Os cães ladram e a caravana passa Revista Destaque da AFPB
Ano V - Número 19 - Janeiro/Fevereiro - Ano 2007 - Revista Bimestral
 
Home
Capa
Colunistas
Comportamento
Culinária
Especial
Esotéricos
Expediente
Opinião
Personalidades
Saúde

 

Ataulpho Alves, a elegância no samba

Lygia Godoy

De Ataulpho a Ataulpho a música popular brasileira apresenta o que há de melhor. O estilo do Mestre Ataulpho Alves, a elegância no trajar, a interpretação ímpar, o lenço branco; batuta que o Mestre usava para reger seu conjunto e conduzir suas pastoras.

Na "cadência bonita do samba" lá vai o navio petroleiro "Ataulpho Alves" pelos sete mares, muito bem acompanhado pelo "Cartola". Justas homenagens que a TRANSPETRO faz a dois grandes Mestres da MPB. Levar mundo afora o nome do afro-brasileiro de Miraí-singela cidade de Minas Gerais - criador de pérolas como: "Ai Que Saudades da Amélia", "Laranja Madura", "Você Passa Eu Acho Graça"; dentre outras. É mais que uma homenagem, é reconhecer e apresentar ao mundo o talento e a sensibilidade de um povo. Ataulpho Júnior, afilhado artístico da Divina Elizeth Cardoso, foi apresentado ao público no programa "Bossaudade", ao lado de seu pai - Ataulpho, Ciro Monteiro, Orlando Silva e o Regional de Caçulinha. Em 1965 seu pai entregou-lhe a batuta dizendo- "Toma o lenço, meu filho, e vai defender o que é nosso, de geração a geração". Assim segue Ataulphinho. Criou o projeto "Bate Papo Musical" desenvolvido nas escolas públicas da rede municipal do Rio de Janeiro, sob a direção de sua esposa e grande companheira, a professora Maria Luiza Alves - a Mallú-. É uma verdadeira aula, na qual os alunos, motivados pelo prof. Luiz Fernando Vieira vão perguntando, aprendendo, cantando e conhecendo os grandes Mestres da MPB.

"O Bonde de São Januário", transportou os operários Cloves(violão de 7 cordas", Linete (pandeiro), Ataulpho Jr. (voz e violão),Luiz Fernando (apresentação) e Nenem (som), a uma viagem -bate -papo -musical nas escolas Pio X, Dalva de Oliveira, Lamartine Babo, Ary Barroso e Maestro Pixinguinha. O bonde prossegue nos trilhos falando nos grandes compositores da MPB- Ary Barroso, Lupiscínio Rodrigues e outros mais.

Ataulpho Jr. está muito feliz com o resultado do projeto que criou, pois crianças de 5 a 17 anos estão aceitando muito bem. O que se percebe é que a música de qualidade quando apresentada, mesmo sem a parafernália tecnológica, consegue atingir a todos, de todas as idades ou classe social. A meninada presta atenção à aula e sai cantando, assobiando e quem sabe vocações despertando, para garantir a alta qualidade do que é nosso geração a geração, porque se "Talento Não Tem Idade"o "Bonde de São Januário", sempre "Leva Meu Samba", este que "Cabe Na Palma da Mão".

Ataulpho Jr. faz questão de dizer que seu pai, o Mestre, é inimitável. Que a personalidade Ataulpho Alves é única, a batida do violão, a cadência para tocar, nem Ataulphinho, nem Adeilton sabem. São filhos e admiradores. Certamente, outro Ataulpho Alves não aparecerá nunca, a obra que deixou, é muito bem feita, tão bem feita que 33 anos após sua partida, seu trabalho continua reverenciado e gravado por artistas como : Alcione, Eduardo Dusek, Roberto Carlos, Sandra de Sá, Cássia Eller; para citar alguns.

Cantor e compositor, gravando com Ney Matogrosso, Gal Costa, Emílio Santiago, músicas do velho - explica Ataulpho Jr. Suas composições ele mesmo grava, não passa para ninguém, pois prefere lançá-las. E "Meninos da Mangueira", seu maior sucesso, não é de sua autoria, sim de Rildo Hora e Sérgio Cabral.

"Morre o homem, fica a fama", manter acesa a chama, formar platéia, informar. Ataulpho Jr. mantém o compromisso, por isso fez apresentações em Duque de Caxias e já está fazendo contatos com as autoridades mineiras e paulistas.

Se o disco fosse numerado a questão do direito autoral não seria tão problemática - segundo Ataulpho Jr. - mas não querem numerar para não facilitar o controle. Nos Estados Unidos, por exemplo, Ataulpho Alves seria bilionário. No Brasil, é uma luta para o compositor receber seus direitos - continua Ataulphinho.- Outra questão desagradável são os donos de emissoras de rádio do Norte-Nordeste, são deputados, senadores, que não vão pagar nunca o direito autoral para o artista. Nossa musicalidade é muito rica e é uma pena que não haja respeito, o problema está aí, é o sistema que não permite.

Ataulphinho dá um lembrete aos negros: "Quero maior união, porque muitos não sabem o valor que temos, o potencial, a inteligência que todos temos e acho que união e compreensão iriam fazer parar com essa história de negro na televisão só ficar fazendo papel de empregada, de motorista de madame porque o sol nasceu para todos. E sou contra a reserva de vagas na universidade, seria muito melhor que o ensino na escola pública fosse de tal maneira, que todos pudessem competir de maneira igual, melhorar na base".

 

Este site foi atualizado em 01/02/07

Hosted by www.Geocities.ws

1