Início do Povoamento

Após à expulsão dos holandeses e a restauração do domínio português, parte da capitania foi doada a Manuel Jordão que morreu na ocasião de seu desembarque, em 1689 a capitania foi novamente doada a Francisco Barreto que a administrou com o titulo de condado, e que mais tarde repassou a capitania a uma de suas filhas que se casou com o Almirante Lopo Furtado de Mendonça. Tendo em vista, que os donatários não aproveitaram a beneficência real, o territorio da capitania acabou se revertendo à coroa, e até o final do século XVIII ela foi efetivamente governada pelos capitães-mores sendo que o Rio Grande do Norte nesta época não passava de um vasto campo de devastação e de runias, onde a obra, da colonização, tão promissoramente iniciada antes da invasão holandesa, ia ser continuada com o governo de Antônio Vaz Gondim no período de 1656 a 1663 que como primeiro ato se deu a concessão de um lote de terra por carta foral na ribeira do Potengi e outro em Mipibu ao Capitão Francisco Mendonça Eledesma em Julho de 1659, e ao Padre Leonardo Tavares de Melo, vigário de Nossa Senhora da Apresentação do Natal, que em Janeiro de 1660 lhe foi concedido por sesmaria a ilha de Bom Sucesso na ribeira do Cunhaú, e no mês de Abril de 1660 nomeou o Sargento reformado Francisco Rodrigues para os ofícios de tabelião e escrivão dos órfãos, e a Francisco de Oliveira Banhos como escrivão das datas e sesmarias, e em Março de 1662 nomeou Domingos Vaz Coelho como escrivão do senado da câmara e em Abril de 1662 nomeou Francisco Lopes como provedor da fazenda real, no momento em que se achavam eleitos os elementos do senado da câmara, a província tinha por guarnição duas companhias de infantaria, sendo que uma assistia a fortaleza e a outra na cidade que abrigava mais de cento e cinqüenta moradores sob a subordinação do governo de Pernambuco. Valentim Tavares Cabral ao ser nomeado pela patente real de Fevereiro de 1663 recebeu de Dom Vasco Mascarenhas, Conde de Óbidos entre outras providências a serem tomadas, a proibição de concessão de sesmarias, todavia Valentim Tavares concedeu a João Fernandes Vieira uma sesmaria de dez léguas de cumprimento. que começava na barra do Ceará-mirim e ia até a localidade de Touros e o dia 22 de Junho de 1666 o seu concessionário outorgou uma procuração ao Padre Leonardo Tavares de Melo no dia 4 de Setembro para tomar posse das terras perante o Provedor da Fazenda Real Diogo Fragoso Souto Maior que procedeu a concessão se baseando na carta do governador geral da qual ele autorizava a doação de terras devolutas que não tivessem donos. Em 21 de Janeiro de 1670 Valentim Tavares Cabral deixou o governo quando substituído por Antônio de Barros Rego, que se preocupou na construção de um novo templo, tendo em vista que durante a ocupação da capitania a primitiva matriz de Natal havia sido arrasada, e por isto os atos religiosos nesta época estavam sendo realizados em uma casa de taipa construída pelo Padre Leonardo Tavares de Melo em 1694, e para isto os moradores se cotizaram e levaram efeito a construção com a ajuda do capitão-mor.

 

O movimento colonizador que estava circunscrito a uma estreita faixa do litoral de Natal para o sul em terras compreendidas entre as ribeiras do Potengi e do Cunhaú, que, com as do Ceará-mirim, era onde o povoamento se desenvolvia, justamente nas melhores terras para as lavouras

E a partir deste momento, o movimento colonizador se acelerou com a penetração dos colonos para o interior em busca de compensadores vantagens ao seus esforços, e pela necessidade de conter o gentio, após constantes sublevações. Antônio Vaz Gondim ao assumir pela segunda vez a administração da capitania em substituição a Antônio de Barros Rego em 21 de Junho de 1673 pela patente real do dia 5 de Outubro de 1671 se demonstrou muito preocupou com as obras da igreja matriz e com os reparos que eram necessários no forte dos Reis Magos e com as concessões de sesmarias para o aumento da edificação da cidade, e no dia 21 de Maio de 1677 Francisco Pereira Guimarães ao substituir Vaz Gondim a frente do governo, se apresentou muito doente, e devido ao agravamento de seu estado de saúde, em 2 de Novembro de 1678 veio a falecer no exercício de seu cargo, e durante o seu curto governo, o Rio Grande do Norte recebeu pela primeira vez a visita de um bispo, Dom Estêvão Brioso de Figueiredo, primeiro bispo nomeado para a diocese de Olinda, após a sua criação por Bula do Papa Inocêncio XI.

E com a falecimento de Pereira Guimarães, o senado da câmara de Natal, assumiu o governo que em 3 de Abril de 1679 o transmitiu a Geraldo de Suny que foi nomeado como capitão-mor interino pelo Governador Geral Roque da Costa Barreto, e que durante o governo, Francisco de Almeida Vena, donatário de uma sesmaria nas costas de Touros, e que administrava uma aldeia indígena, procurou impedir que os colonos utilizassem o sal extraídos das salinas e que pescassem livremente nos rios da região, e por conta disto o senado da câmara em 20 de Novembro de 1680 deliberou representar ao governador geral contra a proibição e pediu a revogação da concessão a ele concedida. Geraldo de Suny exerceu as suas funções até 3 de Setembro de 1681 quando entrou de licença de seu cargo, devido a uma moléstia adquirida, e por isto seguiu-se a interinidade de pouca duração do senado da câmara pelos seus oficiais Antônio Gonçalves Ferreira e Francisco Ferreira Coelho até a chegada de Antônio da Silva Barbosa nomeado pelo Governador Geral Roque da Costa Barreto para exercer o seu cargo por um período de pouco mais de sete meses, que durante o qual proveu Roque Nogueira de Souza ao posto de capitão de infantaria na ribeira do Ceará-mirim e Estêvão Velho de Moura na ribeira do Açu, que com seus intensos trabalhos conseguiram efetuar as pazes com os gentios naquelas paragens sertanejas, e que em 22 de Novembro após requererem ao capitão-mor da capital, obtiveram uma data de sesmarias, consoante aos limites da patente de Estêvão Velho, a qual foi confirmada em Fevereiro de 1682 pelo Governador Geral do Brasil Roque da Costa Barreto. A partir de 25 de Maio de 1682 chegou Manuel Muniz para substitui-lo após ser nomeado por patente do rei, e que ao tomar posse, de imediato prestou preciosas informações ao monarca sobre as condições em que se encontrava a capitania ao constatar a falta de guarnição suficiente para o Forte dos Reis Magos onde também faltava material de guerra, e os quartéis estavam arruinados e que os colonos moravam uns distantes dos outros, disseminados pelos sertões.

Onde estavam sujeitos à rebeldia dos índios que sempre traziam vivas lembranças dos holandeses

Somando a isto, as dificuldades se agravaram quando o seu sucessor Pascoal Gonçalves de Carvalho assumiu a administração em 30 de Agosto de 1685 após ser nomeado por patente real, e que a par do desenvolvimento da indústria pastoril que era a causa ocasional do definitivo povoamento dos sertões, se deparou com o fato de que durante a ocupação holandesa Antônio Paraupaba que era parente próximo de Camarão e que vivia na aldeia de Orange situada a poucas léguas da cidade de Natal, entre as ribeiras de Potengi e Jundiaí, e que após a expulsão dos invasores holandeses, em cujas mãos tinha sido instrumento passivo, retirou-se para os sertões do Ibiapaba com mais de quatro mil dos seus, de onde periodicamente descia em companhia de hordas selvagens que habitavam aquela região para atacar os estabelecimentos portugueses e perturbar a obra de reconstrução colonial, em represaria aos massacres executados pelos portugueses contra os indígenas, trazendo com isto grandes desordens a capitania que tão bem conhecia. Nesta época aconteceu que os potiguares que tinham servido ao exército libertador, esgotaram as suas autoridades para jugular a rebelião perante aos chefes de maior evidencia entre os Janduis, Caracarás, Aréas, Pegas, Paiacus, Canindés e dos Caicós, e com isto aconteceu a sublevação geral dos índios quando os potiguares que se concentravam nas várzeas próximas ao litoral e as demais tribos que dominavam as terras banhadas pelos rios Apodi, Upanema, Serido, Espinhas e o alto e baixo Piranhas atacaram e se apoderaram e colocaram tudo em desordem com suas crueldades empregadas nas ribeiras do Ceará-mirim, Apodi e do sertão do Açu. Estando o forte dos Reis Magos sem guarnição disponível e não dispondo de recursos necessários para acudir aos pontos atacados, o senado da câmara de Natal se viu obrigado a solicitar ao Capitão-general de Pernambuco João da Cunha Souto Maior que enviasse com brevidade os socorros necessários a capitania, diante a rebelião dos índios que já haviam matado muitos moradores, destruído plantações e incendiado muitas casas, e com o passar dos dias, o mesmo pedido foi expedido a capitania da Paraíba, e no exato momento em que o Governador Geral Matias da Cunha tomou conhecimento dos fatos no dia 6 de Setembro, imediatamente determinou que o Coronel Antônio de Albuquerque  Câmara reunisse todo o pessoal disponível das ordenanças e seguisse sem demora para se juntar as forças de Pernambuco e da Paraíba para combater as tribos sublevadas nas regiões de Arraial de Baixo até as praias de Manuel do Prado Leão, onde o Capitão de Infantaria Manuel Rodrigues Santiago se encontrava para garantir a situação de seus moradores. Diante o estado em que se encontrava a capitania, e devido a demora da chegada dos socorros solicitado, o senado da câmara de Natal resolveu enviar à Bahia um de seus oficiais.

E para isto Manuel Duarte de Azevedo viajou para se entender diretamente com o governador geral, que de imediato mandou seguir duas companhias dos terços de Camarão e de Henrique Dias e o maior número possível das forças da Paraíba.

As quais ficariam subordinadas ao Capitão-mor do Rio Grande do Norte, que em 18 de Janeiro de 1688 para conter o abandono da capitania por parte dos colonos baixou um edital, para que fossem denunciados todos aqueles traidores da causa que se ausentasse da jurisdição da capitania, que teriam como castigo, as suas terras confiscadas para cobrir as despesas da guerra, e alguns dias depois lançou um bando declarando que seriam perdoados de seus crimes todos aqueles que acudissem ao combate contra os índios, no exato momento em que o governador geral mandou seguir para o Rio Grande do Norte o Capitão-mor Manuel de Abreu Soares junto com alguns infantes da praça de Olinda, e que o Capitão-mor da Paraíba enviasse o Capitão-mor dos índios com seus homens e alguns negros africanos, e deslocou o Governador das Armas Paulista Domingos Jorge Velho que se encontrava nas margens do Rio São Francisco com destino aos palmares, enquanto o capitão general de Pernambuco providenciou que Jorge Luís Soares se deslocasse da Paraíba com seus índios e negros africanos diretamente para Açu, onde estava estabelecida a base de operações.

Antônio de Albuquerque Câmara que desde o começo da luta combatia os índios revoltados, subiu até as cabeceiras do rio Piranhas, onde se juntaria ao Sargento-mor Manuel Silverio que se encontrava em uma casa forte em Cuó, onde foi violentamente atacado, cujo combate lhe deixou muito dos seus feridos e outros mortos, e que por este motivo não pode se deslocar em auxilio a Antônio de Albuquerque Câmara. O governador geral ao ser informado do que sucedera, de imediato publicou um bando convidando e perdoados de seus crimes, todos os fugitivos, degredados e criminosos, tanto da capitania do Rio Grande do Norte como de outras capitanias, para se incorporarem às forças do Coronel Antônio de Albuquerque no acampamento de Açu, e por conta disto em principio do ano de 1688 mais de seiscentos homens seguiram para o sertão para se juntar as forças regulares na luta contra os índios revoltosos.

Domingos Jorge Velho, governador das armas paulistas que marchara ao Rio Grande do Norte, travou violento combate durante quatro dias nas margens da lagoa do Apodi contra os índios rebelados que ofereceram vigorosa resistência até debandarem para o sertão após a prisão de seu chefe o Rei Canindé, ao deixar a direção da guerra com o Mestre de Campo Matias Cardoso de Almeida, rumou para combater Zumbi nos palmares.

No momento em que Agostinho Cesar de Andrade, valente e brioso militar era retirado do comando da fortaleza das cincos pontes, no Recife para substituir Pascoal Gonçalves no governo da capitania do Rio Grande do Norte, que entre sustos e apreensões, levou as forças expedicionárias em numerosas e aguerridas perseguições sem trégua aos índios revoltados que opunham forte resistência, e por conta disto o senado da câmara em 2 de Julho de 1688 enviou a Lisboa o Capitão Gonçalo da Costa Faleiro como procurador da capitania com um memorial relatando a real situação em que se encontrava a capitania devido aos ataques efetuados pelos índios. Incontestáveis foram os esforços desprendidos pelo Capitão-mor Agostinho Cesar para vencer de todo a revolta; mas é também fato que o não conseguiu vencer, porém em virtude do agravamento da situação em 22 de Agosto de 1692, Sebastião Pimenta assumiu o governo da capitania, e seis dias após o senado da câmara dirigiu-se ao rei de Portugal um pedido de enviou de recursos para que fossem fundados quatros arraias nas localidades de Jaguaribe, Açu, Acauã e Curimatáu que seriam mantido e sustentados pelas gentes de Arco Verde e Camarão para povoamento do sertão em defesa da capitania, e durante o seu curto governo e a administração interina do senado da câmara, que se lhe seguiu, a situação permaneceu inalterável, levando com isto, que o governador geral determinasse em 6 de Julho de 1694 a volta de Agostinho Cesar de Andrade a capitania do Rio Grande do Norte no posto de capitão-mor, que em cumprimento as recomendações recebidas da metrópole colocou em pratica duas providências de indiscutível alcance, que foram as doações das terras fronteiras às regiões ocupadas pelos índios a pessoas que as pudessem povoar e cultivar as terras e que fundasse seis aldeias com guarnições militar em Açu, Piranhas e Jaguaribe, e para às medidas a serem adotadas pelo Capitão-mor Agostinho Cesar de Andrade o senado da câmara ponderou contrariamente pela sua execução, pelo fato de que as terras da capitania já estavam doadas e por isto  julgaram inoportuno o afastamento dos moradores da cidade para os arraias a serem fundado, pelo fato do enfraquecimento da defesa da cidade, porém Agostinho Cesar resolveu que as terras a serem doadas seriam as mesmas já concedidas por sesmarias anterior, desde que ainda estivessem desabitadas e devolutas, e ponderou pela necessidade de obter à paz com os índios sem utilizar as batalhas sangrentas que vinham sendo realizadas continuamente de modo cruel, e para sua realização teria que vencer as fortes resistência das opiniões dominantes entre os colonos, das pessoas de relativas cultura as quais queriam que os índios fossem aniquilados por completo.

Matar ou escravizar os indígenas era a preocupação da grande maioria, ao invés dos processos empregados pelos missionários jesuitas da Companhia de Jesus, para firmar o seu poder pela esperança e pela fé, para exploração da terra.

E dentro deste clima hostil, fracassaram os melhores propósitos de Agostinho Cesar de Andrade que, em obediência a ordens superiores ou por orientação própria, desejou sinceramente restabelecer a paz na capitania, porém esta glória estava reservada ao seu sucessor, Bernardo Vieira de Melo,  administrador hábil e capaz, que para alcançá-la, julgou imprescindível a sua ida até a localidade de Açu, onde no dia 24 de Abril de 1696 fundou um aldeamento que recebeu o nome de Nossa Senhora dos Prazeres, o qual assegurou com prudência e tato a consolidação permanente da obra de concórdia a qual assegurou o convívio pacifico entre colonos e indígenas, por isto o governo de Bernardo Vieira de Melo se tornou um sucesso completo com grande espirito de justiça e paz, e quando do termino de seu governo que tanto ilustrara, o senado da câmara ao interpretar os sentimentos do povo, solicitou ao governo de Lisboa que reconduzissem de volta ao posto o Capitão-mor Bernardo Vieira de Melo. E por intermédio da carta régia do dia 18 de Novembro de 1697 o rei de portugal observando os feitos exercidos pelo Capitão-mor com muito zelo e disposição ao reduzir todo o gentio a uma universal paz em todo o sertão da capitania do Rio Grande do Norte onde a população vivia em sossego e desejosa pela sua continuação no exercicio de seu trabalho por outros três anos, atendeu ao pedido a ele formulado pelo senado da câmara. Os atos praticados por Vieira de Melo, durante o seu segundo governo não desmentiram os do primeiro, pois a partir deste momento e que se acentuaram os grandes surtos da colonização, que atingiria no século seguinte o seu máximo de intensidade em consequência da exploração agricola nas zonas proximas ao litoral, do encontro das duas correntes que, em entradas e bandeiras se tinham encaminhado para o interior da capitania e, o progressivo desenvolvimento da industria pastorial que formalizou a sua cultura e o seu nível moral.

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