"Nós
não tivemos tempo pra nos preparar pra nada disso," admite o guitarrista Mark
Tremonti."Eu sinto como se tivessem passado quatro anos em apenas seis meses. Eu sou
um cara de 23-38 anos." Desde que o álbum de estréia do Creed- My Own Prison- foi
lançado, a banda tem se apresentado por clubes ao longo dos EUA sem parar. O trabalho
duro deles e a cobertura de rádio resultaram no ouro garantido de My Own Prison, que
apenas na semana de 21 de janeiro vendeu 30.000 cópias. Assim não surpreendentemente,
muita atenção e demandas tem empurrado a banda para o topo, que de acordo com eles
mesmos, é uma banda "bebê", estando juntos desde 1995. Tremonti e seus colegas
de banda, vocalista Scott Stapp, baixista Brian Marshall e baterista Scott Phillips, só
retornaram à estrada após umas férias de última hora em Talahassee, que além de muito
bem merecidas, confirmavam a realidade. "Nós fomos crianças normais, de famílias
normais, com vidas quase normais; só isso," diz Stapp. "Somos apenas caras
normais: bebemos cerveja atrás de casa quando tínhamos 15 anos, ou fumamos alguma coisa.
Não há nenhuma história louca de rock aqui. Quero dizer, nós ainda zoamos e nos
divertimos, mas é uma coisa normal. Não é como se estivéssemos no ônibus nos
detonando com heroína." "E as pessoas chegam até a gente esperando que sejamos
algo desse tipo," diz Tremonti. "Como um cara do lado de fora do ônibus chegou
e perguntou se eu queria um pouco de cocaína!" "Nenhum de nós tem problemas com drogas ou foi espancado quando
criança," adiciona Stapp. "É estranho quando você abre uma revista e lê
sobre Fiona Apple e toda merda pela qual ela passou, ou sobre o papo furado de Travis
Meek's dizendo como estava bêbado às nove e dormindo nas ruas. Isso tudo é exaltado e
é como as pessoas esperam que você seja por estar no mundo do rock. Isso é estúpido!
Por que exaltar um idiota? Exalte o talento dele, não o fato dele ter sido um vagabundo
quando criança." Ele para e depois continua: "Nós não estamos vivendo de
acordo com o modo de vida do rock só porque nossa música faz sucesso. Isso muda se você
deixar que as coisas que te cercam mudem você." Ironicamente, a admiração de Stapp
por um dos mais infames exemplos do rock por abuso de drogas dos anos 60, Jim Morrison,
ajudou na formação do Creed. Depois de uma restrição em uma faculdade no Tennessee,
Stapp se mudou para Talahassee em 1995: "A única razão pra eu ter escolhido
Talahassee em vez de Gainesville é o fato de ter lido em um livro sobre Jim Morrison que
ele havia morado lá. Eu sou um grande fã," Stapp sorri. "Isso é mentalidade
de um maconheiro de 21 anos!" Uma semana depois de ter chegado, Stapp se encontrou
com Tremonti, um amigo de longa data, e os dois começaram a tocar juntos. "Scott
sugeriu um cara que tinha trabalhado com ele pra ser o baterista, dizendo que o cara
tocava maravilhosamente bem e que tinha cara de roqueiro," se lembra Tremonti. Porém
o cara era "menos que bom".
Stapp ri. "Eu nunca tinha estado em uma
banda antes, achava que todo mundo era bom!" Quando Phillips, que estava morando no
lugar de ensaio, tocou com Tremonti uma música do Living Color, Tremonti soube que era
isso! Phillips estava dentro! Marshall se uniu ao grupo um tempo depois, quando sua antiga
banda acabou. Depois de pagar suas dívidas tocando covers por bares de Talahassee, o
quarteto começou a trabalhar suas próprias músicas...mas ainda estando perto de casa.
"Nós nunca viajamos," diz Tremonti, quase com orgulho. "Nós nunca fizemos
o circuito club da Flórida como todas essas outras bandas, nós só tocamos uma vez por
mês nesse bar chamado Floyd's Music Store." O ponto decisivo veio quando eles se
esforçaram e juntaram algum dinheiro para registrar as músicas deles. "Quando nós
já tínhamos algumas músicas veio o interesse por um agente- ele era um promoter
local," Marshall recorda. "Depois de termos gravado My Own Prison, ele levou
para uma estação de rádio e o diretor do programa adorou! Na semana seguinte, My Own
Prison era a mais pedida pelo telefone. Era como uma bola de neve." Creed vendeu
5.000 cópias por Talahassee em dois meses, estações de rádio de Tampa e Orlando
também começaram a tocar suas músicas e logo vieram gravadoras atrás deles. Eles
assinaram com a recém-criada Wind-Up( distribuído pela BMG) e remixaram seu álbum. Tudo
isso e eles ainda não tinham saído de Talahassee. "Nós saímos da nossa própria
coisinha," diz Stapp. "Ninguém na Flórida, exceto em Talahassee, sabia da
nossa existência até termos nosso trabalho divulgado nas rádios."
Eles não só se diferem das outras bandas da região pelo fato de nunca terem saído dali
como também pelo fato de não fazerem parte do gênero rock-comercial, tão comum por
ali. Musicalmente, My Own Prison é muito mais pesado; de fato, soando mais como Alice in
Chains (sendo um pouco mais pop e um pouco menos grunge) do que com Seven Mary Three e
MatchBox 20. Em relação às letras, também é como AIC no aspecto de ser negro e
introspectivo. Mas diferentemente da cena de Seatle, há um raio de esperança. "Eu
acho que é como nós somos.
Apesar de tudo de ruim que já passamos em
nossas vidas, nós vimos a luz no fim do túnel, nunca deixamos a esperança de lado e
sabíamos que havia um jeito de sair de onde estávamos," declara Tremonti.
"Talvez tudo isso passe, não era nada intencional, apenas fluiu naturalmente."
Em quase todas as 10 músicas de My Own Prison há uma referência religiosa, espiritual
ou um questionamento sobre convicções. "Há tantas coisas que nós tratamos nesse
CD; questões governamentais, raciais, dúvidas próprias, auto-piedade, raiva e
amargura,"diz Stapp,"mas a religião tem sido bastante enfocada porque eu uso
uma imagem religiosa nas minhas letras. É como eu aprendi a escrever! Eu tinha que ir à
igreja três vezes por semana, ler e escrever sobre a Bíblia e isso influenciou muito o
modo que eu tinha desenvolvido pra escrever- escrevendo Provérbios três ou quatro
vezes." "As pessoas estão confundindo as coisas, achando que somos uma banda
religiosa, mas nós não somos. É somente o que eu estava passando naquele momento. Eu
estava me questionando, lidando com certos assuntos e indo contra todas as convicções
que tinham me ensinado durante toda minha vida. É difícil para as pessoas entenderem
isso porque elas são usadas estando sujeitas a religiões ou denominações. Eu não
tinha sido sujeitado àquilo, eu tinha nascido naquilo. Eu não tive nenhuma escolha, e
quando eu tive não pude fazê-la, então eu saí de casa. Minha vida inteira é sobre
como ter aquela liberdade de escolha, e não tendo as coisas forçadas à mim. Então isso
é como todos nós somos." Mas, senhores pais, estamos felizes em anunciar que não
existe nenhum rótulo advertindo e deteriorando My Own Prison- o que agrada muito Stapp
quando ele se lembra da sua infância. "Eu não podia escutar rock quando era garoto,
como existem jovens que não podem ouvir em suas casas. Hoje alguns podem porque seus pais
acham que Creed é uma banda religiosa!" O vocalista continua: "É surpreendente
pra mim como as coisas acontecem. Há ateus e cristãos que amam nosso trabalho. Isso é
legal porque é como se atravessássemos um buraco- talvez os ateus possam aprender alguma
coisa com essas pessoas e talvez os cristãos possam aprender alguma coisa dessas
pessoas." Stapp sorri e conclui: "E existem pessoas que nem ligam pra religião;
apenas gostam do nosso som porque ele detona!"
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