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A Companhia de Jesus no Brasil |
Com os descobrimentos ultramarinos, a Igreja Cat�lica do Renascimento estava demasiadamente imersa nos problemas seculares para promover uma expans�o mission�rio e que tornava-se igualmente irrealiz�vel deixar nas m�os dos colonos a convers�o do gentio, possibilidade que se aventou, mas que logo foi abandonada, uma vez que o trabalho apost�lico, por mais que se quisesse, representava sempre uma limita��o aos prop�sitos predat�rios e mercantis daqueles que viam o ind�gena meramente como for�a de trabalho a ser explorada, teriam portanto, que sair da Igreja os esfor�os para a difus�o do Cristianismo no ultramar e para isto coube aos franciscanos a preced�ncia sobre todas as outras, e para isto acorreram � Am�rica espanhola imediatamente ap�s a conquista do M�xico e se estenderam a todo o imp�rio espanhol no Novo Mundo. Seguiram-se a eles os dominicanos, cuja obra mission�ria, inspirada num rigorismo �tico, que chocava-se com a resist�ncia dos colonos espanh�is que se recusavam a ver outra possibilidade no ind�gena que n�o fosse a sua explora��o no trabalho escravo, e por conta disto em 1511 abria-se o conflito entre mission�rios dominicanos e colonos, e n�o demorou para que alguns disc�pulos da Companhia de Jesus mostrassem grande interesse em serem enviados ao Novo Mundo, entretanto n�o contaram com a aquiesc�ncia do Papa que considerava mais necess�rios os trabalhos dos jesu�tas dentro da pr�pria Europa, e a quem o fundador da Companhia de Jesus havia jurado obedi�ncia absoluta, e somente por volta de 1565 vieram os primeiros jesu�tas para a Am�rica espanhola, numa expedi��o orientada para combater os huguenotes franceses alojados na Fl�rida. pois a revivesc�ncia e ativa��o das for�as mission�rios da cristandade ocorreram tardiamente, por obra das ordens mendicantes, e a reforma desses institutos mon�sticos, em fins do s�culo XV e come�os do s�culo XVI, reavivou o ardor apost�lico em suas comunidades, e a Companhia de Jesus s� apareceu mais tarde, porque primeiro teve que fortalecer-se internamente e superar fortes resist�ncias do governo espanhol, antes de poder cumprir sua grande obra de evangeliza��o. pois em Portugal a Companhia de Jesus j� havia sido favorecida desde 1540, durante o reinado de D. Jo�o III, e gra�as a ele puderam os jesu�tas estabelecer-se na Am�rica portuguesa sem encontrar os impedimentos colocados aos jesu�tas espanh�is por Filipe II e pelo Conselho das �ndias. E junto com o primeiro governador-geral vieram para o Brasil os primeiros jesu�tas: os padres Manuel da N�brega, Leonardo Nunes, Ant�nio Pires, Aspicuela Navarro, Vicente Rodrigues e Diogo J�come. N�brega, que viera � frente dos demais, tornou-se Provincial com a funda��o da prov�ncia jesu�tica brasileira, em 1553.
As Miss�es e a Catequese procuraram reconquistar pelas armas os territ�rios
protestantes; onde a vit�ria militar lhe permitia, e em converter as massas
protestantes visando a reconquista das almas onde a situa��o pol�tica o permitiam, e
para isto a Igreja romana empregou os m�todos mais diversos para tal, pois multiplicou as
dioceses, construiu ou reconstruiu igrejas, sobretudo criou semin�rios, universidades e
col�gios, utilizando o fan�tico devotamente das ordens religiosas, e foram os jesu�tas
e os capuchinhos os agentes por excel�ncia dessa reconquista, e a esse movimento ligou-se
os prop�sitos confessionais das ordens religiosas que se dirigiam �s terras descobertas
impregnadas de ambi��es pol�ticas, que em nome de inten��es piedosas
compunha-se a luta pela restaura��o do poder pol�tico da Igreja de Roma, abalado pela
Reforma, e trazer os povos das novas terras para o seio da Igreja Cat�lica, e impedir
nelas a penetra��o das seitas "her�ticas", dando-lhes combate e lan�ando as
bases da Igreja romana; e mantendo a vigil�ncia sobre os colonos de forma a que n�o se
desgarrassem dos preceitos cat�licos, particularmente � Campanha de Jesus por
intermedio dos jesu�tas visaram realizar aqueles objetivos pol�tico-religiosos onde
tinham grandes interesses pela convers�o das almas e pela utiliza��o econ�mica daquela
m�o-de-obra dispon�vel; ao passo que aos colonos n�o interessava mais que a
explora��o da for�a de trabalho ind�gena, sem que se interpusesse a isso o empecilho
da catequiza��o. As miss�es geralmente acompanhavam as migra��es dos ind�genas para
o sert�o na medida que estes fugiam dos principais centros de coloniza��o, ao tentar
escapar da escraviza��o a que os colonos os submetiam, e cabia � Companhia de Jesus na
col�nia as visita��es para vigil�ncia sobre seus habitantes, de forma a mant�-los
dentro dos estritos preceitos da religi�o cat�lica, e para controlar os seus modos de
vida e suas cren�as, e para combater as pr�ticas pecaminosas que eram a penetra��o das
seitas her�ticas, e no final do s�culo XVI os jesu�tas se ressentiam da liberalidade
dos costumes demonstrada pelos colonos, que respiravam com al�vio, uma vez longe da
Inquisi��o, de seus atos de f� e queimadeiros, e a presen�a estrangeira no Brasil de
protestantes, como ingleses, holandeses e franceses, e mais concretamente, a tentativa de
Villegaignon de fundar uma col�nia no Rio de Janeiro com franceses calvinistas , tornava
real a amea�a ao monolitismo cat�lico que se pretendia assegurar na terra. e tais fatos
levavam os inacianos a reclamar com insist�ncia, junto � Companhia, a vinda de um
Visitador do Santo Of�cio que cuidasse da grave situa��o, por�m no Brasil n�o se
chegou � funda��o de tribunais inquisitoriais permanentes. A Coroa apenas se limitou em
enviar alguns comiss�rios especiais para a realiza��o de processos por causa de f�, e
estes funcion�rios viajavam para os lugares onde eram exigidos e eram conhecidos como
Visitadores, e uma primeira visita��o realizada na col�nia, foi realizada por Heitor
Furtado de Mendon�a, que chegou aqui em meados de 1591, e que durante quatro anos
percorreu as Capitanias da Bahia e Pernambuco, cumprindo sua miss�o com tal exagero e
prepot�ncia que coube ao pr�prio Inquisidor-Geral e ao Conselho do Santo Of�cio
reprimir-lhe os excessos impondo modera��o ao fan�tico Visitador.
O Ensino Jesu�tico cujo padr�o para o ensino jesu�tico em Portugal e nas terras
descobertas na Am�rica, foi dado pelo Real Col�gio das Artes de Coimbra, cuja
dire��o fora concedida � Companhia de Jesus em 1555, que eram subsidiados pela Coroa, a
t�tulo de "miss�es" um dos mais altos estabelecimentos de ensino n�o superior
do reino. e onde quer que fossem, os inacianos ministravam aulas, de catequese, de ler, de
escrever e de gram�tica, em locais nos quais chamavam de casas,que recebiam subven��es
e concess�es da Coroa e ainda esmolas do povo, por isso, em pouco tempo criaram uma
s�lida base econ�mica para seu sustento, com fazendas, engenhos e currais, e para
atender �s suas necessidades os Jesu�tas tinham sempre em seus quadros uma grande
quantidade de excelentes profissionais, mestres de obras, arquitetos, engenheiros,
pedreiros, entalhadores, oleiros, ferreiros, ourives, marceneiros, etc. E dispunham ainda
de grandes escritores, m�sicos, pintores, escultores, e nove anos depois de fundada a
Companhia de Jesus, chegava ao Brasil em Mar�o de 1549 com o primeiro contingente de
Jesu�tas, formado pelos padres Manuel da N�brega, Leonardo Nunes, Jo�o de Azpilcueta
Navarro, Ant�nio Pires e mais os irm�os Vicente Rodrigues e Diogo J�come, que
acompanhando Tom� de Sousa, primeiro Governador Geral do Brasil, que aportaram na Bahia,
onde se fundaria a nova cidade, chamada do Salvador... e fundaram a Prov�ncia do
Brasil da Companhia de Jesus, que passou a ser a sede e cabe�a da Ordem Inaciana na
Am�rica Portuguesa e perto da C�mara Municipal os padres da Companhia escolheram
um lugar para construir seu col�gio, em um terreiro, que por causa deles, passou a ser
chamado de Terreiro de Jesus, nome que at� hoje conserva e que passou a ser o ponto
central da antiga cidade e fundaram uma igreja de taipa coberta de palha que dedicaram a
Nossa Senhora da Ajuda, al�m de outras prec�rias instala��es iniciais, as quais foram
sucessivamente sendo reconstru�das e ampliadas, esta igreja, a primeira dos Jesu�tas no
Brasil, foi cedida posteriormente ao clero secular. A igreja atual foi constru�da no
mesmo local, em 1914 e nela esta o p�lpito onde o Padre Ant�nio Vieira pregou o famoso
Serm�o contra a Holanda. Finalmente em 1572, o ent�o Governador Geral , Mem de S�
, inaugurou a igreja, de pedra e cal, que foi conclu�da em 1585.
O objetivo dos Jesu�tas no Brasil era a catequese de adultos e atrav�s da educa��o,
a catequese das crian�as e jovens, e no primeiro s�culo de coloniza��o apenas tr�s
col�gios foram criados no Brasil que foram o col�gio da Bahia, que dispunha de uma
not�vel biblioteca, que mesmo tendo sido desfalcada pelos holandeses, no final do s�culo
XVII contava com cerca de 3000 livros o col�gio do Rio de Janeiro e o de Pernambuco, nos
col�gios, al�m das depend�ncias internas de uso privativo possuiam celas, cozinha,
copa, refeit�rio, oficinas tamb�m havia horta e pomar, e ainda farm�cia (botica),
biblioteca e enfermaria, que atendiam tamb�m ao p�blico externo, os col�gios da
Companhia transmitiam uma cultura human�stica de car�ter acentuadamente ret�rico, que,
se de um lado atendia aos interesses da Igreja, atendia tamb�m, �s exig�ncias do
patriarcado de cana de a��car, assim, os mais importantes intelectuais da Col�nia
estudaram nestes col�gios como Bento Teixeira, Frei Vicente do Salvador, Greg�rio de
Matos Guerra, Bas�lio da Gama, Alvarenga Peixoto e outros mais, e a grande import�ncia
que a Companhia de Jesus dava para a cultura colonial foi a causa da funda��o dos
col�gios de S�o Vicente, por Leonardo Nunes, e o de Salvador, por N�brega. Logo,
acompanhando a expans�o dos trabalhos de catequese entre 1548 e 1604 quando cerca de 28
expedi��es de mission�rios foram enviadas � col�nia, uma vasta rede de col�gios
espraiou-se pelo nosso litoral: S�o Paulo (1554), Rio de Janeiro (1568), Olinda (1576),
Ilh�us (1604), Recife (1655), S�o Lu�s, Para�ba, Santos, Bel�m, Alc�ntara (1716),
Vigia (1731), Paranagu� (1738), Desterro (1750), "Nas aldeias, vilas e cidades, as
escolas intitulavam-se 'de ler, escrever, e contar'; e nos col�gios, o mestre ora se
chamava 'Alphabetarius' (1615), ora 'Ludi-Magister' (mestre-escola), e umas vezes se dizia
'Escola de Rudimentos', outras 'Escola Elementar', estava aberta durante cinco horas
di�rias, repartidas em duas partes iguais, metade de manh�, metade de tarde."
A organiza��o do ensino jesu�tico baseava-se no Ratio Studiorum, que, ao mesmo tempo em
que era um estatuto e o nome de seu sistema de ensino, estabelecia o curr�culo, a
orienta��o e a administra��o. O curr�culo dividia-se em duas se��es distintas
(inferiores e superiores), chamadas classes, de onde derivou a denomina��o
"cl�ssico" a tudo o que dissesse respeito � cultura de autores greco-latinos.
As classes inferiores, com dura��o de 6 anos, compunham-se de Ret�rica, Humanidades,
Gram�tica. J� as superiores, com dura��o de 3 anos, compreendiam os estudos gerais de
Filosofia, para a �poca, abrangendo L�gica, Moral, F�sica, Metaf�sica e Matem�tica.
Tanto num grau como no outro todo estudo era vazado no Latim e Grego e no Vern�culo. O
ensino jesu�tico, tanto em Portugal quanto no Brasil, era p�blico e gratuito.
A Companhia tinha mesmo como dever o cumprimento do voto de pobreza, que foi reafirmado
por uma determina��o oficial de 1556, proibindo aos padres acrescentar qualquer forma de
poder material ao religioso. No Brasil, por�m, dado n�o haver um amparo direto da Coroa,
como acontecia em Portugal, imp�s-se a necessidade de encontrar fontes de recursos para a
manuten��o de suas institui��es. J� o Padre Manuel da N�brega utilizara-se deste
pretexto perante o delegado da Companhia no Brasil, Lu�s da Gr�, a fim de permitir o
estabelecimento de propriedades territoriais, inclusive com a utiliza��o do bra�o
escravo, em contradi��o com o voto de pobreza. Isso n�o se restringiu � Companhia de
Jesus; o interesse pela propriedade, escravos e bens materiais foi comum �s outras ordens
religiosas que para c� vieram. tal fato n�o deixou de preocupar a Coroa, e neste sentido
foi que D. Sebasti�o, a fim de melhorar a situa��o, instituiu, em 1564, uma taxa
especial para a Companhia, a red�zima, descontada sobre todos os d�zimos e direitos da
Coroa. Mesmo assim, isso n�o era suficiente para arcar com as despesas, sustentadas, sem
d�vida, atrav�s das fontes pr�prias de subsist�ncia: as miss�es, verdadeiras empresas
agro-extrativas da Companhia, os col�gios ou suas pr�prias propriedades particulares,
e menos de cinq�enta anos depois da chegada ao Brasil os jesuitas j� haviam se
espalhado pelo litoral, de norte a sul, com muitas incurs�es, n�o ficavam apenas
nas cidades ou vilas principais, ao contr�rio, embrenhavam-se pelos sert�es, desbravando
os matos em busca dos �ndios, que eram ent�o reunidos em aldeias de tr�s tipos: as dos
Col�gios, as de El-Rei e as de Reparti��o, as quais forneciam �ndios para a pr�pria
Companhia, para o Rei e para particulares, respectivamente. Havia tamb�m as Miss�es, ou
grandes aldeamentos, situadas em terras mais distantes, nos "sert�es, nas brenhas e
nas selvas". de onde sa�ram as levas de soldados para seus ex�rcitos e ap�s
duzentos e dez anos no Brasil e ao longo deste per�odo expandiram seus estabelecimentos e
seus trabalhos desde o Amazonas at� aos limites extremos do sul do Brasil quando acabaram
sendo banidos dos territ�rios portugueses em 1759.
Do ponto de vista arquitet�nico, as principais cidades coloniais brasileiras os
religioso estabeleceram suas igrejas, conventos, mosteiros e col�gios que ocuparam o
lugar de maior destaque, e suas obras entre todas, s�o as mais significativas nos
n�cleos primitivos das cidades. e no contexto urbano da Cidade de Salvador, o conjunto
arquitet�nico dos estabelecimentos da Companhia de Jesus - Igreja, Col�gio e Convento -
imp�e-se e ultrapassa as dimens�es das demais constru��es religiosas, quer dos
Franciscanos, dos Carmelitas ou dos Beneditinos, e por sua grandeza, hoje a antiga Igreja
dos Jesu�tas � a Catedral Bas�lica da Cidade do Salvador, e o antigo col�gio e a maior
parte das depend�ncias restantes das antigas constru��es inacianas abrigam museus e
est�o sob a guarda da Universidade Federal da Bahia. e por meio dessas imponentes
express�es arquitet�nicas, e tamb�m atrav�s das casas, das aldeias e das miss�es
jesu�ticas, irradiava-se toda a vida cultural da col�nia, e foi a ideologia dos
inacianos a respons�vel, de maneira absolutamente marcante, pela forma��o e produ��o
intelectual do Brasil nos primeiros s�culos, quer na literatura, na poesia, na escultura,
na arquitetura, no teatro quer na m�sica.