "Pensei comigo: eu paguei para entrar. Se me botarem para
fora peço meu dinheiro de volta".
Vestido de cossaco – guerreiro da cavalaria russa – recebeu dos seguranças a
noticia de que havia vencido o concurso.
Nos 62 anos de desfile no Teatro Municipal, Bornay, que participou de todos,
tornou-se hors concour do carnaval. Com o estilo que lhe é peculiar, assume:
"nesta situação é sempre difícil. Eu tinha que me superar para justificar o
primeiro lugar. Que já era meu por antecedência".
Rosa de ouro é que vai ganhar!
Bornay abandonou os desfiles em 1999. "O carnaval está decadente! Antes os
corsos passavam pela Rio Branco em filas de dez carros. Tinha os instrumentos de
sopro... Nossa, era muito bom!"
O carnaval do instrumento de sopro deu espaço à percussão. O que antes era
nas ruas, ao ritmo das marchinhas; foi transferido para a Marquês de Sapucaí,
com ingressos pagos e para turistas.
As homenagens que recebe o emociona. É o reconhecimento de tanto tempo
dedicado a alegrar os outros. "mas tem que ter o pé no chão. Não pode inchar o
ego, senão, nada vale a pena. Tem que ter sinceridade."
Morando em Copacabana há mais de meio século, Bornay se orgulha das amizades
que fez. Elogia e critica duramente o descaso
dos governantes para com o bairro.
Mas ainda resta o companheirismo.
A majestade do carnaval afirma que "em Copacabana nunca se está só".
Nosso amigo Clóvis se foi e a cidade ficou mais pobre. valeu Clóvis. Obrigado
por sua alegria!!!!