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Est� p�gina foi atualizada pela �ltima vez em:  25-abr-2001.

 

 

        As seguintes Cartas, Depoimentos e textos: Carta de Campinas, Carta do presidente FHC, Carta do Vaticano, Carta do Frei Betto, O povo maubere vencer� (Oswaldo Serra Van-D�nem), Carta do embaixador de Cabo Verde no Brasil, Carta de D.Paulo Evaristo, Mensagem do bispo de Set�bal, Liberdade ao Timor(Jo�o Paulo Stedile), Liberdade na Indon�sia, independ�ncia no Timor Leste(Coki Naipospos), Por Amor a Ti Timor Amorda�ado(Mov.25 de Abril), Mo��o humanista, Depoimento da atriz Luc�lia Santos, Pref�cio (Herbert de Souza), foram retirados do livro: TIMOR LESTE - Este Pa�s Quer Ser Livre - Organiza��o S�lvio L. Sant’Anna - Editora martin Claret Ltda. - S�o Paulo - SP .

- Este livro est� a venda na Livraria Portugal, Rua Genebra 165 - Bela Vista - S�o Paulo - SP , Tel.: (011) - 606.0877 e 604.1748 - Fax: (011) - 232.2071.

 

         MANIFESTO DE SOLIDARIEDADE � MULHER DE TIMOR-LESTE

A bancada parlamentar feminina do Congresso Nacional, abaixo relacionadas, vem declarar o seu total rep�dio ao regime fascista da Indon�sia, bem como apoiar a presen�a ativa da mulher de Timor, na luta em defesa dos direitos humanos, da cidadania e da vida, e pela autodetermina��o e independ�ncia do seu povo. Assim a bancada parlamentar feminina enaltece o papel da mulher de Timor que tem sempre ocupado um lugar de destaque na resist�ncia contra o invasor da Indon�sia, sendo simultaneamente um alvo preferencial da repress�o exercida pelo ditador Suharto.

No que concerne diretamente � mulher de Timor, s�o abundantes as refer�ncias a viola��es humilhantes e ao recurso sistem�tico a m�todos brutais e s�dicos de tortura e viol�ncia f�sica e psicol�gica, assim como � utiliza��o coerciva de m�todos contraceptivos e abortivos - ironicamente apelidados de planejamento familiar - que n�o passam de uma forma de sofisticada de exterm�nio lento do povo de Timor.

Assim, as mulheres de Timor t�m enfrentado acrescidas responsabilidades familiares e sociais. Mas todas estas contrariedades n�o apenas n�o quebraram o seu �nimo, como tamb�m contribu�ram para refor�ar a sua consci�ncia pol�tica e para enraizar nelas a convic��o da luta de Timor-Leste pelo seu reconhecimento como na��o independente e soberana na comunidade das Na��es. Assim a mulher de Timor-Leste tem mostrado uma ineg�vel capacidade de resist�ncia e acabar� por impor os seus leg�timos direitos. Amigas, as ditaduras n�o s�o eternas. N�s brasileiras, temos boas raz�es para poder afirmar.

Em conclus�o, para n�s mulheres membros da Bancada Parlamentar Feminina, do Congresso Nacional, naturalmente n�o se colocam d�vidas sobre a injusti�a e o sofrimento que esta situa��o tem causado, nem t�o pouco quanto � defesa incondicional dos direitos da mulher timorense. Devemos encontrar as formas eficazes que o fazer.

� necess�rio e urgente divulgar o problema, sensibilizar a opini�o p�blica, mas � tamb�m imperioso pressionar o governo indon�sio e a comunidade internacional. N�o nos podemos demitir das nossas responsabilidades para com a luta dos povos e neste caso em particular com a da mulher Maubere. Vamos mostrar que conhecemos, estamos atentas e vamos intervir. Vamos afirmar que a mulher de Timor conta com a solidariedade da mulher brasileira. Vamos lutar por Timor Leste Livre e Independente.

A nossa solidariedade internacional � fundamental para que, 20 anos depois da ocupa��o militar de Timor Leste pela Indon�sia, se fa�a ver aos ditadores indon�sios e � comunidade internacional que n�o nos esquecemos de Timor, do seu povo, da sua luta e da sua causa.

Para v�s todas mulheres de Timor-Leste, as nossas l�grimas s�o o nosso sangue, as suas l�grimas s�o tamb�m o nosso sangue, a tua dor � a nossa luta, porque a tua determina��o � a nossa pr�pria resist�ncia.

Liberdade e Justi�a ao Povo do Timor-Leste.

BANCADA PARLAMENTAR FEMININA

CONGRESSO NACIONAL -BRASIL

Bras�lia-DF, em 20 de agosto de 1996.

 

DEPUTADA MARTA SUPLICY (PT-SP) DEPUTADA ALCIONE ATHAYDE (PPB-RJ)
DEPUTADA ALZIRA EWERTON (PPB-AM) DEPUTADA ANA JULIA  (PT-BA)
DEPUTADA CECI CUNHA (PSDB-AL) DEPUTADA CELIA MENDES (PFL-AC)
DEPUTADA CIDINHA CAMPOS (PDT-RJ) DEPUTADA DOLORES NUNES (PPB-TO)
DEPUTADA ELCIONE BARBALHO (PMDB-PA) DEPUTADA ESTHER GROSSI  (PT-SP)
DEPUTADA FATIMA PELAES (PSDB-AP) DEPUTADA JANDIRA FEGHALI (PC DO B - RJ)
DEPUTADA LAURA CARNEIRO (PFL-RJ) DEPUTADA LIDIA QUINAN (PMDB-GO)
 DEPUTADA MARCIA C. VIANA (PDT-RJ)(PDT-RJ) DEPUTADA MARCIA MARINHO (PSDB-MA)
DEPUTADA MARIA C. TAVARES (PT-RJ) DEPUTADA MARIA ELVIRA (PMDB-MG)
DEPUTADA MARIA LAURA (PT-DF) DEPUTADA MARIA VALAD�O (PFL-GO)
DEPUTADA MARILU GUIMAR�ES (PFL-MS) DEPUTADA MARISA SERRANO (PMDB-MS)
DEPUTADA NAIR X. LOBO (PMDB-GO) DEPUTADA RAQUEL CAPIBERIBE  (PSB-AP)
DEPUTADA RITA CAMATA (PMDB-ES) DEPUTADA SANDRA STARLING  (PT-MG)
DEPUTADA SIMARA ELLERY (PMDB-BA) DEPUTADA SOCORRO GOMES (PC DO B-PA)
DEPUTADA TELMA DE SOUZA (PT-SP) DEPUTADA TETE BEZERRA  (PMDB-MT)
DEPUTADA VANESSA FELIPE (PSDB-RJ) DEPUTADA YEDA CRUSIUS (PSDB-RS)
DEPUTADA ZILA BEZERRA (PFL-AC) DEPUTADA ZULAIE COBRA (PSDB-SP)
   
SENADORA BENEDITA DA SILVA (PT-RJ) SENADORA EMILIA FERNANDES (PTB-RS)
SENADORA JUNIA MARISE (PDT-MG) SENADORA MARINA SILVA (PT-AC)
SENADORA MARLUCE PINTO (PMDB-RR)   SENADORA REGINA ASSUMP��O  (PTB-MG)

 

MO��O No. /97

(dos Parlamentares da C�mara Legislativa do DF )

 Senhora Presidente da C�mara Legislativa do Distrito Federal:

Com base no artigo 109 do Regimento Interno da C�mara Legislativa do Distrito Federal, sugerimos que esta Casa manifeste votos de protesto contra ato de tortura e assassinato de David Alex, Subcomandante das For�as Armadas da Resist�ncia Timorense, praticado pelo Governo Indon�sio, bem como, solicite a manifesta��o do Governo Brasileiro contra esta viola��o dos Direitos Humanos.

JUSTIFICA��O

Os Deputados da C�mara Legislativa do Distrito Federal manifestam-se veemente contr�rios a covarde execu��o pol�tica do L�der timorense, David Alex, Membro das For�as Armadas da Resist�ncia de Timor Leste e comprometem-se com a luta de Liberta��o daquele povo, cujo territ�rio encontra-se ocupado por tropas militares da Indon�sia, num dos mais b�rbaros e sangrentos epis�dios da hist�ria da humanidade.

Acusamos o governo ditatorial indon�sio pelo assassinato do companheiro Davi Alex, morto sob torturas e reivindicamos o seu esclarecimento perante a opini�o p�blica internacional. Exigimos tamb�m o respeito � integridade f�sica dos companheiros Jos� Ant�nio Belo, Manoel Loke Matan, Gil e de todos integrantes das For�as de Liberta��o do Timor Leste, que encontram-se presos pelas tropas de ocupa��o indon�sias.

Para tal, reivindicamos o envio de uma Comiss�o de organismos internacionais para investigar as circunst�ncias desta covarde execu��o pol�tica, que deve ser condenada em todos os f�runs internacionais. N�o admitir a impunidade e exigir a devolu��o do corpo de David Alex para que seja submetido a necropsia por peritos independentes.

E finalmente em nome da luta pela liberta��o dos povos, da solidariedade humana, da auto-determina��o dos povos e do absoluto e irrestrito respeito aos direitos humanos, os deputados desta Casa reivindicam:

1 - Retirada imediata das tropas de ocupa��o da Indon�sia do territ�rio do Timor Leste;

2 - Convoca��o pela ONU, sob supervis�o de organiza��es independentes, de um referendo para que o povo do Timor Leste decida seu pr�prio destino;

3 - Liberta��o de Xanana Gusm�o, cidad�o honor�rio de Bras�lia, e de todos os prisioneiros pol�ticos timorenses;

4 - Liberta��o imediata de todos os sindicalistas indon�sios que encontram-se presos por lutarem pela democracia na Indon�sia e contra a ocupa��o de Timor Leste;

5 - Ado��o pelo Governo do Brasil, de uma pol�tica externa de inequ�voca solidariedade � auto-determina��o do Timor Leste, concedendo a este pa�s a autoriza��o para instala��o de miss�o oficial em territ�rio brasileiro;

Ao mesmo tempo, convocamos a todos os parlamentares e funcion�rios desta Casa a participarem de ato pol�tico de rep�dio ao assassinato de David Alex, e de entrega de carta ao Minist�rio das Rela��es Exteriores, exigindo a condena��o da b�rbara ocupa��o do Timor Leste, a realizar-se na pr�xima quarta-feira, dia 02/07/97, �s 12:30 horas, em frente ao pr�dio do Itamaraty.

( Assinam esta mo��o os parlamentares da C�mara Legislativa do Distrito Federal)

Bras�lia-DF, 30 de Junho de 1997.

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C�MARA DOS DEPUTADOS

COMISS�O DE RELA��ES EXTERIORES

 

MO��O DE SOLIDARIEDADE � LUTA DOS POVOS DO

TIMOR LESTE

 

N�s, parlamentares da Comiss�o de Rela��es Exteriores da C�mara dos Deputados da Rep�blica Federativa do Brasil, sensibilizados com a sofrida luta dos povos do Timor Leste, e considerando:

      a . as sete resolu��es votadas pela ONU que condenam a ocupa��o ilegal do Timor Leste

           pelas tropas do governo da Indon�sia;

  1. a cruel repress�o dirigida contra esta destemida popula��o, que j� ocasionou a morte de pelo menos 100.000 pessoas;
  1. o exemplo de outros pa�ses de l�ngua portuguesa, que v�m se solidarizando com a justa causa do Timor Leste;
  1. a necessidade da pol�tica externa brasileira pautar-se por elevados padr�es �ticos e de independ�ncia; e
  1. o inalien�vel direito dos povos � autodetermina��o;

vimos, por meio desta Mo��o, expressar a nossa irrestrita solidariedade � luta dos povos do Timor Leste.

Sala das Sess�es em 22 de agosto de 1995.

DEP. SANDRA STARLING              DEP.LUIZ GUSHIKEN

 

CARTA DE CAMPINAS

Com a presen�a do Prof. Jos� Ramos Horta, convidado pelo Centro de Estudos Portugueses do Instituto de Letras da Pontif�cia Universidade Cat�lica de Campinas, e inspirados nos princ�pios fundamentais da soberania dos povos, desejamos manifestar nossa irrestrita solidariedade � luta do povo maubere para livrar-se da injusta ocupa��o a que se encontra submetido pelo governo da Indon�sia.

Timor Leste � uma pequena ilha localizada ao sul da Indon�sia, em pleno Oceano Pac�fico, a 300 milhas da Austr�lia. Antiga col�nia portuguesa e possui uma popula��o aproximada de 700.000 habitantes.

Em 1974, com a "Revolu��o dos Cravos", que restabeleceu a democracia em Portugal, Timor Leste entreviu sua oportunidade de independ�ncia, contando com o apoio das autoridades portuguesas, desde que esta resultasse da livre escolha dos timorenses, como o exigiam o Direito Internacional e as Resolu��es das Na��es Unidas. Mas, em dezembro de 1975, poucos dias depois de a FRETILIN (Frente Revolucion�ria para um Timor Independente), um dos partidos pol�ticos surgidos no pa�s, ter declarado unilateralmente a sua independ�ncia, o pa�s foi invadido pelo ex�rcito da vizinha Indon�sia, que pretendia, entre outros objetivos, alcan�ar acesso direto �s riqu�ssimas reservas petrol�feras do mar de Timor.

Portugal rompeu imediatamente rela��es diplom�ticas com a Indon�sia e apresentou uma queixa �s Na��es Unidas, solicitando, na qualidade de pot�ncia ainda administrante seu sagrado direito � autodetermina��o e independ�ncia.

Apesar das resolu��es aprovadas pelo Conselho de Seguran�a e pela Assembl�ia Geral das Na��es Unidas nesse sentido, tais protestos foram in�teis, principalmente diante do sil�ncio, da indiferen�a e dos interesses pol�ticos e econ�micos da comunidade internacional. No final de dezembro de 1975, a ocupa��o das principais cidades de Timor Leste pela Indon�sia encontrava-se completada, com exce��o do interior do pa�s, onde se refugiaram integrantes da FRETILIN, iniciando uma guerrilha que dura at� hoje.

A partir de 1975 teve in�cio tamb�m o calv�rio do povo timorense. Mais de 200.000 pessoas foram massacradas pelo governo indon�sio, sendo freq�entes as transfer6encias for�adas da popula��o, al�m de assassinatos, desaparecimentos, torturas e pris�es arbitr�rias. Mulheres e crian�as s�o o alvo preferido, sendo incont�veis os estupros e maus tratos a que s�o submetidas. A este verdadeiro genoc�dio f�sico juntou-se o genoc�dio cultural, com a imposi��o oficial da l�ngua indon�sia e a persegui��o a todos os cultos n�o-isl�micos. Enquanto o povo maubere tombava sob a baioneta dos invasores, sua cultura e tradi��es tamb�m eram esmagadas de forma implac�vel.

Mas o anseio pela liberdade � uma chama que nenhuma tirania pode sufocar. Os timorenses continuam a lutar heroicamente pelo seu inalien�vel direito � autodetermina��o e � independ�ncia. Nesta batalha corajosa contra o governo opressor da Indon�sia muitos j� tombaram mas o seu mart�rio suscitou o aparecimento de novos l�deres.

Sirvam-nos de exemplo os nomes de: Xanana Gusm�o, l�der da resist�ncia timorense, preso no dia 20 de novembro de 1992, foi condenado inicialmente � pris�o perp�tua, tendo sua pena sido comutada para 20 anos de pris�o; Dom Carlos Felipe Ximenes Belo, bispo cat�lico de Timor Leste, incans�vel batalhador na defesa dos direitos humanos do povo timorense; Rosa Bonaparte (Muki) e Maria Goreti, entre outras mulheres de determina��o e coragem; o Prof. Jos� Ramos Horta, que dedicou sua vida � causa da independ�ncia de seu pa�s. Impedido de voltar a Timor Leste ap�s a invas�o pela Indon�sia, o Prof. Ramos Horta fixou resid�ncia nos Estados Unidos, onde viveu at� 1989. Atualmente reside em Sidney, Austr�lia sendo a voz de Timor Leste mais conhecida no exterior e um aut�ntico embaixador itinerante da resist�ncia her�ica desse povo. A coragem, a integridade e os esfor�os desses dois homens, D. Ximenes e Ramos Horta, foram finalmente reconhecidos pela comunidade internacional, quando, no corrente ano, o Comit� Nobel concedeu a ambos o Pr�mio Nobel da Paz de 1996. Ao atribuir este pr�mio n�o apenas denunciou aos olhos do mundo a opress�o imposta pela ocupa��o indon�sia ao povo de Timor como deu tamb�m novo alento � sua luta pela liberta��o.

A Pontif�cia Universidade Cat�lica de Campinas n�o pode ficar indiferente a essa luta e concede o t�tulo de "Doutor Honoris Causa" ao Prof. Ramos Horta e a D. Ximenes Belo, t�tulo este que foi, de pronto, homologado por D. Gilberto Pereira Lopes, Arcebispo Metropolitano de Campinas e Gr�o-Chanceler da PUCCAMP.

 

Proclama��o

1 - Fazendo eco � indigna��o mundial, conclamamos os governos de todas as na��es a que lutem pela implementa��o das Resolu��es da ONU sobre esta quest�o, nomeadamente as que apelam ao governo da Indon�sia para retirar todas as suas for�as do territ�rio e que reafirmam o direito inalien�vel do povo de Timor Leste � autodetermina��o e independ�ncia; e a que estes governos se comprometam com a defesa dos Direitos Humanos e soberania de todos os povos.

2 - Apelamos a todas as pessoas de boa vontade para que se unam a n�s, signat�rios desta Carta, comprometendo-se conosco a manter viva a mem�ria desta luta atrav�s sobretudo das seguintes a��es:

    1. Aderir e propagar a campanha: Liberdade para Xanana j� !
    2. Exigir de nosso governo o estabelecimento de um escrit�rio de representa��o timorense no Brasil.
    3. Boicotar os produtos indon�sios enquanto persistir esta situa��o de arb�trio e viol�ncia.
    4. Exigir do governo militar da Indon�sia o cumprimento dos acordos da IV Confer�ncia Mundial da Mulher (Beijing, 1995), constantes da Declara��o Final, visando sobretudo que, em zonas de conflito, casos de viola��o de mulheres e crian�as sejam julgados como crimes de guerra.
    5. Pedir os governos do Brasil, Portugal e demais pa�ses de L�ngua Portuguesa que concedam ajuda financeira � frente diplom�tica timorense para que esta possa abrir escrit�rio de informa��o em alguns pa�ses.

Campinas, S�o Paulo, Brasil.

Jornada pela Causa de Timor Leste.

20 de novembro de 1996.

4o. Anivers�rio da Pris�o de Xanana Gusm�o,

L�der da resist�ncia em Timor.

301o. Anivers�rio da Morte de Zumbi,

L�der da Consci�ncia Negra no Brasil.

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 CARTA DE BRAS�LIA

Bras�lia abra�a o povo irm�o do Timor Leste

Quando o discurso de grande parte dos pol�ticos, intelectuais, cientistas, economistas e da m�dia em geral parece estar irremediavelmente penetrado por termos como globaliza��o, redu��o de custos, produtividade, desregulamenta��o, xenofobia, modernidade e segmenta��o, e por um alto grau de insensibilidade social, Bras�lia se atreve a falar de solidariedade, direitos humanos, democracia e transforma��es sociais, recusando-se a dar a Hist�ria por encerrada.

A indigna��o mais profunda � pequena para expressar o sentimento que nos assalta diante do genoc�dio que se comente h� 21 anos contra o povo do Timor Leste.

Indigna��o diante da macabra ocupa��o militar que a Indon�sia imp�e sobre um povo que apenas quer existir como Na��o, escolhendo sua l�ngua, construindo suas leis, dirigindo sua economia, elaborando sua cultura. Para destruir o sonho de liberdade deste povo, mataram quase um ter�o de sua popula��o - 300 mil timorenses -, esterilizam suas mulheres para impedir que possam parir novos guerrilheiros da resist�ncia e da consci�ncia maubere. Pro�bem o ensino do idioma portugu�s, seguem executando, torturando, exilando e reprimindo cidad�os. Pela noite, soldados indon�sios batem � porta dos humildes lares timorenses, simplesmente porque todas as noites devem ser noites de medo e de amea�as.

Indigna��o e repulsa � o que tamb�m sentimos frente a hipocrisia das grandes pot�ncias que, ao mesmo tempo em que se arvoram exemplos de democracia, produzem uma gigantesca papelada encharcada de cinismo versando sobre direitos humanos e amea�am a parte mais fraca da humanidade com suas, lucrativas, circenses e supostas opera��es de paz; seguem abastecendo de armas a ditadura Indon�sia, realizando c�lculos de pura gan�ncia sobre o imenso manancial de petr�leo do mar Timor, indiferentes � trag�dia timorense. Revelam, assim, plena incapacidade para gestos concretos pelo respeito aos direitos humanos que tanto declaram defender.

Nossa indigna��o cresce quando se constata a exist�ncia de duas qualidades de Resolu��es no �mbito das Na��es Unidas. Algumas para serem cumpridas prontamente e a ferro e fogo - ali�s muito fogo - como aquelas que ordenavam bombardear o Iraque, a L�bia, a B�snia; outras para solenemente ignoradas como a que determinou a retirada imediata das tropas indon�sias do Timor Leste.

Nossa repulsa tamb�m volta-se para a grande m�dia internacional que - obedientes aos interesses dos comerciantes de armas e de petr�leo - teceram um l�gubre manto de sil�ncio, impedindo que a humanidade pudesse saber de um genoc�dio que ocorre em plena era da revolu��o tecnol�gica. Quando naves c�smicas constru�das pelos seres humanos j� viajam para Marte e V�nus trazendo informa��es siderais, a preval�ncia de uma ideologia desumana e incapaz de praticar uma comunica��o cidad�, ainda nos impede de saber o que ocorre com um povo irm�o que oferece � humanidade uma li��o de hero�smo e dignidade, um "Vietn� silencioso" desta etapa da hist�ria !!!

A atribui��o do Pr�mio Nobel da Paz para o povo timorense, nas figuras do acad�mico Ramos Horta e do bispo Ximenes Belo, vem revelar � humanidade os respons�veis por este crime de lesa humanidade e todos os seus c�mplices, inclusive os que, por omiss�o, acabam construindo as condi��es que obrigam o povo maubere a derramar muito de seu sangue para seguir sonhando com a liberdade e a independ�ncia.

Bras�lia declara ser necess�rio mais do que telegramas e assinaturas de cartas e declara��es favor�veis � autodetermina��o do Timor Leste. N�o lutamos tanto contra a ditadura, n�o perdemos tantos dos nossos na tortura ou nos campos e nas cidades, n�o sofremos tanto pela democracia para nos contentarmos com declara��es ocas e passivas, acompanhadas de comportamentos entre amb�guos e omissos, negando aos timorenses uma ajuda mais concreta, ativa e forte atrav�s de nossa pol�tica internacional. Em nome de todos os que ca�ram na caminhada para construir uma sociedade democr�tica e as transforma��es sociais que ainda haveremos de conquistar � que queremos uma pol�tica externa coerente com os princ�pios da autodetermina��o dos povos e da solu��o pac�fica dos conflitos que temos inscritos em nossa Constitui��o. Para aqueles que s� v�em o Brasil como uma possibilidade de lucro f�cil e r�pido, como uma pujante economia no mundo, lembramos que Bras�lia deseja ver o Brasil como defensor das grandes causas justas mundiais. A justi�a social que queremos ver instalada definitivamente em nosso pa�s � uma luta baseada numa consci�ncia que n�o admite que calemos diante do pisoteio de um povo irm�o de l�ngua, de hist�ria e de g�nero.

Assim, queremos que o Brasil aja concretamente no cen�rio internacional defendendo a imediata retirada das tropas indon�sias do Timor Leste e a convoca��o de um referedum, sob a supervis�o de organismos internacionais, para que o pr�prio povo timorense decida, atrav�s do voto, que caminho quer seguir para construir sua hist�ria.

Na busca de uma solu��o pac�fica, � essencial que o Brasil defenda, nos f�runs internacionais, com toda veem�ncia, a liberta��o imediata de Xanana Gusm�o, l�der da resist�ncia maubere, e de todos os presos pol�ticos timorenses. Vale registrar que Bras�lia � pioneira, atrav�s de sua C�mara Legislativa, da concess�o do t�tulo de cidad�o honor�rio a Xanana Gusm�o, preso na penitenci�ria de Cipinang, em Jacarta.

N�s, governo, cidad�os e entidades de Bras�lia, reivindicamos:

-Como express�o da solidariedade brasileira - a instala��o, aqui na Capital Federal de um Escrit�rio de Representa��o da Resist�ncia Maubere, como j� o fazem pa�ses irm�os da comunidade de l�ngua portuguesa.

Dos tra�os arrojados do arquiteto, Bras�lia declara ao mundo que enquanto enfrenta todos os obst�culos que impedem a eleva��o do padr�o de vida do nosso povo, tamb�m � capaz de defender a liberdade, a solidariedade e os direitos humanos, em qualquer parte do planeta em que se fa�a necess�rio.

Bras�lia afirma - diante do questionamento de todos os paradigmas - que continua acreditando ser a "solidariedade a ternura entre os povos" e que, enquanto tece seus sonhos de transforma��es sociais para suprimir todas as brutalidades sociais que esmagam o povo brasileiro, tamb�m aprende desta gigantesca li��o de hero�smo timorense que, em l�ngua portuguesa, est� escrevendo uma das mais belas p�ginas de dignidade da hist�ria humana.

Bras�lia, 18 de novembro de 1996.

COMIT� BRASILIENSE

DE SOLIDARIEDADE AO TIMOR LESTE

 

OBS: (SEGUEM AS ASSINATURAS DE PARLAMENTARES, L�DERES SINDICAIS, DE ASSOCIA��ES DE CLASSES, ETC.)

OBS: ORIGINAL EM PODER DO COMIT�.

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PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO No. 037/95 ( 20/05/97)

( Dos Srs. Deputados Marco Lima - Ant�nio Jos� Caf� - Miqu�ias Paz )

Ao Protocolo legislativo para registro e, em seguida

� CCJ.

Em 18/12/95.

Concede T�tulo de Cidad�o

Honor�rio ao Senhor Xanana Gusm�o.

A C�MARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL

decreta:

Art. 1o. Fica concedido o T�tulo de Cidad�o Honor�rio ao Senhor Xanana Gusm�o.

Art. 2o. Este Decreto Legislativo entre em vigor na data de sua publica��o.

JUSTIFICA��O

Em 17 de julho de 1976, o ditador Suharto - que governa a Indon�sia desde 1965, ap�s um golpe de Estado que deixou cerca de 1 milh�o de mortos - anexou por decreto, Timor Leste a seu pa�s.

Timor Leste � uma ilha situada no mar da China, entre a Austr�lia e a Indon�sia. No s�culo XVI foi col�nia de Portugal e em 1974 com a revolu��o dos Cravos foi garantida sua independ�ncia.

A liberdade do Povo timorense durou apenas dez dias e foi sufocado pelo regime fascista da Indon�sia.

Durante esse per�odo, foram assassinadas 200 mil pessoas, entre as quais militantes da Frente Revolucion�ria para a Independ�ncia do Timor Leste (Fretilin).

N�o existem no pa�s direitos pol�ticos ou liberdade de imprensa. A entrada e sa�da de pessoas s�o controladas pelo ex�rcito invasor. O povo timorense perdeu o direito at� mesmo � sua pr�pria cultura. A l�ngua portuguesa est� proibida na ilha.

O povo de Timor Leste tem resistido bravamente, tendo como dirigente m�ximo Xanana Gusm�o, l�der da Resist�ncia Timorense e comandante das For�as de Liberta��o do Timor Leste - FALINTIL, que est� preso desde novembro de 1992.

Xanana Gusm�o escreveu da pris�o Cipinang, em Jacarta, uma interven��o, que foi lida pelo Dr. Ramos Horta, representante especial do Conselho Nacional da Resist�ncia Timorense na Confer�ncia Interparlamentar sobre o Timor Leste, realizada de 31 de maio a 02 de junho, em Lisboa:

"Enquanto que o genoc�dio �tnico, cultural e f�sico, praticado pela Indon�sia em Timor Leste, se deixava arrastar por 17 anos, com a comunidade internacional � espera que os generais de Jacarta marcassem o dia exato para a extermina��o das FALINTIL, a fim de darem por verdadeiramente arrumado um assunto dif�cil de tratar, j� no caso do Koweit pelo petr�leo que companhias de explora��o ocidentais n�o estavam dispostos a perder, uma for�a internacional sem preced�ncia na hist�ria da ONU, recuperaram o pequeno territ�rio de dunas de areia e entregaram-no ao seu povo....".

O pronunciamento do Presidente M�rio Soares tamb�m na confer�ncia afirma que a solidariedade ao Timor, significa um importante contributo para a luta em defesa dos direitos humanos:

"Invoco a este respeito, como s�mbolo da resist�ncia, a figura her�ica de Xanana Gusm�o, preso em condi��es t�o dif�ceis, numa cadeia Indon�sia".

"A verdade � que os timorenses sujeitos a uma repress�o cruel e persistente nunca transigiram com a opress�o nem nunca perderam a esperan�a na solidariedade internacional da qual depende em boa parte o seu destino."

"Permitam-me que termine com uma palavra de esperan�a. O Povo de Timor Leste tem mostrado uma ineg�vel capacidade de resist�ncia e acabar� por impor os seus leg�timos

direitos. As ditaduras n�o s�o eternas. N�s, portugueses, temos boas raz�es para poder afirmar...".

Esta Casa prestou no ano de 1995 duas importantes homenagens ao Presidente e L�der Sul Africano Nelson Mandela e ao L�der Palestino Yasser Arafat, por reconhecer o importante papel desses bravos l�deres na Defesa da liberdade e igualdade de seus povos.

E � nesse sentido que venho propor a meus nobres pares, em nome da defesa dos direitos humanos, da cidadania e da vida, a outorga deste t�tulo ao povo timorense que se faz representando pelo L�der da resist�ncia Xanana Gusm�o.

Deputado Marco Lima

Deputado Ant�nio Jos� Caf�

Deputado Miqu�ias Paz

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MANIFESTO SOLIDARIEDADE A TIMOR LESTE.

N�s, brasileiros, subscrevemos este manifesto, movidos pelo compromisso pol�tico de apoiar a autodetermina��o e independ�ncia do povo de Timor Leste, e reivindicar a liberta��o de seus l�deres presos.

Timor Leste � uma pequena ilha localizada ao sul da Indon�sia e ao norte da Austr�lia, ocupada desde 1975 pela Indon�sia, ap�s a descoloniza��o portuguesa. Desde ent�o, cerca de 200 mil pessoas (1/3 da popula��o) foram massacrados pelas for�as armadas da Indon�sia respons�vel por outras graves viola��es dos direitos humanos, em Timor Leste. O principal l�der da resist�ncia timorense, Xanana Gusm�o, encontra-se preso.

Defendemos o cumprimento, sem mais demora, da resolu��o 384a. do Conselho de Seguran�a da ONU, de 22 de dezembro de 1975, que pede a retirada das for�as da Indon�sia, o respeito � integridade territorial em Timor Leste, assim como o direito inalien�vel do seu povo � livre determina��o, de acordo com a resolu��o 1514 da Assembl�ia Geral das Na��es Unidas.

Embora distante do Brasil, o povo de Timor Leste tem conosco identidades de Ordem hist�ricas, culturais e religiosas, em fun��o da coloniza��o portuguesa. Assim, a participa��o brasileira nas gest�es pol�ticas e diplom�ticas em apoio � luta do povo timorense pode representar uma contribui��o expressiva para que Timor Leste conquiste o direito � liberdade.

Bras�lia-DF, 08 de agosto de 1996

Nome: Telefone:

Obs: Manifesto Original est� no Gab. 275 do anexo III - C�mara dos Deputados (Dep. Nilm�rio Miranda - PT/MG).

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CARTA DO PRESIDENTE FHC

Bras�lia, 29 de novembro de 1996.

Ilustr�ssimo Senhor

Frei Jo�o Xerri

Rua Atibaia, 420

Perdizes

01235-010 - S�o Paulo, SP

Prezado Senhor,

Recebi, por interm�dio do Dr. Jos� Gregori, sua carta de 23 de setembro de 1996, em que me descreve o trabalho do Grupo Solid�rio S�o Domingos em prol dos timorenses e me d� not�cias sobre a repercuss�o favor�vel que tiveram, no Timor Leste, as declara��es que fiz neste ano em Lisboa, durante a C�pula da CPLP, fato que muito me alegra. Agrade�o tamb�m a remessa do livro de Xanana Gusm�o e da carta do presidente da Associa��o dos Ex-Presos Pol�ticos Timorenses.

Esteja certo de que minhas palavras de Lisboa refletem fielmente n�o apenas o meu pensamento pessoal sobre a quest�o timorense, mas tamb�m um diretriz do governo brasileiro. Reiterei-as durante encontro recente que tive, em Bras�lia, com um dos agraciados com o pr�mio Nobel da Paz de 1996, Jos� Ramos - Horta. Por meu passado pol�tico e por convic��o �tica, n�o posso deixar de ter sempre solidariedade em rela��o aos povos que s�o v�timas de viola��es dos direitos humanos e estejam privados da liberdade.

Atenciosamente,

Fernando Henrique Cardoso

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CARTA DO VATICANO

Vaticano, 11 de Outubro de 1996.

A Secretaria de Estado apresenta atenciosos cumprimentos, ao agradecer, em nome de Sua Santidade Jo�o Paulo II, o presente que o Grupo Solid�rio S�o Domingos lhe fez chegar, como testemunho da sua campanha de sensibiliza��o, designada Clamor por Timor, empreendida a favor da causa timorense, como explicitava na carta que o acompanhava.

Mais � grato a esta Secretaria certificar de que o Santo Padre nunca esquecer� o querido povo timorense, seguindo com grande esperan�a, aten��o e ora��o os passos que se cumprem para a sua preserva��o e afirma��o cultural de povo crist�o; foi, pois, com apre�o que teve conhecimento de vossa a��o solid�ria com Timor Leste, � qual deseja bom sucesso, invocando sobre os membros do Grupo, nomeadamente frei Jo�o Xerri e senhora L�lia Azevedo, a abund�ncia das b�n��os de Deus.

Mons. L. Sandri

Assessor

Reverendo

Frei Jo�o Xerri, OP

S�o Paulo (SP)

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CARTA DE FREI BETTO

A grande m�dia brasileira n�o d� grande import�ncia a Timor Leste. Embora exaltemos tanto a globaliza��o, aquele pequeno pa�s da �sia ainda parece distante demais dos temos que motivam a nossa m�dia e a pol�tica externa brasileira. Exigimos democracia quando os lucros do Ocidente correm risco. Fora disso, bancamos o avestruz. Quando haver� elei��es no Kuwait ?

O governo e a opini�o p�blica do Brasil precisam tamb�m ser mais sens�veis ao respeito dos direitos humanos e � conquista da democracia em na��es que n�o costumam ocupar o espa�o da m�dia.

O presidente do Comit� que concedeu o pr�mio Nobel da Paz de 96 a Timor Leste, Francis Sejersted, justificou a escolha: "A quest�o do Timor Leste estava pr�xima de se tornar um conflito esquecido, e quisemos contribuir para que seja mantido em evid�ncia". Esquecido pela ONU, pelo Vaticano, pela m�dia e pelo governo brasileiro, mas n�o por D. Paulo Evaristo Arns, que escreveu, em meados de 96, carta de apoio a Xanana Gusm�o, l�der maior da resist�ncia timorense, preso em Jacarta.

O Nobel da Paz deveria ter inclu�do Xanana Gusm�o, mas n�o costuma premiar guerrilheiros em luta, exceto quando a conjuntura permite que troquem a cr�tica das armas pelas armas da cr�tica, como foi o caso de Nelson Mandela, laureado em 1993. De qualquer modo, conceder o pr�mio para que o conflito n�o caia no olvido � um gesto de ousadia nesses tempos neoliberais, em que muitos apregoam o fim das lutas de liberta��o.

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CARTA DO EMBAIXADOR DE ANGOLA NO BRASIL

POVO MAUBERE VENCER� !

A invas�o do territ�rio do Timor Leste em 1975 e a sua conseq�ente anexa��o em Julho de 1976 como mais uma prov�ncia da Indon�sia, longe de desvanecer o �mpeto de liberdade do povo maubere, refor�ou a sua consci�ncia nacionalista e a sua coragem para enfrentar o longo caminho que se fazia anunciar. Aliando a press�o da luta armada sob a forma de guerrilha a um grande movimento nos corredores diplom�ticos, no sentido de obrigar os invasores a retirar as suas for�as de ocupa��o, o povo de Timor Leste vem conseguindo sistem�ticas vit�rias, consubstanciadas em sucessivas resolu��es da ONU condenando a Indon�sia e obrigando-a a reconhecer o direito dos timorenses � autodetermina��o e � constru��o livre de sua p�tria.

A atribui��o do pr�mio Nobel da Paz em outubro de 1996, a duas destacadas figuras do movimento pela independ�ncia de Timor Leste, o Bispo D. Carlos Felipe Ximenes Belo e Jos� Ramos - Horta, veio demonstrar uma vez mais o reconhecimento internacional da justeza da luta pela liberdade que o povo timorense corajosamente empreende.

O povo maubere vencer� !

Oswaldo Serra Van-D�nem

embaixador de Angola no Brasil

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CARTA DO EMBAIXADOR DE CABO VERDE NO BRASIL

Foi com grande satisfa��o que, como embaixador do meu pa�s, acedi ao pedido dos organizadores da publica��o do livro a ser brevemente dado `a estampa: Timor Leste: este pa�s que ser livre para dar um breve depoimento sobre a luta do povo do Timor Leste, povo este ligado ao de Cabo Verde por la�os hist�ricos e culturais indissol�veis. Ao faz�-lo, por�m, n�o me movem sentimentos mesquinhos contra quem quer que seja. Pelo contr�rio, o meu objetivo � o de falar da trag�dia imensa que se abateu sobre o povo timorense, o �nico de uma ex-col�nia portuguesa que n�o p�de ainda exercer o direito que assiste a todos os povos de determinarem eles mesmos seu pr�prio destino e de alcan�arem uma vida digna.

N�o obstante os indiz�veis sacrif�cios consentidos pelo povo timorense h� mais de 21 anos, o aumento da consci�ncia no mundo a respeito dos grandes males que afligem os timorenses, e bem assim o correspondente aumento das fileiras dos defensores dos direitos desse povo a uma vida digna e ao exerc�cio do seu direito inalien�vel � autodetermina��o, especialmente entre os empres�rios, nada parecia acontecer at� h� pouco tempo no sentido de uma solu��o definitiva para este grave problema internacional.

A surpreendente atribui��o do pr�mio Nobel da Paz de 1996 a dois eminentes filhos do Timor Leste, Sua Excel�ncia Reverend�ssima o Bispo Ximenes Belo e Dr. Ramos Horta, veio, em boa hora, p�r em causa esse vergonhoso e inaceit�vel status quo que de h� muito vinha pesando na consci�ncia da humanidade e avivar as esperan�as numa solu��o auspiciosa para o povo desse pa�s.

Al�m de ser um tributo merecido da Comunidade Internacional ao povo timorense pelos indiz�veis sacrif�cios que tem consentido na sua saga pelo exerc�cio do direito de ser ele pr�prio e de, livremente, determinar o seu destino como qualquer outro povo no mundo, o pr�mio Nobel � tamb�m um sinal inequ�voco de que, afinal, a Comunidade Internacional est� viva e atuante e de que, quaisquer que sejam as vicissitudes da hist�ria, ela saber� impor os caminhos da verdade, da justi�a, da s� conviv�ncia entre todas as na��es e do progresso para todas elas.

A entrega do pr�mio Nobel n�o solucionar� de per si o problema timorense. Estou convencido, por�m, de que a sua concess�o � a express�o da determina��o da Comunidade Internacional de encontrar uma solu��o definitiva e justa para o caso do Timor Leste e consent�nea com as leg�timas expectativas num mundo melhor, que despontaram nos cora��es de todos n�s com o fim da Guerra Fria e no dealbar de uma nova era para a Humanidade. A publica��o deste livro representa sem qualquer d�vida uma contribui��o valiosa para se alcan�ar esse nobre objetivo.

Jos� Eduardo Barbosa

embaixador de Cabo Verde no Brasil

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CARTA DE D. PAULO EVARISTO (*)

C�ria Metropolitana de S�o Paulo

"O Brasil, que foi col�nia, e os brasileiros, que sofreram muitos anos de ditadura, n�o podem esquecer o povo irm�o de Timor Leste.

A coragem e determina��o desse povo na luta pelas suas mais leg�timas aspira��es pela liberdade, independ�ncia nacional, paz e dignidade, constituem um fonte de inspira��o para todos n�s e para todos aqueles que lutam pelos mesmos ideais (...) ".

Paulo Evaristo, cardeal Arns

(*) Trecho de uma carta do cardeal Arns, de 10/09/96, enviada a Xanana Gusm�o, na pris�o de Cipinang em Jacarta, Indon�sia - Arquivo Clamor por Timor.

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MENSAGEM DO BISPO DE SET�BAL (*)

A situa��o do povo de Timor � um caso de civiliza��o: que conceito temos de pessoa ? que conceito temos de povo ? Em Timor nem se respeita a pessoa - que n�o pode pensar, n�o pode falar, n�o pode sonhar - nem se respeita um povo que quer escolher livremente o seu destino, j� que tem identidade, fisionomia, religi�o, l�ngua e hist�rias pr�prias.

Este povo sente-se calcado na sua alma; sente-se desprezado, sente-se encarcerado e torturado. � hoje, no mundo, um caso singular de mart�rio que envergonha a humanidade.

(...) Temos que gritar "Timor". Temos que incomodar os pol�ticos. Temos que dizer ao mundo que em Timor corre sangue da alma e do corpo de um povo trabalhador e de paz.

(...) N�o queiramos ser r�us de sil�ncio.

Timor vencer�, se n�s quisermos.

Manuel da Silva Martins

Bispo de Set�bal

*) Trechos da mensagem de D. Manuel da Silva Martins, bispo de Set�bal em Portugal, de 28/04/97. Esta mensagem foi feita especialmente para ser lida em celebra��o religiosa organizada pelo grupo Clamor por Timor, no Santu�rio de Nossa Senhora de F�tima, S�o Paulo, em 13/05/97.

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CARTA DE

JO�O PAULO STEDILE

LIBERDADE AO TIMOR

O povo brasileiro tem muita identidade com o povo de Timor. Nossa l�ngua, muitas ra�zes culturais. Tivemos, lamentavelmente, o mesmo colonizador. N�o por ser portugu�s, mas por ser colonizador.

E enfrentamos durante muitos anos um regime de ditadura militar.

N�s, brasileiros, conseguimos nos safar depois de 21 anos, mas os companheiros timorenses ainda

amargam a repress�o que significa um regime duplamente opressor. Duplo, por ser um governo de outro pa�s - a Indon�sia - e por utilizar os m�todos mais insanos de uma ditadura militar.

Ser solid�rios com o povo timorense � um dever humanit�rio. � um gesto revolucion�rio, � um ato de amor.

Como dizia Che Guevara: "A qualidade mais bela da pessoa � a solidariedade".

Por isso tudo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) sente-se plenamente identificado com o povo timorense.

Procuramos divulgar sua causa � nossa base e milit�ncia e queremos ser solid�rios, de todas as formas poss�veis.

Ainda que a dist�ncia geogr�fica nos impe�a de exercer uma press�o maior, estaremos sempre vigilantes e alertas, contribuindo no que for poss�vel para que o povo do Timor se liberte o mais r�pido poss�vel.

Com esse esp�rito, estivemos no ano passado manifestando-nos em frente � Embaixada da Indon�sia, protestando contra a agress�o e nos solidarizando com o l�der timorense Xanana Gusm�o, que ainda sofre nas masmorras da Indon�sia. E nos solidarizando com todos os que lutam por Timor.

Por outro lado, a persist�ncia, a dignidade e a coragem do povo timorense e seus l�deres, que resistem a tudo, apesar de uma correla��o de for�as t�o desigual, encoraja-nos a seguir lutando aqui no Brasil tamb�m. E n�o ser� a desigualdade das for�as que nos assustar�.

A Hist�ria est� cheia de exemplos de vit�ria dos mais fracos, desde Davi e Golias, at� Vietnam e Estados Unidos.

Estamos convencidos que a certeza da vit�ria dos povos est� na natureza da causa. E nossa causa comum � justa.

Viva o povo timorense !

Viva a solidariedade internacional !

Jo�o Paulo Stedile

Dire��o Nacional do MST

Maio/1997.

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CARTA/DEPOIMENTO DE COKI NAIPOSPOS (*)

Alguns poderiam perguntar porque eu - um indon�sio - participo deste encontro, falando em um f�rum que discute a resist�ncia e o futuro do povo maubere, quando por outro lado sabe-se perfeitamente que foi a Indon�sia que invadiu o Timor Leste em 1975 para transform�-lo em sua "27a. prov�ncia".

H� tr�s raz�es para isto. Primeiramente, h� uma diferen�a entre o governo indon�sio - que prefiro chamar de Regime Suharto - e o povo indon�sio. A invas�o do Timor Leste perpetrada pelo regime Suharto nunca foi a vontade do povo. A maioria do povo indon�sio nunca sequer imaginou o Timor Leste como parte da Indon�sia. O povo indon�sio � tipicamente uma na��o amante da paz, que respeita as lutas dos outros povos. (...)

Em segundo lugar, o povo da Indon�sia e o povo maubere est�o ambos sofrendo sob a opress�o do regime militar de Suharto. Viol�ncia e viola��es dos direitos humanos ocorrem n�o somente no Timor Leste, mas tamb�m na Indon�sia. A hist�ria do poder do regime Suharto est� repleta de manchas de sangue. O povo indon�sio testemunhou a trag�dia de 1965, quando o general Suharto desfechou seu golpe de Estado. Cerca de 2 milh�es de pessoas perderam suas vidas simplesmente por serem acusados de simpatizantes do Partido Comunista Indon�sio (PKI). Ocorreram assassinatos em massa por todo o pa�s. Hoje, as pessoas que viveram essa trag�dia, e todos os seus familiares, ainda enfrentam discrimina��o pol�tica. E esta � apenas uma das muitas trag�dias que custaram vidas humanas, como em Tanjung Priok, Lampung, Aceh, Nipah, Papua Barat, etc. Todas essas trag�dias provam que o povo da Indon�sia e o maubere enfrentam um problema comum; o regime militar de Suharto.

Em Terceiro Lugar, a luta pela democracia na Indon�sia n�o ter� sentido se o povo da Indon�sia n�o apoiar a luta do povo do Timor Leste. Como na��o que amargou a condi��o de col�nia holandesa, o povo indon�sio conhece o sofrimento de uma na��o sob o dom�nio de outra. Portanto, � dever desta na��o que ama a liberdade apoiar ativamente a independ6encia do povo maubere. (...)

Coki Naipospos

Jacarta, 17/08/96

(*) Trecho de um depoimento em favor da independ�ncia de Timor Leste, dado por Coki Naipospos, lideran�a do PIJAR, organiza��o pol�tica que se op�e ao regime Suharto, publicado na �ntegra na revista da Fenafaz, no. 01/1996.

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POR

AMOR

A

TI

TIMOR

AMORDA�ADO

MOVIMENTO 25 DE ABRIL PELA LIBERTA��O DE

TIMOR LESTE

Enquanto o povo maubere tomba sob a baioneta dos invasores, sua cultura e tradi��es s�o tamb�m esmagadas de forma implac�vel. Apesar das resolu��es aprovadas pelo Conselho de Seguran�a e pela Assembl�ia Geral das Na��es Unidas no sentido de estabelecer a autodetermina��o e a independ�ncia de Timor Leste, todos os protestos t�m sido in�teis, principalmente diante do sil�ncio, da indiferen�a e dos interesses pol�ticos e econ�micos da comunidade internacional.

Nesta batalha contra o governo opressor da Indon�sia muitos ca�ram, mas o seu sacrif�cio inspirou o aparecimento de novos l�deres. Falamos de Xanana Gusm�o, l�der da resist�ncia timorense, preso no dia 20 de novembro de 1992, condenado inicialmente � pris�o perp�tua, tendo sua pena sido comutada para 20 anos de pris�o; de D. Carlos Felipe Ximenes Belo, bispo cat�lico de Timor Leste, incans�vel batalhador da defesa dos direitos humanos do povo timorense; de Rosa Bonaparte (Muki) e Maria Goreti, entre outras mulheres de determina��o e coragem; do professor Jos� Ramos - Horta, que dedica sua vida � causa da independ�ncia de seu pa�s. (...) "

S�o Paulo, abril de 1997.

Movimento 25 de abril pela Liberta��o de Timor Leste

Rua Genebra, 165

01316-010 - S�o Paulo - SP

Tel.: (011) - 232.2071

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MOC�O HUMANISTA (*)

S�o Paulo, 7 de janeiro de 1997.

Mo��o humanista de solidariedade � causa do povo leste timorense: por sua autodetermina��o pol�tico - territorial, e por um acordo de paz honroso entre as partes em lit�gio.

Assinam:

Rafael De La Rubia, da Espanha

Coordenador da Campanha Mundial

MSG (Mundo Sem Guerras).

Isa�as Nobel, da Argentina

Coordenador do Comit� latino-americano do MSG.

Roy Stamber, da Su��a

Edmundo Garcia, do Brasil

Editor do Boletim; 2000 sem Guerras

e Viol�ncia - Brasil.

Margarete Teraguchi

Editora do Boletim; 2000 Sem Guerras e Viol�ncias - Brasil

e do Movimento Humanista.

Seguem v�rias assinaturas.

Obs: (n�o foram nomeados )

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CARTA/DEPOIMENTO DA ATRIZ

LUC�LIA SANTOS

Rio de Janeiro, 10 de junho de 1997.

Como dizer todo o meu carinho, minha ternura para com a causa da liberta��o de Timor Leste ?

Sei que os timorenses t�m amor pelo povo brasileiro, a quem consideram como seu irm�o maior, pelos jogadores de futebol, pelos artistas das nossas novelas - e, inclusive, por mim.

Esse amor, esse carinho, me comovem profundamente. Todas as pessoas t�m o direito de gozar das abundantes riquezas que a M�e Terra - nossa generosa Pacha Mama - nos d�; de viver na paz, na alegria e na fraternidade, livres de qualquer escravid�o.

Quero colaborar com toda minha energia para que nossos valentes irm�os timorenses possam usufruir desse direito.

Luc�lia Santos

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PREF�CIO (*)

TIMOR UM PA�S PEQUENO E UMA GRANDE TRAG�DIA

Betinho (**)

A hist�ria moderna tamb�m est� marcada por crimes inomin�veis, cometidos por grandes na��es contra pa�ses e povos que s� podem resistir e sobreviver se contarem com a solidariedade internacional. Este � o caso do Timor Leste, um pa�s assolado pelo genoc�dio praticado pela Indon�sia e que resiste bravamente dentro e fora de suas fronteiras, em situa��o de extrema desigualdade.

A edi��o desse livro � mais um elemento a se somar ao esfor�o por mobilizar a sociedade e o Estado brasileiros no apoio � causa de liberta��o deste grande pequeno povo. Nele encontramos a hist�ria do Timor e de sua luta, nele veremos do que foi capaz a Indon�sia em seu processo de domina��o fria e cruel. Mais do que nos sensibilizar com esta luta desigual e covarde, o fundamental � mobilizar consci�ncias, vontades, a��es e pol�ticos que ajudem o povo do Timor a conseguir sua independ�ncia e soberania. � disso que se trata e isso � importante. Descobrir o que a cidadania solid�ria com as suas causas libert�rias internacionais pode e deve fazer. Dados os recursos humanos, econ�micos, diplom�ticos e pol�ticos de que dispomos, podemos fazer muito mais do que j� fazemos e promover um movimento amplo de opini�o p�blica que nos mobilize a todos.

Durante a ditadura militar no Brasil, os brasileiros receberam a solidariedade internacional e seguramente esse foi um fator fundamental para a restaura��o do processo democr�tico em nosso pa�s. Temos portanto a experi�ncia e a consci�ncia da import�ncia dos apoios que formos capazes de gerar. V�rias iniciativas de apoio j� est�o em curso no Brasil, mas n�o o suficiente para fazer jus � causa e �s urg�ncias dessa luta, que j� se prolonga por tanto tempo, sem ver o seu final.

Creio que este livro pode ser um instrumento a mais nesse esfor�o, mas ele s� ser� fecundo se encontrar em cada um de n�s o eco concreto da rea��o e da a��o. E isso acontecer� !

(*) Pref�cio do Livro - TIMOR LESTE - Este Pa�s Quer Ser Livre - Organiza��o S�lvio L. Sant’Anna - Editora Martin Claret - S�o Paulo - SP.

(**) - Herbert de Souza - Conhecido tamb�m por Betinho, era soci�logo formado pela Universidade de Minas Gerais. Secret�rio-executivo do IBASE e articulador nacional da A��o da Cidadania Contra a Mis�ria e Pela Vida.

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Este Pa�s Quer ser Livre

S�lvio L. Sant’Anna (*)

... A posi��o geogr�fica ant�poda em que os timorenses est�o em rela��o a n�s brasileiros faz com que a maioria de n�s ignore a saga deste povo her�ico, que se encontra isolado do resto do mundo, gra�as principalmente � tirania que o ditador Suharto, da Indon�sia, imp�e �quela pequenina na��o e aos pr�prios indon�sios. Os timorenses, ao contr�rio de n�s, reconhecem os la�os culturais que nos irmanam, j� que, assim como os povos de Angola, Cabo Verde, S�o Tom� e Pr�ncipe, Guin� Bissau e Mo�ambique somos filhos dos Lus�adas que outrora navegaram por mares nunca dantes navegados e germinaram essa macro na��o transoce�nica, na qual a l�ngua portuguesa � o elo luso dessa neolatinidade miscigenada.

Mas, poderia-se perguntar, s� porque falam a nossa l�ngua temos que nos solidarizar com os timorenses ? N�o s� porque falam o portugu�s, mas simplesmente porque falam, choram, cantam, amam e sonham.....

(*) S�LVIO L. SANT’ANNA , � professor com licenciatura em Hist�ria e p�s-graduado em Ci�ncias Sociais, na Funda��o Escola de Sociologia e Pol�tica de S�o Paulo. Leciona nas redes p�blica, estadual e particular. Est� coordenando na Editora Martin Claret, o projeto editorial Por um Mundo sem Guerras.

"COMIT� BRASILIA DE SOLIDARIDADE AO POVO DO TIMOR LESTE"

SIG QD. 02 LOTE 430 – SETOR DE IND. GRAFICAS

70610-400- BRASILIA - DF - BRASIL

CONTATO: JORNAL TIMOR LESTE

CORREIO ELETR�NICO: [email protected]

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