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Livros :: |
| Roberto
Piva |
| Um
estrangeiro na legião |
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O
livro enfeixa a produção inicial de Piva,
compreendendo seus dois primeiros livros - Paranóia,
de 1963, e Piazzas, de 1964, ano do golpe
militar -, o poema Ode a Fernando Pessoa,
publicado em 1961 sob a forma de plaquete e jamais recolhido
em livro desde então, e os Primeiros Manifestos.
Como destaca o organizador dessas obras reunidas, o crítico
Alcir Pécora, o traço predominante nos poemas
desse período seria dado pelo viés blasfematório
(em diálogo com autores como Whitman e Pessoa, e
com a literatura beat), ao que se seguiria uma etapa psicodélica
e experimental (característica dos livros que comporão
o segundo volume, publicados entre a segunda metade da década
de 1970 e o co- |
meço dos
anos 1980) e um terceiro momento, mais místico
e visionário (terceiro volume), que se estende
até os dias de hoje. Um estrangeiro na legião
contém ainda longo e elucidativo posfácio
escrito pelo poeta e crítico Cláudio Willer
- companheiro de geração de Roberto Piva
- e uma boa bibliografia ao final, extremamente úteis
para o leitor ávido por mais informações
sobre uma das vozes mais importantes no panorama da poesia
brasileira contemporânea.
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Mala na mão & asas pretas |
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Neste
segundo volume das obras reunidas de Roberto Piva recolhe
sua produção editada entre 1976 e 1983. São
quatro livros de poesia - 'Abra os olhos & diga
Ah!', 'Coxas', '20 poemas
com brócoli' e 'Quizumba'
- acrescidos de manifestos que o poeta divulgou em 1983
e 1984, agrupados sob o título 'O século XXI
me dará razão'. Os trabalhos reunidos nesta
obra, retomando a temática do amor a ser conquistado
a qualquer preço, embaralham os gêneros, ao
fundir poesia e prosa de forma inovadora no âmbito
da literatura brasileira, ao mesmo tempo que nos levam a
conhecer, principalmente, as possibilidades do corpo e das
relações afetivas. Paralelamente, podem |
| ser
vistos como uma leitura singular de nosso modernismo literário.
Em torno do corpo, o sexo é experimentado como a
via por excelência de acesso à arte. As relações
afetivas propostas, os laços de amizade homoerótica
para o direito ao pleno gozo, são um poderoso e incômodo
contradiscurso ao moralismo reinante. Com relação
ao modernismo, Piva praticamente desintegra seus conteúdos
iluministas e nacionalistas, criando uma via alternativa,
mais hedonista, anárquica, alucinada, sem expectativas
de progresso ou de um futuro nacional, mas sobretudo radical,
ao propor como vértice supremo a superação
contínua da vida e da arte simultaneamente, para
atingir o sublime e o desconhecido. |
Um
estrangeiro na legião - 200 pág.
- ISBN 8525040339 - Ed. Globo
Mala na mão & asas pretas -
172 pág. - ISBN 8525041939 - Ed. Globo |
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| Cláudio
Willer |
| Lautréamont
- Os Cantos de Maldoror / Cantos / Poesias |
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Lautréamont,
depois de morrer desconhecido aos 24 anos, em 1870, e de
sua obra esperar dezessete anos para ter os primeiros leitores,
tornou-se um mito, pela extraordinária ousadia e
criatividade de seu texto, um exercício radical de
liberdade de criação. Hoje multiplicam-se
as edições de Os Cantos de Maldoror e da obra
completa de Isidore Ducasse, celebrizado sob o pseudônimo
de Conde de Lautréamont. Sua bibliografia é
gigantesca, situando-o entre os escritores mais estudados
e discutidos da atualidade. Ignorou a modernidade e apontou
caminhos para o surrealismo e as vanguardas do século
XX. Provocou fascinação e espanto em autores
tão diversos como Breton, Gide, |
| Malraux,
Neruda e Ungaretti. É reconhecido como poderoso inventor,
expoente dos inovadores, transgressores e poetas malditos,
assim como o foram William Blake, Baudelaire, Rimbaud e
Jarry. O poeta Cláudio Willer, que já havia
publicado sua tradução de Os Cantos de Maldoror,
preparou esta ediução completa de Lautréamont.
Incluiu comentários, notas e um substancioso prefácio,
onde enfrenta obscuridades, vencendo o desafio da interpretação
do texto e os mistérios decorrentes da ausência
de biografia. Mostra como os Cantos e Poesias são
uma escrita do avesso, abissal e perversa, regida pela lógica
da metamorfose, pois nela cada termo contémseu oposto
e cada coisa implica seu contrário, aquilo que não
é. Repleta de paradoxos, representa a consagração
do pensamento analógico, oposto à razão
dualista. Sat´rica e paródica, pelo modo como
se apropria de outros autores, adulterando-os e invertendo-lhes
o sentido, seu caráter monumental deve-se à
coerência, aliada à imaginação
desenfreada e transbordante. Da concepção
geral, passando pelos relatos e reflexões, até
o estranho vocabulário e as figuras exageradas de
retórica, tudo, em seus detalhes, obedece à
lógica do delírio e da negação.
Por isso, não é apenas reflexão crítica
sobre a literartura, mas rebelião extrema contra
a sociedade e o mundo. |
Lautréamont
- Os Cantos de Maldoror / Cantos / Poesias - 350
pág. ISBN 8573212314 - Ed. Iluminuras
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| Henrique
Bartsch |
| Rita
Lee mora ao lado |
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Rita
Lee tem fama de má. Quando Henrique Bartsch batia
às portas de editoras tentando o lançamento
de seu primeiro livro, as coisas complicavam sobremaneira
quando o autor anunciava sobre quem era aquela biografia
ali debaixo do braço. Era Rita Lee... Henrique precisou
pedir para a amiga Rita Lee Jones uma cartinha apoiando
o projeto. Só assim conseguiu guarida. E o endosso
da biografada foi parar na orelha de Rita Lee Mora ao
Lado, lançamento Panda Books. A primeira biografia
da roqueira brasileira. Henrique Bartsch garante que Rita
não vetou nada nas 256 páginas do volume.
E que o livro acabou surgindo naturalmente depois de anos
de conversas por e-mail entre ambos. “Por isso, tive
essa liberdade para escrever.
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E teve uma hora
que ela simplesmente deixou que eu contasse o que quisesse”,
explica Bartsch, a quem Rita chama carinhosamente de Bart.
“O livro é muito bem escrito, um texto juvenil
e maduro”, analisa Rita. “Acho que é
um bom cartão de visitas.” Quase uma geração
espontânea. Afinal, Henrique Bartsch, 55 anos, paulista
de Ribeirão Preto, não é jornalista,
não é crítico musical, nem nada do
gênero. Formado em engenharia, nunca exerceu a profissão.
Dedica-se à música, com a banda Nós.
Por conta da paixão pelo rock, ele se aproximou
primeiro de Sérgio Dias Baptista, guitarrista dos
Mutantes, e depois de Rita Lee. O fã Bartsch chegou
a comprar a “guitarra de ouro”, que Serginho
aparece segurando na capa do LP coletivo Tropicália
ou Panis Et Circensis. O instrumento é o fetiche
principal na coleção desse admirador dos
Mutantes, que tem em seus arquivos raras gravações
ao vivo da banda. Bartsch inclusive foi uma das fontes
do jornalista Carlos Calado para o livro A Divina
Comédia dos Mutantes (Editora 34, 1991). Daí,
as conversas minuciosas e humoradas com Rita pelos e-mails
da vida foi um pulo. E Bartsch até cortou-e-colou
alguns parágrafos da correspondência digital
para avivar os últimos capítulos de seu
Rita Lee Mora ao Lado.
Mas o livro era apenas um devaneio de fã até
Bartsch ler o primeiro volume das Crônicas,
a autobiografia de Bob Dylan. Por ali encontrou o tom
que procurava. Não um compêndio de entrevistas
com testemunhas oculares da história. Mas o que
chama de “registro de geração”
a partir de visão assumidamente subjetiva da época
que viveu. No caso das Crônicas, trata-se
da subjetividade do próprio Dylan. No caso de Rita
Lee Mora ao Lado, a subjetividade de Bartsch, aqui
disfarçado como a narradora Bárbara Farniente,
uma vizinha de Rita Lee em São Paulo que, por essas
peripécias da ficção, acaba presenciando
os momentos mais importantes da ruiva mais famosa do bairro.
“Adorei saber que tive uma vizinha tão bem
informada. Apesar de muitas vezes ter confessado que sentia
ódio por mim, acho que Bárbara foi uma testemunha
honesta. Pena que não a conheci na época”,
brinca Rita, entrando no clima. “O que mais gosto
no livro é não saber o que é real
e o que é ficção. Depois de ler,
nem eu mesma sei.”
Mas... É tudo verdade. Garante Bárbara Farniente.
Quer dizer, Henrique Bartsch. Claro, fora os excessos
de Bárbara, que estão ali para segurar o
leitor e amarrar a história, Bartsch dá
como fato tudo o que toca a Rita Lee. Até tomou
o cuidado de explicar a saída de Rita dos Mutantes,
em 1973, num tom abaixo do utilizado por Carlos Calado.
Na biografia dos Mutantes, Calado traça um perfil
pouco favorável de Rita nesse momento. Ela teria
dados às costas ao parceiro Arnaldo Baptista.
Bartsch, no entanto, conta que foram os irmãos
Baptista que dispensaram Rita, pensando num som mais progressivo
do que a alegria tropicalista que se ouvia até
ali. Anos depois, já em 1980, quando Arnaldo tentou
o suicídio numa crise depressiva, Rita prestou
ajuda e só não se manteve mais próxima
porque ele já estava com um novo relacionamento
engrenado.
Outra passagem polêmica é a prisão
de Rita Lee por posse de maconha em 1976. Tudo armação
da polícia paulistana em cima de uma popstar que
não escondia seu estilo de vida. Aliás,
as drogas são presença constante no livro
ao longo dos anos 1970. “Rita não quis se
esconder”, diz Bartsch, orgulhoso de o livro assumir
esse lado. Assim como assume o lado da artista quando
virou alvo de críticas da imprensa especializada,
em meio à fase pop dos anos 1980. Bartsch apresenta
a construção de Rita Lee numa figura popular
como estratégia do empresário André
Midani, então presidente da gravadora Phillips,
desde os tempos de Mutantes. Ele não fez força
alguma para segurar a cantora na banda e abortou suas
tentativas de vôos mais altos, como as Cilibrinas
do Éden ou a tentativa lisérgica do Tutti
Frutti.
Rita Lee, afinal, é apresentada como a tiazona
do rock brasileiro. Uma artista apegada à família
e que viveu suas crises depressivas justamente por não
segurar a perda de pessoas próximas a ela. “Rita
me conta que seu maior erro, quando estava iniciando a
carreira, foi não ter criado um nome artístico,
um outro nome que separasse sua figura pública
de sua esfera pessoal”, conclui Henrique Bartsch.
“Ela sempre tem problemas de separar o que é
a pessoa Rita Lee da artista Rita Lee.”
Rita Lee, a mulher, faz 60 anos de vida em 31 de dezembro
de 2007. Rita Lee, a artista, faz 40 anos de carreira
nessa mesma temporada. Visto que Rita Lee Jones nunca
saiu da moda, o que podemos esperar para o próximo
ano? Há o projeto de documentário em DVD,
mas Rita Lee não abre o jogo. Pelo menos, não
agora. “Não sei se comemoro ou mudo de profissão,
nunca é tarde para se ter uma infância feliz.”
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Rita
Lee mora ao lado - 256 pág.
Ed. Panda Books
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