Até D. Pedro II gostava de uma guerra de limões...
No século XIX, os segmentos populares, através de canções, representações teatrais, inversões e utilizações jocosas de signos de poder, demonstravam sua resistência a situações que lhes eram opressivas. O carnaval representava uma possibilidade de participação cultural (que aqui pode ser estendida a atuação política desses cidadãos enquanto ‘atores políticos’) dentro do corpo da sociedade.
As brincadeiras dos entrudos e dos mascarados são vitais para se compreender como a festa popular do carnaval de rua carioca traz em si, desde seu início, a crítica política e social através de suas manifestações. O carnaval era momento de subverter as regras do cotidiano.
Os entrudos, conhecidos como guerra de ‘limões’ entre as pessoas, eram a oportunidade dos setores ‘baixos’ da sociedade (incluindo os escravos) de, ao mesmo tempo, se divertirem e reinventarem, à sua maneira e entre si, essa brincadeira, já que, ao contrário do que muitos pensam, o entrudo não era praticado somente pelas camadas pobres da população; até mesmo os setores da alta sociedade, incluindo aqui D. Pedro II, faziam uso do entrudo dias de carnaval. O limão-de-cheiro era a grande arma da brincadeira, produzido artesanalmente por famílias inteiras que se dedicavam à fabricação durante várias semanas. Feito de cera, levava dentro um líquido (água ou urina), que as pessoas jogavam umas nas outras. Teve o seu apogeu na segunda metade do século XIX, atravessando o século.
Já na manifestação
carnavalesca de rua dos mascarados, era mais explícita a crítica às camadas
abastadas da sociedade. Através das máscaras, a população pobre escondia
sua identidade e fazia pilhéria com o status social de sua fantasia:
um paletó às avessas, uma cartola furada, um vestido de dama remendado.
A inversão dos papéis sociais tornava-se a tônica da brincadeira. Por
outro lado, outros setores da população também utilizavam-se das máscaras
para difamar e ridicularizar cidadãos envolvidos em escândalos políticos
ou amorosos. Mais uma vez, o carnaval de rua serve como momento de sátira
à sociedade.
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