O Carnaval de Veneza no Rio de Janeiro
Os segmentos
médios da população, especialmente os setores intelectualizados, utilizavam-se
do desfile das grandes sociedades carnavalescas como veículo de disseminação
da civilização e do progresso, rejeitando as manifestações culturais das
camadas mais pobres da população. Surgido por volta de 1850, o desfile
das grandes sociedades era formado por carros alegóricos, composto de
várias mulheres seminuas, que criticavam o governo imperial e a escravidão.
Mas apesar do tom democrático, nada tinham de populares. Tal afirmação
pode ser constatada no comentário do escritor José de Alencar alertando
sobre a passagem do primeiro clube, logo chamado de sociedade, surgido
no Rio - o Congresso das Sumidades Carnavalescas - do qual ele
fazia parte.
Muitas
coisas se preparam este ano para os três dias de carnaval. Uma sociedade
criada no ano passado
e já perto de 80 sócios, todos pessoas de boa companhia, deve fazer no
domingo a sua grande promenade pelas ruas da cidade. Na tarde de segunda-feira,
em vez do passeio pelas ruas da cidade, os máscaras se reunirão no Passeio
Público e aí passarão a tarde como se passa uma tarde de carnaval na Itália,
distribuindo flores, confetes e intrigando conhecidos e amigos.
(José de Alencar, Gazeta Mercantil, 14 de janeiro de 1855)
Como pode ser observado, havia uma total tentativa de assemelhar-se ao carnaval italiano de Veneza, com sua máscaras e ‘pessoas de boa companhia’. De certo, a apresentação foi tão perfeita, que até mesmo a Família Imperial prestigiou sua passagem.
Em 1856, outra sociedade tomou as ruas: a União Veneziana. Era a coqueluche do Império. Com o tempo, as ruas viam se multiplicar o número de sociedades, tais como a Euterpe Comercial e os Zuavos Carnavalescos. Muitas competições e dissidências aconteceram até surgirem três Grandes Sociedades que se consolidaram no carnaval da época: Tenentes, Democráticos e Fenianos.
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