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A
Interpretação Patrística:
De Justino
a Agostinho
Situação:
a) O encontro do
pensamento da igreja com a cultura helenística criou a necessidade de uma
abordagem apologética, cujo objetivo era preservar as raízes judaicas do
Cristianismo e dar uma resposta ao conceito da razão advogado pelos
Helenistas.
b) O surgimento de
grupos anti-semitas dentre os cristãos que ansiavam por descartar a
herança Judaica do Cristianismo. Marcião (140 A.D.) que
optou por rejeitar o AT e partes do NT que estavam vinculadas ao Judaísmo.
c) O surgimento
dos pensadores Gnósticos que advogavam a existência de um
dualismo cósmico e se lançaram á uma alegorização do NT.
Reação:
Justino, o
Mártir (160 A.D.), adotou uma interpretação tipológica do AT. Por
meio do método tipológico, surgiu a alegoria, como seu sub-produto, como
método de defesa e com o objelivo de extrair a doutrina cristã dele.
(R.P.C. Hanson, "Biblical Exgesis
In the Early Church" Cambridge History of the Bible.
Anteriormente,
Filo (20 A.C. - 40 A.D.) já havia usado esse método,
tentando combinar a filosofia grega com o AT a fim de evitar algumas
dificuldades nele contidas. Houve uma certa resistência na adoçâo do
método. Irineu (175 A.D.) acusou os gnósticos de abusar
da alegoria em razão de ignorarem o contexto das passagens e preferirem
trocar o "claro e óbvio pelo cinza e obscuro".
Para controlar o
abuso da alegoria, Irineu desenvolveu um padrão de Interpretação
baseado na "regra de fé", através do qual a
Igreja tornava-se o único Intérprete autorizado das Escrituras.
Tertuliano
(160-215 A.D.), admirador de Irineu, desenvolveu o conceito da
regra de fé, declarando que os gnósticos não somente não compreendiam as
Escrituras, como também não tinham o direito de usá-las nem tampouco
interpretá-las. Com essa estratégia da regra de fé, eles evitaram a
decisão de optar pela exegese literal ou alegórica.
Tendências:
a) A Escola de Alexandria Influenciada
pelo platonismo fundiu o judaísmo a esta linha filosófica. Seus
representantes são: Clemente e seu discípulo chamado
Orígenes (185-254 A.D.), um filosofo judeu e helenista,
cujas idéias eram Influenciadas pelo pensamento de Platão, de quem ele
derivou 'Ioda a sua tendência de ver todos os fenômenos temporários e
tangíveis como meros símbolos efémeros de uma realidade mais profunda,
permanente e invisível". Convencido de que a leitura literal das
Escrituras levava a "erros, contradições, elementos desarrazoados,
impossibilidades e até mesmo elementos fictícios", adotou a alegoria como
o único melo pelo qual se poderia preservar a Integridade das Escrituras.
Para ele, através dela se descobriria um sentido mais profundo distinto e
adicional ao sentido óbvio.
b) A Escola de Antioquia surgiu como uma
reação aos excessos do alegorismo Alexandrino e em razão do ambiente judeu
predominante em Antioquia. Detalhe, "onde quer que a influência da
sinagoga era presente na igreja emergente, a interpretação das Escrituras
tendia para o literalismo". Dois grandes nomes dessa escola são:
Teodoro de Mopsuestia (350-427) e João
Crisóstomo (347-407), este último enfatizou uma Interpretação
baseada no desenvolvimento histórico.
Apesar das
divergências, a Escola de Alexandria prevaleceu sobre a Escola de
Antioquia. Agostinho (354-430 A.D.) entra em cena e é
reconhecido como uma ponte entre o Período Patrístico e a Idade Média.
Era deficiente no
conhecimento das línguas originais, mas defendia que o Intérprete deveria
estar preparado filológica, critica e historicamente. Advogou a
necessidade de se considerar o sentido literal para dele derivar o sentido
alegórico. Nos casos de
ambigüidade na interpretação, a decisão ficaria por conta da regula fídel,
isto é, a igreja deveria dar a palavra final. Adotou o método do quádruplo
sentido das Escrituras:
1) Histórico; 2) Etiológico;
3) Anagógico e
4) Alegórico.
Por esse
método vê-se nas Escrituras quatro níveis de significação, apresentados na
seguinte quadra:
A letra
(histórico) mostra-nos o que Deus e nossos pais fizeram;
A alegoria
mostra-nos onde está oculta a nossa fé;
A moral
(etiológico) fornece-nos a regra para vida diária;
A anagogia
mostra-nos onde termina nossa luta.
Exemplo da aplicação:
Historicamente, Jerusalém refere-se a uma cidade;
Alegoricamente, refere-se à igreja de Cristo;
Moralmente,
indica a alma humana e
Anagogicamente (escatologicamente),
refere-se á Nova Jerusalém celestial.
Agostinho
foi um grande sistematizador das verdades bíblicas.
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