Tyrteu - Tirteo de São Chico
São Chico | Tyrteu | Vontades

o manual de instruções do aparelho estava impresso em inglês. Ênio refletiu um pouco, lembrou-se do doutor Tyrteu, hospitalizado a  poucos metros dali, e foi até o hospital.
   Rapidamente Tyrteu traduziu o manual. Grato, Ênio indagou-lhe - Quanto lhe devo doutor? - Nada. Só me vê meia de canha - foi a resposta.
   Em 1952 Tyrteu escreveu uma enigmática dedicatória no exemplar de Saco de Viagem pertencente ao senhor Júlio Petersen.
   Em 1955, sem ter onde morar, completamente decadente, Tyrteu foi amparado, em Alegrete, pelo bolicheiro francês Laedner (sic), cujo comércio se situava numa esquina da praça principal da cidade.
   Após ir embora de São Francisco de Assis (entre 1947 e 1950) Tyrteu visitou várias vezes a cidade. Nesta época acordava após o meio-dia e peregrinava pelos bares, vestindo um pijama. Dormia nos bancos da praça, vivendo em mendicância. No livro generosamente ganho de Waldemar Torres, Tyrteu escreveu a punho uma dedicatória "ao Wladimir", provavelmente Marques da Cunha. Neste exemplar, a página que conteria a dedicatória impressa a La Hire Guerra e Heitor Guimarães, presente nos outros exemplares de Saco de Viagem, está arrancada. Talvez Tyrteu quisesse repudiar sua brincadeira com a sonoridade e o antagonismo dos nomes: Hire-Heitor, Guerra-Guimarães, chimango-maragato, direito-medicina.
   Em 12 de julho de 1959 Tyrteu publicou, em Alegrete, nos Cadernos do Extremo Sul, o poema Versos para um tordilho chamado Maomé.

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