O SurtoPara este não tem vacina.
O Surto chegou para pegar no pé de todo mundo e fazer a galera bater a cabeça. A infecção entra pelos ouvidos e vai deixar todos pirados do cabeção. A primeira manifestação aconteceu lá pras bandas do Ceará e veio se alastrando com gosto de gás por todo o País para mostrar que o Nordeste tem rock sim, dos bons e não está limitado a Recife e Salvador - como a mídia insiste. É claro que para mostrar a cara para todo o Brasil, os cearenses Réges Bolo (voz) e Zé Wilclei (guitarra) - e mais Franklin Roosevelt (baixo) e Jucian Carlos (bateria), vindos de Natal (RN) - fizeram o mesmo caminho que outros cearenses fizeram 30 anos antes - como Fagner, Belchior e Ednardo. Saíram de Fortaleza na cara e na coragem. Primeiro porto, Brasília, na capital federal logo fizeram amizade com a galera dos Raimundos, para quem abriram vários shows. Em 1998, O Surto conseguiu sua primeira grande oportunidade nacional, na terra do mangue-beat o quarteto tira o primeiro lugar na eliminatória do festival SkoI Rock. Na finalíssima no Rio de Janeiro, se dão bem novamente levando o segundo lugar. Um ano depois já estavam de mudança para São Paulo para batalhar espaço. No início de 2000 assinam contrato com a Virgin Brasil e entram em estúdio para gravar o primeiro CD com produção de alta qualidade, assinada por Rodrigo Castanho e Rick Bonadío. O primeiro resultado da parceria do Surto com os produtores invadiu as rádios em setembro.
O Surto "A Cera" (... me pirou o cabeção) pintou com cara de hino roqueiro e foi logo para os primeiros lugares de execução nas rádios. Agora sai o CD Todo Mundo Doido com 11 faixas, inclusive duas versões distintas de " Hempadura” - a primeira abre o disco com as guitarras no talo, a outra e a versão light com os violões revelando a versatilidade de Zé Wilclei, uma das grandes promessas da guitarra brasileira para a próxima década. O Surto coloca hip hop e nordestinidade no peso do seu rock pauleira, mas também abre espaço para balada e reggae. A balada é " Tudo É Possível”, cortesia de Kíko Zambianch - vizinho de condomínio da rapaziada em São Paulo. "Ele mostrou a música pra gente e nós gostamos, só que a gente trouxe pra nossa praia”, aponta Réges Bolo. "lô ló" é reggae sacana, que trás como marca o humor moleque cearense. Aliás, humor não falta nas letras de Réges Bolo. É só conferir na história da gata que tinha um pequeno problema nos olhos, “‘Zarôia”, e a já citada "Hempadura” sobre uma rapadura (doce típico do sertão nordestino) feito com outro ingrediente bem maluco. Na pauleira "PQNTMT", O Surto recebe o brother Egypcio, da banda Tihuana. Todo Mundo Doido veio pra colocar O Surto no primeiro time de rock nacional.

Todo Mundo Doido

TODO MUNDO DOIDO - 2000 - Virgin

1- A Hempadura - 2 - A Cera - 3 - Hip Hop Repente - 4 - Zarôia - 5 - Tudo É Possível - 6 - P.Q.N.T.M.T - 7 - Doido - 8 - Cangsta - 9 - Iô Iô - 10 - A Hempadura (light) - 11 - Norte E Sul.

 

01- A Hempadura - A sobremesa vem logo como entrada. O prato de resistência do sertanejo cearense, a rapadura - doce feito de melaço de cana-de-açúcar ganha uma nova versão para os vaqueiros malucões. Rapadura feita da erva maldita pela sociedade (abençoada pelos deuses) - Régis Bolo fica devendo a receita. Wilclei chama a responsabilidade com um riff matador numa pauleiru que promete ganhar a galera de todo o país.

02 - A Cera - O primeiro hit de uma série. É também a melhor letra de Régis Bolo. Fala de uma relação de conquista. O flerte, o primeiro contato, a sedução e o entrega total que deixa qualquer um pirado do cabeça. A levada e a alternância de climas da guitarra nos revela que Zé Wilclei veio para ser uma das gratas revelações do instrumento - um talento que os roqueiros do Ceará já conheciam das várias bandas que integrou até se dedicar integralmente ao Surto.

03 - Hip Hop Repente - Antes dos negros norte-americanos inventarem o rap, o cantador nordestino já dominava a arte de improvisar versos, seja no ponteado da viola, seja na batida do coco de embolada. O Surto promove o encontro da cultura hip-hop com a tradição do repente, mas com uma linguagem de garotão de praia.

04 - Zarôia - No Ceará, quem sofre de estrabismo ganha logo, na rua e nas escolas, os apelidos de zorâio, zambeto, caolho, caraolho, entre outros. E recalque para o resto da vida. Asas o Surto mostra que não tem nada a ver se a gata do caro tem este pequeno problema de visão.

05 - Tudo é possível - Aqui o Surto traz para sua praia uma balada pop assinada pelo cantor e compositor Kiko Zambianchí - vizinho da moçada depois que foram morar em São Paulo. Tem cara de trilha sonora de romance juvenil da novela das 7. É hit certo. Wilclei dá uma aula na guitarra, revelando sua versatilidade.

06 - Pqntmt - Depois do momento mais leve vem a sequência mais pauleira. Bateria em alta velocidade marca o hardcore. Régis Bolo canta junto com o brother Egypcio, da banda Tihuana. "Pau que nasce torto, morre torto", diz o antigo ditado popular, e o Surto aproveita para entortar ainda mais. Promete ser uma das grandes músicas dos shows, pra galera berrar junto.

07 - Doido - A pauleira continua com a galera do Surto botando fogo pelas ventas, trazendo o verso que dá título ao CD de estréia da banda cearense: "Tá todo mundo doido! todo mundo doido". É pra berrar a plenos pulmões.

08 - Cangsta - A cultura nordestino volta a inspirar estes cearenses cabras da peste com guitarra em punho. Aqui é uma lenda do cangaço, das bandas do Juazeiro do Padím Cícero, que vira uma das músicas mais fortes do disco. Fala de um cangaceiro que cai na armadilha da bela Damiana que o entrega para os macacos (polícia) e ele promete vingança. O resto é ouvir para saber o desfecho desta peleja. Mais uma vez, o sertão do Nordeste se antecipa na bandidagem glamourinzada dos negros americanos - gangsta.

09 - Iô Iô - 0 Surto deixa a pauleira de lado para cair de cabeça no reggae com muito bom humor, tirando um sarro do velho "iô iô", presente em nove dos dez refrões de reggae fuleiro.

10- A Hempadura (light) - Zé Wiclei deixa a guitarra de lado e mostra que dá pra fazer pauleira no violão. A versão acústica é tão pauleira quanto a elétrica que abre o CD.

11- Norte e Sul (a viagem) - A experiência de vida ganha forma de letra: uma viagem de norte a sul do páis num ônibus fedorento e quente, dois, três dias de sufoco que repete a antiga saga dos paus-de-arara. O CD termina mostrando que o rock do Nordeste ainda tem muito a oferecer.


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