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Nome
25, October 2004 - 05:07 am
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"1.Agora, assim fala Javé
que te criou, ó Jacó;
aquele que te formou, ó Israel!
"Nao temas: eu te resgatei!
Chamei-te pelo nome, és meu [...]" - Isaías 43, 1
"Para os egípcio, o nome próprio nao é apenas um rótulo associado a um indivíduo: tem um significado, muitas vezes religioso, e chega mesmo a possuir um poder mágico. Ao saber o nome de uma pessoa, tem-se poder sobre ela. Essa crença no valor do nome encontra-se no código penal egípcio. Assim, é possível castigar um delinqüente reduzindo seu nome, transformando-o, ou até mesmo, para imprimir maior severidade, suprimindo-o. Nesse caso, o criminoso perde junto com o nome toda esperança de vida após a morte." - O Egito - Mitos e Lendas - A. Quesnel, J.-M. Ruffieux e Y. Chagnaud
"Sempre que o nome de um personagem muda durante uma história, temos o indicativo de uma mudança ou amadurecimento. Pode ser mudança de relacionamento entre o narrador e o personagem, entre um personagem e outro, etc... O amadurecimento pode ser físico ou psicológico. Fisíco quando o personagem envelheceu: por exemplo, nao podemos mais chamar de Zezinho, como chamávamos no primeiro capítulo do livro um personagem que tinha 10 anos, e que no meio tem quase 40. Psicológico, bem... temos um bom exemplo bem em maos. Por exemplo, em "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" temos um personagem chamado Passalargo. Já em "As Duas Torres", esse mesmo personagem se torna Aragorn. Por quê? Porque sao duas pessoas diferentes, mesmo sendo as mesmas fisicamente. Passalargo nao passa de um guardiao do norte, um guia com algumas habilidades em batalha e um conhecimento nao muito grande. Aragorn é o herdeiro do trono de Gondor, um exímio guerreiro, com um conhecimento e coragem sem iguais, e um dos poucos a quem Sauron teme. Há um amadurecimento do personagem perante os olhos do leitor, e nao cabe mais chamá-lo de Passolargo, quando ele se mostrou muito mais do que um simples guia" - Márcia, professora de Redaçao, até a parte do Zezinho. Parte do Aragorn, eu. Juntando os dois textos, temos um texto escrito por mim.
Três textos diferentes que dizem a mesma coisa: o quanto um nome é importante. Já pararam para pensar nisso? O primeiro texto, religioso, fala sobre chamar pelo nome. Já pararam para pensar na importância disso? Eu só me dei conta disso no retiro de Páscoa que fiz no começo do ano. Sim, disseram-me que Deus estava me chamando pelo nome, e que quando você é chamado pelo nome, nao tem como negar o chamado, afinal, o SEU nome foi dito, e é óbvio que se trata de você. Mas eu fiquei quase o retiro inteiro esperando Deus me chamar pelo nome, e por mais que nao tenha escutado a voz Dele dizendo "Vinícius", eu senti o momento em que ele me chamou. E daí eu parei para pensar. Imagina você, no meio de uma multidao. E entao, alguém grita seu nome. Qual é a sua primeira reaçao? Olhar em volta e procurar quem te chamou, afinal, o SEU nome foi dito, e é óbvio que se trata de você. Quando você está na escola, no trabalho, e alguém diz o seu nome, você sabe que aí vem serviço pra você. Se você passar na rua, destraído, só vai se dar conta que alguém que você conhece está por perto se esta pessoa te chamar pelo nome. É o seu nome, a maneira de você ser chamado, quem você é aos olhos da lei, quem você é aos olhos de quem você ainda nao conhece bem.
O segundo texto fala sobre o poder do nome. Os egípcios tinham um olhar místico sobre isso, nós devemos ter um olhar mais moderno. Assim, trazendo aos dias de hoje aquilo no que os egípcios acreditavam, você tem poder sobre alguém que você sabe o nome. Tem sim. Pense bem, se você sabe o nome de alguém, você acaba de se dar o direito de colocá-la na sua vida. Agora essa pessoa tem um nome, e a partir de agora você pode escrever e falar sobre ela, agora que ela tem um nome. Com o nome de alguém você pode colher informaçoes sobre a pessoa, montar um dossiêzinho dela (por mais exagerado que isso seja, você realmente pode). Você ainda duvida que tem poder sobre alguém simplesmente sabendo o nome dela?
O último texto. Bem, ele fala da maneira de uma pessoa chamar outra. Já parou para pensar nisso? Para Deus e o mundo eu sou Vika, todo mundo me conhece por Vika, e tem gente que nem saber meu nome de verdade sabe. Aí, pra mim, me chamar de Vika virou algo tao casual que eu estranho quando alguém me chama pelo nome. E entao eu comecei a me dar conta da força que há na maneira de combinar as letras para me chamar. Sim, porque há muita diferença entre me chamar de Vika, Vikao, Vinícius, Vikolino, Vikalksey, Vi, Vini, Vin etc... Indica o tipo de relaçao que você tem comigo. Assim como eu tenho amigos os quais eu nao admito que me chamem de Vika, tem gente que eu acho muito estranho quando me chama de Vinícius. Cada um tem o seu jeito de me chamar, um jeito de característico, e que pra mim, indica a relaçao que essa pessoa tem comigo. Eu briguei muito com a Roberta quando ela começou a me chamar de Vika, e a partir daí, eu vi que a amizade forte que a gente tinha estava se perdendo. Hoje o Vinny que ela usava pra me chamar nao existe mais, ninguém mais no mundo me chama assim, e eu e ela, bem, nós temos uma relaçao bem diferente agora. Eu nao estava errado ao ouvir ela me chamar de Vika pela primeira vez e saber que a nossa amizade tinha sumido. A Luana só me chama de Vika quando a gente passa muito tempo longe um do outro. Algumas pessoas só me chamam de Vika, outras só de Vikao, outras tantas de Vinícius, ou de qualquer um dos meus outros apelidos, e é engraçado como o nome pelo qual eu sou chamado diz tanto sobre a vida que eu tenho com essa pessoa.
ps.: eeee, voltando pros meus posts nada a ver
ps2.: eu queria por a foto de um R.G. ali em cima, mas quem disse que eu achei? Aí foi essa mesmo
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