ORIENTAÇÃO NUTRICIONAL
DO OSTOMIZADO
A alimentação de um indivíduo, estando em qualquer situação, é necessária e deve suprir as exigências que o organismo requer.
A criação de um hábito alimentar depende de vários fatores, entre ele: cultura, costumes, prazer/desprazer, situações, disponibilidade sócio-econômica.
Para um paciente ostomizado, sempre vem várias dúvidas, uma delas relacionada com a alimentação. Logo surge aquela pergunta: "E agora, o que vou poder comer?".
Estes pacientes devem saber que apesar de estarem mudados em alguns aspectos, continuam levando uma vida normal, tendo hábitos normais, como antes da cirurgia.
A retirada parcial ou total do intestino grosso, não afeta a digestão e a absorção dos nutrientes (proteínas, carboidratos, lipídeos, vitaminas e minerais) que os alimentos contêm, pois tanto a digestão dos alimentos como a absorção dos nutrientes é realizada no intestino delgado.
O intestino grosso tem como função formar e transportar as fezes e absorver água. Portanto, a única função que fica comprometida após a colostomia ou a ileostomia é a expulsão das fezes que passa a ser feita através do ostoma. Isto quer dizer que uma pessoa que possui um ostoma pose digerir os alimentos e absorver todos os nutrientes, normalmente, o que lhes garante a manutenção de todas as demais funções do organismo e de boas condições de saúde.
Na fase em que o indivíduo retorna a sua casa, deve passar, gradativamente, dos alimentos semilíquidos e brandos aos mais sólidos. Os temperos posem ser óleo (milho, canola, soja, girassol, azeite), sal, alho, cebola, salsa e cebolinha, em pequenas quantidades, e observando sempre a tolerância do organismo.
Deve ser evitado alimentos muito duros, resistentes à mastigação, principalmente se a pessoa possui prótese dentária e tem dificuldade para triturar bem os alimentos.
É importante lembrarmos que não existe uma dieta especial e sim, algumas considerações especiais a serem feitas. Assim, os ostomizados poderão realizar uma alimentação saudável, variada e agradável aos seu paladar, melhorando sua qualidade de vida.
Alimentação logo após a cirurgia
Nesta primeira etapa, deve-se analisar se o paciente não recebeu dieta por via oral ou se a ingestão dos alimentos foi muito escassa durante a primeira semana do pós-operatório. Neste caso, o ideal é iniciar a dieta com alimentos pobres em gordura e em resíduos.
Se deseja ter padrões satisfatórios de eliminação, deverá ingerir os alimentos a intervalos regulares, consumindo quantidades pequenas e freqüentes ( 3 refeições pequenas e 2 lanches é um bom exemplo).
Acrescentar os alimentos gradualmente, em pequena quantidade (forma experimental).
Introduzir um a dois alimentos por vez, assim poderá identificar se algum alimento causa problema.
Se um alimento não é bem tolerado, não eliminá-lo para sempre de imediato e sim, aguardar um tempo e tentar introduzi-lo novamente na dieta.
Uma dieta pobre em resíduos não é benéfica para todas as pessoas e nem deve manter-se por longos períodos. Neste caso, as fezes apresentam-se líquidas da princípio, até que o intestino promova aumento da absorção da água, normalizando sua função.
Complicações que podem ocorrer no dia-a-dia:
# Diarréia;
# Constipação.
# Diarréia:
As causas da diarréia podem ser variadas, como a ingestão de algum alimento que não estivesse bom, intolerante pelo organismo, e também por tensão emocional associado a outro problema de saúde qualquer, como por exemplo: gripe.
Neste caso, o indivíduo deve excluir e consumir alguns alimentos, podendo ser útil para controlar os sintomas, ajudando, assim, o organismo a restabelecer as funções normais mais rapidamente.
Em caso de diarréia devem ser consumidos alimentos como:
> Maça – sem casca, em pedaço ou ralada;
> Banana-maça;
> Polpa de goiaba cozida – retirar a casca e o miolo com as sementes e cozinhar semente a polpa em água com dextrosol;
> Maisena – em sopas ou mingaus;
> Gelatina;
> Arroz e creme de arroz;
> Ricota fresca ou queijo branco;
> Mandioquinha.
Já devem ser evitados alimentos como;
> Feijão e outras leguminosas como ervilhas, lentilhas, grão de bico, amendoim e soja;
> Verduras cruas ou cozidas;
> Mel;
> Doces concentrados; bananada, goiabada etc...
> Condimentos fortes: pimenta, noz-moscada, mostarda, catchup, molho inglês;
> Alimentos gordurosos: frituras, maionese, creme de leite, toucinho;
> Embutidos; presunto, mortadela, salsinha, lingüiça, salame e outros.
Enfim, outros alimentos podem influenciar dependendo de indivíduo para indivíduo. Exemplo: Algumas pessoas precisam deixar de tomar leite quando estão com diarréia. Devem substituí-lo, então, por queijo fresco ou ricota fresca. Já para outras, o leite não exerce influência alguma. Por isso é importante estar atento para descobrir que tipo de resposta fisiológica cada alimento provoca no seu organismo
A aveia, por exemplo, é um alimento laxativo para maioria das pessoas. Entretanto, já foi encontrado entre as pessoas atendidas em serviços públicos, indivíduos para os quais esse alimento contribui para tornar as fezes mais pastosas quando se encontram excessivamente líquidas.
As fibras vegetais tem a propriedade de absorver água, tendo um efeito esponja. Quando a água é absorvida pela massa fecal, as fezes tornam-se mais pastosas.
Portanto é fundamental que cada um observe o funcionamento de seu intestino, procurando estabelecer relações entre a produção de gases e consistência das fezes, e os alimentos consumidos nas trinta horas anteriores à eliminação.
As carnes, em casos de diarréia devem estar bem cozidas, com pouca gordura ou grelhadas, enfim carnes magras.
As reposições hídricas deve ser feita com líquidos (água, chás, sucos de frutas) e em casos extremos utiliza-se soro caseiro durante o dia. O preparo deste soro caseiro é muito simples: num copo de água coloca-se 1 colher de chá de açúcar de 1 pitada de sal.
# Constipação:
Surge sempre na cabeça dos ostomizados dúvidas como: " E se o intestino não funcionar? ". E é necessário mostrá-lo alimentos que podem favorecer ou não a constipação.
Caso não haja nenhuma obstrução no ostoma, o intestino do colostomizado deve funcionar uma ou duas vezes ao dia. Se isto não acontecer, alguns alimentos poderão auxiliar o funcionamento intestinal:
> Mamão;
> Ameixa;
> Verduras;
> Beterrabas;
> Mel;
> Aveia;
> Arroz integral.
Também será muito bom tomar 1 copo de água em jejum, tomar bastante água durante o dia e caminhar.
A formação de gases no intestino, chamada também, flatulência, causa constrangimento, desconforto e preocupação ao ostomizado, embora não apresente nenhuma alteração de ponto de vista da saúde. Devem ser tomadas alguns cuidados, no sentido de prevenir uma formação excessiva de gases.
Dúvidas com relação a sensibilidade do intestino:
Embora as funções de digestão e absorção dos alimentos não tenham ficado prejudicadas, e a maioria os pacientes, ao deixar o hospital, tenha sido orientada gradativamente a voltar a alimentação normal e " comer de tudo", freqüentemente as pessoas intolerância a um ou mais alimentos. Passamos a analisar a seguir algumas possíveis causas de dificuldade digestivas:
1 – passa um tempo consumido alimentos bem leves e em pequenas quantidades. Quando ele retorna a sua casa, volta gradativamente à alimentação habitual, o apetite aumenta, a pessoa vais ganhando peso, sente-se bem e, de repente, comete um excesso alimentar qualquer para o qual o organismo não está mais habituado.
2 - após a cirurgia, o paciente toma muitos antibióticos que destroem a flora intestinal normal. Até que ela se refaça leva um certo tempo até que o organismo habitua-se ao tipo de alimentação que recebe. Após a cirurgia o paciente tempo, e este fator também pode ser causa de alterações digestivas.
3 – Algumas pessoas recebem nutrição parenteral total (a pessoa não ingere nenhum alimento por via oral e os nutrientes são fornecidos em sua forma mais simples, através de soro, que é injetado por via intravenosa) após a cirurgia e o seu aparelho digestivo passou dias, ás vezes meses, sem receber qualquer alimento. Devido à falta de estímulos, a secreção de enzimas digestivas diminui muito.
4 – É lógico que após uma cirurgia se passe a prestar atenção a tudo o que acontece no organismo. Pode-se passar a perceber sintomas que talvez até já existissem antes da cirurgia, só que, naquela época, não se dava importância a ele . Um alimento mais condimentado ou gordurosos pode provocar alterações digestivas a qualquer pessoa. Infelizmente, a maioria de nós encara isso como normal e sobrecarga o trabalho digestivo com excesso de diversas naturezas: excesso de condimentos, gorduras, açúcar, álcool ou mesmo o excesso de quantidade de alimento ingerido, qualquer que seja ele. Outras fazem o inverso, não tomam o café da manhã, deixam de almoçar ou jantar alegando falta de tempo ou outro motivo qualquer. O "sofrimento" que tudo isso causa ao organismo é incorporado como normal. Após uma cirurgia e uma alimentação leve durante algum tempo, as pessoas desenvolvem uma sensibilidade maior para perceber os sinais do seu organismo e estão muito mais atentas a esses sinais. Isto deve ser assimilado como um fato positivo, pois revela um crescimento da capacidade de auto conhecimento, um aprimoramento da sensibilidade para "ouvir" o que o organismo tem a dizer e, consequentemente, melhores condições de se autocuidar.
5 – Com o avançar da idade há uma redução na eficiência do organismo para realizar todas as funções. Isto ocorre, é normal, com todas as pessoas. Pessoas idosas poderão, erroneamente, atribuir eventuais dificuldades digestivas ao fato de terem uma colostomia ou uma ileostomia, quando na verdade, essas dificuldades são decorrentes do próprio envelhecimento e viriam a ocorrer de qualquer maneira com o avançar da idade.
Alimentos com implicações especiais para ostomias:
Os alimentos que vamos mencionar devem ser considerados para prevenir bloqueios, evitar gases, odores ruins, irritação no cólon ou mudança de cor nas fezes.
# Alimentos formadores de volume ou bloqueios:
Aipo, comida chinesa, nozes, repolho, frutas secas, côco, pipoca, vegetais crús, grãos, alimentos fibrosos.
Estes devem ser considerados especificamente por ileostomizados. Não devem ser omitidos e sim , devem ser ingeridos com discrição e mastigados completamente.
# Alimentos que produzem gases:
Repolho, feijão, cebola, pepino, refrigerantes, espinafre, couve-flor, chicletes, couve, nabo, rabanetes, pimentão, bebidas alcoólicas, ervilha, milho.
# Alimentos que produzem mau odor:
Pescados, manteiga de milho, repolho, alho, óleo de fígado de bacalhau, cebola, queijos fortes, ovos, aspargos, preparados com multivitaminas.
# Alimentos que irritam o cólon:
Vegetais crús, leite, frutas secas, vegetais com folhas verde escuras, ameixa, bebida alcoólicas, cereais de grãos integrais.
# Alimentos que causam mudança de cor nas fezes:
Morango, gelatina de morango, corantes vermelhos em doces, beterraba, suplemento de ferro.
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