
Certeza, mesmo, o
Planet Hemp só tem uma: a firme intenção de "cutucar a ferida do sistema",
por meio da repetição incessante do bordão que se tornou hino: "legalize
já". Eles não gostam muito de opinar sobre política, nem sobre religião, mas
quando o assunto "erva" vem à baila, estão cobertos de alegações
científicas, na tentativa de comprovar sua teoria de que a maconha não faz mal, nem cria
dependência. E eles afirmam que, enquanto o consumo for crime, continuarão a bater nesta
mesma tecla, e em mais uma ou outra.
Desde 1993, a banda vem batalhando o circuito underground. Aos poucos, foram garimpando
apresentações pelo Rio, São Paulo, Belo Horizonte, chegando a festivais como o
Juntatribo de Campinas e finalmente chamando a atenção da mídia. A temática da
descriminação da maconha e a aparência não-usual dos integrantes - roupas largas e
rasgadas, de skatista, cabelos com penteados e despenteados exóticos - já os impediram
de cantar em programas de grande audiência da TV. Em certos casos, contudo, a recusa
parte deles mesmos: o Planet não canta em playback.
Uma mistura do punk rock de Dead Kennedys com o hip-hop de Beastie Boys, batida no
liquidificador do Rio de Janeiro. Tendo o Garage Art Club, casa de shows de rock
alternativo, como pano de fundo, um músico conhecido como Luís Antônio Skunk foi
arrebanhando membros para sua banda. Apareceram Marcelo D2, então vendedor de camisetas e
discos de rock no centro do Rio; um baixista chamado Formigão e um guitarrista de nome
Rafael; e por último o baterista Bacalhau.
A continuidade da banda esteve seriamente ameaçada no final de 1994: Skunk morreu em
decorrência da AIDS. Atendendo a pedidos de amigos e da própria mãe do falecido, a
banda botou a cabeça no lugar e o pé na estrada. Sua popularidade vinha crescendo, e
atingiu o pico com a prisão de todos os integrantes por apologia ao uso da maconha, num
episódio que serviu mais como espetáculo de mídia do que como motivo de reflexão. De
todo modo, vamos continuar a ver o Planet Hemp queimando tudo até a última ponta por um
bom tempo. |
| Marcelo D2 
Marcelo Maldonado Gomes Peixoto ou
Marcelo D2, Nascido em 1967, num hospital em São Cristóvão, cresceu em Maria da Graça
e aos 9 anos foi morar no Andaraí (sua casa não era no morro, ficava no asfalto), mas
era vizinho da marginalidade.
Até a sexta série foi bom aluno, mas um dia foi expulso, começou a zoar e foi nessa
época que seus pais Dark Gomes Peixoto e Paulete se separaram, Marcelo ficava até 72
horas sem aparecer em casa, roubava, fumava, cheirava e bebia cachaça, foi quando seu pai
foi até a casa onde D2 morava com a mãe, esperou o menino chegar e como diz Marcelo:
" Ele me deu um socão na cara e disse: Vou te bater como homem, você está zoando o
barraco da sua mãe ! "
A partir daí, aos 13 anos, Marcelo começou a se emendar e trabalhar, foi entregador de
jornal, office boy, porteiro, servente de botequim, vendedor de loja de móveis, camelô,
faxineiro de uma casa de shows sub-underground.
Sua mãe casou-se novamente e ele foi morar no Catete com seu pai, saída estratégica
pois a maioria dos camaradas de sua idade estavam virando traficantes e alguns deles
morrendo.
Serviu o exército e casou-se aos 19 anos, Sonia tinha 16 anos, foi paixão mesmo, Stephan
foi pintar 5 anos depois. A crise aperta e mesmo se empenhando em seu trabalho (na loja de
móveis) não foi suficiente. Eles acabaram viajando para Maringá, interior do Paraná,
onde a família da Mina tinha negócios, mas não funcionou e Marcelo acabara de volta ao
Rio.
Um encontro casual entre D2 e Skunk, pelas ruas do Catete, foi a semente do grupo. D2
usava uma T-Shirt do Dead Kennedys e Skunk, vendedor e artezão de camisetas de Rock, deu
início a um diálogo e daí nasceu a amizade e vocação. Skunk falava de música todo o
tempo nesse momento D2 resolveu que queria ser músico. A Banda não era pra ser de Rap e
sim de Rock, mas eles não sabiam tocar nada e queriam cantar.
O nome da banda foi tirado da revista americana High Times, especializada em
cannabicultura. Mais tarde, se juntaram à Skunk e D2, Rafael (guitarra), Formigão
(baixo) e Bacalhau (bateria).
Quando Skunk morreu foi abalo geral, e quase significou o fim da banda, mas Marcelo ficava
imaginando, que outra coisa faria senão cantar?
Um mês depois estava fazendo show wm BH.
Já de contrato assinado com a Sony, gravando o 1º disco, D2 se envolveu numa confusão
após um show no circo voador, acabou rompendo tendão, ligamentos, artérias (após dar
um bico no Blindex) desmaiou, perdeu 1/3 de sangue e levou 135 pontos. Depois dessa
sossegou e a pedido da mãe, diz ter sido este o último dia que bebeu cachaça.
Hoje está casado novamente com Manuela Cruz, de 20 anos, mora numa casa em Laranjeiras,
onde montou um estúdio e gravou seu cd solo, um sonho que tinha desde os tempos do Planet
Hemp. Protegido pelo seu cachorro "Escadinha" teve toda a tranquilidade para
finalizar este cd.
D2 na Lata sem Dó. |