DEMARCAÇÃO

 

    É na fase pré-operatória que a Enfermeira juntamente com a equipe multiprofissional firmam o compromisso com paciente de reabilitá-lo da melhor forma possível. É nesta fase que ocorre a demarcação do ostoma.

    Ter o estoma bem localizado na parede abdominal, além de constituir uma direito do paciente, possibilita as atividades de auto-cuidado relacionadas à higiene do ostoma e pele periestoma, remoção, colocação e manutenção do sistema coletor, contribuindo para a prevenção de complicações e, ainda, facilitando a reintegração social do mesmo.

    A seleção e a demarcação do local onde será exteriorizado o ostoma devem ser realizadas no período pré-operatório. Tais procedimentos são de responsabilidade do enfermeiro juntamente com a equipe multiprofissional.

    Um ostoma em local não adequado trará ao paciente uma série de problemas tanto de ordem física, econômica e social tornando assim o paciente inseguro com sua nova condição de vida.

    A fim de evitarmos estes danos devemos seguir os passos da técnica da demarcação em toda sua complexidade, envolvendo equipe multiprofissional, paciente e família.

    SMITH (1992), aponta fatores que devem ser levantados e avaliados:

1 – tipo de cirurgia realizada: permite conhecer a porção do trato intestinal, o quadrante abdominal mais indicado ( direito, esquerdo, superior e inferior).

2 – localização do músculo reto abdominal: O reto abdominal é o músculo que se estende do apêndice xifóide à sinfise púbica. A sua identificação pode ser feita por inspeção e palpação. A palpação é realizada com o paciente em decúbito dorsal, solicitando-lhe que eleve a cabeça, o que torna o músculo proeminente. A borda lateral do músculo deve ser delimitada uma vez que a exteriorização da alça intestinal é feita através da bainha do músculo, diminuindo o potencial para ocorrência de prolapso e hérnia paraestoma.

3 – distância adequada: de dobras e pregas de pele e gordura, cicatrizes anteriores ( incluindo a umbilical), linha de cintura, rebordas ósseas (principalmente a espinha ilíaca, ântero superior e costelas) e incisão cirúrgica. O ostoma deveria ser demarcado abaixo da linha de cintura resultando em maior conforto e menor interferência futura no vestuário do paciente. Está distância deve ser no mínimo de 4 a 5 cm de forma que facilite a aderência do sistema coletor.

4 – visualização fácil do ostoma: este fator possibilita a independência no auto-cuidado. A demarcação do ostoma sobre a saliência gordurosa infra-umbilical favorece a visualização. Atenção especial deve ser dada às mulheres de mamas grandes e pêndulas e também ao obesos.

    OBS.: outros fatores poderiam ser mencionados como os aspectos físicos, sociais, culturais e religiosos assim como habilidades preservadas ou alteradas pela idade e doença visuais, auditivas, musculares.

    Terminada a seleção do local, com base nos fatores apontados, faz-se a demarcação, mais freqüentemente, com uso de caneta de tinta à prova d’água, que é um método indolor, não invasivo e econômico.

 

METODOLOGIA PARA DEMARCAÇÃO

 

    Orientar o paciente sobre o procedimento e sua finalidade, a fim de obter a sua colaboração;

    Posicioná-lo, confortavelmente, em decúbito dorsal;

    Avaliar a superfície abdominal, dividindo-a em quadrantes e delimitando, a seguir, a linha da cintura e o músculo reto abdominal;

    Verificar qual a melhor localização levando em consideração a colaboração do paciente;

    Passar tinta de caneta apropriada.

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