
As histórias, personagens, imagens e os próprios textos deste site estão protegidos pela lei do direito autoral. Se o visitante desenvolve alguma atividade artística é interessante que esteja bem informado a respeito desta lei. Tenha acesso a ela clicando.
Minhas Histórias e Evoluções (para melhor entendimento do contexto em que os seguintes trabalhos foram produzidos visite a página Victor ).
Infância
Moby Dicky na minha versão de criança não era a história de um homem obcecado a perseguir uma baleia, e sim de uma baleia, ou melhor, várias, a perseguir um homem. Isso sem contar os ursos, polvos... ou seja, uma história sobre a ira da mãe natureza. A Mãe natureza no entanto ainda não havia se revoltado bastante. Para que toda a insanidade assassina tomasse forma foi necessária a criação de Mauster, esse sim foi um dos meus mais favoritos personagens de infância. Tendo sido criado por um garoto antes da explosão da segunda guerra mundial, o cão Mauster teve uma visão do além que lhe disse que sua missão na Terra era fazer não sei o quê, e para isso ele precisava matar o maior número de pessoas possível. Seu dono então é morto com um tiro de tanque (o moleque devia ter uns sete anos de idade), o cachorro chora por dois segundos e se livra de sua enfadonha vida doméstica para castigar o mundo com suas mordidas. A história de Mauster foi planejada para gerar várias seqüências, mas parei de desenhá-las quando comecei a tentar arranjar uma companheira no cio para ele. A versão humana (humana com sessenta aspas) de Mauster, chamava-se Roger. Ele era um soldado na guerra do Vietnã e por lá conseguiu uma porção de façanhas como explodir uma refinaria em Haipong provocando um engavetamento de 250 caminhões de combustível. É claro que ele possuia alguma profundidade psicológica. Possuia uma foto de sua família que guardava dobrada dentro de sua meia esquerda. Às vezes ele a tirava de lá, chorava dez minutos em cima dela, guardava de novo, roubava um helicóptero e ia almoçar em Moscou (pagando o restaurante com dólares).
Os Cadernos Joust foram os meus primeiros zines com alguma competência em termos de diversidade em HQ. Além disso vinha com muitas notícias a respeito do mundo do Rock, um monte de mentiras e declarações idiotas sobre vários assuntos do momento. As minhas histórias de terror em Joust são as melhores histórias de terror que já fiz até hoje. Uma delas começa com um garoto que se revolta estudando geografia e joga o livro no chão. Mas o livro se vinga e volta, batendo na sua testa num ponto ainda desconhecido pela medicina, a partir daí não digo mais nada. Os Cadernos Joust deixaram heranças para a revista encadernada Design. Design foi uma revista que me obrigou realmente a desenvolver um desenho mais perfeito técnicamente, pois as histórias inventadas exigiam muita perspectiva e cenários adequados.
Adolescência
Acacia & Jessika pertenceram à primeira definição do tipo de quadrinho que aparece na adolescência dos desenhistas machos. Encadernaram um projeto com duas histórias de "longa metragem" que graças a Deus não levou a nada. Essa foi minha única coisa mais parecida com heróis, um gênero que detesto mortalmente. Subterrâneos tem a aparição de Jessika fazendo um serviço mais inteligente, matando a guarda da igreja de um bispo louquinho nos subterrâneos da cidade de Nova York. Acacia por outro lado se tornou uma mulher muito versátil, que tem entre seus maiores atributos ser protagonista das hqs e ilustrações mais eróticas que já desenhei.
Castelo Valhalla foi a minha maior fixação por inquisição e idade média, coisas que hoje me enjoam o estômago e me despertam pouco interesse. A história é sobre um Inquisidor que é enviado a um lugar distante da Europa para investigar uma sociedade secreta de religiões pagãs. Da Inquisição veio também o Guitarrista Kerry Fusion, que quanto mais velozmente tocava, mais voltava no tempo. Chega assim a tempo de salvar Pamela Armera, seu amor, da fogueira. Puts!
A minha primeira encucada em cima de uma trama policial ridícula tipo Os Assassinatos da Rua Morgue de Edgar Alan Poe, ou Assassinato no Expresso Oriente com aquele super perspicaz idiota Porriot de Agatha Christie, ou ainda o Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, foi Os Onze metros de Pele. Era simplesmente a história montada, de dois colecionadores de múmias e apetrechos embalsamados, para posterior resolução magnífica do caso por dois investigdores que cagavam diamantes. No sentido contrário, O Signo do Caçador foi a primeira aparição do investigador drogado Erick Enbacker (nome que pronunciado rapidamente dá Rickenbacker, um contrabaixo que cobicei muito quando tocava Heavy Metal.) Erick imagina ser um caçador de uma história que leu sobre tigres canibais na Índia, e se confunde todo ao perseguir um assassino medíocre que está sendo superestimado.
Quando Adulto...
O Tempo em Segundos, uma das minhas mais importantes histórias essencialmente humanas, fala de uma garota que se envolve com a criminalidade unicamente para se vingar do namorado cafageste. Pelo lúcido momento de despertar do ser humano para um mundo que ele antes não havia prestado muita atenção, no final de toda a encrenca, valeram bem os seis meses de trabalho. Pela minha primeira utilização mais séria de cores e elementos urbanos também.
Zoo foi um dos meus experimentalismos mais non sense. O ponto alto de toda a experimentação Plástica foi o trabalho de cores dispostas em mosaico e as idéias de alto contraste entre os planos. Em termos de história não trouxe nada muito significativo, a não ser a eterna vontade de pôr o sexo feminino em apuros (nessa história uma garotinha loura é perseguida na floresta por um cara que não bate muito bem). Fortuna & Balas, uma espécie de MadMax bem humorado com toques surrealistas ultra imbecis e alguma preocupação social, continuou a levar adiante o experimentalismo tosco de cores.
Depois de ter cansado de cores e ter levado um fora de uma mulher que até certo momento foi muito importante pra mim, escrevi um roteiro engraçado e melancólico para uma história que acabei por entitular Tempestade de Canivetes. Era uma história que especulava se a transcendência da vida pela arte realmente pode existir sem amor. Consegui com essa história desenvolver meu primeiro projeto com alguma qualidade literária, às vezes ele me parece até um filme de Wood Allen. Usei no entanto as mesmas personagens para fazer uma breve hq, lindamente idiota: Na Hora do Rush, sobre um diretor de cinema maluco que aboliu os efeitos especiais de seus filmes fazendo as desgraças acontecerem de verdade, na rua. Essa HQ formou com outras duas, Gravado em Jade nas Portas do Inferno e O Vilão, um Portfólio para tentativa de publicação em editoras, que resultou numa experiência muito útil para mim.
Na trilha da experimentação de técnica mista, ficção científica e mitologia grega, nasceu Medusa Conhece Anora , outra historinha mal resolvida. La Esphera Pela Tela, por outro lado, conseguiu a façanha de casar algum erotismo com a situação global no início do terceiro milênio. Mas eu não estava muito contente com meu desenho e passei a fazer algumas hqs que visavam unicamente o meu aprimoramento de técnica. Infelizmente uma delas , A Montanha Russa que mais tarde viria a se tornar A Caixa do Sr. Citankep, foi publicada. Na época até que eu achei que toda aquela bobeira de fantasy comics pudessem ajudar o mercado de quadrinhos neste país, mas vim a descobrir que a minha HQ deveria se preocupar com temas universais, e não seriam as tartarugas ninjas que iriam salvar nossa situação. No entanto, histórias como Locomotiva ainda mantinha elementos condenáveis.Joel, O Domador foi uma história idiota que mais tarde acabou tendo um final feliz, pois sua estrutura coincidiu com o tempo em que comecei a casar o mundo da publicidade com personalidades inúteis e assim gerar a fórmula da pompa. Aquilo que faz com que o Oscar pareça uma grande coisa. Na trilha da pesquisa de profundidade psicológica As Quatro Máximas foi uma tentativa romântica de relacionar quatro personagens de opniões e métodos de conduta diferentes numa historinha muito bacaninha e fofinha se tivesse sido realizada segundo o storyboard. Às vezes a minha pesquisa era interrompida por algumas atitudes mais desesperadas quanto à aceitação de minhas HQs. X n'X foi uma série pseudo erótica que idealizei tentando me convencer que certo tipo de besteira poderia valer a pena. Rendeu-me no fim um estudo mais apurado de anatomia feminina, com algumas belas páginas.
Hora de Matar ou Rickenbacker 4003 foi a volta de Erick Enbacker, o investigador drogado. O projeto era ambicioso, mas para a montagem das páginas comecei a utilizar um complicado método de colagem me fazendo desistir do trabalho, que ainda não representava o que eu queria dizer, apesar de manter bons diálogos. Seguinte a este projeto, Érica, A Violinista, uma de minhas personagens que mais amo, mereceu um projeto de sessenta páginas com um lápis técnico e cristalino. Inspirada em Love & Rockets dos irmãos Jaime e Gilbert Hernandez, criei esta personagem para representar o meu amor pela música e por performances pouco convencionais, Érica é um misto de violinista e bailarina, na verdade. Fiquei especialmente interessado em ver o projeto colorido, o que me levou a colorir projetos menores para teste que resultaram em caminhos diferentes.
A Transcendência do Sentido da Vida Pela Violência é uma história que não tinha nada demais além de um estudo de equilíbrio de cores numa página com muitos elementos, o resultado ficou muito parecido com o trabalho de Liberatore (Ranxerox). Como não gosto de notar que meu estilo está parecendo com o estilo de outra pessoa, tratei de chegar a um ponto que ainda fosse inédito dentro das hqs, absorvendo e entendendo a essência de estilos de vários desenhistas. Nessa época comecei a levar muito a sério as minhas influências de cinema ( Cimino, Tarkovsky, Lindsay Anderson, Kubrick, Kurosawa entre outros) e literatura ( Joseph Conrad, André Mauraux, Jean Paul Sartre...). Mais tarde aprimorei meu discurso de forma que englobasse filosofia e política. O Primeiro bom resultado veio com o nome de A Transcendência do Sentido da Vida Pela Ciência, história até certo ponto muito parecida com Laranja Mecânica (A Transcendência pela Violência também era parecida, mas ao abordar outros elementos). No início fiquei até bem contente com esse estilo de literatura a lá Anthony Burgess, parece aliás que todos que chegam até ela ficam contentes, até os criadores dos Simpsons, mas comecei a ficar consciente de que ela não aborda questões muito profundas em relação ao espírito humano, principalmente quando o humano resolve se valorizar frente a um mundo de sistemas e estratégias gélitos. Nesse ponto a influência do cinema de Andrei Tarkovsky foi essencial, porque, ao contrário de Stanley Kubrick, Tarkovsky parece acreditar mais no humano. Visto que eu não escrevo exatamente histórias sobre canalhas e nada mais que isso... gosto de terminar uma história estando bem comigo mesmo. Enquanto estas questões tomavam forma, nasceu Mr. Alavanc. No início Mr. Alavanc não era nada mais do que um idiota que entregava o jogo de sua lógica para o leitor na primeira aparição. Minha Vida Por Uma Coca Cola foi uma espécie de coletânea de outros trabalhos meus já citados organizados de maneira conveniente à lógica de Mr. Alavanc. Este projeto se preocupava tanto em resgatar algumas boas mas antigas idéias que teve em seu conteúdo até elementos de fantasy art, fazendo uma miscelânia muito original ao mesmo tempo que muito arriscada. Os links entre as histórias se tornaram tão problemáticos que me levaram a um nível de stress a que eu nunca antes havia chegado, Quando acrescentei elementos notadamente idealistas (super eloqüentes), passei a chamar o projeto de Paixões na Era Elétrica, e, ao reformular toda a miscelânea escrevi alguns diálogos memoráveis, que no entanto não me impediram de arquivar o projeto.
Não Me Bata Com Esta Corrente, Mr. Alavanc!, nome tosquíssimo, foi o nome da primeira versão de O Mundo das Idéias Brilhantes, meu último projeto,que por fim transformou-se em Mr. Alavanc- A Imagem de Alguém Capaz !, que depois ainda sofreu modificações e se tornou só Mr. Alavanc. Porém, não contente com a versão definitiva, relacionei os pontos comuns da história com a idéia de aprendizado de Skinner e cheguei a última versão que continuou se chamando Mr. Alavanc
Copyright by Victor Diógenes
|
Uma história sobre pessoas brilhantes e idéias catastróficas. |