A Interpretação na Idade Média

 
Nesse período, enquanto o mundo político passava por uma descentralização do regime feudal, o universo da Igreja se centralizava a ponto de dominar cada aspecto da vida humana.
Esta centralização era decorrente de um número cada vez menor de controvérsias doutrinárias.
Por esse motivo, o papel da exegese se limitava a assegurar que a Interpretação das Escrituras se enquadrava e se harmonizava com a tradição da Igreja.
 
Os exegetas da época, armados com o método alegórico e a teologia patrística consideravam que as Escrituras e a tradição da igreja estavam em perfeita consonância. Todavia, por volta do século IX, surgiram novas tendências a uma exegese mais histórica.
 
Houve uma relutância em se depender demasiadamente nos Pais da Igreja, acompanhada de um interesse pela lingüística, ocasionando uma mudança de rumo no método exegético predominante.
 
Anselmo (1033-1109) e Abelardo (1079-1142) representam o movimento pelo emprego da razão na Interpretação das Escrituras.
Abelardo, por motivos didáticos, desafiou a exegese tradicional da Idade Média ao organizar declarações supostamente contraditórias entre as Escrituras e os Pais da Igreja e solicitar aos seus alunos que procurassem harmonizá-las.

Os estudiosos da Abadia de São Vítor, em Paris, deram proeminência ao sentido histórico das Escrituras como um meio para se descobrir o significado teológico.
Tomás de Aquino (1223-1274) procurou conciliar a metafísica Aristotélica com a fé cristã. Visto que a visão Aristotélica da natureza não estimulava a idéia do simbolismo, os teólogos escolásticos deram mais importância á Interpretação literal e histórica do que a simbólica.
 
O monge franciscano Nicolau de Lyra (1270? -1340?) concordava com o método do sentido quádruplo, mas, sob a influência do rabino Rashl, submeteu todos os outros sentidos de Interpretação ao sentido literal.
 
Sua ênfase exegética Influenciou profundamente Lutero e abriu a porta para uma nova onda de intérpretes, a saber, os Reformadores. Acredita-se que sem a influência de Nicolau de Lyra, Lutero jamais teria dado Início a Reforma.
Ele atua como uma ponte entre a Idade Média e os Reformadores.

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